CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

AS PALAVRAS NÃO PRECISAM DE FILOSOFIA


MULHER SEM PALAVRAS

Rita Lavoyer
“Eu prometo!” Essa afirmativa tem destruído a reputação de muitos que se dizem senhores das palavras. Verdade: há os que têm mais afirmativas do que palavras.
Ontem prometi sentar-me no sofá meia hora cravada. Levei até o despertador para cronometrar o tempo. Ou sento meia hora sem fazer nada, ou não serei mais eu. 

Catei o despertador, botei no braço do sofá e sentei-me do ladinho dele, ouvindo o tic-tac do infeliz  e não  havia passado  um minuto ainda. Levantei-me. - Senta aí, mulher, vai romper a promessa? Que susto de  mim.  Olhei bem para aquele objeto primata de ver horas e me senti ultrapassada.  Sou mulher moderna – disse- computarei o tempo no celular. Mas cadê ele? Fui ao fixo e liguei para mim. Diacho, ele estava no braço do sofá. O passado e o presente do tempo lado a lado e eu no meio,  perdendo tempo por causa de uma promessa besta. Aquele sofá estava muito ruim. Bem que meus filhos reclamam que precisa comprar outro, dizem que tem um buraco, mas  eu não acreditava nisso. 

Faltavam 25  minutos. Olhei o despertador e o celular e fomos tragados para o tempo das cavernas. Foi da hora! Filmei um primata cacetando uma fêmea em pele e osso- coitadinha-  porque ela caçou um cervo muito gordo para o almoço e o troglodita, todo cabeludo, -  parecendo-se aquele ator que faz comercial de um frigorífico – estava de dieta, queria comer verdura.  Mais da hora, foi quando apareceu um E.T., todo magrelo, chegava a ser transparente, e abduziu aquela mulher esquelética. Jesus! – pensei-, o que ele fará comigo? Com o meu celular  registrei tudo aquilo. Estava entrando para a história das filmagens atemporais, quando o troglodita de dieta pegou meu despertador e o  espatifou no chão: “ Tic-tac incomodar primata” – ele me disse.

Bichinho estressado! Só não avancei sobre aquele ignorante porque não podia parar de filmar aquela história. Eu ia quebrar a cara dele.  Já ia postando meu feito  nas redes sociais e apareceu  aquele magrelinho  transparente e abduziu meu celular também. E agora? Dois seres incomuns  roubaram-me o tempo.  Nem às cavernas e nem ao além. Como  vou controlar os minutos que faltam para eu cumpri a promessa que me fiz de ficar sentada?

Deus, dê-me uma solução, preciso pagar minha promessa. Veja o que ELE me mandou: vinha lá, conduzindo sua carruagem de serpentes, a Medeia. Misericórdia! Essas mulheres mitológicas têm uma força do cão. Ela me deu uma surra que nunca tinha sofrido antes. Xingou-me de megera – logo ela, uma assassina de filhos achando-se no direito de me dar lição de moral. Puxava os meus cabelos e socava meus glúteos, coitadinhos tão sofridos naquele sofá, acusando-me de uma mãe sem amor algum pelos filhos. Mãe que se preze – ela me disse - não deixa os filhos e o esposo sentarem-se num sofá quebrado. Acusou-me de assassinar os melhores momentos dos meus rebentos, quando deveriam desfrutar o conforto do lar e me enchia de pancada.   

Ai, Deus, tomara que o E.T. não esteja, com o meu celular,  filmando minha surra. Está na moda mulheres se digladiando nas redes, só falta eu ser a próxima do espetáculo.  “Assassina” foi a gota. Aí fiquei nervosa e voei sobre aquela invenção de Eurípides, quando aterrissei caí em mim de tal forma que doeu pra valer.

Gente do céu, nem conseguia me levantar do sofá. Vendo-me, foi um susto só, tudo rodava e fiquei fora do tempo, perguntei-me que horas eram. Minha  consciência  respondeu:  - Hora de comprar  outro sofá!

 Ouvindo isso fiquei sem palavras.   

Porca miséria! Prometo que nunca mais prometo nada.  Perdi o tempo, a briga e as palavras.  Cadê o despertador, o celular? Que horas são, heim?  Alguém para me informar?


segunda-feira, 12 de setembro de 2016