CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2015 - Recebeu voto de aplausos pela Câmara Municipal de Araçatuba;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba;

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras;

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de abril de microconto Escambau;

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.

2017 - 24ª classificada no TOP 35, na 2ª semana de outubro de microconto Escambau;

2017 - 15ª classificada no TOP 35, na 3ª semana de outubro de microconto Escambau;

2017 - 1ª classificada no concurso de Poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2017 - 11ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de outubro de microconto Escambau;

sábado, 29 de agosto de 2009

SOB UM SOL VERMELHO, AMARELO E VERDE.



Contando, em dia de pico escolar dos filhos, são oito as vezes que paro no semáforo e assisto ao homem em sua arte espetacular de luta sobrevida, sob a cor do pare e me olhe, por favor!
_ Mãe, dá um dinheiro pra ele – ordena-me um filho.
_ Já dei ontem. Se a cada vez que eu parar aqui lhe der um dinheiro, no final do mês não terei como pagar a sua escola. Que te sirva de exemplo para que continue estudando.
O tom da minha voz assustou o meu filho de cabelos longos. Emudeceu. Olhei-o nervosa.
_ Meu filho, um dia eu corto esses seus cabelos! Cabeludo!
Minha reação foi resultado do cansaço. Acho! Já estava na sexta entrega da matéria a uma escola naquele dia. Vão de carro, são crianças, mas não têm habilidades para a bike. Não posso reclamar. Têm que estudar para não terem que fazer malabarismo a fim de sobreviverem. E a visão vai indo, a cada parada, ouvindo a Metamorfose do Raul, eu o adoro, observando as baquetas. Baquetas? Que dançam no ar sob o colorido do vermelho que nos obriga vê-las esquecendo-nos da percussão da buzinas, do trânsito... Não! Bastões com vida rítmica em seus movimentos.
Não tenho certeza se vi belezura no maluco, que de maluco talvez não tenha nada, porém habilidade para manipular o equilíbrio da dureza daqueles pauzinhos em suas mãos. Agora mesmo, 06h55, primeira viagem de um filho a uma escola, vejo arte dormindo sob uma marquise. O duro é a sua cama de repouso; travesseiro, uma cadeirinha de bebê onde sua cabeça se encaixa perfeitamente. São todas as horas de todos os dias que eu o vejo em sua destreza de arte malabare.
Já está no amarelo. Ele me incomoda. Por que este artista me incomoda? Ele está no meu caminho, no caminho dos meus filhos. Será que também está no caminho de tantos que transitam por esta avenida? Penso que ele esteja no caminho fácil de seguir, porque ele mesmo o escolheu, já que no trânsito parado ele não tem para onde ir.
O sinal abre, o verde obriga-me acelerar a lucidez, porque atrás de mim há carros, cujos motores não param de roncar. Arranco-me. Viro à esquerda e sigo em frente contornando a maluquês do que julgo saber com a lucidez do artista, que certamente sabe muito mais.

Imagem- Jornal Folha da Região- A-6- Cena Urbana de 29/08/2009.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

POETA DEUS

SOMENTE O POETA TEM VISÃO DE DEUS, ALMA DE DEUS, AMOR DE DEUS.
SOMENTE O POETA É DEUS.
POR ISSO, DEUS FEZ A ARTE; O POETA, AS PALAVRAS.
UNIDAS EM POESIA, PALAVRAS SE ENDEUSAM NA ARTE DE POETIZAR.
RITA LAVOYER

domingo, 16 de agosto de 2009

A HORA DE CADA ERA


A HORA DE CADA ERA

Na era da tapera
os homens amavam a terra,
os corpos faziam guerra
ao som do tambor,
do tambor de um grande amor.
Na hora de deitar,
faziam uma oração.
Eram corpos nus em pelo,
sem contrato e em plena comunhão

E cada era tem a sua hora
Para ficar na História

Na era industrial o senhor era o tal o povo vivia mal ao som do canhão do canhão da evolução na hora da refeição comia-se até o prato para ficar com o corpo em pé e manter vivo um contrato e cada era tem a sua hora para ficar na história

Na, era, da, religião...
Ninguém, mais, vive, o, amor...
É, homem, comungando, bomba, ao, som, do, contrato...
Dos senhores com o terror...
Na § hora % da * televisão @#
A # gente ¨só + vê $ a guerra ++
Destruindo tudo, inclusive as taperas...
E corpos, nus em pelo, deitados por terra...

E cada era tem a sua hora...
Para ficar na História...

Na era de todos os dias
o povo cabe onde se funda!
E a terra está muito suja
porque tem gente que arrasta o corpo
até a bunda sangrar.
É cobra comendo cobra,
mantendo o rabo pre$o
para o $alário melhorar.

