CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.


terça-feira, 31 de março de 2009

AGRADECIMENTOS

Coluna "Mulheres" Jornal Folha da Região - 31/03/2009.

Cara amiga, assim eu a tratei durante este mês de março, período em que pude apresentar um pouco do meu trabalho. Aliás, não deveria chamá-lo trabalho, mas catarse por ser uma forma de aliviar o meu peito e os nós que, às vezes, eu mesma os ato. Eu sou assim, cheia de sobe e desce porque a minha vida não é um mar de rosas, mas há as rosas e elas têm espinhos, ao mesmo tempo em que elas enfeitam, machucam.
A todos os que acompanharam a coluna “ Mulheres”: homens, mulheres, adolescentes, amigos, papagaios e adeptos a assuntos “sexopsicoecológicos” o meu muito obrigada.
Aos que acharam o número do meu telefone, apesar de ele não constar na lista, e me ligaram dizendo que eu sou meio louca, mas que gostaram do que leram, o meu muito obrigada e parabéns pelo esforço que fizeram para me localizar, mas não se esforcem mais, por favor!
Agradeço e parabenizo a minha mãe que me tem por filha. Aos meus irmãos, idem. Obrigada aos meus filhos sem os quais não seria o que eu sou.
À direção deste Jornal que me possibilitou esta imensa oportunidade, dizer apenas MUITO OBRIGADA é pouco. Então, que todos os meus agradecimentos recaiam sobre esta família ‘FOLHA DA REGIÃO’ em forma de orações.
À minha sogra um abraço e, ao meu marido, que me carregou nos braços durante muitos anos para eu poder chegar até aqui e poder andar com segurança e dizer tudo isso a vocês, eu ofereço a ele muitas Ritas e que Deus o ajude.
A Deus agradeço a tudo, simultaneamente, em orações.
Mulher! Parabéns por ser Mulher. Carregar esse manto não é para qualquer um. Por isso é que somos Mulheres, porque temos a competência para isso.
Deve ter observado que usei várias vezes a palavra ‘contramão’. De propósito. Quando vejo o mundo andando em uma mesma direção, me desvio dos controles remotos padronizados fincados nas mãos de certos grupos que manipulam cabeças. Eu coloco o meu capacete de louca e certas ondas não me atingem. Faço a minha piracema e desovo minhas controvérsias. Ser louca, às vezes, me faz muito bem, me cura da minha própria insanidade. Confesso uma coisa: Eu erro tanto, tanto, que às vezes eu falo a mim mesma que é hora de parar, mas há uma força que eu conquistei nos meus ‘pedidos de perdão’ que não me deixa desistir. Essa força quer que eu faça sempre para errar mais e, assim, continuar pedindo perdão. Acho que o perdão gosta de mim. Os acertos são poucos, mas significativos.
Tudo em você, Mulher, é sagrado. Ame muito, mas ame ao extremo. Nesses momentos de entrega você será feliz, pode crer. A dor de um rompimento amoroso é menor do que a angústia de não tê-lo vivido. Aquela passa; esta, não!
Não fique sozinha, arrume um companheiro que, antes de tudo, lhe tenha respeito para ambos trocarem carícias. Há pessoas honradas ainda, acredite! Precisamos do contato com o outro, independente de qual sexo você escolher para amar. O importante é que você ame muito sem medo do amor.
Todo amor vale a pena.
Acredite nisso! Eu acreditei. Hoje sou mais feliz do que antes porque quanto mais mulheres existirem dentro de mim, mais eu amo e mais ainda precisarei de Deus e a Ele recorrerei diariamente, agradando-O. Deus é Todo Sabedoria; eu, um pouquinho esperta!
Fiquemos com Ele, agora e sempre.
Beijão em você!

Imagem: meuslivrosweblog.com

domingo, 29 de março de 2009

DE VOLTA PRA CASA.



Coluna - "Mulheres" Jornal Folha da Região 29/03/2009


Este texto deveria ter sido o primeiro, porque foi como tudo começou, mas o deixei para o final, para não se cansarem de pastelão. Esta passagem é minha, tão somente minha, ma se achar necessidade, pegue carona. Sempre cabe mais um na contra mão dos meus caminhos.

“Quem eu fui para fugir assim, banindo-me? Desesperada e louca, por tão pouco saber de mim mesma? A esmo, saí peregrinando e, num vão da minha sala, sem tê-lo visto, caí em mim. O mundo era estranho e havia os espelhos mostrando-me nós. Só, eu neles me vi. Não as aceitei e dali quis fugir. Num reflexo, um sorriso me foi dado e, dentro dele quis entrar. Uma voz, severa e forte, era, então, o passaporte obrigando-me a chegar.
Desequilibrada e sem suporte, me empurrei àquela morte e mais fundo me adentrei. Encontrei-me com muitos eus, estranhos e indulgentes. Se sou assaz valente, de indulto eu não preciso. Herdeira de muito viço, dotada de desejo em foice, saí a inventariar. Lá se foi aquele ‘eu’, sozinha, com o azorrague em cada mão, rasgar-me os eus unidos e ensinar-lhes a lição. Armada com a belicosidade do meu potencial, fui mau! Camuflei-me e, diante do conflito, a própria guerra declarei. Vi-me lançada a um lado que era meu e outro lado, também meu, desolado, lá ficou. Sem mim, aquele meu pedaço teria fim. Sim! Como teria. Oh, propriedade minha! Voltarei. Mas o que é isto, impedindo-me voltar àquele território? O que é isto que eu plantei em mim? Um lado separando outro como o muro de Berlim? Mas este já está destruído, o meu seria provisório? Vi uma muralha erguida por uma canalha bloqueando a travessia. Não podia derrubá-la e, estando uma bala, só por brincadeira, pratiquei tiro ao alvo. Eu estava bem a salvo, pois bastava- me a mim mesma.
Tomei certa distância e me pus em vigilância. Sentia tantos eus em minha sombra e, na ânsia de eliminá-los, lancei a minha granada. Nada os derrotava. Eram todos em um só e eu, sozinha em luta, de nenhum quis ter dó. Não fui embora. Era hora de ficar e demarcar minha trincheira. Desconheço-os. Vou aniquilá-los e romper os elos para, enfim, ser somente eu a dona de mim. Com verbos explosivos e o estopim em minha boca, àquela tropa eu gritei para não tentarem troca.
Os meus ‘eus’ eram as Mulheres. Amigas unidas para salvar-me. Queria mandá-las pros ares. Não hesitei. Cada uma nos seus lugares eu as pus. Era o começo do meu fim.
Quis exterminar as minhas mulheres tão diferentes, mas delas fiquei carente, à solidão fazia jus. Eu, um ser absoluto, exclui os relativos e, sem razão para ponderar vivi só, no porão de ‘pobre-star’. Eu me perdi dentro de mim. O meu desprezo me encontrou presa ao meu sorriso, já nem sabia mais quem eu era. Olhava e não me via. Ora, nem me conhecia no opaco do espelho! Medi do alfa ao ômega minha megaoperação, sem perdão, eu tomei conta de mim.
Estava presa dentro de mim e não conseguia me soltar, queria ver a luz do dia, outros eus poder achar. O nada que eu era dominava o meu ser, precisava me libertar, já não vivia em meu lar porque eu era toda ‘ego’, como prego numa cruz. Quando pensava em fugir, vinha um ‘eu’ me seduzir, me pôr em grades. Vivia de joelhos, mas não queria me adorar. Queria viver de verdade. Era mulher , logo precisava me livrar do meu sorriso.
Precisei coragem para sair aos tapas comigo mesma. Machuquei, fui machucada.
Mas minha amante era mais forte e me livrou de muitas mortes. Diante da catástase a minha máscara estilhaçou. Foi quando eu chorei. Descobri que falsifiquei meu próprio ouro. Queria minhas mulheres de volta, elas são o meu tesouro.
“Rogamos-te piedade, oh! peregrina sem fronteira. Nos aceite companheiras pra atravessar o seu deserto!”
Oh, sina! Tantas mulheres em sentinela querendo me ajudar e eu, vencendo os preconceitos, já as queria bem mais perto. Elas importam-se comigo e eu, ser tão projétil, queria me detonar. Foi quando dei finalidade à minha marreta. Que batalha ordinária! Larguei minha arrogância, ressuscitei minha criança e devolvi- me o que eu espoliei. Colei minhas frações, outrora divididas, e achei um novo rumo entre o sorriso e a saída. Eu me fui tão carcereira, separando os meus lados e as mulheres que eu sou.
Nas prisões que eu vivi e que me foram tão lição, você amiga, assistiu, um pouco, neste Jornal.
Reuni minhas mulheres e, hoje, somos uma Nação. Eu voltei pra minha morada e me fiz toda Universo . Voltei bem mais segura porque derrubei algumas paredes que eu mesma erguia. Doravante, eu “ mulheres” , haveremos ser mutantes e por onde nós andarmos seremos sala de estar. Resido em mim mesma ponderando divergências, meu sorriso não tem grades e, de espelhos não preciso. O velho paredão, eu o lancei ao chão, e poder me transitar na verdade do que sou é o que me faz tão diferença. Na presença das minhas mulheres, descobri que batalha bem perdida jamais fica em vão.”
Você, cara leitora, entenda como puder, mas foi nesta viagem em minha vida, que descobri que sou MULHERES exalando perfumes de flores, as mais diversas.
Agora, preciso terminar este texto porque minhas flores estão chorando. Elas precisam de lágrimas para fortalecer suas raízes e amadurecer os meus versos para continuarmos, eu e as minhas mulheres, sendo o Templo da nossa própria poesia.
Na terça-feira, dia 31, me despeço de você, mas já trago comigo a saudade dos brilhos dos seus olhos sobre as minhas letras.
Que a Boa Luz Divina ilumine a tua caminhada e a cubra de bênçãos. Obrigada pela oportunidade da companhia. Beijos. Rita Lavoyer.

Este texto deveria ter sido o primeiro, porque foi como tudo começou, mas o deixei para o final, para não se cansarem de pastelão. Esta passagem é minha, tão somente minha, ma se achar necessidade, pegue carona. Sempre cabe mais um na contra mão dos meus caminhos.

