terça-feira, 14 de outubro de 2014

PROFIXXIONAL

Publicado na coluna Tantas Palavras-Jornal Folha da Região, 14/10/2014
PROFIXXIONAL
Rita Lavoyer

            Tem coisas que se aprende na escola e nunca mais se esquece. A criança aprendeu em uma aula que suco de caju tem vitamina C. Estudou sobre o tal suco e foi fazer a prova.  A professora pegou o giz e avisou que as respostas seriam marcadas com  “X”. A criança preferia prova dissertativa para apoiar-se em seus garranchos, que deixavam a professora em dúvida sobre a exatidão de suas respostas. Quando leu a prova não viu a pergunta sobre o que estudara, gritou:
         – Cadê a vitamina C!?  O suco de caju!?
            Nesse ínterim a professora espirrou.
            – Vai tomar suco de caju!! – o aluno falou.
            Aconteceu o que há muito tempo a professora surda queria. Apoiada em seu profixxionalismo, mandou aquele aluno direto pra diretoria. A classe toda ria, balançava a cabeça, concordando com aquilo que a líder fazia.
            – Indixxiplinado! – ela disse ao pai, que satisfação  foi tomar  . – Seu filho é anormal, tem ideias abxurdas que não condixem com o que é fundamental! Pra ele não há remédio.  Não xe ajusta ao perfil da excola. Por mim o mandaria embora!
            O tempo passa e a mesma “profexxora”, noutra escola, aquele aluno encontrou, mas não se esqueceu de que  suco de caju tem  vitamina C. Continuava com as ideias que incomodavam. Já era aluno médio, além do caju aprendeu que “vitamina C” também era ótimo remédio. Estava sempre se deparando com a ‘fexxora’ que vivia gripada.
            – Tome vitamina C! Se não tiver chupe um bom caju!
            Era alergia a giz. A voz dele, aos ouvidos dela, soava como fuzis e, de novo, só para “maXucar”, ganhou um grande “X” .
            Foi quando ele conheceu o supervisor da escola e os bois da sua claxxe com suas cabexas balançando e as bocas babando.
            Existem textos que, por uma questão ou outra, alguém não conxegue ler. Por causa das suas histórias aquele aluno vivia por um fio, mas delas não desistia e as  aceitou  por desafio.
            Oh, sina! A professora do “X”, aquela danada, também era Pediatra aposentada. Dizia que adorava “crianxa” e que a “vitamina C” era fundamental à vida do bebê!
            Num outro dia, a aula foi laboratorial  O dia fatídico chegou e outra vez suco de caju aquela  ‘xoxora’ quase tomou.
            Ele pensou bem:  “Já sou quase doutor, farei um receituário. Recomendar-lhe-ei um bom suco de caju.”
            E lá se foi o aviãozinho de papel. Letra feia com ‘fexxora’ cega, foi o maior escarcéu. Enquanto todas as cabexas estavam na vertical, em sobe e desce,  concordando com o radical, a dele estava na horizontal  em vem- e- vai.
            –Meu Deus do xéu! Xeu reitor, exxe aluno é um impexilho. Tire-o da minha claxxe para não comprometer a reputaxão do grupo por cauxa da xua letra feia e xuas esdrúxulas ideias.
            Naquele instante,  a “xora” era toda verborreia.       
            Com outros “xores” dessa “eXtirpe” , o estudante aprendeu que nem só de morte morre o homem e que “caju” faz rima pobre com lugar sagrado para onde não se deve mandar qualquer coisinha tóxica.
 Sabendo-se ser ele o “X” de muitos exemplos explicitados pelos ensinantes,  por não aprender como exigiam, ele concluiu que urubu tem penas nas orelhas e que rima com a ovelha que ele é: tão negra quanto a ave que, de cima,  enxerga a sujeira do mundo e o faxina, para alegria do suco gástrico dos xairéis, dos  xacocos, dos xexelentos, dos xaropes para os quais não há remédios que os expurguem.             



sábado, 11 de outubro de 2014

Abraço criança





Abraço criança


Criança querida, querida criança!

Meus braços em teus braços

me dão esperança.

 

Esperança de ver o futuro abraçado

por todos os braços e nós dentro dele,

brincando e recriando o que já foi criado.

 

Quem doa abraço acaricia do outro a alma.

Abraço rejuvenesce, cura dores, fecha feridas,

nos dá energias, nos equilibra e nos traz calma.

 
Braços abertos significam acolhida.

Venha logo para os meus braços,

quero abraçá-la, criança querida!

 

Autoria – Rita Lavoyer

Casinha de papéis



CASINHA DE PAPÉIS - Rita Lavoyer

Eu construí uma casinha com vários papéis de chocolate diet.

Ela ficou tão magrinha, tão levinha, que eu precisei prender a respiração

 para entrar dentro dela.

