CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classifica no TOP 35 na 4ª semana de abril de microconto Escambau.

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.


segunda-feira, 4 de setembro de 2017

EQUILIBRANDO OS PONTEIROS

EQUILIBRANDO OS PONTEIROS
Ela era uma criança, tanto quanto eu também era.  Ela e eu éramos quase a mesma pessoa. Acho até que fomos a mesma pessoa em  um curto período da minha vida. Mas ela era lenta, devagar demais. Parecia que o tempo dela não passava. Não havia ponteiros que funcionassem no momento dela, porque ela os fazia gangorra no seu estágio infantil. Ela os danificava todos: todos os ponteiros. Aquele momento, para mim, era uma tortura.
Alguns períodos a reprimiam pelo seu descuido e ela começou a se zangar com eles. Fazia birras e os desrespeitava só por causa das intempéries que ela não aceitava.
Percebendo que presença daquela criança me atrasaria no percurso, precisando, optei por deixá-la na sua época fantástica, aquela que lhe competia, em companhia do seu ponteiro quebrado.
Saí caminhando com passos largos, os mais largos, ultrapassando o acordo das minhas pernas.
Nem olhei para trás para não me apiedar daqueles olhinhos marejados que insistiam ser mostrados quando queriam me seduzir.
Continue com passos largos e ligeiros. Precisava conquistar uma extensão, ainda que indefinida, dentro de um tempo preestabelecido.  Não seria difícil, já que caminhava só. Nesta empreitada era eu por mim  e ninguém mais.  Fui resistente e dei conta do meu ofício. Sem demora, já havia conquistas no meu tempo desejado.
Daquela criança eu não busquei nenhuma notícia. Ela, eu acabei deixando-a no me esquecimento, porque se eu não agisse assim, certamente  se agarraria em mim, pedindo-me que a trouxesse junto.
Não! Eu não podia tê-la por perto. Atrapalharia os meus planos.  Estragona como eu a conheci, iria danificar, também, os meus ponteiros atuais, só por  brincadeira, pensando em me  agradar. Tenho certeza de que ela faria isso. Ela tem um potencial danado para me seduzir.
Decidi, de vez, não me lembrar mais dela. Pronto! Acabou de vez, nunca mais! Prevenida, corri e alcancei a frente. A minha rapidez me fez tão ágil que cheguei primeiro, na frente dos ponteiros: os meus e os dos outros. Eles, os do meu tempo, já não eram mais páreo para mim.
Desconfiei que eles também davam indícios de que queriam me atrapalhar na trajetória que eu tracei.
Para não me perder em nenhuma perda, larguei-os para trás também. Livre-me do fardo que aqueles ponteiros representavam. Senti-me leve.  Foi quando eu voei.
Voei apoiada em mim e desbravei  horizontes. Vi o Sol nascer e se pôr em questão de um tempo mínimo que eu não consigo precisar. Tudo é possível quando se voa!    
             Lá em cima o vento é forte e veloz. Muito forte. Muito veloz. Ele vem em nós, deixando o  seu rastro quando bate em nossa face. Ele, velozmente, deixou marcas fortes em minha face. Muitas se abriram. As que se fecharam, deixaram marcas nos cantos dos meus olhos, da minha boca e da minha testa.   O tempo acelerado deixa os seus sinais; os sinais, cicatrizes.
Por causa disso, não conseguia alçar vôos tão altos. Num meridiano ao alcance da minha visão, não via nada correr tão depressa como eu conseguia fazer sem os ponteiros que não me alcançavam os passos.
Para não criar atrito com a minha condição, sentei-me no chão. Com as pernas esticadas, tirei os meus sapatos e pude ver as pontas dos meus pés adultos.  Achei-as muito estranhas, engraçadas!
Nunca antes as tinha visto assim, tampouco aquele terreno em que me sentei. Eu comecei a sentir a terra. Enfiei os meus dedos nela, sujando-os. Eu os vi sujos, então eu ri. Ri tanto e tão alto que alguém pôde me ouvir. Ela veio correndo ao meu encontro com os seus braços abertos. Eu a olhei e confesso: senti medo. Muito medo! Reconheci aquela figurinha. Tentou pegar a minha mão, mas esquivei-me. Iria me seduzir, tinha certeza. Ela pegou a minha mão com força, puxando-me dali. Levantei-me com medo dela. Muito medo!
Atrevidamente, disse-me para confiar nela, porque ela jamais me abandonaria.  Pode!?
Levou-me para o tempo onde ela se encontrava. Havia uma gangorra naquela área. Tudo ali era tranquilo.  Ela me ofereceu um lado e eu me sentei. Ela se sentou na outra ponta. Ali, ajudou-me a equilibrar no ponteiro dela, aquele que não me acompanhava, ensinando-me.
Começou a brincadeira bem ao seu modo. Foi devagar. Muito devagar.  Fez-me lembrar daquela sua lentidão que me irritava. Estava sem graça aquilo e pedi para ela ir mais rápido.
As perninhas dela eram tão fortes  e resistentes que eu ia bem mais alto e mais baixo do que ela. O meu lado, sem dúvida, estava mais divertido. Ela me levava a subir e a descer numa sensação fantástica. Apesar de eu não conseguir retribuir com os meus impulsos aquela diversão, eu assistia da minha subida e descida a alegria estampada naqueles olhinhos marejados que ela me mostrava quando queria me conquistar.
 Fitei-a, achando-a muito estranha, engraçada, como as pontas dos meus pés!  Ai! Que figurinha mais linda! Vi, com os meus olhos já marejados, a alegria dela por me ver feliz com o que conseguia me proporcionar com aquele ponteiro que ela conservou.   
Ela fazia aquela brincadeira dela muito rápido, cada vez mais rápido, impressionando-me. Eu não sabia que ela era capaz de tanta rapidez!
Quando estava muito gostoso, eu soltei as minhas mãos e viajei nas forças dela,  porque eu sabia que estava segura na verdade daquela brincadeira.   Abri as minhas mãos, elas estavam suadas. O vento que batia nelas as refrescava. Por um momento, percebi que o tempo queria investir em mim. Fui, pois, resistente.
Num certo momento da brincadeira, que eu não sei precisar, aquela criança que eu abandonei lá atrás me impulsionou e não teve como: o amanhã investiu rapidamente, muito rápido mesmo,  transpassando o meu peito maduro. Eu vi, então, a queda da minha adulta.
Percebendo-me indefesa, a criança foi diminuindo a sua velocidade. Enquanto eu continuava sorrindo, a fisionomia daquela figurinha se fechava em preocupações. Ela tentou me reagir.
O amanhã investido se fez ontem num imprevisto medonho. Não dava mais tempo de sermos a mesma pessoa naquele curto período que brincamos de gangorra num ponteiro da minha vida que aquela figurinha soube proteger.
Os outros ponteiros,  os meus, não me recordo em qual espaço do meu tempo eu os larguei. Mas, atrás do dela, o único,  posso ouvir os tique-taques, tique-taques, tique-taques aqui,  onde ela melhor me passou, distraindo-me com a  figurinha que ela conseguiu, tanto quanto eu,  trazer junto comigo, para vivermos, juntas, nas pessoas que nós somos, o tempo que o tempo quiser.  

