terça-feira, 28 de julho de 2015

QUERO DANÇAR UMA MÚSICA CONTIGO

Meu irmão Marcos, 2º classificado no festival de Dança do Quase Famosos, dançando a valsa, em 19/07/2015. Academia Sandro's Dance. 
QUERO DANÇAR UMA MÚSICA CONTIGO.

A música toca suavemente  os meus sentidos e sinto-me conduzida pelo teu ímã. Quero dançar uma musica contigo. Como quero!
O pólo de atração das tuas notas me envolve e eu posso sentir os teus toques, as tuas mãos, os teus afagos que me tocam e me imantam, para que eu gire em rodopios ao compasso da tua batuta. Quero dançar uma música contigo. Como quero!
Se me vieres, como que cavalgando, e me tirares para a dança, nossos corpos  levemente bailarão num salão iluminado pelas cores da aurora. Isto agrada-me muito.  Quero tocar-te quando, com passos ardentes, cingires minha cintura.
Mas, não  alcanço-te os bailados. Cada passo teu, marcado no  meu  piso, ecoa  teu cheiro, teu gosto, tua cor. Entre eles deliro. Quero dançar uma música contigo. Como quero!
Coloco-me sobre um espelho e nossas cordas tornam-se simpáticas pelo fenômeno da acústica. Sobre o mecanismo dessa linguagem bailo até que se finde a leitura das nossas notas. Terminado o teu acorde, acordo, dou-me corda novamente e fico a bailar, até que, não havendo acordo,  fecha-se esta caixa de desejos  que sinto de dançar uma música contigo. Como quero!  
Estarei na vitrine expondo a minha dança, até que alguém me compre e te presenteie comigo.  Quando me abrires, penetra meus volteios. Bailemos sobre a superfície do vidro, e se da tua valorosa valsa eu estiver embriagada, como o súbito de um sequestro, esconda-me no compartimento das minhas joias. Refugia-te no lago da minha aliança,  para que o teu cisne regozije-se da umidade do meu palco. Depois, repousa teu cansaço  nas pedrarias dos meus adornos.
Se uma nobre plateia, gritando blasfêmias, separar-nos antes que termine a melodia, fecha a cortina do nosso espetáculo, volta aos braços dela, alteres os teus passos, tua cadência, teu  som. Comemora com ela a tua apoteose e que  da tua trombeta  soe o meu toque de recolher.
As cores se apagarão, o compartimento se escurecerá e, no ocaso, os flashes  se acenderão  sobre o desejo cicatrizado da pobre bailarina que dançou  delírios e continua  exposta  na vitrine, esperando que alguém  me ouça nos olhos e me queira levar, aproximando nossas épocas.
Que no ritmo do meu pulsar que pede,  o timbre do meu espaço  revele a nobreza do meu  proprietário  que comigo se presenteou para dançarmos juntos  uma música.   Como quero!

Autoria -  Rita Lavoyer

quarta-feira, 22 de julho de 2015

A MINHA SUGESTÃO sobre DESCARTE DE MEDICAMENTOS

          Façamos a nossa parte, porque a Natureza não pode  engolir aquilo que não nos serve mais.
          Senhores formadores de opinião: padres, pastores, reitores, professores, empresários e quem mais se sentir no direito de fazer o bem ao Planeta. Vocês têm como conduzir essa campanha, basta que, nos seus sermões, pregações, reuniões, aulas e encontros entre amigos, vocês orientem os seus fiéis, seus alunos, seus clientes, seus colegas.
          Se os Templos Religiosos, as Universidades, as Empresas onde circulam grande número de pessoas (escolas infantis não, por favor) colaborarem, colocando recipientes para que os frequentadores daquele local descarte do medicamento de forma responsável, certamente a cidade recolherá toneladas e o nosso solo terá uma sobrevida considerável.
          Se cadastradas essas entidades junto ao poder público- que tem responsabilidade sobre esse tema-, marcado um período, é passar e recolher.                Se a questão é discutir o assunto, estou dando a minha sugestão.
           O velhinho não vai sair de casa para descartar corretamente o seu medicamento, não porque não queira, muitos porque não podem ou conseguem sair-  mas o neto dele, que vai à Universidade entregará na Universidade, ou os filhos, que vão ao Templo rezar, quando forem pegar o dinheiro para pagar o dízimo se lembrarão de levar o medicamento que já venceu. Por que as igrejas não podem, também, educar?  
          Se as entidades abraçarem essa causa, saindo do discurso de bons pregadores que querem ver um Planeta melhor para as próximas gerações, e partirem para a ação, ajudando seus discípulos a colherem o que eles plantaram, veremos, então, para que servem  as palavras de homem que sabe falar bonito.
         Sermão, seja quem for orador,   é bom quando o ponto fraco do discurso é o político – que sempre é o safado, corrupto, ordinário e vagabundo- (muitas vezes é mesmo)- Mas quando compete ao cidadão fazer a sua parte, ele logo tira o corpo fora, porque dizer que é um cidadão porque paga impostos é fácil- quero ver ser cidadão que faz alguma coisa sem esperar o poder público tomar decisão. Não tiro a responsabilidade  da administração pública – desta e de outras. Não terem pensado um projeto dessa natureza muito antes é um descaso irremediável ao Meio Ambiente.
          É por isso que o mundo desanda – damos muita importância ao nosso lado de coitadinho marginal.
          Faça a sua parte, cidadão. Esperarmos de políticos  que sabem discursar bonitinho em palanque, não nos tornaremos melhores e nem salvaremos o Planeta.
Editorial Jornal Folha da região de 22/07/2015



