CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classifica no TOP 35 na 4ª semana de abril de microconto Escambau.

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.


terça-feira, 29 de outubro de 2013

LIVRO ARBÍTRIO

Por Rita Lavoyer


LIVRO ARBÍTRIO




Comemora-se hoje, 29 de outubro, o dia Nacional do Livro.

Há tanto para ser dito sobre ele, mas quase tudo já está lá dentro. Livro é mistério, tanto quanto o próprio homem que o escreve, que o lê, que o vende, que o propaga das mais variadas formas.

Livro é todo aquele que também não o lê. Por quê?

Ser livro é ser composição. Ser livro também deveria ser livre. Somos livros, mas deixamos de registrar nele, muitas vezes, páginas de nossas histórias. Queremos, num sobressalto, sermos as histórias nos livros dos outros. Personagens importantes ainda, o que é muito ruim, sermos personagens nas páginas dos outros sem conhecermos as nossas folhas.

Livro também é demagogia. Há tantos!

Autoajuda. Há tantos. De piadas também! Há livros que escravizam, mas na raiz da palavra os melhores escracham a escravidão.

Ciências, Filosofia e História de todas as espécies e credos de todas as razões.

Livro é diversão: música, dança, canção e educação. Porta-retrato, brincadeira sem fim.

Livro é receita, bula, braile, catálogo e números telefônicos. Livro é mapa e já foi papel de pão, de carne e o que é pior: debaixo da ponte, colchão!

Livro é leitura em época desmedida, castigo, tortura e fogo no corpo. Livro é revolução.
Quando as folhas faltam, viram paredes até para um sadomasoquismo.

Livro é lista, registros, anotações, rascunho e até papel-higiênico!

Livro é dinheiro, dívida, passado, futuro e presente a todos os instantes. Vida e morte, começo e fim. Em muitos não há o ponto final...

Livro é passeio, viagem, locomoção! Bilhete premiado. Sem sorte ele é barco furado no Cabo das Tormentas.

Ainda vale a pena acreditar nos livros: tradicionais ou eletrônicos, tendo consciência de que todas as escolhas,neles e por eles trarão em si bons e maus resultados.

Por piores que sejam, os livros, terão sempre o seu lado positivo para alguém. Por melhores que sejam, os livros, idem: terão sempre o seu lado positivo para alguém.

 Livro é  um Ser tão imensamente humano que não cabe em si mesmo- Há heterônimos  para ele e muito mais que não haverá páginas para expressar o que de fato um livro é.

Pena, hoje, haver mais a produção de livrófobo do que de livros.

Somos livres para sermos um ou outro. A história cada um escolhe a sua!

Autoria- Rita Lavoyer é membro da Cia dos blogueiros e UBE





quarta-feira, 23 de outubro de 2013

FÁBULAS DE LAVOYER - A Língua e os Dentes


FÁBULAS DE LAVOYER – A LÍNGUA E OS DENTES

       A Língua observava o trabalho dos dentes, enquanto ela deslizava entre os produtos triturados por eles dentro da boca. Desenvolvia, também, o seu trabalho: o de sentir os sabores, definindo-os.

      De repente, a Língua começou a se estranhar com um Molar Superior. Achava-o muito truculento, porque sempre batia em um Molar Inferior quando executava o seu serviço.  Ambos os Molares não se encaixavam, dificultando a mordida, fazendo sofrer o Molar Inferior.

      _ Molar Superior, pode bater menos na cabeça do Molar Inferior quando estiver fazendo o seu serviço? Incomoda-me muito vê-lo depositando toda a sua força sobre a cabeça indefesa do Inferior. Trabalhe com mais cuidado, seu desastrado!

      _ Dona Língua, como pode ver, eu estou fixo e não saio do lugar quando executo o meu trabalho. Estou aqui, nesta posição, desde que nasci. Se observar melhor, verá que os Inferiores são trazidos até mim portanto, o Inferior que a senhora defende,  deverá sentir-me com o peso que eu trago. Se não estiver suportando o meu peso, que caia fora e deixe o lugar vazio.

      _ Mas quanta petulância a sua, Molar Superior! O Molar Inferior também está na posição dele desde que nasceu, mas está entortando de tanto que você lhe bate à cabeça, seu estúpido. Seja mais delicado com os Inferiores.

      _ Dona Língua, eles estão reclamando algum  mal-estar com a senhora?

      _ Não estão, Senhor Molar Superior, mas como vejo que sofrem há anos, resolvi defende-los dos seus ataques.

      _ Pois não os defenda, senhora Língua, isso compete a eles, se estivessem incomodados  sinalizariam de alguma forma, portanto, não se intrometa no que não é da sua conta!

      Naquele instante a língua ficou calada, até que o alimento foi enviado à boca, fazendo trabalharem os Molares. Inquieta pelo silêncio a que se submetera, intrometeu-se entre os Molares enquanto trabalhavam. Não houve como evitar a mordida. Ela, ferida, se retraiu  e passou a degustar sopas , os Molares pararam de trabalhar. Depois daquela mordida os Molares trabalharam bem pouco, porque caldo não se mastiga.

      E assim foram os tempos. Conforme a Língua se irritava dentro daquela boca, intrometia-se entre os Molares, deixando-se vitimar,  eles a mordiam, ela sangrava  e somente caldos eram degustados, até que se aposentaram os Molares.

      _ Senhora Língua, nós nunca quisemos mordê-la. Nunca nos dirigimos à Senhora para machucá-la, foi a senhora que sempre se intrometeu entre nós enquanto fazíamos o nosso trabalho de triturar alimentos. Agora, veja só, a senhora está toda machucada, nós estamos balançando pela falta de uso, quase apodrecendo. Não entendemos por que, há anos, a senhora se submeteu a tamanho flagelo, intrometendo-se entre nós.

      _ A primeira vez que eu o adverti de que estava prejudicando o Molar Inferior, respondeu-me com rispidez: - uma tremenda afronta!  Sou eu quem defino os sabores logo, sou eu quem influencio na escolha dos alimentos. Transformá-los em bagaço era seu dever, desde que não prejudicasse um seu Inferior. Foi cruel durante todo o tempo do seu trabalho. Agora, contente-se com a aposentadoria. Será retirado, Molar Superior,  e substituído por uma prótese que se encaixe perfeitamente no Inferior,  que não o machuque  enquanto trabalha. Pensou que fosse ferir os seus Inferiores pelo resto da vida enquanto exercia a sua função, sem que uma Língua o denunciasse?  Acabou pra você. Um boticão o espera!

      Sem demora, o Molar Superior foi arrancando e tempos depois uma prótese preencheu o seu lugar.
      Satisfeita, a Língua bate cada vez mais forte nos Incisivos, desalinhando-os; vez e outra intromete-se entre as Próteses e os Permanentes, machucando-se, para descansar no caldo insosso, já que perdera, de vez,  o gosto de experimentar sabores,  antigos e   novos.

 Autoria  - Rita Lavoyer