Autoria – Rita de Cássia Zuim Lavoyer
                                                                                              

terça-feira, 22 de agosto de 2017

MICROCONTOS

*  Rita Lavoyer

Palavra do dia  02/08/2017– grampeador

- Falena tinha medo do homem do saco. Nunca o viu. 
Num jardim, viu um caçador de borboletas. Presenteou-a com grampos.
 Prendeu suas melenas. Só e ele. Sem noção, foram, e as borboletas. 
O corpo pôs no saco das mariposas. 
Com um grampeador, vai fixando os cabelos dela 
na fronha do seu travesseiro.

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 Palavra do dia 03/08/2017: abstinência

Sabe que alho é bom para verme. Adepta da luxúria pegou gonorréia. Aderiu à castidade. Virou cozinheira. Dá o melhor de si para saciar seus queridos. Orando acha força para manter a abstinência sexual. Pudica, quando os vermes lhe atacam por baixo, usa o macete de alho para sovar-lhes o desejo. 


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Palavra do dia 05/08/2017: manteiga

O leiteiro disse à gorda da padaria que num amasso seca-lhe a banha. 
Faminta, laçou-o. Como na ordenha, tira o leite dele, bate e faz manteiga. 
Besunta-se com o produto e o alimenta.
Se a manteiga acaba ela devora os pães.
 Ordenha-o e o ritual continua até ele conseguir secar-lhe a gordura.    



