CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura


quarta-feira, 21 de outubro de 2009

A VIDA PEDE PAZ, A PAZ PEDE URGÊNCIA.



Penso ser a guerra inexequível. Mas para torná-la exequível, homens de boa vontade em promovê-la reúnem-se para discuti-la. Pensando-a possível, arregaçam as mangas para promovê-la. Colocam em prática o PODC. Planejam, Organizam, Dirigem e Controlam. Para isso, o homem é capaz de se reunir, fazer amigos para alcançar o que deseja. O homem pode! E junto aos seus iguais, executam o que planejaram dias seguidos, consumindo-lhes noites de sono, reuniões familiares, refeições saudáveis em horários corretos. Estressam-se, brigam entre si nesse grupo de iguais para verem os projetos no papel concretizando-se em explosões. Conseguem tornar a guerra exequível. Executam-na, e em seguida executam-nos. Tornam-se ‘experts’ no assunto. Isso é dom do homem.

É impressionante, penso eu, como nós, seres humanos, embora não muito dentro do processo evolutivo para sermos considerados de fato Homens, não temos mais a capacidade de nos indignarmos com o que vemos de errado. Algumas barbáries já são tão comuns entre os “civilizados”, que se destaca mais entre um grupo, o homem que menos se compadece com fatos que, a princípio, deveriam nos chocar.

Quando penso que eu já não estou mais contida no outro, porque ele esgota-se em si mesmo, sinto-me dentro de uma vala comum em que todos somos descartados. Não estamos mais habituados a nos compadecermos com o próximo, porque o meu próximo, de preferência, é o último da fila. E eu não o vejo, uma vez que a fila dobra a esquina. Logo eu já nem sei mais quem é o meu próximo.

Então, que cada um sofra as suas consequências, porque eu também tenho as minhas e cada um por seu umbigo, e o mundo gira como a minha cabeça também gira quando eu a coloco no travesseiro, e a minha consciência não se aquieta, enquanto não me disser tudo apontando o dedo no meu nariz.

Confesso: nem eu mesma aguento o discurso da minha consciência. Afinal de contas, amanhã é outro dia e eu preciso dormir para repor as energias que eu gastei hoje. Mas a minha consciência quer me ensinar que ela não se esgota sozinha e necessita ‘viver’ contida em mim. No que eu lhe grito para ver se ela me esquece: “Sou aprendiz, vai procurar um profissional!”

Então eu chorei, e fui buscar consolo no meu livro “Fonte de vida”, o abri exatamente na página 321, cujo texto traz o título “Ajudemos a vida mental”. Veja um fragmento dele:

“Não nos esqueçamos, pois, de que abençoada será sempre toda colaboração que pudermos prestar ao povo, em nossa condição de aprendizes. Ninguém precisa ser estadista ou administrador para ajudá-lo a engrandecer-se. Boa vontade e cooperação representam as duas colunas mestras no edifício da fraternidade humana”.

Diante de tão grandioso ensinamento, aprendi que: quando as lágrimas nos vêm e em Deus buscamos ajuda, uma resposta à elas nos será dada imediatamente.

Acreditei nisso e me conscientizei de que tendo eu o dom do aprendizado, as minhas lições apreendidas não devem ser guardadas. Quanto mais eu as libero, mais ainda elas estarão contidas em mim. Assim entendo que eternamente devo ser aprendiz para eu não ter medo agir com medo de errar. O aprendiz pode!

