CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.


quarta-feira, 30 de julho de 2008

EU TENHO TANTO PRA LHE FALAR...




Filho, eu tenho tanto pra lhe falar, mas com palavras, não sei dizer. Por isso, deito os meus braços sobre você.
Filho, eu tenho tanto pra lhe falar, mas... “Cale a tua boca! Assim fui ensinado, assim também terá que aprender.”
Filho, eu tenho tanto pra ....“ Já pro quarto, de castigo, por ter feito isso comigo.”
Filho, eu tenho: “Derrubou o leite na mesa, vai limpar com o nariz pra aprender a virar gente.”
Filho... “Vou contar aos teus colegas da escola o moleque que você é, pra ficar com vergonha.”
Filho, eu tenho tanto pra lhe falar. Filho, eu tenho tanto. Filho, eu tenho. Filho!
Filho!!! Eu tinha tanto pra lhe falar, mas meu silêncio não me deixou.
Filho, os meus braços estão abertos, volta pra eles. Filho, fale comigo, o seu quarto o espera. Se quiser, posso levar uma caneca de leite quente pra você tomar na cama. Volta meu filho! De qualquer jeito eu o quero, quebrado ou inteiro, não importa o jeito. Quero vê-lo sorrindo , com aquele seu jeitinho maroto, cheio de saúde e sapeca. Volta meu filho. Vamos convidar os seus amigos a virem em casa e brincaremos juntos. Vamos passear naquela praça onde nunca fomos. Sempre o achei organizado, com os seus carrinhos todos bem guardadinhos no armário. Isso era bom, Mas agora, podemos esparramá-los no chão, o que acha? Iremos ao cinema ou assistiremos a um filme engraçado em casa, fazendo farra e comendo pipoca.. Vai gostar, uma experiência nova. Filho, no seu aniversário vamos fazer aquela festinha que você sempre nos pediu. Prometo que vou dar um jeito pra sua festinha ficar bem animada, convidar todos os seus colegas. Sei que você não tem muitos, mas até lá vai arrumar bastante. Faremos uma viagem, pra quando chegarmos, contar aos seus amigos tudo o que você pôde ver de bonito. Filho, você está gostando do que estou falando pra você? Responda filho, tem que me responder. Droga! Você nunca vai me entender. Já está chegando a hora filho. Vou beijá-lo agora. Filho, sua pele é tão macia, tem a maciez de um bebê, cheirinho de bebê e gostinho de filho. Filho, você tem um jeitinho de filho que eu não havia reparado ainda. Filho, está chegando a hora. Estou sentindo uma vontade imensa de abraçá-lo e dizer algumas coisas que eu nunca disse porque, com palavras nunca soube dizer, com gestos nunca soube dizer, com sentimentos nunca soube dizer. Chegou a hora. Fechou. Nunca mais vou ter a oportunidade de dizer o que, ainda, não tenho coragem de dizer. Um dia eu vou gritar
“Meu filho, eu te amo.” E de onde você estiver, por certo, irá me ouvir e poder me perdoar.
Quem ainda não praticou nada disso que passe sobre o texto a primeira borracha.

Texto publicado no Jornal Folha da Região em 30/07/2008.