Antes de atravessar a porta para entrar na minha casinha,

não aguentei   e soltei o ar.

Aff!  Soltei por baixo.

Hum... o cheiro não estava tããão   ruim...

Comecei  novamente: prendi a respiração e ...

Foi com força. Muita força!

Eu tentei, mas não consegui segurar!

O ar que saiu derrubou a minha casinha

porque ela era magrinha e levinha...

A minha respiração levou a minha casinha  embora.

Ela voa, voa... faz coreografia balanceada no ar.

Voa, casinha de papéis de chocolate diet! Voa! Vire asas no mundo!

Autoria -  Rita Lavoyer

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

VENHAM-NOS, CRIANÇAS E ADOLESCENTES


      Rita Lavoyer

         Venham-nos, crianças e adolescentes! 

          Não sejamos nós, adultos, o atraso da Humanidade.
          Caminhemos sempre ao lado da criança e do adolescente para, com eles, desbravarmos caminhos novos. 
          Vigiemo-nos, todos, para não roubarmos-lhes  a infância e a juventude de forma  que o futuro os assalte.
           Dosemos nossa vigília, não nos excedendo nas oferendas, ao ponto de eles desmerecerem-nas, desacreditando nas mãos que oferecem, tampouco os privemos do necessário para que se desenvolvam  física e espiritualmente saudáveis de forma a se tornarem  úteis à Humanidade.  
          Para nossas crianças e adolescentes o melhor presente é a oração. É de graça e não aborrece quem a oferece, nem quem a recebe.
          Oremos para que o Planeta Terra -  masculino e feminino – continue fértil, engravidando-se de vidas que nos possam revigorar.

          Venham-nos, crianças e adolescentes! 

Rita Lavoyer

terça-feira, 7 de outubro de 2014

GANGORRA NA CABEÇA







Gangorra na cabeça- Rita Lavoyer

Eu tenho uma gangorra bem em cima da minha cabeça.

Quando o lado direito sobe, o lado esquerdo desce.

Quando o lado esquerdo sobe, o lado direito desce.

Os meus olhos acompanham os movimentos,  pra cima e pra baixo,

 da gangorra que a minha cabeça tem.

Às vezes, eu fico zonzo de tanto torcer

 os olhos para acompanhar o sobe e desce

das crianças no brinquedo.

Elas têm perninhas bem fortes e pezinhos que me cutucam.

Também, se não tiverem força o sobe e desce não acontece.

Mas a minha cabeça é forte, ela aguenta e se alegra.
 
Quando as crianças vão embora, fica tudo muito triste...

muito esquisito e sem alegria nenhuma em cima de mim.

Gosto mesmo é de ser pisado -  sou chão!
O meu corpo, crianças, pede os seus pés.

Que venham mais crianças brincar na minha gangorra!

Corram,  venham brincar, tragam outros amigos,
o seu bichinho de estimação.
Traga o vovô e a vovó
que, descalços, já pisaram em mim. 
 
Venham de chinelos, sapatos, sandálias ou botinas!
Venham como quiserem- com os pés limpos ou não -
aqui não tem tapete - só eu.
 
Sentem-se  na gangorra, quero ver o sobe-e-desce!
Subiam no balanço, quero sentir o vai-e-vem!
Brinquem de esconde-esconde, eu os protegerei,
mas onde é o esconderijo??  - hã! hã!  
Não conto pra ninguém!

Brinquem, fiquem aqui!
Sem vocês, crianças, eu perco o chão e
a gangorra e eu seremos tomados pelo capim.
 
Brinquedos sem mim não tem graça,
eu sem eles a mesma coisa.
Usem-nos, crianças, nos dias que das crianças são.
Para crescerem adultos saudáveis,
sabendo onde  e como podem pisar,
entendendo a importância do chão


terça-feira, 30 de setembro de 2014

BULLYING NO AMBIENTE ESCOLAR

 
Rita Lavoyer

Sendo o ambiente escolar um lugar de conflito e de lutas ideológicas, muitos discursos produzidos pelos alunos podem se chocar com os ideais  uns dos outros, no que tange o tempo e o espaço dos envolvidos no processo ensino aprendizagem. O bullying torna qualquer ambiente um lugar perigoso. E para apontarmos algumas formas de como e onde ele acontece dentro de uma escola, apontaremos alguns resultados  da pesquisa  que desenvolvi  em uma escola pública de Araçatuba, em que o tema “bullying” foi discutido durante 5 meses com os alunos.

   Por exemplo:

143- (63,49%) entrevistados responderam que se sentem bem dentro da escola;

88- (36,51%) responderam que não.

204- (85,23%) têm amigos de confiança dentro do ambiente escolar;

35- (14,77%) não.

148 - (62,99%) confia que o professor pode ser seu amigo, enquanto que

84 –(35,74%) não.