Não importa a bandeira,
$ituação ou opo$ição.
nem importa o que foi,
o que é ou o que $erá.
O que importa é e$plorar
o povo e go$ar ne$$a Na$$ão.
Viva toda a era de$$e Bra$il,
pai$ da corrup$$$$$ão.

É hora de não calar a boca!
Ainda que tenha que comer terra.
Quem pasta do lado de lá da cerca agora,
será que está vendo diferente
como quando criticava do lado de cá?
Ou vê tudo caladinho
porque o sistema é o seu patrão?
Mas não se foi a hora desse tempo
porque o que se roubou, foi roubado
e ainda roubará para não
passar uma era sem glória.
Ainda acaba como herói
por conselho de ética nenhuma
que arquiva a toda hora
os nós de cobras vivas
que escrevem com seus rabos
o enredo dessa infeliz história.
O que eu escrevo não é poema,
não tem versos muito menos poesia.
É apenas um desabafo pelo que vejo
e me afeta todos os dias.
RITA LAVOYER

domingo, 9 de agosto de 2009

PAI, POR QUE NÃO ME OLHOU?



Pai, hoje, observando-o, vejo seu semblante cansado e nos seus cabelos brancos sei que há muito de mim.
Pai, por que não me olhou?
Quero abrir um parêntese no período em que eu me afastei da minha própria vida.
Olhe-me pai, a partir do momento em que eu era apenas uma criança e que o senhor nos surrava, a mim e aos meus irmãos, porque fazíamos xixi na cama. Sabia que o senhor achava que nos corrigiria. Hoje, aprendi a me limpar sozinho e entendi : "que não devemos desprezar nenhum destes pequeninos...”
Olhe-me pai, a partir do momento em que eu já comia sozinho e o senhor nos reunia nos momento das refeições e nos ensinava a rezar olhando os alimentos que o senhor insistia em dizer ter trazido para nos alimentar. E batia novamente quando eu dizia que não gostava daquilo que estava servido. Hoje, aprendi a orar e entendi: “que nem só de pão vive o homem”
Olhe-me pai, a partir do momento em que saíamos em família com roupas novas, o senhor sempre foi zeloso com a nossa aparência, mas não podíamos brincar porque tínhamos que voltar para casa limpos. Sabia que o senhor queria conservar o tecido. Hoje, aprendi a agradecer e entendi: “Tendo, porém, sustento e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes.”
Olhe-me pai, a partir do momento em que o medo que eu sentia do senhor me dominava e eu corria para os braços da minha mãe para não apanhar mais e mais quando eu, brincando com os meus irmão, bagunçava a casa que o senhor exigia que mamãe sempre mantivesse em ordem. Hoje, aprendi a caminhar e entendi o verdadeiro: “Vinde a mim...”
Olhe-me pai, a partir do momento em que virei moço, e que o senhor nem se dava conta dos horários que eu chegava em casa. Sabia que o senhor estava cansado porque dobrava o seu turno no trabalho e ninguém podia fazer barulho, tínhamos que conservar o silêncio. Hoje, aprendi que há momentos sagrados e entendi que: “Havia muitos que iam e vinham e não tinham tempo para comer.”
Olhe-me pai, a partir do momento em que eu me divertia com colegas, que o senhor sequer sabia quem eram e nem a quais famílias pertenciam. Eu sei pai, que o senhor se preocupava demais somente com o que se passava dentro da sua casa. Hoje, aprendi a me resguardar e entendi o que significa: “Guardai-vos dos cães.”
Entenda, pai, que o parêntese aberto em um período que deveria ter sido a minha vida, mas que eu deixei de viver por conta de tantos vícios, não foram fáceis. Não me viciei porque quis.
Pai, sou fruto da sua árvore. Aves de rapina consumiam-me debaixo da sua sombra e o senhor não percebia que uma fruta sua apodrecia pendurada em seus galhos? “Por seus frutos os conhecereis”
Pai, por que não me olhou? Na rua me formei delinquente quando já não achava razões para voltar para o hospício silencioso que o senhor chamava de casa.
Mas hoje, pai, estamos unidos novamente. Eu, nesse monólogo íntimo, o observo sentindo uma vontade imensa de abraçá-lo e de pedir-lhe perdão por tê-lo feito sofrer dentro do parêntese que eu abri num momento da minha vida. Pai, tanto quanto o senhor, eu possuo dois ombros, escolha um e me ofereça um outro seu. Ambos, pai, precisamos chorar.
Porque eu entendi alguma coisa: “Levantar-me-ei e irei ter com meu pai...”
_ Pai, eu te amo. Posso abraçá-lo?


Rita Lavoyer

sábado, 8 de agosto de 2009

PAIS

Pais
Tentei criar um texto original, mas se existir semelhança, não é plágio.