quinta-feira, 24 de julho de 2008

QUERO FALAR SOBRE A FLOR AZUL


QUERO FALAR SOBRE A FLOR AZUL

O Romantismo nasceu na Alemanha e é fruto de dois grandes acontecimentos na história da humanidade, ou seja: a Revolução Francesa (1787-89) e a Revolução Industrial (1750).
Essas duas revoluções provocaram e geraram novos processos, desencadeando forças que resultaram na formação de uma sociedade moderna, moldando, em grande parte, os seus ideais (sociais). Impetuoso e vital, precedido pela corrente literária pré-romântica “Sturm und Drang” (tempestade e tensão), o Romantismo surgiu como um movimento que privilegiava o sentimentalismo e a subjetividade individual, em oposição à estética racionalista clássica, somando, ainda, o interesse pela nacionalidade, pelo retorno à natureza, melancolia e o mais forte – o isolamento.
Desta tendência estética e filosófica, que é o Romantismo, nasceu também, o homem capaz de criar livremente, que colocou nas palavras seus impulsos. O artista que não teve medo de rasgar seu peito e expor sentimentos, que teve coragem de transgredir regras, pular obstáculos, o poeta que, com seu espírito de rebeldia, liberdade e independência conseguiu descortinar o misterioso, o irracional e o imaginativo da vida humana e, ainda assim, ser aplaudido e homenageado como gênio criador que se cria e cria, e que tem a competência de fugir para o passado ressuscitando-o, transcender-se e reencontrar a natureza ,que era explicita e não vista, e sonhar com um outro futuro diferente ao presente em que vivia.
Não houve Nação, nem sistema político que calasse essa filosofia, esse idealismo e o desejo de liberdade que conduziu esse novo homem cuja raiz se fortificou na palavra, e que se espalhou sobre toda uma terra, a semente germinadora de sonhos e ideais verdadeiros. A apreensão da verdade deveria se dar diretamente a partir da experiência sensorial e emocional do homem escritor; a imitação dos modelos clássicos foi realmente abandonada, tão formidável e benevolente semente, que fez nascer a árvore e que deu vida ao filho da palavra. Palavra da vida - O Poeta.. Como eu digo, e gosto sempre de afirmar : Poeta é coisa da semente, é semente que brota. Fruto que cai em terra , terra que engole o fruto. Fruto que gera árvore, árvore que gera vida e que nunca morre. É morte buscando vida com ânsia de vida. É natural, é natureza. É criador e criatura. Desvenda mistérios em onírico viver. O cerne de seu próprio cerne. Um profeta o poeta é. O texto continua pra dizer sobre o profeta: a nossa flor azul.


