CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras, com a poesia O FILME;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba, com o conto A CARTA;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba, com o conto O BEIJO DA SERPENTE;

2012 - 7ª colocado no concurso de blogs promovido pela Cia dos Blogueiros - Araçatuba-SP;

2014 - tEXTO selecionado pela UBE para ser publicado no Jornal O Escritor- edição 136 - 08/2014- A FLOR DE BRONZE //; 2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba, com o conto LEITE QUENTE COM AÇÚCAR;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins, com o conto MARCAS INDELÉVEIS;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR, com o conto SOB A TERRA SECA DOS TEUS OLHOS;

2015 - Recebeu voto de aplausos pela Câmara Municipal de Araçatuba;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba com o conto A ANTAGONISTA DO SUJEITO INDETERMINADO;

2016 - classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia, com o poema AS TUAS MÃOS.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras, com a crônica PLANETA MULHER;

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de abril de microconto Escambau;

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.

2017 - 24ª classificada no TOP 35, na 2ª semana de outubro de microconto Escambau;

2017 - 15ª classificada no TOP 35, na 3ª semana de outubro de microconto Escambau;

2017 - 1ª classificada no concurso de Poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras, com a poesia PERMITA-SE;

2017 - 11ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de outubro de microconto Escambau;

2018 - 24ª classificada no TOP 35, na 3ª semana de janeiro de microconto Escambau;

2018 - Menção honrosa na 4ª edição da Revista Inversos, maio/ com o tema Crianças da África - Poesia classificada BORBOLETAS AFRICANAS ;

2018 - 31ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de janeiro de microconto Escambau;

2018 - 32ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de janeiro de microconto Escambau;

2018 - 5ª classificada no TOP 7, na 1ª semana de junho de microconto Escambau;

2018 - 32ª classificada no TOP 35, na 3ª semana - VII de junho de microconto Escambau;

2019 - Classificada para antologia de suspense -segundo semestre - da Editora Jogo de Palavras, com o texto OLHO PARA O GATO ;

2019 - Menção honrosa no 32º Concurso de Contos Cidade de Araçatuba-SP, com o conto REFLEXOS DO SILÊNCIO;

2020 - 29ª classificada no TOP 35, na 4ª semana - VIII de Prêmio Microconto Escambau;

2020 - Menção honrosa no 1º Concurso Internacional de Literatura Infantil da Revista Inversos, com o poema sobre bullying: SUPERE-SE;

2020 - Classificada no Concurso de Poesias Revista Tremembé, com o poema: QUANDO A SENHORA VELHICE VIER ME VISITAR;

2020 - 3ª Classificada no III Concurso de Contos de Lins-SP, com o conto DIÁLOGO ENTRE DUAS RAZÕES;

2020 - 2ª Classificada no Concurso de crônicas da Academia Mogicruzense de História Artes e Letras (AMHAL), com a crônica COZINHA DE MEMÓRIA

CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS

  • 2021 - Selecionada para a 6ª edição da revista SerEsta - A VIDA E OBRA DE MANUEL BANDEIRA , com o texto INILUDÍVEL ;
  • 2021 Selecionada para a 7ª edição da revista SerEsta - A VIDA E A OBRA DE CECÍLIA MEIRELES com o texto MEU ROSTO, MINHA CARA;
  • 2021 - Classificada no 56º FEMUP - com a poesia PREPARO A POESIA;
  • 2021 - Classificada na 7ª ed. da Revista Ecos da Palavra, com o poema CUEIROS ;
  • 2021 - Classificada na 8ª ed. da Revista Ecos da palavra, cujo tema foi "O tempo e a saudade são na verdade um relógio". Poema classificado LIBERTE O TEMPO;
  • 2022 - Classificada no 1º Concurso Nacional de Marchinhas de Carnaval de Araçatuba, com as Marchinhas EU LEIO e PÉ DE PITOMBA;
  • 2022 - Menção honrosa na 8ª edição da Revista SerEsta, a vida e obra de Carlos Drummond de Andrade , com o texto DIABO DE SETE FACES;
  • 2022 - Classificada na 10ª ed. Revista Ecos da Palavra, tema mulher e mãe, com o texto PLANETA MULHER;
  • 2022 - Classificada na 20ª ed. Revista Inversos, tema: A situação do afrodescendente no Brasil, com o texto PARA PAGAR O QUE NÃO DEVO;
  • 2022 - Classificada na 12ª ed. Revista Ecos da Palavra, tema Café, com o poema O TORRADOR DE CAFÉ;
  • 2022 - selecionada para 1ª antologia de Prosa Poética, pela Editora Persona, com o texto A FLOR DE BRONZE;
  • 2022 - Selecionada para 13ª edição da Revista Ecos da Palavra, tema MAR, com o poema MAR EM BRAILLE;
  • 2022 - Classificada para 2ª edição da Revista Mar de Lá, com o tema Mar, com o poema MAR EM BRAILLE;
  • 2022 - Classificada para 3ª Ed. da Revista Mar de Lá com o microconto UM HOMEM BEM RESOLVIDO;
  • 2022- Classificada com menção honrosa no 34º Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba, com o conto O CORTEJO DA MARIA ROSA;
  • 2022- Classificada pela Editora Persona com o conto policial QUEM É A LETRA L;
  • 2022 - Classificada no Concurso da E-33 Editora, Série Verso e Prosa, Vol.2 Tema Vozes da Esperança, com o poema POR ONDE ANDAS, ESPERANÇA? ;
  • 2023 - Classificada na 15ª edição da Revista Literária ECOS da Palavra, com o poema VENTO;
  • 2023 - Classificada para coletânea de poetas brasileiros pela Editora Persona, com o poema CUEIROS;
  • 2023- Selecionada na 23ª ed. da revista Literária Inversos com tema "Valores Femininos e a relevância do empoderamento e do respeito da mulher na sociedade contemporânea", com o poema ISSO É MULHER;
  • 2023 - Classificada no Concurso de Contos de Humor, Editora Persona, com o conto O PÃO QUE O QUINZIM AMASSOU;
  • 2023 - Classificada no Concurso de Poesias Metafísica do Eu, Editora Persona, com o poema QUERO OLHOS ;
  • 2023 - Selecionada pra a 11ª Edição da Revista SerEsta, A vida e obra de Paulo Leminsk, com o poema EL BIGODON DE CURITIBA ;
  • 2023 - Classificada no 1º concurso de poesia do Jornal Maria Quitéria- BA, com o tema " Mãe, um verso de amor", com o poema UM MINUTO DE SILÊNCIO À ESSAS MULHERES MÃES;
  • 2023 - Selecionada para Antologia literária - Série Verso e Prosa. Vol. 4, tema Vozes da Solidão, editora E-33, com a crônica A MÃE;
  • 2023 - Selecionada para a 9ª ed. da Revista Mar de Lá, como poema O POETA E A AGULHA;
  • 2023 - Classificada no concurso de Prosa Poética , Editora Persona, com o texto QUERO DANÇAR UMA MÚSICA CONTIGO;
  • 2023 - Selecionada para Antologia literária - Série Verso e Prosa. Vol.5, tema Vozes do Sertão, editora E-33, com o poema IMAGEM DE OUTRORA;
  • 2023 - Selecionada para Antologia literária - Série Verso e Prosa. Vol.6, tema FÉ, Editora E-33, com o poema OUSADIA POÉTICA;
  • 2023 - CLASSIFICADA para a Antologia Embalos Literários, Editora Persona, com o conto SEM AVISAR;
  • 2023 - Classificada na 18ª edição da Revista Literária ECOS da Palavra, com o poema FLORES, com o poema O PODER DA ROSINHA;
  • 2023 - Selecionada para Antologia literária - Série Verso e Prosa. Vol.7, tema AMIZADE, Editora E-33, com o poema AMIZADE SINCERA;
  • 2023 - Classificada em 8ª posição no Prêmio Castro Alves, na 33ª ed. Concurso de Poesia com temática Espírita, com o poema SOLIDARIEDADE;
  • 2023 - Selecionada para Antologia literária - Série Verso e Prosa. Vol.8, Vozes da Liberdade, tema , Editora E-33, com o poema REVOADA;
  • 2023 - Classificada para a Antologia Desejos profundos - coletânea de textos eróticos , Editora Persona, com o poema AGASALHA-ME;
  • 2023 - Classificada para antologia Roteiros Adaptados 2023 - coletânea de textos baseados em filmes, Editora Persona, com o texto BARBIE, UMA BONECA UTILITÁRIA;
  • 2023 - PRIMEIRO LUGAR no Concurso , edital 003/2023 - Literatura - seleção de projetos inéditos, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura de Araçatuba, com o livro infantojuvenil DENGOSO, O MOSQUITINHO ANTI-HERÓI;
  • 2024 - Selecionada para compor a Coletânea Cronistas Contemporâneo, pela Editora Persona, com o texto A CONSTRUÇÃO DE UMA PERSONAGEM;
  • 2024 - Classificada para 19ª edição da Revista Literária Ecos da Palavra, com o poema A PASSARINHA;
  • 2024 - Classificada para a 13ª edição da Revista Mar de Lá, com o poema O TORRADOR DE CAFÉ;
  • 2024 - Selecionada para compor a Coletânea "Um samba no pé, uma caneta na mão", tema carnaval, pela Editora Persona, com o poema DEIXA A VIDA TE LEVAR;
  • 2024 - Selecionada para compor a coletânea "Revisitando o Passado", promovido pelo Projeto Apparere, com a crônica COZINHA DE MEMÓRIA;
  • 2024 - Selecionada para compor a Coletânea de Poetas Brasileiros,2024, Editora Persona, com o poema IMAGEM DE OUTRORA;
  • 2024 - Selecionada para compor a Antologia JOGOS DO AMOR, promovida pela Revista Conexão Literária, com o tema O jogo do amor, poema classificado: TENHO MEDO;
  • 2024- Selecionada para 20ª ed. da Revista Literária Ecos da Palavra, com o tema INFÂNCIA, com o poema DEBAIXO DE UMA LARANJEIRA;
  • 2024 - Selecionada para compor a Coletânea SOB OSSOS E SERPENTES, da Tribus Editorial, com o conto, com 9.999 caracteres, O BEIJO DA SERPENTE,
  • 2024 - Selecionada para a 21ª Edição da Revista Literária Ecos da Palavra, com o poema REVOADAS;
  • 2024 - Selecionada para a Coletânea de poemas Intimistas Existencialistas, com o tema A Arte do Eu, promovido pela Editor Persona, com o poema GOTAS DA CHUVA ;