“Quem eu fui para fugir assim, banindo-me? Desesperada e louca, por tão pouco saber de mim mesma? A esmo, saí peregrinando e, num vão da minha sala, sem tê-lo visto, caí em mim. O mundo era estranho e havia os espelhos mostrando-me nós. Só, eu neles me vi. Não as aceitei e dali quis fugir. Num reflexo, um sorriso me foi dado e, dentro dele quis entrar. Uma voz, severa e forte, era, então, o passaporte obrigando-me a chegar.
Desequilibrada e sem suporte, me empurrei àquela morte e mais fundo me adentrei. Encontrei-me com muitos eus, estranhos e indulgentes. Se sou assaz valente, de indulto eu não preciso. Herdeira de muito viço, dotada de desejo em foice, saí a inventariar. Lá se foi aquele ‘eu’, sozinha, com o azorrague em cada mão, rasgar-me os eus unidos e ensinar-lhes a lição. Armada com a belicosidade do meu potencial, fui mau! Camuflei-me e, diante do conflito, a própria guerra declarei. Vi-me lançada a um lado que era meu e outro lado, também meu, desolado, lá ficou. Sem mim, aquele meu pedaço teria fim. Sim! Como teria. Oh, propriedade minha! Voltarei. Mas o que é isto, impedindo-me voltar àquele território? O que é isto que eu plantei em mim? Um lado separando outro como o muro de Berlim? Mas este já está destruído, o meu seria provisório? Vi uma muralha erguida por uma canalha bloqueando a travessia. Não podia derrubá-la e, estando uma bala, só por brincadeira, pratiquei tiro ao alvo. Eu estava bem a salvo, pois bastava- me a mim mesma.
Tomei certa distância e me pus em vigilância. Sentia tantos eus em minha sombra e, na ânsia de eliminá-los, lancei a minha granada. Nada os derrotava. Eram todos em um só e eu, sozinha em luta, de nenhum quis ter dó. Não fui embora. Era hora de ficar e demarcar minha trincheira. Desconheço-os. Vou aniquilá-los e romper os elos para, enfim, ser somente eu a dona de mim. Com verbos explosivos e o estopim em minha boca, àquela tropa eu gritei para não tentarem troca.
Os meus ‘eus’ eram as Mulheres. Amigas unidas para salvar-me. Queria mandá-las pros ares. Não hesitei. Cada uma nos seus lugares eu as pus. Era o começo do meu fim.
Quis exterminar as minhas mulheres tão diferentes, mas delas fiquei carente, à solidão fazia jus. Eu, um ser absoluto, exclui os relativos e, sem razão para ponderar vivi só, no porão de ‘pobre-star’. Eu me perdi dentro de mim. O meu desprezo me encontrou presa ao meu sorriso, já nem sabia mais quem eu era. Olhava e não me via. Ora, nem me conhecia no opaco do espelho! Medi do alfa ao ômega minha megaoperação, sem perdão, eu tomei conta de mim.
Estava presa dentro de mim e não conseguia me soltar, queria ver a luz do dia, outros eus poder achar. O nada que eu era dominava o meu ser, precisava me libertar, já não vivia em meu lar porque eu era toda ‘ego’, como prego numa cruz. Quando pensava em fugir, vinha um ‘eu’ me seduzir, me pôr em grades. Vivia de joelhos, mas não queria me adorar. Queria viver de verdade. Era mulher , logo precisava me livrar do meu sorriso.
Precisei coragem para sair aos tapas comigo mesma. Machuquei, fui machucada.
Mas minha amante era mais forte e me livrou de muitas mortes. Diante da catástase a minha máscara estilhaçou. Foi quando eu chorei. Descobri que falsifiquei meu próprio ouro. Queria minhas mulheres de volta, elas são o meu tesouro.
“Rogamos-te piedade, oh! peregrina sem fronteira. Nos aceite companheiras pra atravessar o seu deserto!”
Oh, sina! Tantas mulheres em sentinela querendo me ajudar e eu, vencendo os preconceitos, já as queria bem mais perto. Elas importam-se comigo e eu, ser tão projétil, queria me detonar. Foi quando dei finalidade à minha marreta. Que batalha ordinária! Larguei minha arrogância, ressuscitei minha criança e devolvi- me o que eu espoliei. Colei minhas frações, outrora divididas, e achei um novo rumo entre o sorriso e a saída. Eu me fui tão carcereira, separando os meus lados e as mulheres que eu sou.
Nas prisões que eu vivi e que me foram tão lição, você amiga, assistiu, um pouco, neste Jornal.
Reuni minhas mulheres e, hoje, somos uma Nação. Eu voltei pra minha morada e me fiz toda Universo . Voltei bem mais segura porque derrubei algumas paredes que eu mesma erguia. Doravante, eu “ mulheres” , haveremos ser mutantes e por onde nós andarmos seremos sala de estar. Resido em mim mesma ponderando divergências, meu sorriso não tem grades e, de espelhos não preciso. O velho paredão, eu o lancei ao chão, e poder me transitar na verdade do que sou é o que me faz tão diferença. Na presença das minhas mulheres, descobri que batalha bem perdida jamais fica em vão.”
Você, cara leitora, entenda como puder, mas foi nesta viagem em minha vida, que descobri que sou MULHERES exalando perfumes de flores, as mais diversas.
Agora, preciso terminar este texto porque minhas flores estão chorando. Elas precisam de lágrimas para fortalecer suas raízes e amadurecer os meus versos para continuarmos, eu e as minhas mulheres, sendo o Templo da nossa própria poesia.
Na terça-feira, dia 31, me despeço de você, mas já trago comigo a saudade dos brilhos dos seus olhos sobre as minhas letras.
Que a Boa Luz Divina ilumine a tua caminhada e a cubra de bênçãos. Obrigada pela oportunidade da companhia. Beijos.

Imagem: Taisluso.bloggspot.com / Mulheres - Marilia Chartune

sábado, 28 de março de 2009

MULHER - FLOR-AZUL DA POESIA.



Coluna "Mulheres" Jornal Folha da Região - 28/03/2009


Quando eu era bem novinha mesmo, tinha uma vontade enorme de ter uma roupa azul . Não importava o modelo, mas tinha que ser azul. Um azul que transmitisse uma claridade de paz. O tempo passou bastante e não havia posto, ainda, a roupa azul. A vontade ficou na alma e aumentou ainda mais quando a desejei com uma jóia de pedra azul. Roupas compradas para a necessidade nunca foram a da cor desejada.
Na primeira gravidez eu não tive aquela roupa azul. A ocasião pedia roupas especiais e as que eu tinha me bastavam, eu agradecia. No dia do meu aniversário, nasceu o meu filho lindo com olhos de jabuticabas. O tempo passou mais um pouco e não levou embora o desejo da cor. Uma filha eu teria e a vontade daquele tom com claridade de paz gerava junto com ela. Foi então que eu tive condições de adquirir o azul para enfeitar o meu corpo tão belamente grávido. Eu tive três azuis. Tinha que ser vestido e não aceitava outra peça. Comecei a me achar a grávida mais linda dentro dos meus azuis. De cortes, simples e singelos, caiam perfeitamente na minha silhueta de mãe.
Satisfeita a minha carência de azul, desejei um conjunto de saia e blusa para gestante na cor rosa com muitos laços. Desenhei o modelito e pedi para fazê-lo. Tinha lacinhos que não acabavam. Era uma grávida usando roupas para bonecas. Depois que os meus filhos nasceram não parei mais de escrever. A minha cor azul virou poesia; a rosa, virou a amante das mulheres que eu gosto de ser.
Para as minhas e todas as mulheres que vocês também são:

“FLOR AZUL”
“Todas as flores têm as cores que Deus lhes deu./ A minha mulher é de um azul tão lindo/ É a flor mais linda que a aquarela escreveu./ Oh! Mulher linda, flor maravilhosa/ Todo o seu colorido é azul cor de infinito./ Ela embeleza todo céu e todo o mar/ Se veste toda de azul pra me amar, pra me amar./ É o meu carnaval, fantasia e purpurina / É a flor brilhante de azul com serpentina. /Que alegria é a minha mulher,/ Uma flor do campo com azul cor de encanto./ Canto ela aqui, canto acolá./ Canto o seu azul que só sabe encantar./ Minha mulher, minha fortaleza/ É uma jóia rara, é uma flor azul-turquesa./ Por ela sou muito orgulhoso/ Minha flor-mulher é de um azul maravilhoso./ Ela tem um tom que aquece o meu frio/ Minha flor-mulher tem a cor azul-anil./ O perfume que ela tem me leva ao céu./ O gosto da minha flor é azul da cor do mel./ Minha flor-mulher tem o azul do esplendor. / Deus fez todas as flores com o azul da sua cor./ Oh! Mulher linda, flor maravilhosa/ Todo o seu colorido é azul cor de infinito./ Eu não sei viver sem o azul da sua boca/ A minha mulher, entre todas, é a mais louca./ Essa flor-mulher torna o azul todo brilhante/ No leito de suas pétalas me faz todo amante./ Por essa cor dela eu me vejo enlouquecido./ Hoje, só sou homem porque visto o seu vestido./ Nele eu me envolvo porque o azul só me compraz./ A minha mulher é toda ramalhete com a cor da paz./ A jóia que queria para adornar a tua cor/ são os olhos da nossa filha, fruto do nosso amor./ Esse homem que há em mim é o ramo da minha flor porque ele é tão Mulher quanto o nosso Criador.”

Mulher, vista-se de céu e encontre em teu ser o motivo da paz ao mundo!

Imagem: flickr.com

sexta-feira, 27 de março de 2009

ORAÇÃO AO SILÊNCIO


Coluna "Mulhres" Jornal Folha da Região - 27/03/2009

Santa oração, proteja a criança que está para nascer, santificada seja o seu silêncio cada vez que alguém vier repreendê-la, pois se for uma menina-mulher, menos ainda deverá falar para não morrer no ninho.
Agora, contínua oração à criança que nasceu, vá acompanhá-la em sua calada ainda mais por que: “escreveu não leu o pau comeu” é lema da geração em cuja época, esta criança veio na contramão.
Já aprendeu a andar, oh, oração! Fique mais fervorosa para, se ela cair, se levantar. Mais ainda, oração bendita, feche a boca dessa menina para ela falar bem pouco, e se vier a contrariar as regras a ela imposta, querendo se fazer absoluta, que venham homens bem nobres e rompam os seus períodos justapondo-a aos loucos para, que lá, ela se coordene.
Oh, oração poderosa, ela conseguiu chegar a uma idade que sabe a diferença entre ela e o outro, fecha o seu o corpo, oh, correta oração! E se ela descobrir o que traz em si, que se ajoelhe e se flagele para do pecado se redimir. Agora que está crescida e, com os pecados do corpo à mostra é tempo de achar esposo, não importa se gosta ou quer. Com o corpo já feito que está, é hora de virar mulher.
Oh, querida oração que foi consumada até agora. Essa mulher com esposo e filhos honrará o título de senhora, pois nos laços da família ela aprendeu a rezar e, se as dificuldades chegarem ao seu lar, que ela saiba se recolher, ajoelhar e chorar.
Oh, perfeita oração que acompanha esta senhora com tantos filhos nos braços, dai a ela a fortaleza de saber, em seu silêncio, engolir tanta pobreza. Essa mulher é invencível; no lar, é pau para toda obra. Quanto mais ela se cala, mais a vida lhe cobra.
Em cada oração que ela faz ajoelhada, agradece aos sofrimentos, ela os julga bom remédio purificador da sua alma. Já, com tanta idade ainda é arrimo de família, pois aquele com quem se casou há muito tempo deixou-a sozinha para cuidar dos filhos, sofrer e orar.
Oh, oração abençoada que sai do silêncio dessa mulher, dê a ela muita força para carregar, além dos netos, tanta doença que a acometeram. Ela semeou o pão, mas foram os seus filhos que comeram; a ela nada sobrou além da esperança e a fé na oração. Ela acredita que está na privação a salvação da sua vida.
Oh, oração serena que ela faz quando se deita para descansar. Não permita que seu corpo pare nessa altura, seria um contrassenso, ela sabe que a vida ainda quer muitos anos de seu silêncio.
E que ela continue cada vez mais calada, oh, oração fraterna, abençoe essa mobilha indispensável em uma casa, com o seu salário de fome sustenta tantos homens.
Oh, oração amiga que sustentou essa mulher no suporte do sigilo; ela que morreu tantas vezes no silencio que a clama, se doou e, ainda se doa do resto que lhe sobra, para poder ver livre aqueles que tanto ama.
Oh, oração infinita, à esta mártir tão mulher, renda-lhe as palavras e a eleve em sua glória. A ela não resta mais nada e a sua história aqui se finda. Canonize-a para que ela seja as palavras de abertura, conteúdo das orações de súplicas de tantas mulheres interrompidas numa vida de clausura.
Um momento de silêncio para tantas que se vão deixando aos seus queridos, como legado, a oração.
imagem : aspalavrasnuncatedirei.blogs.sapo