terça-feira, 21 de julho de 2015

Falta de coleta pública de remédios frustra condomínio

Editorial Folha da Região de 22/07/2015


Falta de coleta pública de remédios frustra condomínio

SÉRGIO TEIXEIRA +++---EncaminharErroImprimir
 



Terça-Feira - 21/07/2015 - 09h10


               
O síndico Omar Jundi e a professora Rita Lavoyer conseguiram colaboração de pelo 30 famílias

matéria de hoje, 21/07/2015, no Jornal Folha da região
Um condomínio de Araçatuba recolheu cerca de 20 quilos de medicamentos vencidos, após campanha dos moradores para descarte consciente desse material, que não deve ser jogado no lixo comum ou na rede de esgoto. Acontece que os condôminos agora enfrentam um problema: onde enviar, de graça, os remédios em desuso. Esse ponto de coleta ainda não existe no município.

Depois de participar de uma palestra ambiental sobre o assunto, em 2012, a professora Rita Lavoyer, 48, se sensibilizou pela forma como ela e os vizinhos descartavam os seus medicamentos vencidos. Isso porque muitas substâncias que formam os remédios não desaparecem na natureza e, ao contrário, contaminam o solo e a água. "Eu ia refletindo conforme o palestrante ia falando, pois eu fazia um descarte aleatório. Ao saber de todos os problemas que isso causa, me senti culpada", disse Rita.

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Ela levou a situação para o prédio onde vive, o residencial Ipanema, na Vila São Paulo. Com o aval do síndico, o edifício disponibilizou uma caixa na portaria para que os condôminos interessados realizassem o descarte do material vencido. Ao menos metade das 60 famílias aderiu à campanha, que resultou no acúmulo total de aproximadamente 20 quilos de remédios.

SEM RETORNO
Acontece que, se por um lado a professora teve o apoio dos vizinhos, o mesmo não aconteceu quando ela foi procurar o poder público. Na Secretaria Municipal de Saúde, de acordo com Rita, não houve uma resposta sobre para onde levar os medicamentos.

  O setor privado tem empresas do ramo de limpeza pública que fazem a coleta desse gênero. No entanto, cobram pelo serviço que, em média, fica em R$ 12 por quilo de medicamento. Rita disse que o residencial até poderia arcar com o valor, mas o problema do descarte persistiria ainda assim, pois o restante da cidade continuaria sem um local público de coleta.

  Segundo o CRF (Conselho Regional de Farmácia) de São Paulo, os medicamentos contêm substâncias químicas que acabam contaminando os recursos hídricos e poluindo o meio ambiente como um todo. O órgão lembra que, mesmo quando a água que teve contato com remédio é tratada, os resíduos químicos não são eliminados.

OUTRO LADO
  O Plano Municipal de Resíduos Sólidos de Araçatuba prevê que, em um cenário desejável, até 2017, a cidade tenha pontos de coleta de medicamentos vencidos para pequenos geradores nas unidades de serviços públicos de saúde humana e animal. Para colocar isso em prática, a lei fala de inserção à logística reversa, reciclagem, tratamento e disposição final.

Em nota, a Prefeitura de Araçatuba informou que ainda não começou o diálogo com a iniciativa privada a fim de colocar em prática as parcerias (logística reversa) para criação desses pontos. O Executivo ainda não estimou quantos espaços do gênero serão necessários para atender o município. Também não há uma previsão de quando o primeiro local será inaugurado.