  • 2024 - Selecionada para compor a antologia NÓS , textos de autoria feminina pela SELO OFF FLIP, com a crônica MULHER, FONTE DA ÁGUA;
  • 2024 - Classificada na 27ª Edição do Concurso da Revista Literária Inversos, com o tema "Culinária Típica da Festa de São João", promovido pela Academia de Letras e Artes de Feira de Santana (ALAFS) e Academia Metropolitana de Letras e Artes, com o poema SEU ZEQUINHA NO SÃO JOÃO DO NORDESTE;
  • 2024 - Classificada no concurso Literário MEMÓRIAS DE AFETO, promovido pela Lítero Editorial, com o poema O TORRADOR DE CAFÉ;
  • 2024 - Selecionada para compor a 22ª edição da Revista Ecos da Palavra , temática Animais, com o texto ORAÇÃO DOS BICHINHOS ;
  • 2024 - Selecionada para compor a Coletânea de Microconto-2024, promovido pela Editora Persona, com o microconto ROSTO;
  • 2024 - Selecionada para compor a coletânea A POESIA SUBIU O MORRO, promovido pela Editora A Arte da Palavra, com o poema PERMITA-SE;
  • 2024 - Classificada para compor a Edição 23 da Revista Ecos da Palavra, com o poema QUANDO EU SENTIR;
  • 2024 - 2º classificada no 35º Concurso Nacional de Contos cidade de Araçatuba, com o conto IN VINO VERITAS;
  • 2024 - Classificada para compor a Coletânea Contistas Contemporâneos, 2024 - Editora Persona, com o conto NÃO FOI A PRIMEIRA VEZ;
  • 2025 - Classificada para compor a 25ª edição da Revista Ecos da Palavra, com o poema CONVITE;
  • 2024 - Cordéis classificados para compor a Antologia Povo, Cordel e Poesia, promovido pela Litero editorial, com os cordeis: SEJAMOS TODOS EMPÁTICOS; AMAR ANIMAIS É DOM; A IMPORTÂNCIA DA LEITURA; 2024 - Selecionada para publicação em coletânea Concurso de poesia Município de Campo Mourão - Biblioteca Egydio Martello - 2024, com a poesia CONVITE ;
  • 2025 - Classificada no Concurso Coletivo Fomento Literário ; tema Semente da Esperança, com o poema GERMINAIS;
  • 2025 - Classificada para compor a Coletânea de Poetas Contemporâneos, 2025, Editora Persona, com o poema ANJO DE VERDADE ; ,
  • 2025 - classificada na 26ª edição da Revista Literária Ecos da Palavra, com o tema Amizade e com o poema AMIZADE SINCERA;
  • 2025 - Classificada na 15ª edição da Revista Literária SerEsta, sobre a vida e a obra de Casimiro de Abreu, com a prosa O MEU CORPO NÃO ESTÁ NA REDE;
  • 2025 - Classificada na Antologia MISTÉRIOS - contos e poemas, pela Revista Conexão Literatura, com o conto QUEM É A LETRA L;
  • 2025 - Classificada na 51ª Edição da Revista LiteraLivre com o poema SEM(HORA);
  • 2025 - Classificada no 1º Prêmio Proverbo de Literatura, com o poema (Entre) Versos e Razões;
  • 2025 -RECEBEU TROFÉU ODETTE COSTA NA CATEGORIA LITERATURA COM O LIVRO DENGOSO, O MOSQUITINHO ANTI-HERÓI
  • 2025 - Classificada para Revista Conexão Literatura , com o tema POEMAS SOBRE O TEMPO, Vol. VII, com o poema PÓ DO TEMPO ;
  • 2025 - Selecionada para compor a Revista Barbante, Volume XIII – Núm. 99 – 08 de junho de 2025 , com a Crônica MÁQUINA PARA A POESIA;
  • 2025 - Selecionada para compor a Coletânea Enigmas Independentes, promovida pela Editora Independentes, como conto OS SEGREDOS DE CATARINA;
  • 2025 - Selecionada para compor a Revista Barbante, Volume XIII – Núm. 100 – 15 de junho de 2025 - PARTE I DE II - Edição especial de número 100, com a crônica NÃO FOI A PRIMEIRA VEZ;
  • 2025 - Selecionada para compor a edição n. 6 da Revista Animalista, com o cordel AMAR ANIMAIS É DOM;
  • 2025 - Selecionada para compor a Revista Literária Epifania# 1, com o tema sentimentos: amor, tristeza, alegria, raiva, com o poema NA FOZ OU NO SONO;
  • 2025 - selecionada para compor a 52ª edição da Revista LiteraLivre, com o poema O TORRADOR DE CAFÉ;
  • 2025 - Selecionada para compor a 28ª edição da Revista Ecos da Palavra, tema CHUVA, , com o poema GOTAS DA CHUVA
  • 2025 - selecionada para compor a Antologia "A Força dos Versos", pela Editora Literária, com o poema OUSADIA POÉTICA;
  • 2025 - Selecionada para compor a 2ª edição Revista Alma: associação Literária de Mocossa Moçambique., com o poema A PASSARINHA;
  • 2025 - Classificada em 9º lugar no XXVI Concurso de Contos Alípio Mendes, promovido pela Academia Angrense de Letras e Artes, com o conto MATEUS, O MENINO DOS ANOS DE CHUMBO;
  • 2025 - Classificada para compor a 5ª edição, edição comemorativa de 1º aniversário da Revista Vinca Literária, somente para mulheres, com o poema QUANDO A SENHORA VELHICE VIER ME VISITAR;
  • 2025 - Selecionada para compor a 31ª edição da Revista Inversos, em homenagem ao dia das Crianças, com o poemeto CRIANÇA REAL;
  • 2025 - Selecionada para compor a 16ª ed. da Revista SerEsta, com o tema A vida e a obra de Carolina Maria de Jesus, com a crônica UMA ENTREVISTA COM CAROLINA MARIA DE JESUS;
  • 2025 - Selecionada para compor a antologia do XIV Concurso Literário de Presidente Prudente - CLIPP - com o poema VERSOS LIVRES,;
  • 2025 - 3º lugar na categoria mini poema, Nacional/internacional, do 14º Concurso Literário da Academia Madureirense de Letras 2025, com o mini poema PROSA, SABORES E MEMÓRIAS;
  • 2026 - Selecionada para compor a Antologia Prosa Poétioa, promovida pela Editora Persona, com a prosa MÁQUINA PARA A POESIA;
  • 2026 - 3ª classificada no concurso de fábulas promovido pela Editora Typus, com a fábula A MACACA E O LEÃO ;
  • 2024 - Selecionada para publicação em coletânea Concurso de poesia Município de Campo Mourão - Biblioteca Egydio Martello - 2024, com a poesia CONVITE ;
  • 2026 - Selecionada para compor a Coletânea de Poetas Brasileiros 2026, promovido pela Editora Persona, com o poema NONAS POESIAS;
  • 2026 - Selecionada para compor a Coletânea Poemas sobre a morte, promovida pela Editora Persona, com o poema O ENCONTRO ;
  • 2026 - Selecionada para compôr a 4ª edição da Revista Alma, de Mocosa-Moçambique, com o poema VERSOS LIVRES;
  • 2026- Selecionada para compor a antologia Universo da Poesia, pela Editora Conexão literária, com a poesia ESPERANÇAR COM A POESIA;
  • 2026 - Selecionada para compor a antologia Poemas sobre o Tempo - volume XVII. Revista Conexão literária 2026, com o poema DESCASQUEI O TEMPO ;