quinta-feira, 26 de março de 2009

O CIRCO NO PALCO DA PROSTITUTA



Coluna "MULHERES" Jornal Folha da Região - 26/03/2009

Veja só!
Quem é que vai querer acreditar
Que Templo Sagrado perde o seu altar
Quando as portas se abrem
Para a luz da ilusão.
Veja só!
Fazem sarcasmo diante do sacrário
Para atingir o acme num ato insublime.
Há de me entender se eu, aqui, chorar
Por ver a natureza, num ato insano,
Se arruinando...
Veja só!
Violação da comunhão com o amor,
Sugam o líquido do santo castiçal
Depositando nele a cera fria
De uma vela sexual.
Veja só!
Essa história não é boba, não!
Nem engraçada, então preste atenção:
Templo Sagrado vira palco de circo,
Animais disputam vaga em gruta
E desfrutam do prazer de um pobre ser.
Veja só!
Quem é que vai querer acreditar
Que a prostituta vende o corpo pra viver...
Se oferece ao sacrifício
E, no tablado, é imolada.
Ah, nesse guia em contramão
Ela arranca o coração
E faz seu Templo um meio de diversões...
Veja só!
O seu público não é nada fiel
Depois do show não lhe resta um apelo
Retiram dela o seu coro nu em pelo.
É cada um fazendo o seu papel
Num roteiro de uma história tão cruel.
Não há elo nesse selo e, sem gaiola,
Adestrado deita e rola,
Mas, ela domina o animal com o prazer
E este, já todo saciado, deixa sua presa
Ao relento, abandonada.
Veja só!
Tem que fazer, sozinha, o seu show.
Se falta o riso o choro ela engole
Para salvar o pão que o diabo amassou.
De ilusão vai vivendo o dia-a-dia
Ser prostituta é o que ela não queria e,
Como palhaço veste-se de fantasias
Para poder sobreviver...
Ela é prostituta sem saber
Que toda Mulher tem o seu lado virginal
Oferece o amor e ganha
bem mais por merecer.
Veja só!
A prostituta equilibra a dor
Embora dê, nunca recebe amor
Contorcionista, se esquiva do dever
De o seu Templo respeitar.
É dissabor atrás de dissabor...
Sem cor, sem brilho a vida a carrega
Porque o seu palco é um circo itinerante
Perante o qual, muitos se divertem num instante.
No seu todo, o seu dia é tão vazio
Abre seu Templo, agora, imoral,
Para o espetáculo sempre ser igual.
Veja só!
Só um vintém na noite mal passada
Malabarismo ela faz tão bem,
Para driblar o dia e tantos insultos.
Mas, se levanta dentro desse seu reduto
E arruma a tenda
Para sua nova revenda
Porque o show tem que continuar...
Ah, nessa história sem resumo
Ela se deita ao chão
De uma área onde ela é o consumo...
Veja só!
É ilusionista da visão da vida
Na trajetória o nada a convida
Para tudo e o que der e viver.
Esqueceu-se que prostituta
Não é nome pra Mulher.
Veja só!
O Templo corpo agora arruinado
Onde animais adentram sem as jaulas
E, de joelhos, ela os ajuda a pecar,
Saem com o riso abastado de prazer
Enquanto outros entram para comprar
O que ela tem para revender.
Ah, o Templo de Mulher
Ninguém pode violar
É lugar sagrado para a entrada do amor
Entre os parceiros deve haver o compromisso
De comungarem os mesmos ideais
E, completando um ao outro
Nesses atos de carinhos,
O Templo da Mulher será todo altar
Para ambos os amantes se tornarem
Pão e vinho.
Veja só!
A prostituta é palco de um circo
com espetáculo chulo à luz do caos
São lhe dadas, moedas falsificadas
Pelo exibicionismo.
Se restar alma nessa peça encenada
Fará das pedras seu motivo de escalada
Edificando, com elas, o seu Templo.
Porque a Mulher é maior que o abismo.
Sobre ele, a Mulher é a própria igreja
Diante dos seus pés, ajoelhe e beija-a.
Corpo de Mulher é Templo inviolável
No seu altar há disposto leite e mel
Somente a um compete tirar-lhe o véu!

imagem: coluna globoesport.com


quarta-feira, 25 de março de 2009

CARAS OU COROAS

Coluna "Mulheres" Jornal Folha da Região 25/03/2009

Há pecados que não são crimes, mas crimes acabam sendo pecado. Colombo conseguiu equilibrar um ovo. Se eu tentar, eu também conseguirei equilibrar uma moeda sem que um dos seus lados se choque na superfície plana. A partir do seu ponto de apoio, conseguirei visualizar a sua cara e a sua coroa. Minha cara, quantos lados tem a sua moeda?
Explico. Ainda bem que existe um muro sobre o qual podemos nos apoiar de vez em quando, não acha? Se você está sobre o muro da moeda e não sabe para que lado dela pender, tiraria no “cara ou coroa?” Que nome você daria para cada um dos lados, o que eles significam, afinal? Cuidado para não cair no pecado do crime.
Se eu pensar a moeda enquanto uma figura geométrica, deverei admitir que ela possui ‘três’ bem definidos ‘lados’ por tratar-se de um cilindro. Imagine um salame, consegue imaginá-lo, não consegue? Pegue a sua melhor faca afiada e corte-o em rodelas, deixe o bem cortado mesmo. Cada rodelinha não tem a mesma forma geométrica de uma moeda? Portanto, entre a cara e a coroa há um ‘murinho’ que eu o denomino ‘ponto de equilíbrio’.
Acorde, mulher! Estou falando da moeda, o salame não equilibra ninguém.
Nem tanto à cara nem tão pouco à coroa. Pois bem. A minha moeda tem três lados, certo?
Se concordar devo-lhe dizer que a moeda tem quatro lados reais.
Se o ponto de equilíbrio é o que me deixa ver a cara e a coroa ao mesmo tempo, entendo, então, que há um conteúdo em seu meio que eu o denomino: ‘substância’. Há um conteúdo de material que compõe a moeda, o que está no seu âmago. Se concordar que ela tem quatro lados, digo que ela tem cinco.
É o assunto que é complicado, não o texto.
A mulher, dentro do seu raciocínio pleno, provocou o aborto, tirando de sua poesia de mulher a substância interior: o verso mais rico que poderia completar seu poema – o filho. Misericórdia! Tomara tenha forças para arcar com os efeitos dessa causa. Deus! Tenha piedade dela.
A vítima foi ‘estuprada’, penetrada em suas entranhas violentamente. Cometeram um ato, violando-lhe o Templo abortando dele - a Mulher. Os seus versos morreram neste momento e o seu Templo, arruinado. Finda-se, aqui, sua poesia.
E não podemos dizer que isso vai passar, porque não vai. Algumas acabam tendo que gerar um ser, fruto dessa violência.
Engraçado! Já ouviram casos de homens estuprados?
Eu entendo perfeitamente o lado religioso e o desejo de salvar as vidas. É plausível a reação das igrejas contra o aborto, independente de quais circunstâncias algumas vidas foram ou estão sendo fecundadas. A vida deverá vir, sempre, em primeiro lugar e eu amo a vida, vamos salvá-las, desde que: Tudo o que estiver acontecendo não seja comigo, nem com um filho meu.
Entendeu? Eu posso dar à minha moeda quantos lados eu quiser, mas, segundo os meus valores e as circunstâncias que me envolvem, verei apenas um lado e nada de “mais ou menos” porque a minha religião é a de Deus e nenhuma mãe quer ver filho morrendo na cruz para redimir o pecado de outros. Farei de tudo para salvar os meus filhos e morrerei no lugar deles quantas vezes for preciso, porque morrer pra mim tem significado bastante diferente do que algumas religiões pregam. Morremos um pouco a cada dia e nos recriamos, conforme nos damos as possibilidades. Assumo o pecado de cometer o crime. Sou a mãe dos meus filhos e não podemos afirmar: “Isso jamais vai acontecer na minha casa.”
Cara; coroa; ponto de equilíbrio; substância, e o seu valor verdadeiro que nada mais é do que os efeitos da causa. Logo, a minha moeda terá cinco lados, certo?
Errado! A moeda, enquanto objeto prensado, possui tão somente os lados que os cunhadores determinam que ela tenha. A moeda, enquanto um valor pensado, possuirá tantos lados quanto o seu ‘adquirente’ conseguir fazer com que ela tenha.
Moeda é assim: Quantos lados você a der, tantas mais você as terá.
Mulher não é muro sobre o qual alguns se apóiam para fazer leis nas coxas. Corpo de Mulher é Templo Sagrado, quem o destratar comete crime. E o meu pecado está no olho por olho da minha cara tanto quanto na coroa do dente por dente da minha boca. Perdoe-me se a desapontei, leitora, mas eu sei bem a dor do meu calo quando o assunto são os meus filhos. Atirem-me as pedras se discordarem de mim, pois eu sei que os calos doem de todos os lados.

Imagem: www.agende.org.br




terça-feira, 24 de março de 2009

A MULHER DOS PROFISSIONAIS


Coluna "Mulheres" Jornal Folha da Região 24/03/2009


Se o meu marido fosse um advogado, eu o faria meu processo e defenderia todas as suas causas. Se ele fosse um agrônomo, me faria inteira terra para germinar todos os seus sonhos. Digitador põe os dedos nas teclinhas de uma máquina que computa, esse caso não pede rima, mas seria uma esposa de boa conduta.
O meu marido, se fosse eletricista, receberia minhas energias dia e noite, noite e dia. Com fazendeiro eu faria um belo par. Multiplicaria seus hectares só para eu poder cuidar.
O garçom estaria bem servido comigo em bandeja, mas veja se fosse um hagiógrafo eu seria a única santa de toda a sua historia. De um industrial eu seria a matéria esposa da sua linha de produção. Se eu fosse mulher de jornalista, arrancaria o couro dele e viveria sendo notícia. Do jardineiro eu seria sua flor, ele me daria o seu adubo, eu, a ele, o meu amor.
Leiteiro é ofício sério, com ele não podemos brincar, por isso lhe tenho respeito. Trabalha com as mãos no lugar certo para o amor amamentar. Com um médico, assumiria o compromisso de estar sempre sarada para quando chegar cansado, encontrar nos meus braços a sua morada.
Com professor seria bem divertido aprendermos, juntos, as lições da vida. Do pedreiro, eu seria os seus tijolos edificando-lhe a construção. Se eu fosse mulher de policial, treinaríamos todos os dias para ele nunca errar o alvo e o nosso amor estaria a salvo.
Radialista ou repórter os dois também convêm, eu seria seus microfones para, de mim, só falarem bem. Sorveteiro? Nossa! Seria uma graça porque eu gosto mesmo é de sorvete de massa. Tesoureiro, tintureiro até do vaqueiro eu seria boa esposa, mas, por Deus, Nossa Senhora, cruz em credo e Virgem Maria não me castigue nem um dia ser mulher de pescador. Pegar em minhoca fina, mole e muito suja não faz parte do meu pudor. Se a coisa está molhada fica ainda bem pior. Não se sabe se é roxa ou rosa e ainda mais, ter que matar o bicho enfiando-o em um anzol? Deus, de pescador, não! Não me deixe, não me deixe ver minhoca mole morrendo na boca de peixe.
Mas fico mesmo é com o meu marido que não me dá trabalho, mas trabalha sem parar. Por causa disso, compus este bolero para, com ele, poder dançar.