Viu o colega comendo pão com manteiga. 
A boca da criança que assistia encheu-se d’água.
 Motivada pelo desejo, propôs:
- Trocar seu pão com manteiga pelo meu lanche de peito de peru?
- Não! Esse lanche foi minha avó que preparou para mim.
Comeu-o inteiro, deixando o outro só na vontade.

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Palavra do dia 06/08/2017: cansaço  

Fadigada, a abelha não faz mais o mel.
Seu querer jamais fora esse e sonha ser um colibri.
Um dia, fugiu da colmeia, sentiu-se feliz.
Pensou ter vencido o cansaço de ser quem não era,
travestiu-se do sonho e partiu para a guerra.
Não alcançou o que quis.
Morreu como abelha e ninguém foi ao funeral.

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Palavra do dia 15/08/2017:  reencarnação

Ela viveu as violências do pai alcoólatra, bígamo, cirrótico e, enfim, morto.
Alegrou-se por não ter que conviver com quem não valia a pena. Seria feliz.
Agora, com filho crescido, alcoólatra, bígamo e cirrótico, 
ela reza para ele ter vida longa e que, nesta reencarnação,
 ela não tenha nenhum neto.


Palavra do dia 16/08/2017: chulé

Ele volta a pé da roça. Antes de entrar na sua casa, tira as botinas, 
lava os pés na torneira do jardim e segue descalço  ao seu quartinho de fundos, 
onde a família o colocou por causa do seu incurável chulé.
Sem revides, ele serve e prossegue com os pés que lhe pertencem.



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Palavra do dia 17/08/2017: agenda

Dr. Raul, 51 de medicina, guarda as 29 primeiras agendas do seu consultório.
Relendo-as, admira aquela letra e lembra-se dos pacientes que ajudou a sobreviver.
Da secretária que cuidava da agenda e que nunca lhe deu bola, carrega o remorso da omissão de socorro.

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Palavra do dia 20/08/2017: galão

No galinheiro há o Galo o Galinho e o Galão.  
O Galo, empoderado com seu canto, tece as manhãs para cumprir sua missão. 
O Galinho imitá-o para encantar as franguinhas.
O Galão, cansado do lirismo do amanhecer, 
liga o Safadão em seu iPhone e, com os bichos reunidos,
 solta a franga no terreiro.

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Palavra do dia : pimenta

Bon vivant, não entendia a máxima do avô que dizia:
 “pensa que pimenta no cu dos outros é refresco?”
Para não revelar ignorância, quis fazer o teste.
Hoje, quando vai ao túmulo do velho, deixa lá 
uma garrafa de refresco de pimenta para provar 
que a máxima daquele avô fez do neto um homem de sucesso.

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Palavra do dia 21/08/2017: caderneta

- Habib não marcar mais fiado em caderneta. Fala mamãe pagar açougue, depois comer mais carne.
Aborrecido, o filho voltou sem a mistura e comeram só arroz naquele dia.
À noite, Maria saiu com a caderneta. 
Agora, carnes de primeira lhes são entregues. 
Até o quibe já vem frito e a verdura lavada. 


Palavra do dia: caderneta

Anotou todos os sonhos em centenas de cadernetas,
 entre eles ter casa nova e construir família. 
Um dia, experimentou tempestades e teto ao chão.
 A lama arrastou tudo, inclusive a família. 
Para reconstruir-se, deram-lhe também uma nova caderneta.
Olhou as páginas em branco e jogou-a junto às outras.


quarta-feira, 16 de agosto de 2017

NÃO DIGA QUE VOCÊ TEM JOANETE. ISSO É MUITO FEIO


Rita de Cássia Zuim Lavoyer

Canta a música sagrada que “quem não gosta de samba bom sujeito não é”. Sem prejulgarmos o sujeito é bom analisarmos primeiro a função do samba na formação dele, útil ou não.

Bem, agora, se o sujeito é ruim da cabeça ou doente do pé o problema não é do samba. Pode ser neurológico ou ortopédico. Sabe-se lá! Se forem os dois problemas juntos, aí danou-se tudo e não há samba que o salve.