Texto publicado no Jornal Folha da Região em 20/07/2008

A COR QUE OS OLHOS SENTEM



Uma criança chamada “algum de nós” perguntou ao seu pai que se chama “todos nós”:
_ Pai! Por que o céu é azul?
O pai lhe respondeu:
_ Filho, o céu é azul porque Deus o fez azul.
_ Mas pai! Por que Deus fez o céu azul? - Continuou o filho.
_ Deus o fez azul, meu filho, porque Ele escolheu o azul. – Explicou- lhe.
_ Por que Ele escolheu o azul e não o cor-de-rosa?
_ Porque Deus, meu filho, é Homem e azul é cor de homem.
_ Então Deus fez o céu só para os homens, pai?
_ Não, meu filho. Ele fez o céu também para as mulheres, crianças, animais, vegetais e tudo mais que vive embaixo dele.
_ Então pai, por que Ele não fez o céu colorido?
_ Porque Deus é Homem, já lhe falei. Além do mais o homem gosta de estar sobre tudo, o céu está sobre nós. Ele, Deus, pode mudar o tom da cor azul, às vezes o céu fica azul mais claro, a noite fica escuro, mas continua azul.
_ Pai, tem dia que o céu fica cinza...
_ É quando ele se esconde de medo das tempestades. Mas por trás do cinza ele continua azul.
_ Mas pai! Se o azul é cor de homem e o céu é azul por que ele se esconde atrás do cinza? O azul é cor de homem. Homem, pai, não tem medo de tempestade. Pai, qual é a cor de mulher?
“Todos nós”, o pai, amarelou totalmente naquele momento.
“Algum de nós”, então criança, perguntou:
_ Pai! A tempestade é cor-de-rosa?
_ Às vezes. Não... Quer dizer... É!
_ Pai, por que Deus fez a tempestade cor-de-rosa?
_ Não foi Ele quem fez. Aliás, o cor-de-rosa é um vermelho meio desbotado. É uma mistura, como a tempestade. Misturam-se os climas e ela acaba acontecendo.
_ Pai! Quem fez o vermelho?
_ O vermelho, filho, é uma cor primária tanto quanto o azul e o amarelo.
_ O que é cor primária, pai?
_ É uma cor que não precisa de uma outra cor para ter sua própria tonalidade.
_ A cor-de-rosa precisa, pai?
_ Sim. A cor rosa precisa de duas cores para ter sua própria cor. É o vermelho misturado ao branco.
_ Por que a cor branca não é primária se ela não precisa de outra cor pra ser branca, pai?
_ Porque branco, simplesmente é branco. E pronto! Nem é cor...
_ Não é? - Perguntou a criança com muita indignação.
_ Menino! É cor sim. Mas não tem tonalidade.
_ Pai...
_ Hum!
_ O azul está no céu. Deus fez o céu com a cor azul, então o azul é a primeira das cores primárias?
_ Não sei!
_ Pai, será que Deus usou uma cor primária porque não sabia misturar as cores, torná-las diferente?
_ Que besteira – respondeu “todos nós”.
_ Eu gosto de cor-de-rosa. Mas eu gosto de vermelho e também gosto de branco - afirmou, rapidamente, o menino ao pai.
Aquele pai que se chama “todos nós” olhou fixamente para a criança que se chama “algum de nós” e lhe disse:
_ Se você crescer tendo essa preferência ao cor-de-rosa poderá ter algumas marcas roxas nesse teu corpinho branco.
O diálogo acabou ali.
O tempo, caprichoso que é, cuidou em deixar as cores do mesmo tom de outrora. Elas não envelheceram porque as cores não envelhecem.
O céu, por sua vez, permanece azul. Às vezes mais claro, outras mais escuro. Cinza, avermelhado, amarelo e também, muitas vezes, branco como algodão.
As tempestades?
Continuam, é claro, com todo o seu tom de autoridade. Sem avisar, ela chega e leva tudo. Em muitas circunstâncias, tiram até as cores. Levam-nas para bem longe fazendo com que escorram por todo um lamaçal.
Então, um grande azul deixa-se borrar por um amarelo-alaranjado que depois fica bem vermelho e toma a cor de brilho.
O azul se irradia. O lamaçal seca. As cores renascem e um colorido infinito domina todo o transparente. E assim, os nossos erros e acertos. Se não agirmos, não teremos a chance de errar, muito menos de acertar. Não veremos tempestades, tampouco, veremos um sol brilhando a nos sorrir.


Texto publicado no Jornal Folha da Região em 23/07/2008

terça-feira, 8 de julho de 2008

DEIXA QUE CHOREM SOBRE O SEU CADÁVER, SENHORA!



“Quando aquele corpo, embora sendo seu, jazer em outra cama, deixa, Senhora, que chorem sobre o seu cadáver.
Quando aquele corpo, já tão frio e seu, e elas, ali paradas, querendo sobre ele chorar, deixa que chorem sobre o seu cadáver.
Quando o seu cadáver, já ex-são, embora seu, jazer tão frio, deixa, Senhora, o palco livre que outros, ali, chorem o seu cadáver.
Quando aquele cadáver, em palco livre, já chorado pela Senhora, por elas e por todos, pedirei que me deixe chorar sobre o seu cadáver, agora homem meu, que jaz no palco que para mim nunca fora livre.
Deixe-me chorar sobre o corpo quente desse seu, e sempre meu, que todos, embora o olhassem, não sentiram o quente corpo, como nós Senhora, sentimos.
Quando o seu corpo, embora meu, tão quente e firme, deitado à cama, e eu sobre ele deslizar, deixe-me, Senhora! Deixe-me, Senhora! Outrora seu, também tão meu, ainda meu, tão quente e firme, suave e belo. Deixe-me, Senhora!
Deixarei minha alma chorar, porque ela sente o quente da alma dele, ainda viva dentro de mim. Viverá para sempre nesta minh’alma que se completa agora que o terei eternamente meu.”