domingo, 15 de novembro de 2015

E agora ??

http://www.sitearacruz.com.br/noticia/368

E agora, José? 
O rio acabou, a cidade acabou, o povo acabou...
E o futuro, José?
O que esperar do futuro 
cuja lama insana do homem
é o presente a este povo refém.
E agora, José?
Que indenização recuperará
a natureza embalada
no berço da morte?
E agora, José?
O homem rompeu a genética 
contida no cromossomo da terra.
E agora, José?
Esperar o quê dessa química
que desestrutura as moléculas dos DNAs?
Quanto tempo, José?
Quanto tempo o Planeta haverá de esperar
para que os cruzamentos das espécies
deformadas nesta tragédia

voltem a ser saudáveis a humanidade?
José, por que não me responde, José?
Não ouço sua voz.
Sua voz, José, está sob a lama?
(Rita Lavoyer)


sábado, 14 de novembro de 2015

EU NÃO FUI POVO, EU FUI TERRORISTA

O QUE É TERRORISMO?
Mariana-MG, engolida pela lama química, após rompimento da barragem  em Bento Rodrigues

Eu não fui povo, eu fui terrorista.

Terrorismo é assunto recorrente há muito tempo. Estamos todos chocados com as ações terroristas  das últimas décadas, dos últimos anos, meses, dias, horas, minutos e segundos... Estamos exaustos com esse fenômeno participando desenvolto  no nosso dia a dia.

Ver, ouvir, sentir e chocar-se com um ato terrorista é missão de nobres. Dos nobres.  Ninguém em sã consciência quer que esse mal, esse mau prolifere.  Vidas de inocentes são ceifadas de formas cruéis. E são muitos mortos pelas mãos dos poucos assassinos que trazem suas guerras na potência de seus ódios em nome da  Sua Entidade.

Terroristas são criaturas mal educadas, não dizem: “- com licença, vou te matar”. Simplesmente matam.  Terroristas não devem satisfações.  

Mas terrorismo é o que? Somente isso de homens bombas, armamento pesado, assassinato em séries,   decapitação de inocentes?

Se o que combate o poder estabelecido mediante violência também pode ser considerado terrorismo, então sofremos todos  com atos terroristas, promovendo-o também.

Concordem ou não que pato não seja ganso, morte à  bala, à  bomba, ou morte por desmoronamento, enchente, fome, miséria, exclusão de todas as sortes causam sofrimentos da mesma forma em todos nós que comungamos a não violência.

O estouro da bomba, os tiros das metralhadoras, os gritos desesperados, as correrias dos que sobrevivem a uma tragédia sensibilizam-nos sobremaneira. Saímos em suas defesas, erguemos suas bandeiras, gritamos por justiças, choramos nossos irmãos desconhecidos, expomos nossos sofrimentos para com aqueles nossos próximos lá do outro lado do planeta que não mereciam tamanha atrocidade num final de noite de uma sexta-feira que prometia descanso merecido à quem de direito ou não. O mundo ficou chocado com os atos terroristas ocorridos em Paris. Fiquei estarrecida, inconformada. Debati sobre o assunto, busquei notícias e:  Fim.

È terrorismo fecharmos os olhos para nossos irmãos, nossos semelhantes tão próximos de nós que estão sem cidade, sem moradia, sem água, sem alimento, sem seus familiares queridos que morreram levados pela lama.

É terrorismo ficarmos em silencio,  sabendo que a natureza que suplica emergências por  ser  devastada  e fingimos não ouvi-la. 
Falo desta natureza que nos mantém e nos sustenta, não dá  ibope.  Natureza há muito já é matéria morta, os pobres que dela tiram o sustento e morrem ou morreram com a natureza: idem.

Por que eu me calei? Chocou-me, de fato, ver Mariana inexistir sob a lama química que a devastou e aos seus filhos.

Quem vai falar da natureza, pintar sua cara de barro e postar  dizendo que está solidário com o rio que morreu- rio tão doce-, como céu que morreu, com a fauna e a flora que morreram, com o futuro que mataram no estado de Minas Gerais com o rompimento das barragens no distrito de Mariana? Deus morreu ali também. Que me importa? Que me importa!

Isso foi terrorismo e eu me calei, porque sei o poder destruidor que tem o silêncio quando ele é a fortaleza, a barreira , a barragem que impedem a justiça de imperar , quando o combustível para o seu funcionamento  é a voz do povo.

Para Mariana eu não fui povo. Eu fui terrorista. Por isso me calei  e não dei satisfações à sua dor.


A morte lhe chegou sem pedir licença, por isso não  lhe peço perdão, Mariana.

 Não lhe foi dado tempo para essa grandeza:  perdoar. FIM. 

Silêncio, Rita Lavoyer. Cale-se em respeito aos que morreram pelas mãos dos terroristas de todos os tipos. 

CRIATIVIDADE




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Criatividade é uma poltrona sobre a qual o meu eu lírico – a quem atribuo meus devaneios – 

senta-se confortavelmente dentro de mim, até que ela o utilize e o devolva com outra roupagem.


Minha poltrona já está com estrias, de tanto engolir e repor esses eus. 

Preciso criar uma atividade para melhorar esta minha estética. 

Rita Lavoyer.



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quarta-feira, 11 de novembro de 2015

MARCAS INDELÉVEIS - conto classificado no V Concurso Nacional e Contos cidade de Lins.

