CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.


sexta-feira, 27 de maio de 2011

CYBERPLATÔNICO




CYBERPLATÔNICO

Neste computador que escreves
Está a essência que almejaste.
Nele também roubo-me o tempo, às vezes,
Para ganhar deste internauta a amizade.

Esta máquina tão fria
Esquenta-me o peito com tanta emoção.
Não te conheço também, mesmo
Sem saber quem és te salvei no meu coração.

Já possuis minha senha e em mim fazes logon.
Invades-me com teus vírus sagrados
E consomes dos meus arquivos
Os desejos armazenados.


Quando tuas tecladas percorrem meus cabos
Meu PC entra em ebulição.
E duas almas tornam-se uma
Nesta prazerosa conexão.

Navegamos em assuntos de dupla intimidade
Com posturas bastante comedidas,
Querendo tocar naquele “papo”
Dizemos “até logo” chorando a nossa partida.

Na tela já deixei o meu batom
Saboreando várias vezes a foto tua
E sonhei, um dia, acordada,
Praticando o que o fato insinua.

Eu clico todos os teus ícones
Acionando um programa só meu
Faço-me toda ferramenta
Esboçando um layout para os desejos teus.


Abri uma pasta secreta
Para os teus recados, mensagens e afins.
Nada do que é teu será deletado,
Seria um ESC dentro de mim.


Para ti estou sempre logada
E por ti arrasto uma @.com
Quando durmo, fico online contigo,
Porque ter amor cyberplatônico
Não passa de sonho, de ilusão.

No meu painel formatei
Uma folha de rosto
Para tornar isto tudo real.
No encontro, apenas referência cruzada.
O fato corre na web, investigado
Pela Polícia Federal.


“É do sexo feminino quem espera F1
Na gaveta do IML.
No rosto, uma página em branco,
De uma navegadora totalmente Explorer
Sem verso, sem nenhuma estrofe,
Encerra-se o poema da design em off.


RITA LAVOYER

membro da cia dos blogueiros de Araçatuba

quarta-feira, 18 de maio de 2011

A HORA DE CADA ERA












Na era da tapera
os homens amavam a terra,
os corpos faziam guerra
ao som do tambor
do tambor de um grande amor.

Na hora de deitar,
faziam uma oração.
Eram corpos nus em pelo
sem contrato e em plena comunhão.

E cada era tem a sua hora
Para ficar na História

Na era industrial o senhor era o tal o povo vivia mal ao som do canhão do canhão da evolução na hora da refeição comia-se até o prato para ficar com o corpo em pé e manter vivo um contrato e cada era tem a sua hora para ficar na história

Na, era, da, religião...
Ninguém, mais, vive, o, amor...
É, homem, comungando, bomba, ao, som, do, contrato...
Dos senhores com o terror...
Na § hora % da * televisão @#
A # gente ¨só + vê $ a guerra ++
Destruindo tudo, inclusive as taperas...
E corpos, nus em pelo, deitados por terra...

E cada era tem a sua hora...
Para ficar na História...

Na era de todos os dias
o povo cabe onde se funda!
E a terra está muito suja
porque tem gente que arrasta o corpo
até a bunda sangrar.
É cobra comendo cobra,
mantendo o rabo pre$o
para o $alário melhorar.

Não importa a bandeira,
$ituação ou opo$ição.
Nem importa o que foi,
o que é ou o que $erá.
O que importa é e$plorar
o povo e go$ar ne$$a Na$$ão.
Viva toda a era de$$e Bra$il,
pai$ da corrup$$$$$ão.

É hora de não calar a boca!
Ainda que tenha que comer terra.
Quem pasta do lado de lá da cerca agora,
será que está vendo diferente
como quando criticava do lado de cá?
Ou vê tudo caladinho
porque o sistema é o seu patrão?
Mas não se foi a hora desse tempo
porque o que se roubou, foi roubado
e ainda roubará para não
passar uma era sem glória.
Ainda acaba como herói
por conselho de ética nenhuma
que arquiva a toda hora
os nós de cobras vivas
que escrevem com seus rabos
o enredo dessa infeliz história.
O que eu escrevo não é poema,
não tem versos muito menos poesia.
É apenas um desabafo pelo que vejo
e me afeta todos os dias.







RITA LAVOYER



Membro da Cia dos blogueiros

sábado, 14 de maio de 2011

QUAL É O SEU NOME?


_ Oi! Ela é a minha esposa. O nome dela é trabalho.
_ Oi! Ele é o meu esposo. O nome dele é trabalho. Temos 4 filhos que têm os mesmos nomes: moradia, alimentação, segurança, educação, saúde, lazer.