Amada! Tracei essas palavras e as costurei aos moldes do seu luto. O maior Homem do mundo também foi amado e também morreu. Abrace a dor que lhe cabe, pois é à ela, a Senhora, que ficarão os filhos e outros bens. A você? O vazio, a saudade e os dedos em riste. Suportará, por certo. Suportou tanta ausência. Fez de lágrimas, sorrisos para alegrá-lo, elevá-lo.
O ajudou , tantas vezes, a voltar para a casa fortalecido para suportar o que lá o esperava. Se ela foi uma Senhora Dama e você foi uma dama de companhia, não importa agora. O que importou foi o quando se encontraram, se entrelaçaram, se descobriram e se amaram. Os semelhantes possuem suas diferenças, quanto mais nos aproximemos deles, tantas mais as descobrimos. Se você foi o efeito, procurar a causa aonde? E não é assim : “Pessoa tão boa, de tantas qualidades. Por que tinha que morrer?” Quem sabe das qualidades ou dos defeitos? Quantas ele não deve ter aprontado lá, e você não soube, Amada, até que ele chegasse aos seus braços? Ou pior, em quantos braços ele já não deve ter passado antes de chegar aos seus?
Mas se você acha que será a última, pois não há mais tempo a ele, proporciona-lhe um dia de amor, diga-lhe tudo de bom que traz em sua alma e o faça plenamente feliz para que, entre beijos e gemidos, ele alcance os seus ouvidos e confesse ter sido você, embora tarde, a razão da passagem dele nesta vida. Depois, continue vivendo. A partida deverá ser dele e não sua. Lembrando, espécie desse tipo dá em pencas a um precinho de ocasião.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

COMO UMA PANELA DE PRESSÃO



Ela era chique e tudo o que tinha era de marca famosa. Comprou uma panela de pressão. “A Máquina de Cozinhar”. Não explode como aquelas chinfrins que leva a proprietária a óbito depois de tê-la exposto em algumas páginas de noticiários: “Dona de casa perde a cabeça...”
A dela foi comprada direto na fábrica.
Explodiu! Ela ouviu aquele chiado de maria-fumaça e saiu correndo. Desesperada pra desligar o fogão, nem se deu conta de que a “Máquina de Cozinhar” havia explodido, porém, pra baixo. Despejou todo o caldo do feijão em seu porcelanato que, por coincidência, igualavam-se nas cores. Não viu o caldo e no chão ela ficou.
Explosão de grã-fino é assim, joga a sujeira no chão e dá rasteira. Não se importou. Levantou-se com classe, era madame. A “Máquina de Cozinhar” , como as outras, tem borracha e válvula. Achou que poderia ser a borracha e na fábrica compraria outra. Encheu-se de si. Pegou bucha, palha de aço e sabão e se pôs a esfregar a tampa da Máquina. Queria levá-la assim, compraria a borracha na medida certa. Apesar de ela sempre lavá-la direitinho, deu um trato especial para aquela ocasião. Embora luxuosa, gostava, ela mesma, de fazer a limpeza da casa, achava-se competente pra isso. Já brilhava, e os braços dela doíam pelo esforço em tentar deixá-la brilhando ainda mais. A tampa dela brilhava mais do que a das outras Máquinas, com certeza!
Entrou em seu carro prateado que só o era porque ela não gostava da cor de ouro. Estacionou em uma sombra, bem em frente a fábrica, mas resolveu dar ré e pôr o carro no sol pra que reluzisse ainda mais o brilho de sua tampa, pelo menos enquanto estivesse por ali. Subiu os degraus, parecia uma girafa, tamanho foi o esforço para erguer a cabeça, e com a tampa brilhante na mão.
Um funcionário a recebeu com desdém, levou-a para o fundo da fábrica; e ele com a tampa dela, pra ele, uma tampa qualquer. Aquele fundo era uma bagunça.
_ A senhora não costuma fazer a limpeza completa?
_ Hã!?
_Olha quanta sujeira tem dentro da válvula. Se não fizer limpeza, ela entope e vaza por onde? Explode mesmo!
Amiudou-se diante de tanta sujeira, dela, descoberta por outra pessoa.
Calada, só ouvia as explicações do funcionário sobre a limpeza da “Máquina”.
Queria explodir também, cozia os ingredientes da raiva tampando-a. Sorriso nos lábios, abrilhantava-se. Afinal, cozinhar é arte de controle das artérias. Não pode ter pressão senão explode. Se assim fizesse, os dos arredores só viriam a sujeira dela e ainda a usariam pra lhe passar rasteira, tal qual a sua panela de pressão.