MARCAS INDELÉVEIS –  Rita de Cássia Zuim Lavoyer
Havia os bois que eram levados para os matadouros.  Dezenas passavam em frente à casa da minha infância, sendo tangidos por cavaleiros com roupas de couro: couro de bois! Traziam anéis de aços pendurados em suas narinas de onde vazava sangue que vinha juntar-se à espuma do canto de suas bocas. Eles bufavam enquanto marchavam unidos, desperdiçando seus olhares naquele trajeto indefinido.
Numa das passagens, senti que um deles, a par com um cavaleiro negro, de vestes negras, que o aguilhoava, me olhava e,  do portão de onde os assistia, eu o encarei. Era um boi todo preto. Ele virou a cabeça em minha direção para melhor me ver os olhos.   O seu olhar provocador atravessou-me. Transpus  o portão e postei-me  do lado de fora, encostada na cerca de balaústre. Senti, ainda que distante,  o fervor daquela  respiração avolumar-se em minha coluna,  paralisando-a, avermelhando a minha face e, em contraste,  gelando e empalidecendo os meus pés. 
Em minhas entranhas brotaram emoções que na minha vida de menina ainda não tinha experimentado em volume, temperatura e cor, tornando minha pulsação desordenada, o peito opresso e a angústia do significado daquele olhar me assaltando: – Por que me encarou? Acusar-me-ia de não impedir que uma possível crueldade fosse perpetrada?    Olhei-o do pescoço ao peito de onde também escorria-lhe o  sangue, desenhando o seu rastro vermelho no chão. Quem o havia ferido naquela parte?  Desci os meus olhos até as suas patas e com elas deixei ir o meu olhar até ao ponto em que consegui alcançar aquela marcha. O boi preto deixou-me claro que seu peso não era pouco: suficiente para saciar o desejo de muita fome.  A rua de terra vermelha mais vermelha ficou com aqueles sangues que avisavam sobre o iminente holocausto.  O sangue do boi preto figurava-se o mais pigmentado, eu senti! 
Quando todos passaram e a poeira baixou,  corri para calçar os meus pés nus nos rastros grandiosos que aquele boi sobranceiro e ensanguentado registrou na terra da minha rua, agasalhando-os.  Aquelas pegadas que eu calcei eram as dele. Identifiquei o seu sangue nelas, pois as tinha registrado em mim. Gravara no solo as suas marcas tal qual o seu proprietário tisnara a dele em sua anca.  Estaria, com esse gesto, inconscientemente afirmando que se eu pudesse tomaria a sua marcha forçada como minha?  Por que o fiz? Irrespondível?
Na minha ingenuidade, pus-me diariamente a esperar bois pretos no portão. Vieram novamente dezenas deles, de variadas cores,  apresentando os mesmos sofrimentos, sendo empurrados pelos mesmos tocadores  sobre os cavalos. Nem um, nem outro naquelas passagens encarou-me como aquele de outro dia. Foi único! Todos bufavam suas rusticidades, mas suas respirações automáticas não exalavam vontades para enrubescer as minhas bochechas alvas, tampouco desnudar-me os pés, substituindo as marcas daquele boi preto em mim. Encarou-me, todavia, um cavaleiro negro, de negra veste. Inexplicavelmente o meu peito arfou! Emoções me assaltaram e rubor e palidez se alternaram em minha pele.
O tempo passava à medida que passavam aquelas pegadas pregadas no chão, repetitivo... monótono... A cena do amontoado de dores nos cantos das bocas, as  fúrias adormecidas nos olhares -  estampando os recuos diante da luta -  eram as mesmas.  A seca do chão empoeirava as feridas das narinas dos animais, encobrindo aquela dor vermelha que delas escorria. Sempre o cavaleiro negro com seu olhar carregado de significações que eu, menina, não alcançava, me encarava. 
Num dia em que eu não era mais criança, para minha surpresa, somente um tocador conduzia a boiada. Abandonado, o portão estremecia pelo vento e pelo tropel. Estava só na janela. No parapeito, apoiava minha ansiedade, que se debruçara sobre mim desde a passagem daquela tropa que me assaltara na presença do boi preto. Há tanto tempo... Eu, moçoila, sentia ainda os meus pés calçados com a marca daquele  boi. 
Nunca mais nenhum boi olhara o meu olhar: desta vez somente o tocador virou-se para olhar-me, o mesmo olhar que me perseguia! O solitário condutor, o cavaleiro negro, deixou cair algo, um embrulho...  Eu, trôpega,  caminhei e rojei-me ao chão  para apanhá-lo, era um papel branco com muitas coisas escritas – um bilhete – envolvendo uma rosa vermelha que, sentindo o chão, se aconchegou num rachado  de terra sedenta de um pingo de sangue que fosse, para matar-lhe a vontade de continuar promovendo vida. Não havia pisados fundos naquele chão, por isso não calcei os meus pés em qualquer marca. Peguei a rosa e o bilhete e, ao abri-lo, vi que minhas mãos estavam sujas de terra vermelha, marcando-o.   No que o li, o meu olhar buscou ao longe o movimento do corpo daquele cavaleiro sobre o animal – notei não ser o mesmo cavalo sobre o qual montara durante o tempo em que os assistia da minha janela, mas era o mesmo tocador daquele boi preto. 
 Aos acordes daquela marcha, galopei minha visão das suas costas à coxa e os meus olhos dançaram ao ritmo daquele cavalgar. No meio da rua fiquei esperando desaparecer – no horizonte onde o céu azul acasalava-se com a terra vermelha – a imagem que bailava,  destacando-se gloriosa naquele conjunto de martírios.
Parou! Ele parou! Olhou para trás, puxou a rédea e voltou lentamente. Percebi que o cavaleiro marchava ao meu encontro, trazendo na sua garupa sentidos que borbulhavam um vermelho transgressor nas minhas artérias, desorientando as vias de comunicação entre o meu corpo e a minha mente.  As batidas harmônicas daquele trotar  vibravam o meu chão, desconcertando-me os pés.
Corri, atravessei o portão, retornei e coloquei-me novamente no mesmo lugar da rua, escondendo atrás de mim as minhas mãos sujas. Ele apeou do animal – percebi que era uma fêmea muito bela.  O seu pelo branco trazia marcas das encilhadas. Suas pernas bem formadas mostravam-me músculos satisfeitos por aquela montaria.  Enquanto eu a apreciava, o cavaleiro me olhava.  Não disse nada. No primeiro passo que ele deu  à frente, com uma tijolada certeira, atingi-lhe o nariz. Seu sangue esguichou, respingou-me a blusa branca, transpassando o tecido, manchando o bilhete que guardara no seio. Tijolo e cavaleiro eu os vi tombando num mesmo instante. De quatro, o homem bufava preso ao chão,  enquanto o sangue que lhe escorria preenchia alguns vãos da terra rachada. Três horas da tarde havia de ser. Os raios do sol a pino azulavam daquele homem a sua pele negra.  A fervura da sua respiração ofegante queimava a minha face. Ele ergueu a cabeça para melhor me ver os olhos. Nossos olhares destemidos encontraram-se silenciosamente naquele ato de angústia. Por que nos encaramos?
 Num meio sorriso puxado para um dos cantos da boca, mostrando os lábios entreabertos, pude ver os seus dentes alvos avermelharem-se num instante. Provara do meu desejo de vê-lo tal qual aquele boi preto que um dia me assaltara.  A minha boca estava cheia e num de seus cantos escorria, límpida, minha saliva com a qual saciei minha sede daquela visão. O meu prazer absolveu-me daquela arbitrariedade.  Senti, pela segunda vez, a mesma sensação de quando o olhar provocador do boi atravessou-me. Apertei meu lábio entre os dentes, acalentando as forças que me queriam devorar.