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Rede oferece coletores de remédios em três cidades

SÉRGIO TEIXEIRA +++---EncaminharErroImprimir
 



Terça-Feira - 21/07/2015 - 09h2


coletoras na cidade de Birigui-sp

Para quem mora em Birigui, Penápolis ou Andradina, é possível descartar medicamentos vencidos em unidades da rede de farmácias Droga Raia. Conforme o portal da empresa, as três lojas participantes fazem parte de uma lista que conta com mais de 200 pontos no Estado e em outras regiões do País. O serviço é gratuito.

De acordo com a farmacêutica Paula Ribeiro Quinteiro, da Droga Raia de Penápolis, o ponto de coleta tem pouco mais de dois anos e, desde então, consegue recolher, em média, 12 quilos de remédios vencidos ou em desuso por mês. O display conta com três espaços, dependendo o gênero a ser descartado: pomadas e comprimidos, líquidos e sprays e caixas e bulas.

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  As empresas que oferecem a alternativa na região fazem parte de uma ação em nível nacional, com o patrocínio de 12 instituições do ramo farmacêutico, batizada de programa Descarte Consciente, que teve início no começo dessa década. Tudo que é recolhido é encaminhado para incineração ou aterros habilitados.

  Estima-se que para cada quilo de medicamento descartado no lixo comum ou no vaso sanitário, cerca de 450 mil litros de água sejam contaminados. De acordo com os organizadores do programa Descarte Consciente, até a tarde de ontem, o recolhimento de mais 817 mil unidades de remédios recebidos pelas empresas parceiras evitou a contaminação de 56 bilhões de litros. 

SERVIÇO
Em Penápolis, o ponto de coleta fica na rua Doutor Ramalho Franco, n° 307, Centro. Em Andradina, está na rua Alexandre Salomão, n° 1.334, Centro. Em Birigui, na Praça Doutor Gama, n° 422, Centro. Outras informações nowww.descarteconsciente.com.br.

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segunda-feira, 6 de julho de 2015

MEUS BENFEITORES


Esses são alguns dos benfeitores anônimos ( anônimos para alguns) que me ajudaram quando precisei. Agradeço-os de coração.  Por hoje são esses, mas há outros que também 
preciso homenagear, assim, ao meu modo, e postarei por aqui - Rita Lavoyer


A minha BENFEITORA anônima do meu dia 04/07/2015 é Sirlene Faria, da cidade de Guararapes.
Como é praxe os alunos se apresentarem no primeiro dia de aula, chegou a minha vez e assim ouvi dela: “ - tinha certeza de que e um dia iria conhecê-la”.
“Voti!” Pus meu raciocínio lógico para funcionar como nunca antes e armei-me de barriga pra dentro e peito pra fora. 
“Meu filho leu os seus livros na escola onde estuda” - aí eu senti o peso da responsabilidade aumentar sobre os ombros.
“AI, meu Deus! Quem é essa dona?” – questionava-me. Precisava que ela desviasse de mim para voltar com minha barriga pra fora e peito pra dentro.
E o tempo passou um pouco, mas não muito, e ela decidiu que podia me levar por onde eu, por necessidade, precisava estar . Colocou-me de forma que me vissem e fluí muito por intermédio dela.
Atuante na questão da “ inclusão social” , não por acaso, é nome respeitado na cidade de Guararapes pelas ações que promove nas diversas secretarias municipais daquela cidade. Professora dinâmica, coordenadora da Pós-graduação do Unitoledo, muitos aprendentes passaram por seus cuidados e atuam na área social honrando o aprendizado que esta ensinante tão bem consegue transmitir.
De voz suave e face cândida não há quem com ela não se encante. De postura altiva – no significado de nobre e digna- sabe posicionar-se sem ser autoritária, trazendo ao seu patamar quem a tem como espelho.
O sorriso todo especial que ela tem, todo meigo, quase tímido, aumenta seu charme e elegância.
Não sei se coincidência ou não, encontramo-nos e registramos aprendizados.
Há pessoas que nascem por necessidade da vida. A vida necessitava da professora Sirlene Faria, por isso ela nasceu e vem cumprindo sua missão tão exemplarmente. Por isso eu a agradeço hoje por ter me ajudado muito. Muito mesmo!
Em nome dos excluídos que a senhora conseguiu , pelos seus estudos, trabalhos e fé colocá-los com dignidade nos lugares que lhes competem por direitos na sociedade, o meu muito obrigada ,minha Benfeitora, Professora Sirlene Faria.
Sua aluna: Rita Lavoyer