Voltando ao assunto ‘guerra’, entendi que aprendizes, meu próximo e eu, se quisermos, conseguiremos reconstruir o que ‘experts’ destroem. Podemos fazer um jardim onde há escombros, para isso, basta arregaçarmos as mangas. No concreto também nasce flor. É utopia? Se a guerra nunca foi, porque a PAZ deve ser assim considerada? Cumpramos bem o nosso papel de aluno na cartilha do bem, porque a nossa vida pede paz, e a paz pede urgência e eu preciso de você que é o meu próximo, e que me completa, para eu encontrar a minha paz.
Autoria - RITA LAVOYER

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

"BULLYING" NÃO É BRINCADEIRA


Durante a minha infância tive algumas experiências com brincadeiras desagradáveis nos grupos de amigos. Nunca fui “santinha”, mas revidar não era minha característica, por isso, sempre ficava com um espinho na garganta ou uma ‘coceirinha’ na palma da mão provocando-me: “por que não deu o troco?”

O sentimento passava logo e no dia seguinte era tudo igual, uma vez que continuávamos amigos, realizando as mesmas rotinas de vida, dentre elas a corriqueira passadinha na casa do outro para, a pé, irmos à escola. Aquela época foi boa, porque foi o meu tempo e eu o aproveitei. Cada um a seu tempo, não acha?

Mas o meu “tempo” parece que ainda não terminou. Tenho que me manter alerta, de prontidão, para receber e agradecer o que me chega de bom. Do mesmo modo devo estar preparada para resolver o que vem como contrário aos meus objetivos. Bem, me desenvolvi um pouco, portanto, posso dizer que tenho algumas condições para realizar tal fim.

Embora muitas coisas tenham mudado de rumo, desde aquela época até agora, parece-me que algumas permanecem nos mesmos lugares. Às vezes, me questiono se o homem, depois de tantas transformações sociais, tecnológicas, informacionais, percebe que a vida tem lhe possibilitado a aproximação ou o melhoramento nas suas relações interpessoais. Tenho a impressão de viver da mesma maneira que os nossos ancestrais pré-históricos que sobreviveram à custa de muita luta. Não penso com isso em desconsiderar o homem como um ser evoluído, no entanto, existem algumas circunstâncias vividas que me levam a pensar contrariamente a este fato.

É aqui que chego à ideia do Bullying. Falar sobre Bullying, hoje, para mim, já não é mais tão doloroso. Fui me inteirando sobre o assunto até apreender o significado desta palavra ‘estranha’. Estranha? Não. É uma palavra cujo conceito nos acompanha há gerações.
Para quem ainda não sabe, Bullying significa uma variedade de agressões intencionais e repetidas, praticadas entre alunos para mostrar o poder de força de um sobre o outro. Os autores e os alvos são crianças e adolescentes, e as ações dos agressores e/ou autores são praticadas dentro das escolas, cujas vítimas (alvos) são os mais tímidos, ou aqueles que apresentam algumas características físicas que podem chamar a atenção, os conhecidos ou tratados – “diferentes”.

As pesquisas indicam que as crianças alvos de Bullying superam cada vez menos seus traumas psicológicos. O problema está no crescimento desta prática dentro do círculo infanto-juvenil, e eu posso afirmar sem medo de errar, que o problema atinge todas as escolas, sejam elas da rede particular ou da rede pública, haja vista estarem ali os que sofrem e os que praticam esses tipos de ações e/ou agressões.
Por não saberem dar nomes às suas atitudes, algumas crianças e jovens continuam praticando suas supostas “maldades”, alegando meras “brincadeirinhas”.

Brincadeira saudável nenhuma causa transtorno físico, psicológico e o isolamento de uma criança. No entanto, quando se trata do conhecido Bullying, a história muda de figura, pois, aqui, se aplica a ideia da brincadeira da “maldade”.

Hoje é crescente o número de crianças ou adolescentes que assumem comportamentos agressivos contra o colega de escola sem se darem conta do que estão fazendo, quando, infelizmente, estão praticando o Bullying. Mais triste ainda, é saber que dentre os alvos estão indivíduos inocentes, aqueles que raramente se dispõem a sair em defesa de si mesmos, seja por falta de habilidade, seja por dificuldades físicas ou emocionais.