Com postura altiva, a fêmea encarava-me. Ela abaixou a cabeça – ouvi, sentindo, sua respiração – para tocar o seu montador, deixando-me ver uma marca preta em seu dorso e a palavra “Moça” gravada na sela sobre a qual montava aquele homem.
Depois que se levantou e limpou seu sangue, que lhe escorria farto das narinas, disse-me:   – Volto amanhã, potranca.  
 – Não volte mais! – eu lhe ordenei.
Aquele cavaleiro negro não desistiu de obter o melhor de seu sonho. Voltou muitas vezes, entre as muitas, sem os bois, somente ele montado em sua Moça.
 Foi bravo aquele cavaleiro que avançou no roteiro a que estava destinado, não recuando diante da luta, tampouco das regras que o impediriam de seguir adiante. Éramos caças e caçadores. Com o tempo, ele abandonou as rédeas da minha selvageria e dois corpos tornaram-se um, aliançados pelo desejo de consumirmos um do outro as respirações, alimentando nossas carnes famintas de cavalgadas e confidências. 
Contou-me que aquele boi preto que me encarou morreu no matadouro – “como e por que”, igual a todos que eram levados para lá.
Quando as lembranças daquelas cenas me vinham, voltava àquele bilhete já amarelado pelo tempo, com letra caprichada do  cavaleiro e o lia. Minha boca se enchia, minhas bochechas ardiam e eu sentia o berro silencioso daquele boi preto figurar-se novamente nos meus pés. Então convidava o cavaleiro e, na garupa da Moça, meu esposo me levava para cavalgarmos até onde nossos sentidos nos permitiam.
 Sob um céu azulado, nossos corpos sentiam a relva e meus cabelos fluíam como véu de noiva à margem do riacho em que Moça matava sua sede. Discreta, andava pelo campo e prostrava-se à sombra do ambiente que desabrochava-se ímpar a cada estada dos nossos prazeres ali, sentindo a terra, a bem da terra e de nossos corpos. Depois saíamos à caça.
– Menina, ali! Mire... Agora!
Chamava-me de “Menina”, apesar de há muito ter deixado esta fase. Deitados, com o meu corpo sobre o seu dorso, ele emprestava-me a visão.  Quando ele me dizia “agora”, era somente apertar o gatilho que o tiro era certeiro.  Montávamos em Moça e retornávamos para, juntos, limparmos nossas presas e prepararmos nosso jantar. Aprendemos apreciar a caça. Éramos únicos no preparo das nossas refeições; ele, sem camisa, mostrava seus músculos revestidos por uma pele negra que me encantava. Deixávamos o tempo consumir-nos neste preparo e, afoitos, comíamos.
– Menina, ali! Mire... Agora!
Moça assustou-se e eu errei a alvo, nossa presa fugiu e outros animais que passavam por ali também. Estranhamos o comportamento da Moça, nunca antes se assustara com os tiros que disparamos. Voltamos para casa sem nenhuma caça que nos servisse de alimento.  Já atirava bem e, bem distante de onde adornávamos a relva, conhecemos outros campos que se nos exibiam fartos. Moça apresentava-se irrequieta e atrapalhava-nos os tiros. Íamos e voltávamos perdendo munições;  Moça não nos permitia sossego. Investimos em mais calibres. Então, num dia de desafio, meu cavaleiro resolveu amarrá-la a uma árvore, sem apertar o nó. Nem ele, nem eu a queríamos presa.
Estávamos nós dois com as nossas armas em punho. Disparei o meu tiro: errei. O meu cavaleiro fez o mesmo e nenhum animal caiu, servindo-nos de jantar. Silenciado o ambiente, abaixei-me, mirando um alvo suculento. Estava próximo a mim, não tinha como errar o tiro. O meu cavaleiro, ao meu lado, dava as coordenadas. Moça relinchava e escoiceava atrevida, apresentando-nos sua selvageria, rompendo com a árvore o nó de sua rédea. Sobre mim ela quis romper nossos laços de amizade. Meu cavaleiro postou-se entre nós duas e, sem entender o que fiz, da minha arma o projétil atingiu-lhe o peito. Eu o feri naquele lugar. Tombara ali, sobre mim, o meu cavaleiro.  Seu sangue jorrou e tive  minha blusa branca lavada de vermelho, desenhando sobre  mim o seu rastro.  Gravara-se em mim a sua marca tal qual um proprietário marca o seu animal.
Com postura altiva, Moça encarava-me e, de seus olhos, decifrei julgamentos, condenando-me de um crime que eu não quis cometer. Ela abaixou a cabeça, ouvi - sentindo o fervor da sua respiração – para tocar o seu montador.  Moça bufava enfurecida.  Estaria, com esse gesto, inconscientemente afirmando que se ela pudesse atribuiria a mim aquele ato como voluntário?  Por que o faria? Irrespondível...
Então, ele partiu: o meu Cavaleiro, para quem um nome melhor não houve: Cavaleiro. Lembrei-me de quando a “Moça” o conduziu para mim – instrumento da nossa marcha nupcial! Por causa daquele retorno que ambos fizeram a passos combinados, nós três seguimos em frente. Formávamos um triangulo de amizade, logo nossos sentimentos se nos refletiam.  Acabara, naquela caça amadora, entre mim e ela, a nossa cumplicidade. 
Os bois não vão mais para os matadouros tangidos por tocadores.  E os nossos anéis de ouro, do meu esposo e o meu, que nos ataram como em laço para seguirmos a par, eu os uni no dedo da minha mão esquerda, suja pela terra vermelha que vestirá para sempre aquele corpo negro gravado na minha anatomia.  Não pude impedir que a nossa separação fosse perpetrada. Agora, somente a terra o consumirá, sentindo o gosto da sua carne.
O bilhete! O meu, o nosso bilhete: cheio de revelações incandescentes à minha menina – aquela que o cavaleiro enxergou na moça que se queria mulher  quando esperava os bois passarem...  Lendo-o, embora se esfarelando, recupero aquele momento que me propiciou transformações. Ainda pulsa a mensagem que ele jogou naquela rua de terra seca, avermelhando a minha face que, até então, não a tinha visto rachada. Meu gentil Cavaleiro a preencheu durante o tempo em que estivemos juntos. Sem que eu percebesse, a sua completude alimentou-me desde o início da nossa história: aquele em que nos encaramos. Revi o que fora uma flor vermelha, hoje apenas pó, nada mais.
Quem corria para o portão – a minha menina-moça – para ver aquelas passagens de bois, degusta, neste instante, os farelos do bilhete amarelado pelo tempo, na intenção de que o sangue, que há anos fora respingado nele, me fortaleça para continuar a minha marcha.  Ele roça o céu da minha boca amadurecida e agasalha a minha língua de mulher, saciando os galopes dos meus sentimentos. Não há espuma e nada escorre da minha boca, por isso engulo as revelações marcadas naquele bilhete a seco. A minha menina-moça de pés calçados partiu com ele.
 Agora, calço-me os pés de mim mesma, assumindo minha rédea, tomando a marcha como minha, consciente de levar – até onde o meu olhar alcançar – o roteiro que agora é só meu,  como quem vai para o matadouro, mas sem recuar diante da luta sabendo, por ter aprendido com ele - meu Cavaleiro - desde quando nos encaramos - “como e por que” lutar:   marca registrada do meu Cavaleiro Negro em mim,  alimento do meu ser.
A Moça não me pode acompanhar.  Marcho  só, juntando meu olhar, definindo meu trajeto.

