CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura


sexta-feira, 27 de abril de 2012

QUERO DANÇAR UMA MÚSICA CONTIGO

imagem internet




A música suavemente toca os meus sentidos e eu me sinto conduzida pelo teu ímã.

O pólo de atração das tuas notas me envolve e eu posso sentir os teus toques, as tuas mãos, os teus afagos que me tocam e me imantam, para que eu gire em rodopios ao compasso da tua batuta.

Quero dançar uma musica contigo. Como quero!

Se me vieres, como que cavalgando, e me tirares para a dança, nossos corpos levemente bailarão num salão iluminado pelas cores da aurora. Isto agrada-me muito.

Quero tocar-te quando, com passos ardentes, cingires minha cintura.

Não te alcanço nos bailados. Cada passo teu, marcado no meu piso, ecoa teu cheiro, teu gosto, teu eco. Entre eles deliro, pois.

Quero dançar uma música contigo. Como quero!

Coloco-me sobre um espelho e bailo até que se finde a leitura das nossas cordas. Terminado o teu acorde, acordo e dou-me corda novamente, e fico a bailar, até que se feche esta caixa de desejos que sinto de dançar uma música contigo. Como quero!

Estarei na vitrine expondo a minha dança, até que alguém me compre e te presenteie comigo. Quando me abrires, penetres meus volteios. Bailemos sobre a superfície do vidro, e se da tua valsa eu estiver embriagada, como no relâmpago de um sequestro, esconda-me no compartimento das minhas jóias. Refugia-te no lago da minha aliança, para que o teu cisne regozije-se da umidade do meu palco.

Se a platéia, gritando blasfêmias, separar-nos antes que se finde a melodia, fecha a cortina do nosso espetáculo, volta-te aos braços dela, alteres os teus passos, tua cadência, teu som. Comemora com ela a tua apoteose.

As cores se apagarão, o compartimento se escurecerá, e no crepúsculo os flashes se acenderão sobre o desejo cicatrizado da bailarina que dançou delírios e continua exposta na vitrine, esperando que outros me comprem e te presenteie comigo, para eu dançar uma música contigo.



Rita Lavoyer  é membro da Cia dos blogueiros

sábado, 21 de abril de 2012

QUERO ANDAR NA CHUVA COM VOCÊ






Puxa! Hoje amanheceu chovendo. Um choro alegre de lavar as plantas e as folhas choram de alegria também. Me deu vontade de descer pra rua, deixar as gotas molharem a malha da minha roupa para grudar em meu corpo. Me deu uma vontade de andar na chuva com você. Puxa! Como deu.

Sai andando com o olhar sobre os telhados, sobre as árvores, os prédios lavados e a água escorrendo lá embaixo. Me deu uma vontade de andar na chuva com você. Puxa! Como deu.

Voltei o olhar para os meus olhos, deixei o ar molhado me molhar enquanto apreciava a chuva deslizando no asfalto. Já molhada, me via brincando na chuva com você. Meus pés nus, os seus também. Corremos tanto que já não estávamos mais no primeiro plano. A terra, tão molhada, cobria-nos os membros. Já era barro e nos sentimos. As árvores, agitadas com aquele banho de êxtase, soavam canções com as quais valsamos em sintonia. Dois bailarinos e nas pontas, o compasso. As mãos, o enlace, mas os dedos subiram ao encontro da face. Meus lábios pediam: eu quero os seus. No beijo molhado as palavras achamos e a língua não pôde calar o depois. Dois corpos suados, unidos agora e a chuva, lá fora, parou pra nós dois.

Dentro do plano, já todo esgotado, dois seres amados a saliva molhou. No tronco da árvore, já toda floresta, de novo fizemos do corpo uma festa. No fervor nos amamos, nos amamos e nos amamos e a gota secou com o calor do amor. Sobre a relva, dois seres tão selva, no lenho lenhamos e a seiva dos pelos pelas pernas rolou.

Ambiente propício pra outro início já era indício pra água apagar. Os beijos ardentes secando enxurrada, os amados querendo novamente pecar. Diante da cena, tão bela e tão plena, coube ao Criador exercer seu perdão, do alto assistia dois rastros de amor escorrendo no chão.

Do quadro quebrei a moldura e os meus olhos se voltaram para o olhar do lá fora.

No capricho das horas a chuva foi embora e um pacto comigo o clima selou. Quando a água cair do céu feito chuva estarei na sacada para me molhar. O tempo, em forma secreta de água, entrará em meus poros para me amar, pois ele bem sabe a vontade que tenho de andar de mãos dadas na chuva com você.

Enquanto não chega o momento exato me uno ao ato do sonho escondido, é como consigo tê-lo comigo.

Quando chover saberá de nós dois. Se o tempo é uma ponte, seja a minha água, eu serei a sua fonte. O relógio não para e ninguém o prevê, só sei que na chuva ainda quero andar com você, e se nossos corpos unidos e úmidos naquela hora, nos enxugaremos na folha de mais uma página escrita na nossa história.

Quero andar na chuva com você. Puxa! Como eu quero.

Rita Lavoyer é m embro da Cia dos blogueiros



quarta-feira, 18 de abril de 2012

segunda-feira, 9 de abril de 2012

QUE PALHAÇA SOU EU?

Que palhaça sou eu?



Que para fazer rir a criança

deixou morrer a própria

de fome de vida,

de inanição de amor,

por ter somente a sobra do pão e do circo.



Que palhaça sou eu

que tem sangue colorido na face

e nas veias é transparente a dor?



Que palhaça sou eu,

que nos pés da cama,

na calada da noite,

grita em silêncio para renascer a alegria do riso?



Que palhaça sou eu,

que quebra o decoro

quando não assimila o espetáculo

e cora o rosto de vergonha,

seca a boca e faço rir

com as cachoeiras dos meus olhos.



Que palhaça sou eu,

que sonho sonhos sonhados

que sonha sonhos que não foram sonhados

que não sonha mais a realização.



Que palhaça sou eu nesta arena,

entre as feras famintas

da minha transparência colorida,

do meu riso chorado,

do meu trabalho perdido...


Que não me assanhe,

palhaça que sou,

porque eu posso perder esta fantasia

e fazer chorar de verdade

aqueles que pagam

para ver o espetáculo de graça.


Palhaçada!

Rita Lavoyer