O meu homenageado - BENFEITOR anônimo do meu dia 02/07/2015 - é o querido SHIGUEYUKI YUSHIKUMI, da cidade de Lins.
Shigueyuki Yoshikumi, para mim só “Shiguê” , é assinante antigo do Jornal Folha da Região. Certa vez, de um ano que não me recordo, para minha surpresa, o Jornal repassou-me um e-mail enviado por ele – leitor- referindo-se a um texto meu publicado naquele dia, pedindo-me um livro que eu citei no texto, pois queria adquiri-lo.
Tomei a liberdade de entrar em contato pelo endereço de e-mail que constava na mensagem. Daí, quem ganhou com o contato fui eu. Shiguê apresentou-se um benfeitor nas minhas causas desesperadas à caça de livros. O que ele achava que fosse importante para mim, enviava-me. Tenho-os em grande apreço.
Shigueyuki, como bom leitor, soube separar dos meus textos as figuras e alegorias, dando-lhes um toque especial de leitor que , quem escreve, sonha ter.
Shigueyuki, tenho certeza, é uma benção à família. Um exemplo de bom caráter, competência, companheirismo e ... carismático que só, é também um cantor excelente!!!
Shigueyuki, graças a sua atenção para com meus estudos, com o material que me forneceu, consegui dar um toque especial ao meu trabalho. Shigueyuki é um doce de ser humano e imortal da Academia Linense de Letas.
Que Deus me permita continuar escrevendo para que a minha necessidade seja interpretada em verbos e versos e que o Shiguê , meu amigo Shigueyuki, não desista de tornar nossa amizade uma aromática poesia.
Receba, meu querido Shiguê, meus agradecimentos em forma de oração.
Deus o abençoe! Rita Lavoyer








A minha homenagem ao BENFEITOR(a) do meu dia 01/07/2015 é para Vânia Bertequini Nagata e Walter Nagata 
Essa mulher e sua família muito me ajudaram quando cheguei em Araçatuba. Abriu-me portas que foram importantíssimas para o andamento dos meus projetos. O seu esposo é o Walter Nagata, figuraça e simpatia, amigo do meu esposo, eu o adoro e o admiro muito. Vânia e Walter, eu os trago eternamente no meu coração. Vocês são tão bons que estarmos ao lado de vocês ajuda-nos a sermos um pouco melhores. Deus os abençoe. Com gratidão: Rita Lavoyer.


domingo, 28 de junho de 2015

BIOGRAFIA NÃO AUTORIZADA DE UM AMIGO EXCÊNTRICO

   
Parabéns, meu amigo, pelo seu aniversário.



Tenho um amigo que eu o considero excêntrico, não no sentido de esquisito, de forma alguma.

Excêntrico no sentido de excêntrico mesmo. Surgindo uma dificuldade, quem me vem à mente: o excêntrico. O meu amigo excêntrico!

Ele é uma figuraça!

Precisei de um material no campo jurídico. Onde eu o encontrei? : - Com o amigo excêntrico!

Outro dia era sobre educação e o livro, tinha certeza, encontraria com ele: - o excêntrico! Acertei na mosca, digo: no amigo!

Não dá outra. Precisando de material sobre política, filosofia, educação, religião e literatura marginalizada: o meu amigo excêntrico tem tudo isso.

Passei um e-mail e não demorou nada, lá veio ele, com duas sacolinhas cheinhas de livros: 11 no total.
_ Meu amigo, eu te gosto tanto que você nem calcula!

Meus filhos, para bisbilhotarem, atacaram os livros antes de mim, quando... a criança gritou:

_ Mãe, o seu amigo é rico!???

Fiquei boquiaberta! Não acreditamos, a família toda – marido, filhos e cachorrinho, no que encontrávamos a cada passagem de páginas dos livros que ele me emprestou. Nós, pobres mortais, marcamos páginas com régua, dobramos, fazemos orelhas, colocamos papelzinho entre uma página e outra, até ramona já use; mas o meu amigo não: marcador de páginas dele é nota de dinheiro.

Levando-se em conta as datas das publicações dos livros dá para entender as notas de Cruzeiro, Cruzeiro Novo, Cruzado, Cruzado Novo, Cruzeiro Real, e... Real, a moeda atual, nenhuma (acho que ele as retirou antes de emprestar o livro).