Problemas neurológicos a gente deixa pra lá, principalmente quando o sujeito da questão, ou melhor, deste texto, for a autora da crônica. Isolemos esse campo complicado. Fiquemos no ortopédico que é mais superficial, não fala mal de ninguém até que lhe pisem o joanete!

Veja isto! Com tantas coisas feias que podem nascer no corpo de um ser humano, há os desventurados que são presenteados com joanetes. O nome é feio, o formato é feio, o pé que o tem é feio,  o caminhar é feio, a dor que ele proporciona é irritantemente horrorosa, os calçados que mais ou menos se encaixam em pé com joanetes são feios, desconfortáveis e nunca estão bem encaixados, submetendo o caminhante que tem joanete a arrastar-se, ao invés de caminhar.

Quer saber de uma coisa!? Joanete é um castigo -  constatei isso depois de anos e anos buscando no armário um sapato, uma sandália que fosse confortável aos meus pés e, nada... Tornei-me consumidora dos chinelos de dedo. Mas, usava um sapato ou outro para chegar em determinados eventos. Ali eu me sentava e não levantava mais. Voltava para casa sempre descalça, com os sapatos nas mãos.   

Chega! Arranca esse caroço que eu preciso andar- ordenei. E vamos que vamos nas investigações e quanto mais se investigava mais problemas apareciam e  compreendi que na ortopedia nada é superficial. Vai daí as dores nos joelhos, no quadril, na coluna ... e a dor vai subindo. Não por causa da joanete, mas em razão de outros fatores que favoreceram o rápido desenvolvimento do hálux valgo – vulgo joanete –

Um conselho a quem me ouvir possa: Não diga que você tem joanetes, isso é muito feio. Diga que tem hálux valgo que dói menos.
Então a coragem veio e eu fui. Chegou o dia do serrote e da furadeira. E fui alertada pelos médicos pelos quais passei que a dor não era pouca, mas não era eterna. Acreditei. Hum...

Faremos um, depois, conforme sua recuperação, faremos o outro. HUM...

QUERO VER QUEM SE ATREVE!!! EXPERIMENTA BOLIR NO MEU JOANETE QUE FICOU NO MEU OUTRO PÉ PRA VER O QUE FAÇO!

Agora me transformei em defensora de joanetes nos pés dos outros!

Mas na sofrência há os delírios também e aí acordei no meio da cirurgia com barulho insuportável de serrote: rec rec rec-,  até aí aguentei, em seguida foi a furadeira ligada. Aí perdi a paciência, sentei-me na mesa e gritei: Para logo com esse barulho que eu quero dormir!!

 Só dei conta de ver uma seringa sendo esvaziada no soro e tchau barulho. Depois eu acordei e vi a dor em carne e osso. E vai doer assim lá na China! Coitadas das chinesas que têm que usar aqueles sapatinhos para diminuir-lhes os pés. Consigo imaginar as dores que sentem. Vão dizer que é cultural. Mas cultura boa não causa sofrimento, ou não é cultura.  

E fui concluindo nesses dias de repouso forçado, que repouso forçado é um sofrimento danado. Quero saber mais disso não! Ficar parada, com dor, lendo... lendo... lendo... quem aguenta!? Está afetando meus neurônios!



Não quero mais ler, nem tomar remédios, nem ficar parada. Nem... Nem nada. 

Quero dançar um samba. Quero logo sair dessa condição de repouso forçado e dançar um samba. Já que boa da cabeça não sou e dos pés menos ainda, vou dançar samba, embora não saiba um passo dessa dança. Vou dançar samba. Claro, tomando cuidado para que ninguém pise o joanete que sobrou no meu outro pé. 

Com o nervoso que eu estou sentindo se me pisarem o outro joanete eu juro, eu juro: sou bem capaz de voltar ao médico e mandá-lo serrar o que sobrou , o que sobrou no meu outro pé, o mais rápido possível.
Vai doer assim lá... Lá longe... Merda! Que nervoso!



terça-feira, 15 de agosto de 2017

MICROCONTOS



Palavra do dia 17/07/2017 :  aquário

Ela é de aquário, ele de peixes. 
Apaixonaram-se. Sem medo de perder a liberdade 
mergulhou inteiro naquele oceano nunca antes navegado. 
Ficou ali até a chegada do gato que é de virgem.