      Questionados se já tinham visto algum colega sofrer bullying

212 -  responderam que sim e

141 –(59,75%) responderam que já sofreram agressões na escola. A agressão verbal foi a mais pontada:  91-(28,25%); seguida de fofoca 53 –( 16,82%) e ameaças 33 –(10,48%).

Dos que responderam que sofrem agressões:

67 –( 27,61%)  apontaram a sala de aula o lugar onde são agredidos, seguido do pátio 25 –( 10,46%) e quadra com 15 –(6,28%) indicações.

Perguntados sobre o que sentem quando são agredidos:
 71 (25,25%) responderam não sentirem nada;
 67-( 22,27%) sentem raiva;
 42–(13,85%) desejam vingança.

  Quanto a prática de bullying: 
 95 - (39,26%) responderam que praticam, enquanto que
143 –( 60,74%) não praticam.

E a forma como praticam
69 –(31,22%) a fazem verbalmente; 
21-(9,50%) apontaram fofoca ;
18-( 8,14%) estragam o material do colega 
10 –(4,52%) praticam agressões físicas.

O local onde os questionados praticam suas agressões:

 45-(20,55%) na sala de aula;

 21- (9,60%) em todos os lugares,

 13-(5,94%) no pátio e

 05- (2,,28%) no banheiro e portão de saída.

Quanto a reação dos que promovem agressões

 96 (40,20%) responderam não sentirem nada quando agridem um colega;

47-(20,08%) sentem raiva de si mesmo.        

Quanto  ao professor -

 171 –(72,20%) já viram pelo menos um professor ofender um aluno.

 Dos 171, 115-(55.,9%) responderam que ouviram o professor ofender com palavras humilhantes e

200 – 78%  dos entrevistados responderam que já viram alunos ofendendo professores sendo que
129-(42,96%) apontaram que as ofensas ao professor foram com palavras humilhantes.

Quanto ao relacionamento familiar:

 40-(16,53%) dos entrevistados responderam que sofrem bullying dentro de casa, enquanto que
 202-(83,47%) não sofrem.

E dos que sofrem, apontaram os irmãos (42) os agressores, seguido da figura do pai(8). Alguns responderam serem os dois parentes os agressores. 

 A questão que levantamos neste fragmento da pesquisa é: por que as agressões físicas e morais são frequentes nos ambientes onde deveriam ocorrer as discussões saudáveis, ou seja, entre pais e filhos, colegas de escola, professor e aluno, etc?

Chamou-nos a atenção o número de entrevistados que responderam não sentirem nada quando são agredidas – 71 -(25,25%) e outro grupo de 96 alunos- (40,20%) não sentirem nada quando maltratam um colega.   

 Observamos que para um grupo, ainda que pequeno, impera a indiferença aos sentimentos próprios e alheios. Ser indiferente à violência é ter se acostumado com ela? Será que ela está incutida no subconsciente de um grupo de tal forma que algumas não sentem nada ao serem agredidas e outras em agredir?

Violência nos relacionamentos interpessoais, felizmente, ainda não se tornou regra, mas a exceção, infelizmente, poderá inverter a sua posição nesta estatística, haja vista até professores serem mais apontados como “agressores” verbais, do que os próprios pais.

Percebemos que a violência que mais impera nas relações interpessoais é a verbal. São nas palavras que os agressores encontram o peso ideal para atingirem os seus alvos, ferindo-os pela sua rapidez e eficiência, rompendo as possibilidades de uma comunicação com paz e para a paz, transformando a escola/sala de aula e a casa uma extensão das ações experimentadas diariamente  logo, entendemos que a casa e a escola são lugares onde os agressores encontram suportes para descarregarem suas angústias, reproduzindo violência, onde crianças que deveriam aprender a respeitar estão gritando discursos de ordem aos adultos que, de alguma forma ou em algum lugar estão responsáveis por elas: pais e professores.
Os adultos que deveriam manter equilibrado o ambiente descem ao mesmo nível dos educandos, pois são antes, seres humanos, também,  em desenvolvimentos, assumindo, todos, diante do fenômeno bullying, a posição de vítimas e vítimas provocadoras.

 
Obs-  esse resultado é apenas um fragmento da pesquisa. Foram 242 entrevistados. Cada questionário era composto de 80 questões.

SOBRE:
-Meio de transporte que utilizam para irem à escola
-relacionamento na escola: amigos, professores e funcionários
-relacionamento na família - com os pais, avós, padrastos e madrastas e irmãos
-animais de estimação
-bebidas , cigarros
-cultural: leitura, filmes, músicas
-esporte
-religião
etc...

-
Rita Lavoyer é pós-graduada em Psicopedagogia, elaborou pesquisa e ainda continua pesquisando sobre o tema bullying.

 

domingo, 28 de setembro de 2014