Brincadeiras à parte, o meu amigo não e excêntrico apenas por guardar notas de dinheiro antigo dentro dos livros; ele é excêntrico porque lutou por um ideal e acredita, ainda, na força da honestidade em prol do ser humano cuja energia movimenta o eixo da Terra.

  Ele é excêntrico porque acredita que o bem vence o mal, apesar de não ser nenhum Príncipe de conto de fadas, mas se ele fosse um anão seria o Zangado da Branca de Neve!

 Ele é excêntrico porque é grato aos que ainda erguem, com a mesma garra de outrora, a sua bandeira de luta; mas se oportunidade houver, ele mete o mastro na cabeça de muitos.

Ele é excêntrico porque não se acautela quando tem que descer o seu vocabulário espanhol no lombo das inconsciências interesseiras. Não traz caráter de pessoa que se aproxima de outra para tirar proveito algum.

Ele é excêntrico porque é objetivo, não blasfema nem injuria. O mesmo ideal que ele propagou quando a parteira lhe bateu na bunda, ainda lhe está na boca e nas suas ações sem mudar uma palavra. Eu sei disso, o primo dele, o Pablo, artista profético, já tinha registrado tudo isso em uma tela. Qual tela eu não sei, mas que pintou a carranca deste primo que nasceria por estas terras, ô se pintou!

Ele é excêntrico porque o que ele tem de “persona” não é nada casual ou arbitrário, mas com uma sorte danada, conseguiu casar-se duas vezes, contrariando a própria convicção de que milagres não existem.

  Refleti, imaginando-o dentro de quantas fadigas ele amargou, ter que assistir a moeda da sua Pátria se transformar em “nada” numa simples virada de página, num período em que ele, eu soube, lutava contra uma ditadura que desconhecia do País do futuro as necessidades.

  Deixar as notas antigas dentro das páginas dos livros é uma delicada forma de ele não se esquecer do quanto trabalhava para receber um papel que no outro dia – a próxima página da sua vida- aquele dinheiro já não tinha mais valor nenhum.

Deixar as notas antigas dentro das páginas dos livros é uma maneira indelével de se lembrar das misérias das vidas no entorno da sua, da atmosfera pesada que respirava com a família e os amigos.

Deixar as notas antigas dentro das páginas dos livros é uma forma que ele encontrou de voar para longe, para além do amanhã, onde saberá mais do que hoje, entendendo que o “saber pouco” não deverá ser esquecido.

Deixar as notas antigas dentro das páginas dos livros é transitar sobre paralelas e entender que é preciso, muitas vezes, deixar de ser sério, porque ele, o meu amigo excêntrico, já não tem mais tempo para si mesmo.

Deixar as notas antigas dentro das páginas dos livros é permitir-se ser criticado, criticando na mesma proporção, inclusive a mim, numa amizade que me faz crescer admirando-o por sua filosofia, que me permite discussão sem ter que concordar com ele, nem ele comigo porque, apesar de nossa animalidade latente: Nós somos lindos no último!Conhece desta, que o apresenta, as falhas, mas não me espezinha os sentimentos.
Corintiano de carteirinha, sabe de cor as notas do hino do seu time do coração, porque o meu amigo excêntrico tem o passado como bandeira e o presente como lição.

Ele é  Luladilmista, mas é meu amigo; então, o que é que tem?  ELE USA ÓCULOS E EU TAMBÉM ,

Diz, fazendo o sinal da cruz, que é ateu graças a Deus, e  deve ao Criador  definir-se agnóstico. Tenho um amigo excêntrico, graças a Deus!

Não deixando se dominar pela "grana", meu amigo esqueceu suas notas dentro das páginas dos livros para lembrar-se do quanto é caro continuar com suas virtudes.

Ter um amigo excêntrico, assim, é acreditar que todo passado valeu a pena e nele se sustentará muito futuro.

Respondo aos meus filhos:

  - Sim, meus queridos, eu tenho a honra de ter um amigo de muitas riquezas.

  Confesso que não tenho vontade de devolver-lhe os livros.
Com muito respeito: Obrigada,Ventura Picasso!

Parabéns, meu querido amigo, pela data especial de sempre e para sempre, como a de hoje.


P

segunda-feira, 15 de junho de 2015

UMA CANÇÃO PARA O RAFAEL

''Sabe quem é esse garoto caído na foto? É o Rafael14 anos, morador de Cariacica (ES) e que sonhava em ser um estilista famoso. Sonhava, porque ele foi assassinado. Foi espancado com paus e pedras. Morto, aos 14 anos de idade. Não tinha envolvimento com crimes, com drogas e passava horas em seu quarto fazendo vestidos para bonecas. Frequentava a igreja do bairro, fazia parte de um grupo de jovens. Segundo a família, Rafael sofria preconceito o tempo todo por ser gay e por ser afeminado, por não se enquadrar no padrão heteronormativo imposto.