O BOLERO DA MULHER AMADA

Eu sei que tu me amas, eu sei que tu me queres
Eu sei também o quanto tu me chamas de mulheres
Mulheres que não sei...
Mulheres que não vi...
Mulheres que com você a nossa cama dividi...
Me tomas em teus braços,
minhas pernas em tuas pernas
Um pequeno rodopio...
Um pra lá, outro pra cá...
Nossos rostos bem juntinhos...
Ai... que vontade de abraçar.
Você é o meu pronome tu e ele
Nós também, me conjugue
Te conjugo da forma que nos convêm

Me aperta e transforma esta aqui em qualquer outra...
E se eu falar demais cale-te em minha boca.
Pegues este corpo e o leve ao nosso ninho
E para me revelar ofereças belo vinho
Que desvenda a verdade e também me ensina ver
Mulheres maravilhosas que te enchem de prazer.
Essas mulheres tão amadas que eu fiz por merecer
Tu e ele me ensinaste a ser para você.
Te expresso tão errado, mas eu sei que você gosta
É você e tudo teu que me faz mulher composta.
Tires de mim a preferida, aquela mais prazenteira,
Pra dançar, beber e amar com ela a noite inteira.
As mulheres que eu sou, vocês as compuseram
Com talentos tão reais. O meu marido, o meu amante
ou genro da minha mãe , no termo que lhes compete
vocês são profissionais.
--------------
Mulher, lustre mais o teu coroa. Nele, ainda há muito brilho capaz de te fazer rainha.



domingo, 22 de março de 2009

Mulher - Fonte da Água.



Coluna "Mulheres" Jornal Folha da Região 22/03/2009

Mulher, se for natural,
Da sua nascente nascerão as
Sementes de vidas futuras.
Dos seus mananciais, a vida correrá sem cessar.
Estenda seus braços, oh, mulher!
A sua fonte não pode secar.
É o leito das criaturas, Mulher,
É mineral, sacia a nossa sede de seres mortais.
Se for encanada, tratada nos chega pra toda jornada.
Mulher, se tem a bondade
Será água benta celebrando a trindade.
Mulher, você é a fonte da vida!
Abra seus braços, dedique-se ao mundo
É a fonte da água, se faltar o planeta padecerá.
Mulher, é a água do morro, é a água da jarra,
É a água do lago que abastece a plantação.
Mulher, lá do alto, é a cachoeira,
Mas também é a da cana pra fazer besteira.
Está na placenta que fomenta a vida.
Quando é da chuva, escorre no chão.
Você move moinho, sustenta o pão
Que alimenta o homem pra toda missão.
Está presa, ergue-se em paredes,
Vira fortaleza em uma represa.
Promove energias, mulher água-viva,
Para o mundo poder ouvi-la em canções.
Chuá, mulher! Chuá na voz da oração.
Mulher, é o recheio do coco, o soro do fraco ...
É a água ardente, o ébrio do homem.
Mulher, se você é a fonte, da água será as partículas,
O oxigênio, o núcleo, o átomo.
Mulher, gota de orvalho que molha a relva,
Que consola e acalma.
Da água, mulher, você é a alma.
É água da fruta, da pedra, do choro.
É a água que desce e sobe o morro.
Você forma um rio e corta cidades.
Mulher, você cresce, fica grande,
Transforma-se em mar de trabalho,
É o suor da humanidade.
Mulher, água oceânica, é a água da boca,
Se joga no chão e limpa sujeiras,
Escorre nas faces, lava os olhos...
É água de cheiro, de muitas facetas.
É água de brilho que sai do seu seio
E amamenta o filho, fruto do meio.
Mulher, se for e não voltar, será água seca,
Gota faltante no centro do lar.
Então, poluída, por onde passar abrirá as feridas.
Mulher revolta é água tão forte, é a água da enchente,
É a água da morte. Mata tanta gente...
É da vergonha que escorre pelos dedos, foge pelo ladrão,
Estoura os caixas, uma e tantas vezes.
É da urina, das fezes e de seus revezes.
É água que embala e que compôs a bala
Fura paredes e não cede à sede.
É a gota que explode no peito
E acha bem feito da vermelha que escorre.
Mulher, se praticar o mal
Cessará a vida no seu manancial.
Se quiser será benfazeja
Estenda seus braços, abrace a paz
O seu fluxo se bifurcará,
Encontrará muitas outras e,
Junto a outras,  fará o que quiser.
Por favor, fonte da água, jorre amor
E faça da Terra o Planeta Mulher.


imagem: www.culturaeeducaçao.blogspot.com

sábado, 21 de março de 2009

A AVÓ, A FILHA, OS NETOS.



Coluna "Mulheres" Jornal Folha da Região 21/03/2009


( Dia mundial da infância.)
Como ser mulher sem ter passado pela infância? Quantos anos você tem, mulher, mas quantos, da sua soma, já lhe roubaram? Roubaram a sua infância de menina sonhadora? Via bichos nas florestas e sentia medo, assombrações nas madrugadas, enquanto tinha que ser criança adulta. Hoje, é a menina da história, porém, na idade da loba.
“Vamos passear enquanto o seu lobo não vem.”
Na nossa época era permitido crianças trabalharem. Eu não sabia se gostava ou não, como também não sabia qual era o contrário disso. Morávamos na casa dos avós, nosso pai não dava notícias e coube à minha mãe nos sustentar, por isso, saíamos para trabalhar cedo e o nosso espaço no mundo, cabia a nós mesmas, mãe e filhas, conquistarmos. Trabalho dignifica o homem e emprego é assunto sagrado. Trabalho honesto nos dá o pão nosso de cada dia, amém! Concordávamos apenas balançando a cabeça.
E assim fomos virando máquinas, quanto mais nós nos doávamos, mais nos sugavam. Lei da oferta e procura. Coisa mais linda! Diploma era assunto necessário, mais do que o próprio estudo. Tenho um punhado deles nas gavetas. Filho nem pensar. Esse assunto era indiscutível. Ser mãe? Iria engordar, pesar mais do que 49, como hoje peso.
Trabalho é dinheiro e nós precisamos dos dois e com filho poderia perdê-los. Mas... Deus nos sonda. Acredite nisso! E eles vieram: O primeiro, em meu pleno despreparo de ser humano. O que fazer? Aprender, ué! Deixar de ser máquina para ser gente seria pular do ômega ao alfa. Uma megaoperação. Foi quando comecei a nascer. A cada dia com o meu filho eu ia me descobrindo junto, achava que Deus estava feliz com a minha dedicação e aceitamos com alegria a segunda filha. Foi quando eu nasci completamente. Meus filhos me deram a luz. Digo que “me nasceram” e me crio junto com eles. Mais eles me ensinam do que eu a eles. Palavras de coração de mãe! Claro, para não perder a pose, de vez em quando eu quero brincar de chineladas; eles, de esconde-esconde. São espertos e só aparecem na hora da comidinha.
Adoro brincar de casinha! Na minha casinha tem ferro elétrico, vassourinhas, rodinhos, baldinhos, tanquinho, panelinhas, mas só tem um fogão, porque na minha casinha o papai de todos adora brincar de comer fora. Fazer o quê, nem toda brincadeirinha é perfeita. Brincamos de professorinha e também de escrever textinhos. Na nossa salinha tem duas bicicletas, elas dão cavalo de pau, tem amarelinhas e cabana também. A bicharada vive esparramada sobre a mesa central, junto com o meu livro de capa azul. Ah, temos um cachorro também.
De vez em quando aparecem umas chatas de umas avós querendo atrapalhar o andamento da brincadeira da gente. Diz que não é assim, que não é assado, e que estou fazendo tudo errado, criança tem que ser criada com amor e dar a eles o que querem porque nós, quando éramos crianças, não tínhamos nada.
Pasmem! Ado, ado, cada um no seu quadrado! Que negócio é esse? Vai encher seus outros filhos, sô! Me deixa quieta, afinal de contas, rasgação de seda tem limites e não são todos os dias que o meu saco está vazio. Como disse acima, estou no meu estágio de gente, por causa disso tenho um montão de defeitos. Se tivesse continuado como máquina, seria tudo diferente. Não ouviria nem falaria nada. Enfim, como máquina estraga, eu, de quando em quando, também. Hoje, estou estragada e pronto!
Aí, para de ler esse texto, vai trabalhar, senão vai chegar atrasado, perder o emprego!
Hã? É sábado hoje, não trabalha!? É você que não trabalha! Você!!!! Já viu alguma dona de casa ter sábado, domingo e feriado? Me responde! Se tiver filhos então, pior ainda! Acabou! Nunca mais vai ter férias. Ah, não enche! Vai procurar no armário. Está pensando que sou sua empregada? Quer almoço? Vai pra casa da sua mãe! Aproveita e leva os seus filhos também! Vê se não me irRITA mais, heim! Estou com o saco cheio de vocês. Mas antes de saírem arrumem todos os brinquedos que eu também estou cansada de catar brinquedos esparramados. Estão ouvindo ou são surdos? Ah, vai gritar com a sogra! Acordei irRITAda hoje! Sumam da minha frente!
Nem sei por que dei esse texto ao título. Deve ter alguma coisa invertida nessa história. Confetes e purpurinas acabam e eu não dou conta de me manter no salto o tempo todo.
Tenho somente mais uma semana por aqui, como vou falar de tantas mulheres que sou em apenas uma semana? Se pudesse eu escreveria nas margens, mas não dá. Queria falar sobre as historinhas que eu escrevi para os meus filhos. Falar que o lobo mau é mau de verdade. Mas hoje a minha loba está atacada. Nem encoste em mim .
Aí, o espaço acabou, mas um pedacinho da história é assim: Respire fundo, estou calma agora! “ ... Eu sou um bebê, feito pra tua idade, brincar de boneca é tua realidade. O meu choro é brincadeira;, minhas risadas, pura verdade. Brincar de boneca, não é tempo perdido, se brincar comigo não correrá perigo [...] . no dia seguinte, após uma noite encantada, uma história infantil aconteceu. E a criança se salvou. Fim.”
Não cataram esses brinquedos aindaa!!!! Sumam já da minha frente seus filhos do meu marido... Levem o Lobo junto que eu não vou mais limpar o cocô dele por hoje.
Coitados! Fazer o quê, se eu não fizer assim de vez em quando, acabo perdendo o lugar no meu próprio quadrado.

Imagem: always_on_my_mind.blogs.sapo.pt

sexta-feira, 20 de março de 2009

MULHERES INDEPENDENTES



Coluna "Mulheres" Jornal Folha da Região - 20/0/3/2009


Menininha independente -
Não é carente, tem até cartão de crédito porque é muito insistente. Grudada num celular leva tudo numa boa, quando sai de casa diz: - “To sainu meus coroa.” Menininha educada! Tem tamanco salto alto e minissaia jeans que está toda assinada com o nome da garotada. Tem jeitinho cabra-cega, é ligeira como lebre. Sabe dar beijo de língua que enlouquece os moleques. Na escola não se enrola e faz tudo direitinho. Descola sempre uma cola debaixo do vestidinho. “ Nóis vai, nóis foi, nóis fumo” é o jeito como fala. Faz continha com os dedinhos e nunca fica dividida. Menininha desse jeito multiplica-se.


Moça independente
Tem diplomas nas paredes e fala muitos idiomas. Dirigi o próprio carro e não mora mais com os pais. É jovem evoluída. É profissional bem instruída. Ocupa cargo de chefia e comanda muitos homens. Quando ela dá as ordens todos lhe respondem: sim! As amigas que ela tem, inteligentes e saradas, estão no mesmo patamar. Como o reto acaba torto, muitas não acharam, ainda, um homem para formarem par.