Autoria: Rita de Cássia Zuim Lavoyer  - Araçatuba   
5º colocado no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins - SP                                               

sábado, 7 de novembro de 2015

CONTO DE MINHA AUTORIA - Classificado no Concurso Nacional e Contos cidade de Lins

Noticias
FIQUE POR DENTRO.
06/11/2015 › Resultado do “V Concurso Nacional de Contos Cidade de Lins – SP”
O “V Concurso Nacional de Contos Cidade de Lins – SP” realizado neste ano de 2015, organizado pela Diretoria de Cultura, teve 109 (cento e nove) inscritos, dos quais o somatório dos pontos atribuídos pela Comissão Avaliadora: Antonieta Nazaré de Lima Coqueiro, Augustinha Luiz Marra do Rio Campo, Sonia Silva Santos, Silvani Daruiz e Terezinha Boa Sorte, apontou os seguintes classificados:

1º Lugar:
      Título: “NAPALM”
      Pseudônimo: Mr. Olímpico
      Contista: Celso Antonio Lopes da Silva
      Cidade: São Paulo – SP
2º Lugar:
      Título: A Gota D’água
      Pseudônimo: Maria Flor
      Contista: Regina Ruth Rincon Caires
      Cidade: Campinas – SP
3º Lugar:
      Título: Refúgio
      Pseudônimo: Aurora Boreal
      Contista: Tatiana Alves Soares Caldas
      Cidade: Rio de Janeiro - RJ
4º Lugar:
      Título: O último funeral
      Pseudônimo: Farney Blanco
      Contista: Giovana Lemes Neves
      Cidade: Iguape– SP
5º Lugar:
      Título: Marcas Indeléveis
      Pseudônimo: Diomar Dantas
      Contista: Rita de Cássia Zuim Lavoyer
      Cidade: Araçatuba – SP

Mais uma vez a Prefeitura de Lins, através da Diretoria de Cultura, projeta a “Cidade Das Escolas” no cenário nacional, atraindo a atenção e a credibilidade de todos os estados brasileiros com a participação dos talentos literários vindos de norte a sul do país.
A premiação dos classificados ocorrerá no mês de dezembro.

                            Lins, 06 de novembro de 2015

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

OS FILHOS DE MOISÉS


Uma leitora com ganas de ser narradora onisciente 
 Por Rita Lavoyer


Ao adentrarmos as labaredas das relações interpessoais com as quais cada personagem da obra Os Filhos de Moisés está envolvido, incendeiam-nos  as táticas e os recursos verbais – esquematicamente pensados para cada peça que constitui essa Fortaleza – persuadindo-nos a desconstruirmos  convicções,  que há muito nos impingiram, questionando:  –  Existe o pecado? O bem que vence o mal de fato é bom? Qual o limite de uma reputação  para que a traição, assim denominada, receba tal alcunha?  Há ficção que se sustente distante das cinzas da realidade?  Em se  havendo uma obra literária, ao protagonista  compete-lhe o título de herói com final feliz?
 Além da percepção que podemos obter sobre as Sesmarias – terras cedidas aos agricultores  na época do império –, o romance traz a rasgo,  como verdade inconsútil,  uma história dentro da qual  Moisés, órfão de pai ainda jovem, travou  batalha com o padrasto Bento e os três filhos que ele trouxera do primeiro casamento, sendo um deles, Casimiro,  seu antagonista, futuro esposo de Sinhaninha.
 Mas batalha maior, Moisés – cujas reações e atitudes frente aos universos interior e exterior, que servem de centro unificador da narrativa –, travaria com as circunstâncias que abateram seu coração. Os temores e os obstáculos que o envolveram acentuavam-me as expectativas de que ele se daria bem em algum investimento. Tornei-me faminta por mais saber... 
Desconstruindo paradigmas de moça recatada e boazinha,  Anne Louise (Sinhaninha), a poetisa, não se furtando da oportunidade de vingar-se do esposo Casimiro e do sogro Bento, o fez com maestria, no momento oportuno. Antes, gerara um filho de Moisés, engolindo as consequências desse romance secreto, permitiu-se um futuro promissor, agarrando-se à oportunidade que a vida lhe veio a  proporcionar após enviuvar-se.  Novamente grávida de Moisés desposou o tio  materno dele,  o generoso Arão.  Este, ciente da situação angustiosa de Sinhaninha, dispôs-se a registrar os filhos dela como seus, fazendo-os  seus herdeiros, portadores de seu nome.
Moisés amargou o não ouvir seus únicos filhos homens   - que seriam continuadores de seu nome familiar -  chamá-lo “pai”, enquanto suas muitas filhas, havidas com Benedita, sua esposa e irmã adotiva de Anne Louise,  corriam para os seus braços de homem rústico, de coração aniquilado pelas desventuras que a autora de Os Filhos de Moisés soube tão bem construir.  
Enquanto leitora, desejei-me, em alguns  momentos,   narradora onisciente para,  a cada suspense que me acometia, controlar as artérias dos acontecimentos,  cujo fluxo narrativo fora influenciada, envolvida, tendo os  sentimentos devorados. Permitindo-me destinatária deste romance, arremessei-me  para o tempo e o  espaço, personagens  importantes  daquele império  colonial que o compõe, achando ali fragmentos de muitos fatos que permeiam nosso presente e abrem caminhos para novas histórias. 
Assim, assisti o destino, bastante cruel, de outros personagens que usufruíram seus infortúnios  advindos dos maus sentimentos deles, em detrimento da justiça, uma vez que, para eles, a justiça tardava e, quando não, surpreendentemente, chegava a cavalo, ora meio de ataque, ora instrumento de combates  e defesas.  
À criadora, na sua função de exercer a arte, exaltando-a no gênero e estilo que lhe competem,  cabem-lhe os méritos desta  premiação  promovida pela Secretaria de Cultura de Araçatuba, através do edital de “Concurso de apoio a projetos de fomento à publicação de livros inéditos no município de Araçatuba”.  
Vocês, leitores, estarão marcados, de alguma forma, quando abrirem Os Filhos de Moisés, não querendo mais fechá-lo até que cheguem à Fortaleza, entendendo os desfechos dos questionamentos, conservando na memória as imagens dos objetos que se nos apresentam literariamente, sem intenções, mas  que nos farão gerar outros objetos culturais, posicionando-nos assim diante de um processo fertilizador, tirando-nos da posição de simples leitores para a de autônomos  cocriadores: contribuição  de alto grau que a boa arte nos proporciona.
Um romance moderno, histórico, social, psicológico e regionalista,   com narrativa esteticamente bem elaborada  para nos seduzir  a todos  enquanto entretenimento e aprendizagem. 
 Permitam-se também, destinatários desta produção, depois  adentrem A Rua da Liberdade, 44, desta  mesma autora, para continuarem   ligados à boa literatura produzida em Araçatuba, por Maria Luzia Villela.