UM ELEFANTE INCOMODA MUITA GENTE. UMA FORMIGUINHA INCOMODA MUITO MAIS.



Elefante é um bicho grande. Incomoda pelo tamanho, pelo cheiro. Incomoda porque... Porque incomoda, ué! É um animal em extinção. Alguns estão no zoológico, outros no circo. Poucos estão em seu habitat natural. Apesar de ser grandalhão, tem um cérebro do tamanho de uma formiga. Se ele tiver uma formiga formidável dentro dele, “vixi!”, ele será grandalhão e inteligente. Aí sim, vai incomodar muita gente mesmo! Mas é fácil tirá-lo do caminho. Pelo tamanho todos conseguem vê-lo. É só juntar muita gente forte, amarrar o bicho, pôr na jaula e mandar pra onde achar que deve, afinal, qualquer agulha consegue acertá-lo.
A formiga... Bem, a formiga é um bichinho muito pequenininho. Tão pequenininha que muitas morrem sem antes conseguir ver o próprio pé, pois os pés dos outros as esmagam logo que saem do ninho. E por falar em ninho, têm os de cobras. Nesse, nem elefante, tão pouco as formigas, gostariam de meter os pés. Ou patas? Hum! Sei não! Melhor usar patas porque se metem com as galinhas, são do mesmo círculo e a gente vai falando, o novelo enrolando e poucos entendendo.
Por falar em entender, dizem que, quanto mais entendemos das coisas, mais inteligente somos. Ouvi uma história, mas não entendi direito. O que eu sou, então, já que eu não entendi? E a história foi rolando. Galinhas e patas brigando pra bicar uma formiga. Mas a bichinha era ligeira e sabia do apetite das penosas por ela. Na disputa, saiu correndo. Viu-se acuada em determinado momento e o único esconderijo foi o ninho da cobra. Lá adentrou. O espaço era pequeno, feito para o formato da cobra, se esticada. Um cano? Parecia que a formiga ia entrar pelo cano mesmo. A cobra percebeu algo, mas nada via. Sentia que pisava nela, pesando-lhe. Rastejou-se e saiu do ninho. Teve espaço. Esfregava-se no chão pra tentar tirar aquele incômodo que andava pelo seu corpo. A formiguinha ficou. A cobra dava de rabada em si mesma tentando livrar-se daquilo, enquanto as penosas assistiam à cena. Sentiu o negócio andando por sua cara. Contorceu-se toda e meteu o próprio rabo na cara, mas não acertava a formiguinha. E a cara foi inchando. Sábia, pois seu cérebro era grande, a formiguinha desceu pelo corpo da cobra alojando-se nas costas. Foi quando a cobra pode vê-la. Aquela, provocativa, sorriu para esta que, num ataque destemido, meteu as presas no próprio corpo, morrendo com o próprio veneno. A formiguinha saiu ilesa. As penosas aproveitaram e comeram a cobra, mas morreram de indigestão.
O elefante? Celebra o cérebro da formiga e sua razão de ser.