Madura independente -

Toma decisões sozinha por não ter ninguém por ela. Conhece, desde a infância, o peso da labuta. Na luta, virou máquina e trabalhou feito uma louca para conquistar o seu espaço. Quando virou bagaço o patrão mandou-a embora. Voltou-se para o lar e virou esposa e mãe. Agora estão criados, os filhos e o marido. Prometeu a ela mesma que o seu espaço ninguém lhe toma. Vai toda noite à escola pra poder tirar diploma.


Idosa independente
Agora, aposentada, soube viver a vida. Não casou, não teve filhos, mas tem muitos sobrinhos. Trabalhou e viajou, conhece a metade do mundo. A outra parte que ainda falta vai conhecer com as amigas. Vive rindo, leva tudo numa boa, mas quando todos se recolhem fica, só, com as paredes. Jura com os pés juntos não ter medo de fantasmas. Fala pra todo mundo que joga carteado com um antigo namorado que queria por esposo, mas, coitado, morreu tuberculoso.


Dona independente.
Ao som de Roberto Carlos , este homem compôs esta canção.
“ O dia nem começa e eu levanto pra coar o café. Preparo a mesa e tiro a criançada da cama. Volto para o nosso quarto e visto a farda em minha dama. Ela pega a pistola e ajeita na cintura. Eu ponho as crianças no carro para levá-las à escola. Ela entra no camburão e eu a vejo ir embora. Volto logo pra casa pra lavar a roupa suja. Espano a poeira, varro o chão e vou correndo à quitanda. Eu quase posso ver os dedos dela deslizando no volante. Fico imaginando o seu charme vistoriando um assaltante. Enquanto passo o seu vestido vou fazendo uma oração. Peço ao Pai que lhe proteja nessa sua profissão. A minha rotina é sempre esta, sou um gato borralheiro. Fico em casa, sou doméstico, minha dona é quem traz dinheiro.
O som da sirena dela abre passagem em minha pista. Quando ela chega do trabalho sou eu quem a revista. Ela se envolve em meus braços e eu me prendo inteiro nela. Eu a deito no chão encerado e arranco os seus coturnos. Massageio os pezinhos dela , eu a faço Cinderela. Controlo a minha vontade de amá-la ali mesmo. Ela sabe que eu quero ser o seu eterno preso. Ponho as crianças na cama e jantamos a luz de vela. Na rotina dos nossos lençóis ela me transforma em rei. Hoje, sou homem, sou feliz, porque a ela me entreguei. E que assim seja todos os dias, meus dias de rotina.”
E que Deus o abençoe com esse mulherão! Homem maravilhoso. Amiga, a torta de sardinha que esse homem faz deve ser uma delícia!


O quê?
Está brava porque eu não a mencionei neste texto? É mulher independente, trabalha fora, fala vários idiomas, ganha muito dinheiro, é realizada no matrimônio, teu marido é profissional realizado. Teus filhos são os melhores alunos da classe? Faz viagens pelo mundo? Joga baralho com as amigas, com suas funcionárias também? É jovem e bonita e muito feliz? Nem TPM? ...
Perai!... Um colosso igual a você não cabe num espaço pequeno igual a este. Você já está na odisséia, querida! Além do mais, esta coluna aqui é para as ‘MULHERES’ de carne e osso, não para seres mitológicos. Psiu! Quietinha aí! Não tenho medo de você! Falsaria. Pensa que eu acredito em mar de rosas? Além do mais, como as suas estruturas conseguem carregar uma grandeza como você, hã?
Brincadeira, só falta me dizer que atinge o ponto “G”.

imagem: www.todoyda.blogspot.com.br

quinta-feira, 19 de março de 2009

A MULHER ENTRE O BOM E O RUIM.


Coluna "Mulheres" Folha da Região - 19/03/2009

As coisas para as mulheres não são tão fáceis como deveriam ser. Quando é virgem, a primeira vez nunca se esquece, quando é bem velhinha última também não, dizem. A mulher casa e chora porque não engravida, se engravida chora também de tanto que passa mal, muitas vão até parar no hospital.
Coisa mais linda é uma mulher amamentando. Verdade, desde que os bicos dos peitos não sangrem. Há bicos de peitos que chegam até cair. Isso é o progresso, sem os bicos os peitos viram boca de copo e a molecada já aprendem a se virar, ou melhor, virar o gole.
Pernas lisinhas de mulher é a coisa mais bela de serem vistas. Aquela cera quente na pele da gente é a redenção dos pecados. Quando passa na virilha então, a gente fica em ponto de bala. Respira fundo e puxa... Sei que tem a depilação definitiva. Coisa mais chique que já inventaram para as mulheres não precisarem se depilar.
Você, mulher, que é da minha época, tenho 42, deve se lembrar muito bem daquele revolver com que nos aplicavam vacinas nas escolas. Pois então, a depilação definitiva começou com um aparelho desse tipo. Uma moça me segurava e outra aplicava o revolver. Era pra matar e quando iam fazer no buço eu gritei : “Me deixe bigoduda, pelo amor de Deus”. É ruim mais é bom, elimina os pelos. Lembre-se de que para as sobrancelhas há um anestésico, não sofra!
Amiga, não se descuide, tem que se prevenir, mas só entre nós duas: quem inventou aquele aparelho de mamografia é o verdadeiro cão. Botam os peitos da gente dentro daquela bandeja e viram a morsa. Apertam os coitados a ponto de virarem folha de papel. Só mulher para aguentar. No próximo exame a moça daquele laboratório vai precisar do auxílio de uma pá, se aquele aparelho não se moralizar os meus peitos não passam mais por ele. Desaforo! É ruim mais é necessário. Exame ginecológico então é a coisa mais linda. Ainda bem que a mulher não tem próstata senão, ia se ferrar duas vezes. É ruim, mas é engraçado.
Quando é moça não gosta de menstruar, é ruim, mas é bom. Quando é casada quer a menstruação frequentemente, é bom, mas é ruim. No climatério chora de saudade da moça que fora, isso é ruim, ruim. Na melhor idade, superada as fases difíceis, vira aposentada e aplica o dinheiro em remédios. Oh, castigo!
Já conquistada a liberdade dos filhos, vai à casa deles para visitá-los os companheiros fazem cara feia.
Se está no ponto de ônibus o motorista torce o nariz, porque a demora pra subir vai fazê-lo se atrasar para o próximo ponto. Está pensando que isso é ruim? É nada, é ótimo! Estou relatando a vida de uma mulher, velha e pobre, porém feliz porque se vira sozinha, cansada, à noite, deita e dorme. Algumas mulheres, velhas e ricas, vivem de carro pra cima e pra baixo, não são felizes porque não dormem tranquilas, pensam que vão matá-las asfixiadas para ficarem com a grana delas.
Está vendo? Nem tudo o que aparenta ser ruim o é de verdade. Depois do sofrimento alguns resultados são satisfatórios. Esse texto, por exemplo, que você o julgou ser bom e instrutivo, de fato foi, não foi? Está vendo, há casos em que as regras são tão evidentes quanto as exceções. Mas se o achou ruim, está bom também!

Imagem: imagensdahora.com.br

quarta-feira, 18 de março de 2009

DEUS, QUE MULHER É ESTÁ?



Coluna "Mulheres" Jornal Folha da Região 18/03/2009


Olhando-te de frente, estremece o meu ser. No alto da cabeça, a grinalda. Cachos refletindo ouro adornam a testa que aparenta pele recém-nascida. O róseo da tua face orna com o carmim dos lábios que oferece sorriso farto deixando à mostra a perfeição da arcada dentária.
Teu semblante traduz uma calma olímpica e majestosa que impressiona quem, despreparado, à fita. Duas esmeraldas. Assim são os teus olhos. Deles posso extrair o brilho que falta em muitas. Quantas de nós, pobres mortais, gostaríamos de igualar ao teu perfil sutil e esguio.
O pescoço, ornado em pérolas, traz abaixo um colo em viço de mocidade. Os teus seios, muito bem desenhados, revelam uma virgem que ainda não despiu a égide. Teus braços perfeitos e firmes são inspiração escultural a profissionais da arte reflexiva. Deus, que mulher é esta?
És fina, logo vejo. A delicadeza dos teus dedos entrelaçados ao buquê não me deixa enganar.
As curvas do teu corpo revelam uma riqueza policroma. És, pois, uma matéria preciosa que traz conservada uma tradição idólatra primeva, ostentando-nos.
Nada em ti a deprecia, és a perfeição da arte.
Afeita que fiquei, consegui vê-la nua e, na transgressão das minhas vistas descobri coxas cobre com o púbis todo fios em ouro. Descendo o meu pudor, decalquei-me em teus joelhos roliços. As tuas variedades e radiações decoram o ambiente, já, todo templo, com a tua presença. Deus, que deusa é esta?
Na beleza que transmites faço-te inteira santa na dormência dos meus olhos.
Por quê não falas ? Queria ouvir a tua voz. Certamente és de veludo a soar-me aos tímpanos.
Não te fora dado um trono, oh mulher! Estas ereta e sobre os pés sustentas a tua beleza. Então? Não trazes nenhum epigrama consignado do teu poeta, ou ele te fora roubado? Com os meus olhos bem ao chão e já cansados de beleza, vomitei a tua imagem a quem me mantinha presa. Já que Deus não me deu resposta eu a busquei dentro de mim. Se somos eu e Ele tão afins: corpo, alma e semelhança, como Ele, também me crio.
Descobri quem és tu, pois me achei no meu espelho e você não me reflete.
Não és nada, oh estátua! Não passas de um esboço talhado em ateliê por instrumentos de um profissional. A tua plástica é a inconformação geral de muitas humanas. Na passagem por tua revista me vi quase iludida. A fotografia que me mostras é a realidade que te cabes? Pois digo-te que sim. Da maquiagem que te engloba não darias boa esposa. És noiva a seduzir o frívolo em castelo de areia. Se fosses de verdade trarias outra expressão.
Mulher de corpo frio em casca de pedra, és a imagem projetada de um homem que assim a quer para poder expô-la. És tola. Se caíres e rachares ficarás somente em pó. Produto que é muito fino não há cola que o conserte. Melhor juntar os cacos e jogá-los fora.
Em suma: Tua beleza desenhada não serve pra coisa alguma.

terça-feira, 17 de março de 2009

{E} TAPAS



Coluna "Mulheres" Jornal Folha da Região - 17/03/2009


A) Naquela época o que não podia era uma filha sujar o nome do pai. Por causa disso, a educação era rígida e presa a filha ficava. Mas o amor que paira no ar conseguiu fazer dois corações se encontrarem. Embaixo de um pé de café a menina-moça transformou-se em mulher. Aquele amor dele durou até ali, o filho dos dois, aquela mulher, sozinha, teve que parir. A herança do pai já não era mais sua, porque filha embuchada, só ganha do pai a porta da rua. A mãe daquela mulher não viria seu neto porque a ela só cabia calar. Abrisse a boca tapas ganhava.
E) Então coronel quis filha casada com o filho de um seu igual. O namoro era em casa. Tinham a permissão de ficarem na sala segurando as mãos. Coronel sente sono e, naquela noite, da filha, o pai já não era mais o dono. Não demorou e a barriga apontou e o pai de seu neto, no meio da rua, o coronel eliminou. A filha ficou na gestação prisioneira. Pariu o seu filho, mas não o conheceu. O pai disse à filha que o bastardo morreu. E tapas, na clausura, a vida deu àquela mulher. Ela, sem marido, definhou-se porque sabia que a criança que crescia com a empregada era o seu filho que não tinha morrido.
I) A mulher estava casada com quem nunca quis, fora educada sob a lei de que ter segurança é melhor do que ser feliz. Naqueles contatos de nojo e tortura aquela mulher jurou pôr um fim. Decidida a fugir das garras do cão arrumou sua trouxa, mas teve que ficar porque sua menstruação, durante nove meses, resolveu deixá-la. Tinha um teto pra abrigar a criança e estaria segura na hora do parto. Estava enganada. O cão embriagado, entre tapas e pontapés, matou aquele feto deixando-a inválida.
O) A menina cresceu como a mãe gostaria de ter sido. Deixou-a solta pra viver, ser feliz. Não tinha aventura que não havia experimentado e entre tantas gandaias, bebedeiras e afins ela não sabe quem é o pai do bebê. Ela nasceu, é uma menina, mas com a avó a mãe a deixou. Não tinha saco pra viver amamentando e o choro da criança incomodava a mocinha. Saiu feito louca e não deu mais notícias. Aquela mãe ganhou uma neta e a filha perdeu. Pra onde ela foi ninguém sabe, ninguém viu. Sabe-se que virou mulher da vida, ofício sem nenhum compromisso.
U) A avó, a neta e o avô. Hoje, a etapa é outra e liberdade não tem limites e tapas é a vida quem dá, em casa não pode, coitadinha da criança, tão inocente... Assisti a tudo o que pode, ouve, fala e pratica. Ah, menininha sarada de saia curta e peitos à vista. Não provoque, libertinagem não é cosanguínea. Mas não teve como, ela, a menininha, o provocou e num dia, sem a avó, o avô a estuprou.