Rita de Cássia Zuim Lavoyer 

terça-feira, 3 de novembro de 2015

MORTOS DE CARNE FRACA

Rita Lavoyer

- Raimunda, sabia que morto  é uma espécie que nunca vão falsificar? Não enguiça os parafusos, não  pifa na hora ‘h’,  não precisa de manual de instrução. Morto é o produto mais original que existe.

-  Mas nessa artura da tua vida, tá filosofanu sobre morto por quê?
- Exatamente! Pela altura da vida. Olhe lá embaixo, mulher besta!  Essa altura não é de vida, sua trolada! Aqui, só quem chega são os mortos bem morridos. Vê se acorda, lesa!  

-  Bastião, ocê e eu tamu morto, como vou acordar? Aqui deve ser o Paraíso. Di certo nós morremo e vamo viver  as maravilhas que lá na terra nunca pudemos aproveitá. Por isso morremus juntos.

- Deve ser a perdição! Eu não fico aqui nem morto! Vou dar um jeito de voltar.

- Bastião, ucê morreu sim, homi. Lembra que ucê falava: “Tô morrenu di vontade di cumê aquela vaca!” Cê repetia isso trocentas vez por dia. Falou tanto que o feito aconteceu: morreu mesmo!

- Mas eu não comi aquela vaca!!!!!!

- Ah, Bastião!  Rosinha sempre avisou procê ficar longe dela, que era perigosa. Aliás, é por causa daquela coisa que estamos mortos: por causa dos chifres que levamos. Cê queria ela e foi chifrado. Por causa do meu amor por você fui chifrada junto. Fui invetá de fazer carinho na bicha.
- Sou homem de raça. Nem morto fico sem comer aquela vaca. Desço lá e mato o meu apetite.   

- Mas, homi, vão nos botar aquela roupa  branca e vamos virar vento. Bastião, vivo ocê num conseguiu cumê,  morto vai ser  mais difícil. Me leva junto.  Posso te ajuda a segurar a vaca. Que jeito que morto  come vaca? Tem manual de instrução?
- Encarno e como, pronto! Vou sozinho, Raimunda.

- Por isso que morreu. Apesar de estar  sempre duro,  sempre teve a carne fraca. Ói lá, as cabeças sem pés estão chegando. Vamos correr, Bastião, enquanto ainda vemos nossas pernas!

- Corro eu, você fica! Foi por causa do teu choro que não consegui comer aquela vaca.   Aquilo é coisa pra homem! Como ela hoje, na sombra daquele pé de manga.

- Chorei porque fiquei cum dó. Já tive vontade de cume  também, mas num queria vê ocê comendu ela, cê num ia me dar aquela parte dura que mais gosto. Tinha ciúme daquela coisa que te atiçava o apetite, Bastião.   
E não é que o Bastião conseguiu escapar do Paraíso?

- Oi, Raimunda, minha querida amiga!

- Querida amida? Tá fazenu o que aqui, Rosinha?

- Estava atravessando o pasto, vestida de vermelho,  debaixo do pé de manga que você conhece bem.  Aquela coisa do Bastião parecia que estava encarnada. Veio pra cima de mim, me pegou pelas costas. Eu gritei, ela me jogou pra cima e escutei um tiro, depois outro.   Mas agora o assunto é morto. Tem notícias de Bastião?

- Vixi, que desencontro danado! Vai dar inguiço! Bastião desceu pra terra, vai encarnar e matar a vontade de comer a vaca. Mas, pelo que vejo,   a vaca morreu, né?

- Morreu! A  vaca que o Bastião queria tanto morreu.
- Alguém mais comeu a vaca?
-  Ah, os vivos não deixariam de comê-la.  
- Não sobrou nada pro Bastião?  
- Nem o chifre, Raimunda! De vaca morta sobra só o mugido.
- E como é o mugido de vaca morta? Vamos mugir, Rosinha? Quem sabe o Bastião ouvi nóis duas e vorta pra cá?

- Raimunda, quem deixa o paraíso por causa de carne de vaca, não merece voltar pra ele. Não foi por falta de aviso.  Bastião nem adulterado volta pra cá.   Vamos entrar e pegar uma  roupa branca?


- Vai você!  Quando tava vivo nunca deixei Bastião ser adúltero, morto quem vai adulterar ele, esperta?  Vou ficar aqui esperandu por ele.  Nem se tiver que falsificar um morto e enganar esta portaria, ele vorta, ainda mais agora que a vaca dele morreu.    Bastião nunca pifou na hora “h”. Tenho certeza que ele vai me trazer aquele pedaço de carne dura que eu mais gosto.   Nem que eu perca meus parafusos até virar uma vaca, vou esperar o meu Bastião. Muuuuu... Muuuuu... Muuuuu.