Rafael pagou com a vida por viver uma vida que a gente é proibido de viver. Rafael entra pra estatística, não gera protesto da ~gente de bem~ porque não era imagem de santo, não era Jesus em cruz. Era só mais um menino pobre, preto, viado. Menos um, alguns dirão. 
Rafael não será mais estilista, porque Rafael foi executado. E os motivos, que ainda estão sendo investigados, já estão muito claros.''



UMA CANÇÃO PARA O RAFAEL
  
Na certidão: Rafael Humano Como EU.
Rafael era calmo; seu semblante, angelical. De seus olhos amendoados podiam-se extrair brilhos multifacetários, e ele os multiplicava em suas doações para enfeitar ainda mais os traços finais de sua cútis de porcelana.
Os lábios de Rafael tinham contornos delicados e a cor de carmim exalava uma saúde inspiradora  de onde fluía sorriso farto.
Os cabelos cacheados escondiam-lhe os ombros. A malha, grudada na silhueta, mostrava peculiaridades expostas num corpo de mito. Assim a natureza o fez, assim a natureza o queria.
 O  Rafael se fazia amigo dos colegas com uma força exagerada de se sentir igual.  Era igual aos demais “Rafaeis”, embora os seus semelhantes o diferenciassem.
Em riste um, outro e tantos  muito “normais”, foram os dedos que apontavam-no em julgamentos depreciativos.
Oh,   Meigo Rafael!
O tempo encurtava-se e as horas prometidas aproximavam-se.  Seus passos delicados, outrora firmes, flutuaram sobre os ponteiros que marcavam o momento da dança no compasso das ameaças. Sem um par,  dançou no palco marcado por pedras e paus que descrevem a batuta regida por mãos assassinas. 
Com a sua física indefesa, provou trocas de energias, perdendo de vez as suas partículas elementares.   Castraram sua biologia, subtraíram sua igualdade.
Rasparam-lhe os cabelos, deram cabo àquele sorriso de paz.  Os seus olhos injetados de sonhos foram chutados, fecharam-se diante de tanta  impiedade.  Suas folhas com desenhos de vestidos voaram com o desespero do vento, levando, manchadas, a sua rasgada ao tempo.
 O semblante daquele que um dia foi, é, agora, deformação. Do seu corpo  estendido no chão, uma geografia desfigurada escorre entre a seca  daquele meio natural de  relações.
Oh, como eu o vejo, agora, nesse chão pisado e cuspido por “homens de fibra”?   
Cadê você, meu amigo? A sua casa, o seu sobrenome, a sua identidade cadê?
Que vontade de abraçá-lo e protegê-lo, mas cadê você, meu irmão, nesses pedaços de corpo que eu vejo?
Ouça a minha canção, meu filho querido! Que eu cantarei a tantos como você. É um pouquinho do que posso fazer. Quero cantá-los.
Ah! Esqueço-me, sempre, de que eu não sei cantar... Sempre mesmo!
A minha voz não é bela, o meu som não tem ritmo, mas eu quero tanto uma canção para você, meu esposo!
Vá, meu amante, ouvir a canção que palpitou no seu peito, e arregaçou as mangas do seu verbo de vida.
 Vá, no balanço da alma, exalar o seu perfume no ateliê do Universo.  
Vá, meu pai amado, celebrar o bailado da sua pureza. Da natureza foi parte integrante, mas quantos amantes não o conheceram no amor.
Oh, criatura perfeita! Em quantas canções ainda tem que gritar? Lá, no seu encalço, pregaram um decalque e prometeram arrancá-lo com a justiça das mãos. 
Quem sabe no palco de Apolo um anjo lhe cante uma música. Por- que no do homem, você dançou Rafael. Você dançou!
Onde estiver aprenda: antes de ir à guerra cante uma canção em louvor ao seu deus. Já sinto, companheiro! Já sinto, que no oráculo ouvirá melodias de amor.
Vá até ele, um deus o espera para brincarem juntos com um disco cuja canção não desfigure o seu semblante de gente.
 Ouça canções, querido! Ouça canções.
 Perdoe-me !
 Perdoe-me, Rafael, mas eu não sei cantar.

Rita Lavoyer