Imgem: www.flickr.com

segunda-feira, 16 de março de 2009

MULHER MORTA DE OLHOS ABERTOS.



Coluna "Mulheres" Jornal Folha da Região 15/03/2009


Qual a imagem que eu tenho sobre mim? Qual a imagem eu projeto sobre mim? Será que o outro está me vendo da forma com que pretendo ser vista? Qual a imagem que está fazendo sobre você mesma? Mulher, é com você que eu estou falando!
“Eu quero morrer!” ou “eu vou morrer, vocês vão ver!”
Mulher, há várias formas de “se morrer’’. Se você é uma dessas que se expressa pedindo a morte, desculpe-me, mas já está morta e ainda não se deu conta. Morrer não é assim não, quero e pronto! Pra morrer há de se ter postura! Se age assim, está levando consigo as pessoas que a rodeiam. Se estiver desarmonizada com o universo chamado “Você” , igualmente estará com o pequeno mundo dos mortais. Só para lembrá-la, a morte não é a solução para os problemas de ninguém, se assim a julga é porque já não vê luz no caminho escuro que insiste percorrer. O que está te faltando é a luz de Deus. Assuma consigo mesma o compromisso de abrir a tua morada para a entrada de nova Luz Superior. Se me disser que tem uma religião e que a segue frequentemente e ainda assim vive depressiva, perdoe-me novamente, mas está no lugar errado. Se você me disser, também, que sai de casa para ir ao teu templo de orações porque lá sim você é feliz, já não te peço mais desculpas, mas está cheinha de problemas. O teu templo religioso é um lugar para troca de energias e agradecimentos ao Nosso Criador, aliás, deve agradecê-Lo a todo instante e em qualquer lugar . Se encontra a felicidade somente naquele momento em que sai de casa para ir rezar, então mude-se pra lá, para aquele lugar feito de pedras e cimento. O teu templo deve ser todo o lugar onde você se encontra. O teu templo deve ser a tua morada chamada “Você”!
Refaça-se. Ainda dá tempo de sobreviver e sobressair do calvário em que insiste habitar. Precisa fazer uma viagem. Percorra o teu íntimo no intuito de procurar o que ‘apenas te falta’. Nesta procura árdua, certamente encontrará muita coisa que te sobra, ou melhor, lhes podem ser úteis, mas não as enxerga, não as põe em prática. Dentro de você tem muitas coisas que somente você pode ver. Vendo-as identifique-se para que elas a completem. Elas te foram dadas, porque não as usa? Permita-se uma faxina, se encontrar algo desnecessário dentro de você, jogue o fora hoje mesmo. Talvez seja esse ‘objeto-sentimento’ que lhe faz mal, e o peso que ele representa a chama para essa ‘morte’ que tanto grita para chamar a atenção dos teus próximos. Vamos! Comece. Ainda dá tempo de você reviver e, readquirindo a vida, deixe que o tempo cuide de sua passagem, porque do jeito que está, mulher, morta com os olhos abertos, se deitar na terra o seu corpo contaminará o solo. Morto, amiga, é aquele que deixou de existir dentro do coração das pessoas. Há muitos que já passaram, mas que ainda continuam vivos porque se fizeram exemplos, respeitando-se primeiro para, depois, respeitar o próximo. Eles ainda existem no coração das pessoas cujo amor foi recíproco. Mulher, questione-se: - Que respeito estou tendo por mim? Que amor estou tendo por mim? Primeiramente, você mulher, em qualquer das circunstâncias. Se não estiver bem, harmonizando o teu universo, como cuidará daqueles que necessitam do seu auxílio? Se já não tem mais reservas de energias, o que sair de você será sempre negativo, prejudicando aqueles que ainda ama. Vamos! Rasgue este véu que anuvia a sua visão porque todos temos problemas - isso é uma afirmativa. Alguns os resolvem - isso é uma explicativa; outros, não - isso é uma negativa. Algumas pessoas se resolvem - é uma positiva. Outras, não - é uma problemática. Algumas pessoas se fazem ‘problemas’ para que outras possam resolvê-las – SEM EXPLICAÇÕES

PRESA QUE É MULHER NÃO SE ABATE



Coluna " Mulheres" Jornal Folha da Região - 14/03/2009


Como numa visão de raio X. A mulata trazia nos olhos uma máquina que comia carnes. Tudo o que podia ver não passava de grades enferrujadas. Todo o espaço ao seu redor era geometricamente quadrado. Estava ali, mas jurava inocência. Não fora ela a responsável por aquele pacote na sua maleta. Não se sabe, até hoje, quem colocou aquela droga para incriminá-la. Foi conspiração. Ela suspeita daquela loira oxigenada que vivia dando em cima do Negão. O Negão era dela, ela o havia conquistado. Batalha dura. Mulher de garra, não ia perder o seu homem para uma oxigenada. Ela odiava as oxigenadas, as julgava mulheres fracas e de carne fria. Não sabem nem delas quanto mais de um homem. Tinha opinião formada. Mas algumas estão livres. Ela não é oxigenada, é mulher original, do jeito que veio ficou. Mas não foi ela, jura que não foi. Ela só queria o Negão, assim o chamava. Mas a oxigenada não dava sossego àquele homem dela.
A mulata jurou eliminá-la diante de uma platéia. Muitos a ouviram. Foi conspiração, ela tem certeza, está presa injustamente junto a outras tão injustamente presas, mas esta presa é mulher que não se abate e toca a vida que lhe toca. O Negão está enquadrado também. Ele queria aquela mulher com suas garras e de carne quente.
As visitas aconteciam, mas aquela de garra não recebia quem ela gostaria de ver. Ele estava longe dali, mas em qual pavilhão era a questão que ela queria desvendar.
_ Elas são mulheres falsas e não têm alma de mulher. Os olhos delas não são de mulher, penetram o corpo da presa estraçalhando as entranhas. É assim que eu vejo as oxigenadas. Quem não se aceita como é, não é mulher.
Não se cansava de repetir sua versão às companheiras de cela que já não eram mais oxigenadas por não haver, ali, o essencial para a tintura.
_ Vai chegar uma novata hoje. Não queremos confusão por aqui.
Respeitou aquela carcereira tão oxigenada quanto a sua inimiga.
A novata veio cavalgando em sua carruagem de serpente. Uma a outra se avistaram e mostraram suas presas afiadas. Estava mais loura do que quando pôs aquela encomenda na maleta da mulher que jurava estar presa injustamente. Aquele encontro prometia uma guerra. Agora era a oxigenada contra a mulher do Negão. Em honra à claridade de seus cabelos, a falsa encostou-se na cela para provocar a outra.
_ Estou grávida do Negão. Aconteceu durante as visitas.
Num X de um instante a visão da mulata virou um raio e grades já não havia entre a cela e o corredor. Os seus braços fortes e definidos atravessaram os ferros inexistentes naquele momento, agarrou-a. As unhas da mulher cravaram os ossos daquela cobra que já estava com os cabelos tingidos esparramados no chão. Atingiu os ossos daquele feto arrancando-lhe a carne, abortando-o ali mesmo. Já não havia mais filho do Negão, pois aquela presa foi abatida antes que ocupasse uma vaga na cela.
Olhou o seu desfecho esparramado naquele chão do corredor e suspirou aliviada por provocar uma situação que a colocasse, com razões, dentro daquele quadrado disforme às suas molduras.

sexta-feira, 13 de março de 2009

TRIBUFU EM CARRO NOVO

Coluna "Mulheres" - Jornal Folha da Região - 13/03/2009

Quanto custa o velho dentro de um novo? Quanto um novo pode ser desvalorizado com um tribufu dentro dele? Sabe do que eu estou falando? Não é o objeto que enfeita o dono, embora muitos o use para essa finalidade. Quando vir uma mulher feia com uma bolsa combinando com os óculos da moda, imagine: ou comprou na 25 ou ainda está devendo as mercadorias. Carregar no ombro uma bolsa de marca que lhe custa os olhos da cara e, dentro dela um monte de prestações atrasadas é duro, heim?
Se bem que os óculos enganam um pouco e, disfarce em certos casos, apesar de não ser de graça, termina por ser uma benção.
Esta historia é outra. Entrou na concessionária para compra o mais luxuoso. Não hesitou, apontou o dedo cheio de anéis de ouro e brilhante, era aquele carro que ela levaria. O velho, não o carro, o marido, sorriu com um ar de alívio quase que querendo dizer ao vendedor: “Estou livre”. Quantos carros ela pedisse, tantos mais ele lhe daria. Isso tudo porque aquela mulher, outrora esposa, era o verdadeiro tribufu. Aquela do tipo “tá com dó, leva pra casa”. O princípio daquele marido era outro. “Tá com o saco cheio disso, bota no carro novo e pronto!”
O automóvel estava com as quatro rodas novinhas, cheirando a seringueira no meio da floresta; ela também tinha quatro, mas eram pneus que já vinha carregando no corpo há mais de 30 anos. No carro, um limpador de para-brisa, zerinho; os dela, puro pés-de-galinha. Os estofados do veículo todo de couro legítimo; ela, pura pelancas. Lá, faróis de milha; nela, mamõezinhos-machos, daqueles bem chupados mesmo.
Que pecado! Os homens, durante meses, desenharam, estudaram, projetaram e desenvolveram aquela máquina possante; Deus estava com dor em algum lugar e desenhou aquele tribufu.
Esticou o braço cheio de pulseiras com as mais variadas espécies de pedrarias, abriu aquela mão cheia de manchas senis, pegou a chave, sorriu com os lábios cujo batom não delineia mais e disse:
_ Vamos amor!
Ele atendeu carinhosamente ao pedido dela, abriu a porta para que ela entrasse e acomodou-se no banco do passageiro. Sim, era ela quem dirigia o próprio carro digo, a máquina.
Saiu cantando os pneus, mas afogou a máquina na primeira troca de marcha. Virou a chave como se estivesse virando o pescoço de um inimigo e acelerou novamente até que conseguiu sair do pátio da revendedora. Dominava o volante como se estivesse montada em touro.
Em casa, ele disse:
_ Benzinho, fique aqui. Vou sair, comprar uma jóia que enfeite ainda mais a sua vida. Volto logo.
Ela sorriu; ele, saiu com o carrinho simples dele. Passou no ponto habitual, a donzela entrou no veículo e, dali, seguiram para o motel.
Então, mulher, no lugar da bolsa cara, pague o botox. Na compra do carro novo, prefira a cirurgia plástica. Faça-se bela sempre e jogue fora o feio e o velho, não o marido. Quem enfeita os acessórios é você e não o contrário.
Mulher, pense melhor os seus investimentos; donzela, pense melhor os seus valores.
Ah, a jóia? Eu o mandaria enfiar em qualquer lugar, menos no meu texto.
imagem: desabafodascalcinhas.blogspot.com.