Paidre – pai que distribui hóstia.
Paimeirense – pai de vários filhos sãopailinos.
São-PAI-lino – só tem um filho, que é de proveta, e joga no Corinthians.
Paitido – Não tem partido nenhum, mas fornece o produto da proveta.
Paigay – “Pai, pagou minha faculdade? “ _ Paigay filho.
Paimito – pai que é servido em rodelas e diz que é intriga da oposição.
Paipira – é um pai matuto.
Paixão – pai apaixonado.
Paichão – pai capacho.
Paipagaio – pai que fala e ronca quando dorme.
Painela – pai de um cozinheiro
Paiteta – pai que amamentou os filhos.
Paiçoca – pai violento,vive ‘çocando’ os filhos.
Paitelmim – assassinou os filhos por achá-los parasitas.
Paitrão - Tem filha que é santa.
Pailanque – tem um filho pailítico e outro paitrão.
Pailítico – tem filho na cadeia hereditária.
Paistel – pai gordo e cheio de vento.
Paixinho – acha que ainda vai crescer.
Paído - não se levanta quando cai. “Mamãe, papai tá paído no 'banhelo'.”
Pailerma – tem 70 anos, acha que o filho é dele e espera a mãe
da criança ir levantá-lo no 'banhelo'.
Paijama – coitado, será que ninguém vai levantar o velhinho
do chão do 'banhelo'?
Paio – pai? ô! claro que o filho é dele.
Paijé – tem um monte de filho jeguinho.
Paia – pai que conta mentiras.
Pair-play – pai que só joga limpo.
Pailheiro - tem de tudo no bolso, inclusive uma agulha, menos dinheiro.
Paiquerador – vive paquerando as amigas da filha.
Paisagista – Faz cara de paisagem quando é pego paquerando a amiga da filha.
Paioneta – pai de uma 'mosquetão'.
Pairafernalio - possui todos os equipamentos para ser pai.
Pailavra – pai que lavra a roupa, passa, cozinha e não tem palavras para agradecer.
Paiciente - pai que sabe tudo, mas fica doente por causa disso.
Pailetó - pai que dá livro ao filho e diz: “Lê, tó!”
Pailito – pai que tem o livro devolvido. “Pai, li, tó!”
Pailiglota - nem com todas as línguas consegue conversar com o filho.
Painguangu
e - primeiro pai dos araçatubenses.
Paipim - é o apelido do paicaxeira, pai que só come mandioca.
Paiquidô – pai lutador de jiu-jitsu.
Paisquim – sei lá, deve ser pai de algum jornalista.
Paiacu - sem comentários.
Pairriga – acha que um dia dará a luz e perderá a barriga.
Paim - pai biológico do Caim.
Paivão – pai que é destaque em escola de samba.
Paicato - deixa os filhos botarem fogo em tudo, mas fica na dele.
Paioral – pai de fanhoso. “Paior pai do pundo.”
Paionese – quando toma uma atitude, faz a maior salada,
para não dizer outra coisa.
Pairionete – manipulado pelos filhos.
Paijestade – é o rei do lar.
Paisena – pai que vive com o bumbum assado.
Paipe – apostou os filhos no jogo de baralhos.
Pai – homem que honra compromisso assumido com o filho.

Rita Lavoyer





sexta-feira, 7 de agosto de 2009

PAI, ENSINA O TEU FILHO A PERDOAR.