Digo ainda que mais complicada seja a questão da falta de conhecimento por parte dos docentes e pais sobre este assunto. Muitas vezes, ambos já presenciaram essas ações e não se deram conta dos malefícios que Bullying causa. Por exemplo, há pais que desconhecem o comportamento agressivo do filho dentro da escola; como também há pais que não conseguem diminuir o sofrimento do próprio filho, quando este é o alvo. Encontra-se nesta cadeia de problemática a criança que, por insegurança, muitas vezes não consegue relatar a alguém as humilhações pelas quais passa
Chamo a atenção para esta questão, pois, afinal não cabe ao professor cuidar sozinho do comportamento dos seus alunos, ou seja, há aqui uma tarefa que deva ser compartilhada com a família. Nesse caso, o acompanhamento das crianças e dos adolescentes em fase escolar é missão, há tempos, daqueles envolvidos no processo do seu desenvolvimento: pais e escola. Mas há pais que não acham isso

No meu tempo o Bullying já existia, mas continuar acontecendo até os dias de hoje, leva-me a refletir sobre a necessidade de discussão sobre o assunto num âmbito mais geral. Pois, viver nesta época das trocas comunicacionais, da era da Internet, e permitir que os indivíduos se ataquem de modo negligenciável (via linguagem), é não permitir a própria evolução do homem enquanto ser das interações sociais.

E destaco a importância do debate sobre esse assunto, porque à medida que não possibilitamos a criação de espaços para fóruns de tamanha dimensão estaremos, com isso, convencionando práticas desumanas que podem vir a acarretar danos irreversíveis na fase de desenvolvimento do sujeito; esclareço aqui: “sujeito criança ou adolescente” que uma vez privado desses assédios morais, poderá ser um indivíduo mais disposto à prática da sociabilidade.

Há crianças perdendo o melhor tempo de suas vidas: a infância. Quando deveriam brincar, se relacionar com segurança, despertar sua criatividade - sustentáculo do aprendizado-, escondem-se por insegurança, por serem alvos de humilhações aplicadas por outras, também crianças e jovens, que não conhecem a si mesmos, tão pouco os seus limites.
Assumo enquanto educadora, mãe e cidadã, que não tenho e não apresento solução para o problema chamado Bullying, estudo o problema e me coloco à disposição para levar o assunto à luz de todos, mas, conclamo, caso você, leitor(a), tenha conhecimento sobre o tema e possa nos auxiliar, estaremos todos, eu, você e a sociedade, agradecidos. Podemos afirmar que a temática urge e não devemos nos dar por vencidos. Logo, o debate se faz urgente.

Tendo, ou não, alguma ideia, sugestão ou conhecimento, e se tiver algum interesse em discutir sobre Bullying, estaremos reunidos no próximo dia 20/10/2009, às 18h30, na sede do Jornal Folha da Região para uma breve discussão. Junte-se a esta causa, PORQUE BULLYING NÃO É BRINCADEIRA.
Observação: as instituições educacionais são lugares onde as crianças e adolescentes, pais e professores devem confiar. Ou não?

Rita Lavoyer é professora, escritora e tem sete obras publicadas, entre elas Bullying não é brincadeira.




terça-feira, 13 de outubro de 2009

LISTA DO QUÊ?


Solicitaram-me uma lista.
Eu não sei fazer lista.
Nem a do mercado consigo mais.
Virou automático,
Agora rotina
É para sempre o dia a dia.
Eu não sei fazer lista
de sonhos
de outrora
de agora
ou amanhã
De amores
se é apenas um.
Só um.
Só um?
Só um enche uma lista
Porque um é mais do que tudo
Preenche a folha de um vago quadrado
Que hoje,
tão branco,
o destaca em azul esferográfico.
E amanhã, será que vai amarelar?
esfarelar?
desbotar o azul?
apagar as letras?
abafar o sentido?
Ser comida pelas traças?
ou pelas baratas?
ou pelos ratos?
E se vir alguma cobra
para comer o rato
que engoliu a barata
que espantou as traça
que rompia o sentido abafado,
as letras apagadas
de azul desbotado?
esfarelado?
amarelado?
branco...
Branco???????????????????
Nossa! Me deu um branco.
Lista do quê mesmo eu tinha que fazer?