POR FAVOR, NÃO TAPEM OS BURACOS.




Há muito, ouvimu e lemu nus nuticiáriu os probrema que os povo de Araçatuba infrenta por conta dos ‘buracus’ abertos em cada rua dela.
_ Tapem! Tapem!
_ Tapo! Tapo!
E nada de taparem.
Se nóis analisá pelo lado obivis da coisa, chegaremos a umas concrusão óbivias, nas vias dos fatos.
Quem governa Araçatuba, realmente ama ela. Por isso, os buracu. Nóis, os recramantes dos “Tapem! Tapem!” somos os verme que transitamu por sobre a pele desta terra. Os buracu, nada mais é , do que cada um dos interstícios hipotéticos entre as moléculas deste corpo chamado Araçatuba e sobre o qual pisamos. Num sabi u qui é isso? Intão?! Recrama dus buracu pro quê? Se nóis cai dentro desses pequenos orifícios é porque nóis é realmente uns verme. Somos menores que os buracu, razão pela qual recramamus deles. Ninguém, nem os vermes, gosta de ser menor do que o nada. I óia, tô falanu craru pra todo mundo intende. Si tampar os buracu, Araçatuba morri. Mais morri de morte matada, que é diferente de morte morrida. Então? Quem governa Araçatuba num ama ela mesmo? São cientistas de causa pensada. Defendem a tese : “tenho o maior tesão por ela”. Por isso, dia e noite, noite e dia “flaudem” ela. Amam ou num amam ela ?
Sô caipira, mais sô isperta ô!
Vamu vorta pros obivis e as vias dos fatos. Se os buracu tão pra fora, o conteúdo tá pra dentro. Logu, quem é o conteúdo, sinão Araçatuba? Igual u nosso corpo, apesar de verme, é um corpo. Dentro da nossa pele tem um recheio e esse recheio de vez em quando precisa sorta uns cheiro. Se não tiver buraco vai sorta por onde? Araçatuba não tinha essa oportunidade, coitada, até alguns anu atrás, já pensaram? 92 anus seguranu gás! Ainda bem que, agora, tá nas mão de gente séria, humanas mesmo. Ama ela, di frente e dis costa. Si tampa us buracu, o que vai acontece?
Ta danu pra intende? Joga caminhões de terra nos buracu pro ce vê o que se sucede. Asfixia ela! Aí, ninguém mais arriba a bichinha. Deixe os caminhão di terra segui outro curso, sô! Se ocês discorda do que to dizendo, então tenho outra solução:
Tirem – na do buraco, primeiro, pois ela está “encraterada”. Se virem cada um dos dedinhos dela, puxem-nos, salvando-a. Estaremos, desta forma, atendendo ao seu pedido de socorro. Enquanto há vida, há esperança, na qual devemos nos agarrar. Se assim não fizermos, seremos, de fato, uns vermes e cairemos na mesma vala onde jazem os que, há anos, dizem que “a ama” mas a violentam em todos os sentidos.
“Estupre, mas não mate!” É tese pra quem gosta de buracos e sobre os quais gozam suas verborragias.

VAI DEIXAR O SEU ANJO CAIR?




Você já abraçou seu filho hoje? Você já deu um beijo em sua testa? Ou você é muito ocupado para perceber, que do seu lado tem um anjo precisando de você? Você já abraçou seu filho hoje? Você já deu um beijo em sua testa? Antes que seja tarde, lhe faça um carinho. Corra, abrace forte o seu filhinho. *