Desabafo de filho. Pai, hoje eu quero me desabafar escrevendo esta carta a você. Pai, me perdoa, mas não dá mais para ficar sem lhe dizer o que eu penso. Hoje é o dia. Cansei, pai! Quero liberdade. O senhor sabe o que é livre arbítrio? Sabe, pai, eu sempre o reprovei em suas atitudes, sua autoridade sem limite, sua falta de respeito com a minha opinião, meus gostos e meus objetivos. Não pense que eu não gosto de você. Eu gosto, pai, mas sabe né, a gente vai guardando mágoas e chega um dia a gente explode, pô!
Quando eu era criança você me fazia passar vergonha, chamava a minha atenção na frente dos colegas. Pai, perto dos colegas o senhor tinha que dar razão pra mim, pô, sou teu filho, tinha que me proteger, ao invés disso me colocava de castigos. Pai, não me esqueço das noites em que você me arrancava das rodas de amigos, eu já era um moço, passava a maior vergonha. O grau da minha vergonha perante você, pai, foi aumentando a cada barraco que você armava. Eu não entendo ainda como a minha mãe consegue viver com você. Pai, tô cansado, já sou homem feito, me dê o direito de ser livre.
Desculpe pai, mas estava engasgado, tinha que desabafar.
Desabafo de pai. Meu querido filho, eu li o seu desabafo e entendo a sua dor perante as minhas atitudes tomadas em relação às suas. Quando você era criança, meu querido filho, eu era o seu guardião e os castigos que eu lhe aplicava eram apenas para protegê-lo. Se você sentiu alguma dor perante minhas ações, saiba que a minha dor por praticá-las foram bem maiores. Ainda, quando moço, meu querido filho, eu continuava sendo o seu guardião, se eu o tirei, foram muitas vezes, das rodas de outros moços, que não eram seus amigos, eu sei, era para protegê-lo. Àqueles moços, infelizmente, não há mais salvação, você sabe, meu filho. Perdoe-me pelos barracos que eu armava, mas acredite, meu querido filho, eles eram bem melhores do que esse barraco que nos abriga hoje, porque a casa que a sua mãe me ajudou a construir, meu querido filho, precisamos vender para pagar o advogado que o tirou da cadeia, e com o restante indenizamos o trabalhador que você deixou inválido quando dirigia embriagado naquela única noite em que eu não o tirei da roda dos ‘seus amigos’. Meu querido filho, hoje, sou eu, seu pai, que lhe pede perdão por tê-lo amado tanto e não ter deixado que a sua mãe te enchesse de chineladas quando ela já não o aguentava mais. Perdão, meu filho. Muito obrigado por ter escrito esse desabafo, através dele eu posso vê-lo crescido e com coragem suficiente para deixar esse teto. Parabéns por ter descoberto a expressão “livre arbítrio” e já se ver homem feito, eu já o via assim desde quando você completou quarenta anos. Vá, já sabe escrever, eu lhe dou o direito de ser um homem livre agora, eu o liberto ‘dessa prisão’, espero que consiga se libertar de você mesmo e que arrume um emprego, porque o meu sofá está cansado de suportar o peso do seu corpo. Obrigado, rapaz, pela oportunidade do desabafo e perdoe-me por eu tê-lo protegido tanto enquanto eu fui o seu pai. Agora, quem descansa sou eu.
Texto publicado no Jornal Folha da Região.
imagem: serpoeta.blogspot.com

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

A CIGARRA E A FORMIGA. E O HOMEM?


FÁBULA DE LAVOYER - Houve um tempo em que a formiga só trabalhava, enquanto a cigarra somente cantava. Elas não se topavam. Uma porque trabalhava demais e julgava a cigarra, preguiçosa. A outra achava que tinha muito talento e pensava ser a formiga, incapaz.
“Trabalham tanto. Devem mesmo carregar pesados fardos, pois não lhes fora dado nenhum dom quando nasceram”, retrucava a cigarra enquanto observava as formigas trabalhando.
“Coitada”, dizia uma formiga a si mesma, “Ela pensa que encanta alguém com suas canções medíocres. Faz isso, pois não nasceu com coragem para o trabalho.”
O verão chegou. O calor era de rachar. Ambas as criaturas saíam à noite para fazer seus ‘bicos’.
“Senhora Formiga, venho humildemente implorar-lhe uma chance de cantar para alegrar seu seleto público. A noite está tão agradável, permita-me, por favor, uma apresentação neste estabelecimento que a senhora gerencia. Eu trabalho o dia todo, mas, à noite, gosto de apresentar os meus dons artísticos. Apresento-me de graça.”
“Como? Pensa que me engana? Saia daqui! Não lhe darei oportunidade alguma. Sei muito bem que é algum tipinho de inseto fantasiado de cigarra.”
Desiludida, a formiga saiu do estabelecimento de lazer e, já cansada de reprimendas, arrancou o seu disfarce de cigarra, pois ele não lhe servira de nada.
Dizem que formigas nasceram mesmo para a labuta, pois se essa aí fosse um pouquinho mais esperta, teria descoberto que naquele estabelecimento não havia nenhuma ‘Senhora Formiga’, apenas uma cigarra disfarçada de poder.

PARÁBOLA DE LAVOYER - Um homem trabalhava dia e noite, dobrava seu turno, tinha uma vida amarga e difícil; quase não voltava para casa e o que lá havia era consumido pelas formigas, enquanto as cigarras cantavam. E ele prosperou, foi reconhecido, elogiado, promovido. Voltou para sua casa, limpou tudo, inclusive as formigas e as cigarras. Devido ao seu sucesso, sua casa ficou muito movimentada, virou um formigueiro, era gente de toda espécie.
Durante todas as estações, o homem frequentava festas e espetáculos.
Não tinha repouso, devido à fadiga de trabalho e lazer, adoeceu. Foi substituído, perdeu os elogios e a prosperidade.
Os insetos retornaram àquela casa; as formigas organizam a festa, enquanto as cigarras dão seus espetáculos. Nenhuma perdeu o seu posto, cada uma acautela-se muito bem em sua função.
Texto publicado no Jornal Folha da Região em 06/08/2009
imagem: joanalucaspintura.blogspot.com