quinta-feira, 12 de março de 2009

A SOGRA

Coluna "Mulheres" Jornal Folha da Região - 12 03 2009

Hoje ela é sogra, mas é de uma época mais antiga. Quando se casou, levou junto um diploma, pois fora ele a razão de seu matrimônio tardio. Numa época em que à mulher eram dadas poucas oportunidades profissionais, ela não se abateu. Foi à luta e conquistou o seu espaço. Era moderna ao seu tempo. O filho demorou a vir, o marido, já envelhecido não o viu formado, não houve tempo; ela, sozinha, fez as vezes de pai e mãe. Eram os dois, filho e mãe em um só, ambos se completavam na ausência daquele que se foi deixando-os na saudade.
E ele veio. O amor veio ao encontro do filho que ela tanto amava. Ela ficava feliz por ver o amadurecimento dele e a vaidade à tona sempre que tinha um encontro marcado com a namorada. Ela, a namorada, veio conhecê-la. O olhar da mãe procurou o daquela moça, mas não o encontrou. O frio daquelas veias penetrou o corpo daquela mãe presente.
Cabia-lhe opinar a respeito da moça para o filho tão apaixonado? Como soariam suas palavras aos olhos daquele coração tão cheio de amor? Calou-se e deixou que o tempo produzisse o seu efeito. O filho marcou a data com aquela moça, formariam família agora. Ela ficaria. A mãe ficaria em sua casa, pois ao filho cabe bater as asas.
Ele se foi deixando numa sala uma mulher completamente sem fala. Demorou visitá-la. Era costume dela deixar a porta destrancada para o filho sempre entrar sem precisar bater. Encontrou-a mais envelhecida num silêncio que destoava com o ranger de sua cadeira de balanço que lhe possibilitava dormir com a cabeça pendida sobre um dos ombros.
_ Mãe? Acorda mãe. Sou eu.
Ele a beijou na testa e o calor do contato fez com que ela acordasse daquele sono de saudade.
Veio sozinho, a esposa não o acompanhou à visita, mas mandou lembranças àquela senhora. A visita foi rápida e, mais uma vez, deixou, naquela sala, uma mulher completamente sem fala. A distância entre os dois foi aumentando e a mãe já não podia falar dela para o filho e nem o filho, sobre ele, à mãe.
Ele voltou um dia para visitá-la, mas bem antes dele vieram as doenças da solidão. Doenças e filho não se entenderam, elas ficaram com a mãe; o filho, foi embora.
O tempo passou muito rápido e um neto ela poderia ver. Mas não iria vê-lo, a visão também resolveu deixá-la. O filho levou aquela mãe para algum lugar onde alguém cuidaria dela. O tempo passou mais rápido ainda. Quando foram buscá-la o neto já andava e falava muito bem.
_ Ela não está mais entre nós. Tentamos avisá-los, mas não os encontramos.
_ Fomos viajar, minha mãe queria aproveitar os últimos dias da vida dela antes que a minha avó viesse morar com a gente. Pai! Avisa a mamãe que ela pode começar a viver de novo, porque a vovó morreu.
Àquele filho, agora pai, não restou mais nenhuma oportunidade de beijar a testa daquela que fora a sua mãe.
Obs. Não se deixe dominar por esta nora cruel que reside dentro de você. Se hoje é uma mulher, melhor do que era antes, pois casou-se com um homem que a ajuda, não acha que deve agradecer a ela, sua sogra, pelo filho que ela te entregou? Eu já estou me corrigindo.
IMAGEM: indagaçoes.blogspot.com

quarta-feira, 11 de março de 2009

UM ESTORVO

Coluna "Mulheres" - Jornal Folha da Região 11/03/2009


Aquela mulher dominava o ambiente em que vivia. Fazia tudo por ela mesma e por todos que a rodeava. Era uma super mulher, mãe e esposa. Nada a abatia.
O café da manhã era preparado na hora certa, o almoço estava posto na hora prevista, o jantar nunca atrasou; as roupas, lavadas e passadas nunca foram reclamadas por quem as procurava. A casa tinha um cheiro agradável e tudo estava em seu devido lugar, inclusive um livro de capa azul que ela mantinha sobre a mesa central da sala de estar. Bagunça não havia naquele ambiente.
Um dia, o sono dela demorou a ir embora e o café não saiu na hora prevista. Ela não se levantou. Alguém perguntou:
_ Cadê o nosso café?
Um não respondeu ao outro e, na correria, cada um preparou o seu e seguiu o seu destino. Quando chegaram para o almoço tudo permanecia como antes e a rotina seguia normalmente. Ela tinha uma cópia da chave da casa. Um dia, ela saiu e não retornou.
Demorou voltar àquele lar, porém às escondidas, quando não havia ninguém em casa, entrou pela porta dos fundos. Encontrou louças na pia com restos de comidas de há dias por ali, roupas e sapatos esparramados por toda a sala deixavam nítida a ausência daquela mulher.
Rapidamente, arrumou tudo e passou uma vassoura na casa quando, erguendo o tapete, viu muita sujeira acumulada debaixo dele. Com uma pá, catou todo o lixo, amarrou-o e o colocou na rua. Passou os olhos sobre o ambiente e vendo tudo em ordem saiu satisfeita pela mesma porta em que entrou. Suas visitas às escondidas passaram a virar rotina.
Certo dia, naquele novo lugar em que ela morava, o sono dela demorou a ir embora e não pôde ir fazer a faxina aos seus. Passaram-se dois, três dias sem ir àquela sua antiga casa. Quando melhorou, resolveu que deveria voltar para lá e pedir-lhes perdão por tê-los abandonado.
Voltou, mas quis entrar pela porta da frente. Bateu a campainha e ninguém veio atendê-la. Cansada de esperar, decidiu fazer uso da chave que possuía e entrar pela porta do fundo, qual não foi a sua surpresa quando viu a fechadura trocada.
Decidida, arrombou a porta da frente e, adentrando aquela casa ficou surpresa ao vê-la organizada. As louças em seus devidos lugares, os quartos arrumados e os sapatos nas sapateiras.
Os móveis da sala tinham mudado de lugar, mas o seu livro de capa azul não estava sobre a mesa central. Caminhou por aquele ambiente que lhe era estranho e viu o seu livro jogado no lixo. Pegou e guardou-o certificando-se de que, naquela casa, o tempo todo ela era um estorvo aos seus, impedindo que eles próprios fizessem o que lhes cabia.

imagem: meninasg.blogspot.com

terça-feira, 10 de março de 2009

KAMA SUTRA



Coluna "Mulheres" Jornal Folha da Região - 10/03/2009



Diz uma lenda que a pessoa que joga no bicho e ganha naquela jogada tem tudo a ver com a espécie em que apostou. Eu nunca ouvi nada mais verdadeiro.
Todos os dias essa mulher jogava na ‘anta’ e acertava. Mas o prêmio era pouco e ela só veio a enriquecer quando acertou com a perereca. Aí o negócio começou a render, mas a coisa vai ficando gasta e precisa investir na renovação do bicho.
Ela aprendeu, depois do Kama, que as horas não são mais importantes e, sim, os momentos delas. Este livro a fez urrar de forma diferente. Por quê? Sabe aquelas dúvidas que não se atrevem a chegar perto do pensamento da gente por conta disso ou daquilo? Sempre foi assim com essa mulher em relação ao Kama Sutra. A gente, às vezes, se acha suficiente, mas quando um assunto, como o nome desse livro, por exemplo, invadiu-a, notou que já estava na hora de amadurecer e partir pra cima do problema. Fugir até quando? Aquela pererequinha já não estava lhe rendendo muita coisa, se muitos jogam no mesmo bicho, quando ganham têm que rachar e o prêmio acaba sendo melhor do que o valor da aposta.
Encarou-o de frente. Foi atrás para saber a razão dessa tal Kama é escrita com “K”, se todas as camas que conhece são escritas com “c”. Comprou o livro. Pensou: “vou descobrir o significado, dentro deve haver uma explicação”.
_ Barbaridade! – ela disse. Que livro caro.
Tudo bem. Foi abri-lo somente quando chegou em casa. No quarto, olhando cada página ( e o marido na cama), não achava uma explicação para o “K”, Está certo que ela é meio lesa e ceguinha, mas estava com os óculos na ocasião da leitura. . Com o livro aberto, foi caminhando ao encontro da cama ( e o marido) e investiu de boca.

Obs: Há escritores que possuem os seus leitores, como eu escrevo só de quando em quando, vou chamar Leitinho com ‘L’ quem ler o meu texto. Você, agora, é meu Leitinho.
Havia se esquecido que a cama, com “c” tem pés. Leitinho! Foi ali mesmo que ela ficou. Boca no chão e a unha do dedão do pé quebrada. Urrou! Urrou como nunca havia urrado antes. Não tinha marido que a segurava e folhas do tal Kama voavam pra todo canto.
Oh, momento triste! Seus óculos, ela os achou, no dia seguinte, debaixo da cama com “c”. Leitinho, do dedão escorria o que ela nem tinha vontade de ver.
De dedão pro ar, foi como ela dormiu durante muitas noites, travesseiros sob o pé para acalentar o inchaço. A unha, até hoje, está em ponto de misericórdia. Rachou até o talo. Não pode nem calçar os seus sapatinhos de anta. Eles não acolhem o seu dedãozinho machucado. Tudo por causa desse tal de Kama, que ela nem quer mais saber por qual razão se escreve com 'K' .
Também, não vamos tentar explicar porque, uma anta que compra um livro pra dar valor à perereca não merece Leitinho.
Quando ela melhorar, aposto que vai começar a investir no sapo.

imagem: espelhomeuuemohlepse.blogspot.com

domingo, 8 de março de 2009

POEMAS DE LAVOYER

Coluna "Mulheres" Jornal Folha da Região - 08/03/2009

HINO À MULHER

É pra Mulher! É pra Mulher! É pra Mulher!
Que um povo heroico deve,
sempre que ganhar a luta,
entregar o seu troféu.
Porque Mulher, foi caçada, mutilada,
prisioneira, abandonada
só porque trouxe na vida
o objeto da armada.

Só a mulher! Só a mulher! Só a mulher!
Não tendo pra dar aos filhos
faz da palma das mãos o prato e o talher.
Isso é Mulher! Isso é Mulher! Isso é Mulher!

Se apanha ela levanta!
Se apanha ela levanta!
E só levanta porque é uma mulher.
Isso é mulher! Isso é mulher! Isso é mulher!

Obra mais linda que Deus fez à flor da pele
E que consegue carregar o fardo - dor e amor.
Se Ele assim a fez é porque sabia
que somente a mulher poderia
carregar todo esse esplendor.