Tem anjos que são enviados pelo Criador. Tem anjos que, simplesmente, escorregam do céu porque a pressa é muita, não querem esperar a vez de receber amor. Aqueles são recebidos de braços abertos. Estes, escorregadios ou displicências do Senhor? Não nos cabe julgá-los, apenas uma mera observação. Estes, algumas vezes, no escorregão, encontram, pelo caminho da queda, outros anjos que lhes entendem as mãos e servem-lhes de pára-quedas na aterrissagem. Não falaremos dos enviados como não falaremos destes socorridos. Outros, do mesmo bloco de lambaris ensaboados, caem direto no chão e, como se de vidro fossem, espatifam-se. Um outro anjo, que deveria estar de braços abertos para protegê-lo ‘na e da’ queda estava, simplesmente, de braços cruzados. Talvez, estivesse ocupado e não percebeu que aquele anjo era o complemento do seu eu. O anjo, de braços cruzados, já adulto, percebendo aquela caca de cacos no chão, resolve organizar o ambiente. Junta os pedacinhos, com todo amor e carinho e vai colando um a um, até que seu anjo, totalmente reconstituído, toma feição de criança. Os braços, enferrujados por terem ficado por muito tempo cruzados, não conseguiam, ainda, envolver aquele corpinho de cacos e cola. Mas o esforço foi grande e as engrenagens foram se lubrificando naturalmente. Forças do exercício. Cacos e cola foram se esticando a medida em que, braços desenferrujados os envolviam. Passaram a ser dois em um. Com o suor dos sentimentos, cacos e cola começaram a se desprender. Cola não colava mais os cacos. Cacos perderam suas formas. Anjo adulto, mais velho, tirou areias dos seus olhos e, com elas, modelou os cacos para que se encaixassem na cola. Nem toda areia foi suficiente. Cacos com cola, já inteligente, chamou seu anjo de mãe. Mãe, já quase madura, chamou aos seus remendos: filho.
Ela o abraçou e deu-lhe um beijo na testa. O calor de seus lábios fez derreter um pouco da cola, descolando um caco, bem no centro do crânio. E assim são os remendos de um anjo que caiu fora do ninho. Mas a mãe, no seu instinto acolhedor, chora, ri , ama e abraça forte o seu filhinho, enxugando, sempre, algo desagradável, que não consegue identificar, mas que fica vazando pelos pequenos vãos entre os cacos e a cola.
* desconheço o autor

PICADURA DE MOSQUITO

Onde já se viu ?! Nós, seres humanos, tão evoluídos, entregarmos o planeta nas asas dos mosquitos. Eu já peguei. Todos, na minha casa, pegaram. Os meus vizinhos também sentiram a dor que a picadura do mosquito causa. Se você ainda não pegou, vai pegar. Não estou lhe rogando praga. A praga está no ar, armados de corpo e asas pra poder nos picar.
Onde já se viu ?! Inseto safado! Safa-se de veneno e repelente. O bicho é pequeno, mas é mais esperto do que muita gente. É um monstro que voa raso, adora água parada. Tem gente que colabora com ele. Isso não é um atraso? É mestre no que faz. Competente, não erra o alvo. Com a sua ‘picadura’ não deixa ninguém a salvo.
Onde já se viu!? Nos derruba, nos faz adoecer. Rouba-nos o paladar, as forças e a vontade de viver. Virou deus. Mosquito ordinário! Cresceu às vistas do homem. Nos colocou de joelhos e a ele dizemos amém.
Aedes Aegypti que estais no ar. Santificada seja vossa picadura que vem ao nosso corpo e por longo tempo dura. Faça-nos vosso reino, SPA, hotel, privada . Oh, querida majestade! Deslize em nós, de corpo e asas e faça-nos conforme vossa vontade. Água limpa de cada dia vos damos hoje, amanhã e todos os dias. Penduramos as nossas chuteiras, luvas, armas e a consciência assim como, despenduramos nossas medalhas e vos entregamos o troféu. Vencestes, pois. Não nos deixeis cair em tentação de vos dar um tapa se vierdes repousar em nossa carne fraca. Assim seja , nesta peleja. Amém
Ele dita o terço no rosário que a gente tem. A cada oração ele prolifera.
Onde já se viu ? Mosquito maior que o homem. Somente no planeta Terra.