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Palavra do dia 24/07/2017: verme

Menina solitária, apática, com pele desidratada de tanto chorar.
- É verme! – diziam o professor, os colegas, os vizinhos. E os pais?
Nenhum exame dava positivo para a moléstia
que os médicos supunham existir.
Nenhum verme. Nenhum resistia à sua doença.
Ela: a tristeza, eliminava todos e a menina.

#microcontoescambau      #concorrendo


Palavra do dia 25/07/2017: formigueiro

Prometeu-se: Se saísse vivo do DOPS, 
enterraria vivo o seu torturador dentro de um formigueiro.
Sobrevivente, esquematizou, formou o formigueiro e o fez crescer. 
Capturou o seu alvo! Despiu-o! Vê-lo nu causou-lhe asco.
Ia enterrá-lo, mas... Apaixonado pelas formigas que tratou, liberou o seu algoz.
  
#microcontoescambau        #concorrendo


Palavra do dia 26/07/2017: indústria

É uma indústria de qualidade total na produção de filhos.
 Da era capitalista, preocupada em agradar os clientes tendo lucros com eles, 
despreocupou-se com o impacto que suas gestações promoviam ao planeta. 
Não achando compradores para seus produtos, 
um órgão responsável colocou-os em liquidação. 

#microcontoescambau                #concorrendo


Palavra do dia 27/07/2017: Semana

O pesquisador Xuxum afirma que o Universo foi criado em milhões de anos.
 O Zé Sapateiro jura que foi em seis dias e no sétimo o Criador descansou. 
O Isac Padeiro acha artístico o Big Bang e um estudante diz que 
a Semana de Arte Moderna renovou ideias e conceitos sobre o universo artístico criador.


Palavra do dia: semana

Seria a semana da sua vida, disse a sonhadora. 
Comprou a passagem para o Rio de Janeiro. 
Quando pisou o solo de Paraty já não sabia qual idade trazia na bagagem. 
De passos largos, a mulher ressonhou-se ali. 
Eram muitas dela entre páginas e miolos. 
Respirou fundo. Realizou-se. Está na 15ª FLIP.

#microcontoescambau      #concorrendo


Palavra do dia 28/07/2017: bobina

Carretel carretel carretel carretel ...
- Desenrola, sua besta! É bobina!
Nabibo nabibo nabibo nabibo nabibo ...
- Assim não! É o contrário!
Rebobina rebobina rebobina rebobina .
- Desliga! Desliga! Desliga...
Rebobina... rebobi... bobina...bina... bi... bi...
                               ......
Carretel... carretel... carretel...

#microcontoescambau       #concorrendo


Palavra do dia 28/07/2017: bobina

A menina enrolava a distância na bobina dos seus olhos. 
Ela mirava o longe e enrolava, e enrolava... 
Um dia, ela perdeu o controle da manivela e a bobina desenrolou-se toda
e o horizonte caiu franzido aos seus pés. 
Com suas mãozinhas, esticou-o e fez dele tapete sobre o qual ela pode ver o mundo. 


#microcontoescambau     #concorrendo


Palavra do dia 29/07/2017: RESPOSTA

Menino vê a terra seca, questiona por que ela é tão rachada. 
Durante todo o dia a fome o consome. Ouviu o grito do estômago e lançou pergunta.
- Por que estás cada vez mais aberta?
- Minhas fendas são tuas perturbações; tu minha resposta. Desejo-te!
Alucinado, ele saciou-a, preenchendo-lhe uma vala.

#microcontoescambau                  #concorrendo


Palavra do dia 30/07/2017: Europa

Pede no semáforo para ir à Europa.
- Vá estudar, moleque, vire gente e vá onde quiser! – Dizem.
O que significa virar gente? - pensou.
Olha os quitutes. A saliva inunda-lhe a boca. 
Com fome, quer achar a mãe e voltar à escola para aprender
por que esta padaria Europa não é para brasileiro como ele. 

#microcontoescambau         #concorrendo
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Palavra do dia – Europa

Para não sujarem mais a parede com seus pés, a mãe colou ali o Mapa Mundi. 
O pé de quem dorme no beliche de cima alcança a Europa. 
Ele veste a bota da Itália e acorda limpinho. 
O de baixo brinca na selva africana. 
Sujo e quieto, sobe na cama do irmão e esfrega os pezinhos no Mediterrâneo. 