Mulher é isso e,
mesmo que viva à margem,
não importa a sua imagem.
Qualquer hino à liberdade
plagiou uma mulher.


MULHER


Mulher tem gosto de flor, tem gosto de jóias e
de chocolate com licor de amor então,
quero provar teu sabor enfim,
quero uma mulher perto de mim.
Vou tocar tua mão e basta,
esse toque para um homem
é a evolução.

Mulher!

Mulher! Flor dá no jardim.
Você? Está em todo o canto
para o mundo não ter fim.
És a obra-prima, filha e irmã de mulher
a tua beleza nos coloca a teus pés.
Isto é verdade todo homem pode ver
Deus está em tudo porque é clone de você.

Mulher!

Mulher, verde ou madura, tem o seu valor.
Tudo o que vem dela valoriza a criatura.
O que há de bom sai de teus mananciais
Vamos aplaudi-las hoje, sempre e mais e mais!

O som da voz delas é hino de liberdade.
Todas têm beleza independe da idade.

Deusa ou criada
tem que ser amada, idolatrada...
Dê a ela o que ela quer
Ajoelhe e grite:
Salve, salve a mulher!

Mulher!

Ajoelhe e grite:
Salve, salve a mulher!
A vida te precisa e suplica o teu amor
Dê-nos tua benção
Oh, mulher, por favor!

imagem:www.emarketingmag.com/Portu/J3/News4

sábado, 7 de março de 2009

A SEXUALIDADE DE EVA.





Coluna " Mulheres" Jornal Folha da Região - 06/03/2009



A menininha realizou seu grande sonho: participar de um programa televisivo de perguntas e respostas. No palco ela era um brilho só. O umbiguinho a vista trazia um pearcing que lhe caía muito bem naquela barriguinha tanquinho. Mascava o chicletinho com um charme que lhe era peculiar. Um coturno e tudo mais. Num dos ombros, bem a vista, a tatuagem de uma abelha sobre a flor; no outro, uma serpente. O apresentador gostou dela. Estranha, exótica, erótica. Luz, câmera, ação, apresentações coisa e tal.
_ Posso perguntar?
_ Poooode! - respondeu toda melosa.
_ Primeira pergunta. Qual era o nome da companheira de Adão?
_ Qual Adão? - perguntou quase chorando.
_ O do Éden! - respondeu o apresentador.
_ Ah, não sei! Pô meu, eu moro lá no Paraíso e nem sabia que também tinha esse bairro chamado Éden, foi o novo prefeito que fez ele?
_ Qual é o seu nome mesmo?
_ Eva! – respondeu empolgada.
_ Certa resposta! Eva é o nome da companheira de Adão.
_ É?! Nossa é minha xará .
_ Segunda pergunta. Qual foi a fruta proibida que Eva foi a primeira a comer e depois ofereceu a Adão?
_ Ah, não sei. – pensou e respondeu: _ Estou começando a me lembrar dessa historinha. Vovó me contava. A fruta é banana, acertei?
_ Não! É uma fruta vermelha.
_ Então, banana. Se ela foi a primeira a comer, pela lógica ficou vermelha.
_ Não é a banana. Perdeu uma pergunta. Só pode errar 3 vezes. Pode pedir ajuda aos professores universitários. Temos um de psicologia, um de sexologia e um veterinário. Continuando, a fruta não é banana, ela é redonda.
_ Nossa!!! Coitada dela! – pensou mais um pouquinho e respondeu na lata: _ bacaxi!
_ Não era abacaxi. Era uma fruta vermelha e redonda!!!
_ Então - gritou ela . _ Eu acertei. É bacaxi sim. Experimenta para senhor vê se não fica mais vermelha do que a banana.
_ Peça ajuda aos professores.
_ Ah, tá bão.
Os 3 foram unânimes em responder :MAÇÃ.
Não aceitou a resposta e pediu auxílio às placas. Ergueram a figura de uma maçã. Não confiante pediu as cartas. Eram 4 frutas representadas: abacate que ela descartou porque o caroço era pra dentro; jaca ela não quis porque tinha mais caroço do que o normal; caju ela desconjurou, apesar do caroço ser pra fora, só tinha um. Na falta de opção ficou com a maçã, que não tinha caroço, mas sementes. Respondeu desconsolada: “Maçã”.
_ Certa resposta! Agora a última pergunta. Se errar perde tudo. Qual era o sexo de Eva, que morava no Éden, companheira de Adão e que comeu a maçã redonda e vermelha?
_ Quem deu pra ela?
_ A serpente, que é o próprio diabo!
_ Gentem! Não sabia que a serpente tinha maçã também. Bem, vou pela minha lógica. Se Eva comeu a maçã da serpente, que também é o diabo, a serpente é hermafrodita? Se Eva não comeu a banana nem ‘bacaxi’ e preferiu a maçã... Vou responder.

O silêncio foi geral na platéia.
_ O sexo da Eva é lésbica! Acertei?
O programa terminou sem resposta por falta de raciocinio lógico.


IMAGEM: LUSOPOEMA.HI5.COM /www.todafruta.com.br

sexta-feira, 6 de março de 2009

AS AMANTES

Coluna "Mulheres" - Jornal Folha da Região - 06/03/2009.


Dizem que mulher pra falar de outra não tem igual. Oh, nem te conto! Uma quer ser melhor do que a outra neste particular. E dá-lhe defeitos.
Vê na outra, geralmente, o que não quer ver em si mesma e cravam a língua.
Estas são diferentes. Uma vê na outra todo o bem que vê em seus mergulhos íntimos, fazendo-se iguais.
Uma a outra se viu. Ambas eram uma só na beleza que as pariu. No confesso de um segredo uma a outra se entregou, sem mais nada a temer, o amor se revelou.
Foram tantas, tantas, tantas de amassos e batom, o prazer era o fruto daquela concepção.
Buscam e se acham no corpo uma da outra, no laço de amantes elas não são de fazer fita. Gritam, gemem e se descabelam para não perder seu par. São amantes, são mulheres sem vergonha de amar.
Só beleza em cada toque de carinhos sem iguais. Depois de tão suadas, os retoques são fundamentais.
Você, mulher, que tem vontade de ser iguais a estas. Não se enclausure, rasgue a sua fenda, tua vida pede pressa.
Oh, mulher! Seja feliz e procure o teu amor. Ela também a esperar para compartilhar o teu calor.
Mulher, tenha coragem de ser o que você é. Para viver com a tua igual, qual mal pode haver? Já nasceste tão mulher e com tanto amor pra dar.
Vá, mulher! Abra os teus braços, corra, grite e cante sem parar.
Ela também a espera para, com você, formar um par.
Amem-se, amem-se, amem-se sem medo de ser feliz. Seja a mulher que você é com coragem para amar outra. Saiam de mãos dadas para outras calarem a boca.
Mulheres gostam de homens, mas há tantas tão vulgares. Seja chique e elegante e apresente a tua amante. Não fique se escondendo igual mulher que trai marido. A tua conduta é outra, defenda a tua libido.
Até a Eva provou da maçã. Coitada, se pudesse pediria o divórcio àquele todo rústico. Mas o Criador a condenou a viver eternamente com aquele que ela enganou.
Se você estiver assim, como a Eva, saia de cima do muro. Mas saia com cautela e não deixe que a magoem. Já não basta tanta dor que eu sei que você sente. Por favor, mulher querida, volte-se pra você, seja mais presente.
Você é moderna. Meta logo o pé no balde, não irá se arrepender. Se alguém a criticar mande-o ir ‘se ferrar’. Cada um cuide de si; e você, querida, da tua vida. Vá viver com aquela que te é a preferida. Juntas irão vencer a luta.
Vocês não são diferentes; vocês são absolutas.
IMAGEM : KATRE.NIREBLOG.COM/PAG.4

quinta-feira, 5 de março de 2009

A MULHER NA POLÍTICA

Coluna "Mulheres" - Jornal Folha da Região - 05/03/2009


Pra que uma Secretaria de Cultura em Araçatuba?
Mulher não dá moleza, não! Quando inventa de querer ser mulher de verdade, sai de baixo. Há pouco tempo, quando foram descobertos umas coisinhas simples, não muito significativas à Nação brasileira, uma mulher da política subiu no salto e me deixava arrepiada. Quando eu a via na televisão, gritando e xingando quem passasse à sua frente eu ia ao delírio. Gritava para o meu marido: “Marido, se eu fosse homem eu largaria você só pra me casar com ela”. Ela era a minha catarse na política. Mulher feroz! Quando ela pegava no microfone para desafiar aqueles: “toninho marvadeza, carequinha, tesoureiro e companhia” eu gritava em frente à tela: “Dá neles, arranha a cara deles! Eles são sem vergonha!” Eu me realizava nela. Eu era aquela mulher política daquela CPI. Confesso: “Eu votei naquela mulher!” Mas entre umas e outras acabei por desgostá-la. Mulher, abra os seus olhos! Nem tanto ao céu, mas também à terra.
Mas a mulher na política não faz tanto como um homem. Está certo que algumas fazem a dança da pizza, mas parece... Sei não heim... Veja só a proeza, político homem, que é ‘bão’ de verdade, consegue até mudar a natureza, baixam decreto pra tudo. Veja a evolução que uns conseguiram: mulher tem menstruação; político ‘bão’, mensalão. Mulher usa absorvente; político ‘bão’, dinheiro vivo pro p.... ficar contente. Ai, que saudade do tempo em que cueca virava pano de prato ou, então, coava cafezinho pra servir ao namorado. Olha só o que ela virou: um cofrinho incrementado para fundilho de deputado. Eca! Que coisa mais nojenta, guardar dinheiro sujo dentro da cueca! Nossa! Que linda ficou a rima.
Ah, quer saber de uma coisa, esse assunto dá até marchinha de carnaval e, de carnaval já tem papai-noel com o saco cheio por aqui. Quer um exemplo: As mulheres de Araçatuba que estão na política, digo, as vereadoras são mulheres de classe, mulheres finas, educadas, sabem respeitar as cadeiras que ocupam e as razões de as ocuparem. Digo isso porque se eu estivesse por lá, alguns dias desses, teria rodado a baiana. Eu estou melhorando, como disse no meu primeiro artigo, eu sou ‘mulheres’, umas eu as educo; outras, não. Nossas vereadoras são mulheres de princípios e os respeitam. Saberão resolver assuntos polêmicos com sabedoria. Isso é cultura! Por falar em cultura, já tem gente armando o circo, fazendo o maior carnaval, em plena quaresma. Praticando a arte de pintar o sete. Por falar em arte, será que a Secretaria de Cultura de Araçatuba vai ser extinta?
Falando sério, não do prefeito, mas de outra seriedade. Na arte, cada um se expressa da forma como sabe. Serão mais aplaudidos aqueles melhores interpretados. O nosso vereador, Arlindo Araújo, é homem diplomado, culto e inteligente. Fez coisas boas por nossa cidade. No fervor da emoção se expressou de forma equivocada. Julgo que não deseja lutar para Secretaria que apóia a cultura seja extinta de nossa cidade, pois ele também luta para poder melhorá-la. Na sua grandeza de homem público que é, Arlindo Araújo saberá se explicar quanto à sua expressão e nós, artistas, compostos mais de alma que de corpo, saberemos entendê-lo. O homem público ou o artista, um ou outro, cada qual dá sua parcela para o crescimento da cidade como pode, pois sabemos que não vivemos somente de política, mas também de comunhão com a arte. “Mulheres” sempre apoiará a Cultura!
imagem: novohamburgo.org/...