CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura


sexta-feira, 29 de maio de 2009

NÃO QUERO QUE ME BATAM.




Jogaram-me em uma arena para pagar o que eu devo. No que estendi as mãos, para um breve cumprimento, um golpe me foi dado levando-me à lona. A areia era macia, fora revolvida para amortecer a minha queda.
Não quero que me batam. Estendi uma das mãos apoiando-me em outra, no que esta foi chutada e outra queda degustei; eu vi todo o céu de uma arena tão cercada com madeiras faces mil , todo o apoio que busquei na força dos meus dois braços colocou-me de joelhos.
Não quero que me batam e um sorriso enlargueci, o branco dos meus dentes avermelhou-se num instante. As gotas tão pungentes arrancavam os aplausos de mãos tão estridentes.
Não quero que me batam e com a força dos meus braços e joelhos bem firmados me ergui toda defesa para saudar o cobrador .
Não quero que me batam e já toda recomposta os meus braços eu abri; corri para o encontro quando, separando-nos a distância, uma lança atravessou-me e novamente eu cai. Com o apoio de uma mão e também dos dois joelhos me arrastei até a cerca e ali me apoiei, mas ela era tão solta... não me pôde sustentar; num impulso, não sei de onde, para o centro retornei.
Não quero que me batam e a lança até doía um pouco no meu peito, mas a esquerda me estancava, com a direita acenei. O braço na altura e feliz por agradar, senti profundo golpe na altura do meu punho. Logo o abaixei para esconder o rompimento da articulação.
Não quero que me batam e com o meu ombro tão direito apoiei tão forte clava. No que eu virei o rosto, o frio de um metal atravessou-se em minha face, fiquei desfigurada.
Não quero que me batam e por isso me firmei no apoio dos meus pés, sem muita demora uma intervenção mutilou-me um membro inferior.
Não quero que me batam e resolvi me sentar, fiquei bem quietinha no centro da arena, já não via o que se passava quando os meus olhos foram vazados e também não sei dizer quando rompeu a minha coluna.
Não quero que me batam e entendi que deveria deitar-me na areia daquela cena. Não sei para onde foi a lança, já não a sinto mais em meu peito, já não sinto nada, só a parte do rosto lateja um pouco. Uma voz, tênue e mansa, eu ouvi se aproximando, ordenando que parasse a cobrança neste dia. Senti na minha testa a ponta de um dedo, palavras me informavam que ele voltará até que se finde esta cobrança totalmente indolor.
Não quero que me batam e a todo instante vou vivendo, toda vez, para entregar- me de corpo e alma até pagar o meu credor.

Autoria - Rita Lavoyer

terça-feira, 26 de maio de 2009

EU NÃO ROUBEI A PREVIDÊNCIA


Um dia, os meus amigos e eu já fomos “também” a esperança deste País. Mas na nossa época não havia leis que protegiam as crianças, e muito cedo precisamos trabalhar; mas isso só nos fez bem, nos fez honrados. Hoje, chegamos a esta idade, e o que nos sobra?
Recolhi em dia os meus compromissos. O que recebo em troca de tudo isso? Trabalhei de sol a sol. Não me perguntaram se podiam descontar na minha folha de pagamento. O que tiravam me faltou para comprar o pão dos meus filhos.
Filhos da culpa! Uma culpa gera outra. Vocês? São filhos da culpa porque quiseram entrar nela. O meu pai teve pai; a minha mãe, pai também teve. Seus filhos da culpa! Fizeram data para comemorar o meu dia de aposentado. Vou comemorar o quê? A vergonha que eu sinto por ser aposentado neste país? Senhores, disso tomem ciência: “Eu não roubei a previdência!”
Ponham a mão na consciência! Tomem uma providência. Já cansei de me calar. Perdi as esperança. Por que ainda tiram de mim o que tinham que me dar?
Basta! Deixei que o meu futuro fosse resolvido por crianças que insistem em não crescer. Tantos anos de labor, chegar nesta idade, passar vergonha, sentir dor, ficar na fila de espera e não poder pagar doutor.
“Eu não roubei a previdência!” Na minha educação, quem é homem não mente! Por favor, tenham respeito. Apesar de ser idoso, ainda quero ser gente.
Senhores da presidência, tenham piedade! Um homem na minha idade sendo tão humilhado! Fui honesto a vida inteira e hoje vivo prisioneiro de um sistema mal resolvido, num país onde ladrões de elite tem a defesa de ministros e nós, aposentados, pagamos por termos sido honestos e honrado os compromissos. Será que Deus está vendo isto?!
Pai! Perdoe-nos por ter nos calado tanto tempo, os meus amigos aposentados e eu. Enxugue o nosso pranto, Pai! Para nós, só nos resta o desencanto. Perdoe-nos, Pai, termos chegado nesta idade e não conseguirmos viver com dignidade. Hoje, Pai, ser aposentado neste Brasil já virou pecado. Perdoe-nos por ter nos restado isso. Se o senhor conseguir ouvir a voz fraca deste velho, peço-te Pai, tire-nos deste inferno.
Eu nunca roubei ninguém, Pai, eu juro! O meu único erro, Pai, foi ter trabalhado e sonhado em poder chegar aqui, cantando. Forças não me restam mais. No meu orgulho de homem honesto, perante o Senhor, Pai, só me resta chorar.
Texto publicado no Jornal Folha da Região em 26/05/2009
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