CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.


terça-feira, 5 de julho de 2016

LETRAS PERIGOSAS

LETRAS PERIGOSAS

Lendo meu mundo e as pessoas que vivem nele, reli uma velha observação: quantas vezes pensamos quais delas foram ou nos serão úteis?  No cotidiano não nos atentamos sobre os benefícios que elas podem nos proporcionar. Essa minha afirmação procede? Pense isso depois.
O que são pessoas, ou coisas úteis?  E sendo úteis representam perigos de alguma forma? Uma utilidade em um lugar pode ser nociva em outro?

Aqui, a quem eu quero atribuir grande perigo é à pessoa que escreve. Não a que escreve balelas, sem posição política social nenhuma, de coração medroso e atitudes vacilantes e fica sobre o muro diante de conflitos. Não é sobre esse embusteiro afônico que estou desejosa. Não é isso que quero.  
Quero muito o perigo das escritas de quem maltratou  os ditadores e  rasgou-lhes os  mantos  com as palavras que brotaram de suas revoltas; das tramas assustadoras que levaram os tiranos às quedas sem perdão.

Quero o risco das escritas daqueles, cujos argumentos movimentaram classes e derrubaram reis, palácios, muros, governos corruptos e   com suas palavras vivas  esbofeteiam, ainda,  as   caras dos que precisam, com suas letras ínfimas, defender governantes ladrões  que levam nações e seu povo à miséria.

Quero a nocividade do discurso que galopa o coração do justiceiro cujas armas  trazem nas pontas suas letras, abrindo mentes encarceradas pelo autoritarismo,  permitindo-lhes  enxergarem melhor o amanhã .

 Quero a periculosidade do tema do redator que consegue forjar  um morfema a molde de chave abridora de operações  e  revela  falcatruas  do sistema que frustra as expectativas dos que não dormem com os olhos dos outros.  

 Quero a letalidade das histórias dos revoltados de cada época que ajudaram a fincar a estaca da compreensão na realidade, instruindo os alienados, subtraindo-lhes a certeza de que  sabiam de  tudo.
Quero a belicosidade das provas contundentes dos cientistas que enfrentaram descasos de todas as sortes de bancas e congressos  sobre suas causas e, ainda assim, como bombas,  explodem  paradigmas ultrapassados e recriam outros.  

Quero o chulismo de quem, com verve exuberante, manda à merda preconceituosos  sadistas de todas as esferas.

Por minha utilidade recebo pagamentos, mas o que eu quero mesmo é ser uma pessoa perigosa, fonte de letras perigosas, sem proteção alguma, daquelas que incomodam  gente útil que  não se preocupa com as  letras que a beneficiam,  e deixar de mim somente o meu perigo espalhado no meu bloguinho, na minha página do facebook para, quem sabe, se alguém se apropriar dele - do meu perigo -  tornar-se tão perigosa como eu desejo ser,  e deixar de ser uma pessoa a mais a ser vista somente por  sua utilidade ao sistema que lhe convém e que não  lhe permite leitura do seu mundo e nem  de compreender o risco que as letras perigosas representam aos inimigos do saber.

Quero que minhas letras provoquem revoltas e sejam queimadas por quem se sentir lesado por elas, beneficiando-me pela utilidade que eu permito ao fogo nesta ocasião. Quero provocar quem no passado, insatisfeito, desnudou-se para mudar o mundo e hoje, de terno e hipocrisia,  revolta-se  com quem faz o mesmo. 

Quero promover perigos, esforço-me para isso, como os escritores revoltosos de letras perigosas que estudo e admiro fizeram, afinal  perigoso é  não saber o que fazer com a revolta.  Você sabe como tornar a sua útil?   Se não... pode me xingar, pelo menos? Proporciono-lhe esse benefício.  Mas não deixe para pensar depois se isso procede ou não.