_ Ela tem pais. O nome dos velhos? Plano de saúde, fisioterapia, farmácia, enfermeiros, vai e vem e combustível para levá-los pra cima e pra baixo....
_ Ele tem pai e mãe. O nome deles? Abandonados.

_ Os meus pais não são abandonados. Eu cuido muito bem deles. Pago plano de saúde, alimentação, moradia. Pago fisioterapia. Se precisarem de mim para levá-los em algum lugar, levo-os e não reclamo.
_ Está vendo!? E os seus irmãos, hã!? Qual é o nome deles? Eles se chamam bar nos finais de semana, pescaria com a família, reuniões com os amigos, passeios com os filhos, cinema, teatro. Aliás, qual é o nome daqueles filhos deles? Eu vou falar. O nome de cada um dos seus sobrinhos é: sedentarismo, passeio, pescaria, bar e outras diversões com os pais deles. O nome de toda a sua família deveria ser ‘inúteis’.

_ Olha, o meu nome é trabalho. Casei-me com ela porque os nossos nomes combinavam, ainda combinam. Ela também tem irmãos. Muitos irmãos. Quer saber o nome deles? Inúteis. Gostou do nome? Inúteis são pessoas como os irmãos dela, que viajam com os filhos, frequentam casas de amigos, pagam para assistirem a shows bacanas. Recebem pessoas, frequentemente, em casa, com petiscos e cerveja gelada. Aliás, faz muito tempo que não os vejo. Por onde andam os seus irmãos?

_ Talvez junto aos seus.
_ Será que eles se encontram?
_ Inúteis sempre dão um jeitinho de se unirem aos outros.

_ Não está na hora de buscar os filhos?
_ Está. Eu busco dois e você leva os dois. Depois passa no mercado e leva as compras que a mamãe me pediu, mas não estou com tempo de fazer isso agora. A lista está debaixo do telefone.

_ Aproveita que já é o seu caminho, passa na farmácia, compra os medicamentos do meu pai e leve lá na casa dele. Faça aquela tabelinha, como eu sempre faço, e põe na porta da geladeira. Peça desculpas à minha mãe e diga que não poderemos ir almoçar lá neste fim de semana porque vou trazer trabalho pra casa. Ah, diga à minha mãe que eu já agendei o dentista pra ela.

_ Ah, traga o seu laptop. Marquei com dois clientes neste fim de semana. Não marque compromisso nenhum. Alguém tem que ficar olhando as crianças.
_ À noite, se der tempo, a gente conversa.

_ Menino! Entra logo no carro que eu estou com pressa.
_ Anda moleque. Vai fazer a sua mãe perder tempo.

_ Por que vocês não contratam um motorista pra nós, assim param com essa gritaria.

_ Por que? Está achando que os seus pais são inúteis?

_ Nossa! Vocês se entendem mesmo, hein! Até as respostas são exatamente iguais em palavras e momentos. Aliás, poderiam começar a nos chamar pelos nomes que temos?

_ Vocês têm nomes compridos demais. Se acrescentarmos o motorista aí sim, não os chamaremos de coisa alguma.

E o celular toca, um de cada lado daqueles pais dos filhos.
Pra quem dizer : “Pai!Mãe! se eles não os escutarão?
E o telefone toca, a vida toca, mas não toca pessoas que ‘não e nem’ se tocam.
E o filhos, na garupa das circunstância.

Rita Lavoyer é membro da Cia dos blogueiros.

domingo, 8 de maio de 2011

O HOMEM QUE MATOU A AMÉLIA





José não gostava nadinha, nadinha do nome de quem ele não pediu para amar. Aconteceu! Ela poderia fazer tudo, inclusive amá-lo também. Não lhe cobraria nada.




Não dava! Decididamente ela não era para ele. Quer dizer: era, mas o nome dela não. Queria uma que lhe proporcionasse sensações significantes.




Nem esforço fez, não demorou a achar a ideal às suas expectativas.




_ Patrícia, vamos amor! Não podemos chegar atrasados. Na última festa fomos pouco fotografados por causa da sua indecisão sobre qual roupa e sapatos usar. Se continuarmos assim não nos convidarão mais para encontros sociais. Sem fotografias não há destaque, sem destaque não há convites. Sem os convites, adeus vida social!




_ Mas Zé, não posso sair de qualquer jeito. Sem brilho não tiram as fotos.




E os filmes foram sendo revelados até que chegou a digital com a vantagem de deletarem as que não querem guardar em seus arquivos, muito menos revelá-las.