RITA LAVOYER

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

NA FOZ OU NO SONO?



Na foz do horizonte estarei
quando minhas pálpebras
forem visitadas pelo tempo
arrefecido.
Lá, mergulhada na embarcação
infinita de cada gota, envolvo
o seu convexo em minha reentrância,
anestesiando o nosso equilíbrio
no enlace das aparências afins.
Não a deixarei secar.
Estaremos, ela e eu, envolvidas
na mais profunda realidade
do sonho.
Não havendo mais o último pingo
daquele ponto de desembocadura,
retornarei para que minhas
pálpebras se entreguem
àquele que as procura.
Rita Lavoyer

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

O BEIJO





Os olhares, furtivos. Desejos atrás da porta em disfarces evidentes. Recatados. Assim um ao outro se viam. Não houve como. Nos olhares se avistaram. Ali mesmo se acharam, mas não se encontravam no termômetro do contratempo.
Foi amor-amor. Retraídos neste sentimento, comiam-se com os olhares em cada soturna despedida. Cada voz sempre abafada no desejo de um toque de pele com pele.
_ Quando? Assim o silêncio foi rompido.
_ Talvez... Dessa forma o encontro foi selado.
No Templo emudeceram. Um dedo, empurrado pela mão, tocou o do outro. O silêncio morou ali quando uma boca procurou os lábios daquele seu, e não se contiveram no aperto de ternura, nas bocas unidas encontraram o carinho de uma vida.
Quanto mais se aprofundavam no ato daquele beijo, um ao outro se encontravam aumentando-lhes o desejo. Os braços fortes, as mãos carinhosas passeavam-lhe nas costas. Os lábios se desgrudaram descendo, o dele, no pescoço dela. Enquanto ela gemia, ele a mordiscava e o beijo não parava de praticar a sua ação.
Num ímpeto contiveram-se, se desgrudaram por um instante. Foi bastante esse tempo para deixá-la inteira louca. Novamente ela buscou conforto naquela boca; no que ele a afastou deixando-a a deriva. Ela não entendeu interromper aquele culto. Aceitou tão logo ele a deitou no chão.
Quanto mais um dava ao outro, muito mais os dois queriam. A verdade de um era aquilo que o outro consumia. Era tudo tão composto naquela dupla anatomia, quanto mais um se entregava, muito mais o outro sugava.
E foram os sentidos naquele Templo explorados, partiram do abstrato para atos mais concretos. Tudo fora revelado pelo canal daqueles poros e os corpos já eram mapas para exploração do tal dueto.
Escavou com sua língua uma gruta para entrar, ela era uma sereia e ele o seu mar. E de tanto que lambeu o sal ficou mais doce, pois se assim não fosse não seria amor.
Muitos beijos surgiam descendo da boca ao colo. Já era demais a ele suportar o fecho ecler. Naquele instante ele foi homem e a fez sua mulher. Ele a amou e amou enquanto ela o beijava. Pedia ao seu deus que em suas ancas cavalgasse e ele, naquela luta, deleitando-se na garupa, dentro dela se ajeitou. No enlace chave daquelas pernas, entregou-se inteiramente àqueles gestos tão suaves. Aproveitando aquele ensejo de prazeres e afins, trancou-se inteiro naquele avesso de cetim.
Lá pelas tantas, de tantos disfarces, revelou sua face e ao lado dela descansou.
Viu-a sem o véu, tomou o que era seu - ela- o seu troféu e ajoelhado, sorrindo ele orou. Alcançou o altar e sobre ele, homem-deus , novamente a amamentou.