#microcontoescambau    #concorrendo-

----------------------------Rita Lavoyer -----------------------------------------------------------------------



terça-feira, 1 de agosto de 2017

REPENTE EM LINHA RETA


Quis compor um repente. Habilidade nesta arte confesso que não tenho e de assunto estou carente. Roguei à Nossa Senhora que me mandasse palpite para este engenho. Ela mandou-me uma luz: não tacar indireta. Entendi o recado, deixei os versos para trás e escrevo aqui em linha reta.

Então me veio a ideia sobre um assunto bem sujo. Há pessoas que topam de tudo: até do diabo querem ser os sabujos. Perdoe-me, minha Santinha, misturá-La neste balaio. Mas aqui eu vou falar dos corruptos e seus lacaios.

A economia da Nação está indo para a ribanceira e os políticos escarnecendo de sua gente trabalhadeira, que leva o Brasil a sério e o faz prosperar.  Aí vêm os donos de partidos que dão 1 ao povo para 9 poderem roubar.

E tem gente que acha isso bom. Se um ele ganhou, não vê maldade em quem nove lhe roubou. Só para ganhar um acalento, continua apoiando  ladrão! Criatura, tome tento! Enquanto você está no fosso, o império do seu líder que era pobre, do nada, virou um colosso.  

Aqui não há indireta, falo de quem tem pelo poder grande gula. O coitadinho a quem me refiro tem o nome de Lula. Veja o Sérgio Moro, que infantil condenação: calculou os anos de pena  pelos dedos que ele tem nas mãos: 9. Pode isso? Oh, juiz sem juízo!   

Infelizmente é enorme a lista de vigaristas. Vou falar daquele que foi amigo dos Batistas. O medo que teve dos donos dos bois foi tanto que quase virou vegano, e para ficar na Presidência, transou com os diabos para driblar os irmãos goianos. Largou a “mesoclisada”, cacarejou sua inocência... E como a carne é fraca, a vaca do Temer quase foi pro ralo, pois é dele que aqui eu falo. E há os que acreditam que ele é a solução do país.  Oh, povo enganado! Eita, gente feliz!

Para enganarem a si mesmos muitos dizem que não votaram no melhor vice-presidente golpista que o PT escolheu: caíram fora! Afirmam que VOTARAM SÓ NA PRESIDENTA!  Quem aguenta? Se na ideologia deles meio voto existe, a farsa nas urnas ainda persiste.

Bom presidente foi o Tancredo Neves, porque não assumiu o poder. Só que esse velhinho deixou para a sociedade o seu dengoso netinho, que por uma mala de dinheiro, por brincadeira, liquidaria seu querido priminho.  Oh, molequinho Aécio, pensou que seria sempre o mocinho? Com a gravação do Batista, bem se vê, o Brasil quer mesmo que você vá... para cadeia e experimente lá a rima que lhe compete. 

Não gosto de termo chulo, mas estamos tomando no Cunha, cuja alcunha de corrupto lhe cai muito bem. Está em Curitiba recebendo uma bolada para não delatar os malandros e a mulher dele, libertada, o nosso dinheiro gastando.

Até a cidade maravilhosa faliu. O carioca levou um Pezão no traseiro. Pedro Álvares Cabral, por que veio descobrir o Brasil? Um xará seu, o Sérgio Cabral, roubou tudo que tinha no Rio! E a mega-sena no mês de julho, de novo, ficou acumulada?  Acho que tem gente querendo lavar dinheiro, comprando essa jogada.

Sinto que este repente ficou depressivo. Vou falar de otimismo que é o melhor sentimento que há. Direi que a operação Lava Jato está a um passo de acabar. Todos investigados por ela serão inocentados e exigirão indenizações pelas difamações que sofreram. Já viram isto?  Tem um que diz que é mais honesto que Cristo e que vai promover sua igualdade no céu, porque no inferno a concorrência é grande: está lá o seu companheiro Fidel.  

Deus faça uma prece que toque o coração dos brasileiros que se sentem protegidos por assaltantes que querem administrar o nosso dinheiro. Que eles entendam que defender ladrões dos cofres públicos os faz piores que esses lobos em pele de cordeiro. Que aprendam que são os idólatras as vítimas de quem eles roubam primeiro.  


Rita de Cássia Zuim Lavoyer