Precisou pôr anúncio no jornal, mas já não tinha o ‘amigão’ lá dentro da empresa que lhe arranjasse um espacinho ou desconto. Juntou o pouco que tinha e pagou o anúncio.




Ela chegou com o recorte do jornal nas mãos, informando que vinha para cuidar do doente da casa. O Zé mesmo a atendeu, arrastando-se.




_ Amélia! É você?! Não mudou nada, continua uma moça...




_ Não sabia que o José da Silva era o senhor, afinal há tantos ... Vim para a entrevista. É o senhor que precisa de uma enfermeira?




_ Ah, mas nem preciso entrevistá-la, eu a conheço há anos! Estou precisando de alguém que me faça os curativos, mas não posso pagar muito! Minhas pernas resolveram me deixar antes do tempo, entende?




_ Bem, se precisa de qualquer um para lhe fazer os curativos não precisava colocar o anúncio no jornal. Vim porque li “Enfermeira profissional”. O meu serviço é de qualidade, cumpro com os meus horários e respeito quem precisa do meu trabalho. Apesar da minha agenda cheia, concilio muito bem meus horários.




_ Amélia, como você mudou! Se profissionalizou, apesar de continuar uma moça... Tenho muita necessidade que venha no período da manhã. Não dou conta de me levantar à noite e eu preciso da assepsia pela manhã



O cheiro das feridas tomava conta daquele pequeno cômodo, incomodando-a.




_ Pois é, o meu documento de identidade continua com o mesmo nome de quando eu o tirei. Pela manhã eu não posso, faço academia, massoterapia, dança e línguas. Trabalho somente no período da tarde. À noite fico com minha família.




O tempo e a rotação mudaram e o Zé morreu com a perna fedendo por não conseguir negociar o valor do trabalho proposto pela Amélia e por outras profissionais que apareceram para a entrevista.






Rita Lavoyer é professora, escritora e membro da Cia dos blogueiros de Araçatuba.

terça-feira, 3 de maio de 2011

MINHA MÃE








MINHA MÃE...


José Geraldo Martinez

Não cabe no peito, mãe, este amor que sinto
e ele vasa nos olhos meus...
Ainda que longe, a ti pressinto,
nos meus ouvidos, os conselhos teus!


E me vem teu rosto,
aquele mesmo tão sofrido...
Onde a vida não te poupou em nada!
Também eu vejo teu alto posto,
de pai e mãe em nossa humilde casa...


Tuas mãos sem creme...
Ásperas, porém, aveludadas!
No meu rosto que o carinho entende,
fazendo-me a alma toda afagada...


E em nossa pobreza tão rica,
onde a organza era um sonho em chita,
juntava os sete filhos teus!

Tão pobres uma flor cada qual te entregava
e a alma toda nos dava,
num beijo parecido ao de Deus!

07/5/2010

"Poesia dedicada a Umbelina Bernardi, minha
amada avó! ( in memorium)"

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MINHA TERRA


Rita Lavoyer


Mãe! Como falar, agora,
O que não disse antes por faltar-me a coragem.
Já quando sonhava-me gente,
Era apenas o sêmen da tua aragem.

Pegaste-me do tempo, mãe!
De um vento tortuoso
Que me arrastava ao léu.
Era da semente prospecto.
Deste-me alma com teus olhos circunspectos.

Em teu ventre me plantaste,
Sem efeito, sem fusão...
Na tua lavoura
Fui tão confusão...
Sem saber o que eu era
Já queria ser copa
Sem desenvolver minha haste.

Já sabias, lavradora, que terias esta filha,
Planta daninha.
Protegeste teu solo com adubo oração.
Da tua lavra fizeste-me vinho e pão,
Ofertando-me ao Criador na tua oblação.

Sábia senhora! Sabias que só eu não poderia
Nascer. Entregaste-me teu corpo e alma
Para milagrar o nada em semente embrião.
Então em tua terra, pura e sagrada
Uma erva transformaste em singelo botão.
Não bastou para ti ver-me apenas em flor.
Querias mais e, de joelhos no chão,
Rogavas ao Senhor tirasse-me os espinhos.
Quando, já toda formosa, com eles furei-te as mãos.

Não demorou e o teu sangue correu.
Avermelhando o todo do teu hectare.
Hoje, minha mãe, não te tenho mais,
Ficou-me o vazio e minha raiz tão seca,
Por onde passo, destruo pomares.
Sinto fome, não acho sementes.
Depois que partiste nunca mais me alimentei.
Descobri que quando te feri,
foi a mim que eu matei.



Dedicado à minha mãe.