CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.


terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

A POESIA É ...


MINHA FÉ NA POESIA

Rita de Cássia Zuim Lavoyer
Preguei, por anos, minha fé na Poesia. Estava certa de que, para largá-la, enquanto arte,  precisaria encontrar algo melhor que ela.  Fui à busca... Tornei-me andarilha em caminhos doutros. 

Desaprendendo, certificava-me de que somente palavras eruditas poderiam compô-la. Sem distinção e, ainda ao meu lado, tentou ensinar-me novamente que ela hospeda todas  as palavras, permitindo-se morada das que nela querem ficar. Mostrou-me que ela – a Poesia - acolhe sua composição sem preconceito e entende que os valores das palavras são de igual serventia às necessidades dela.

Nas andanças, ouvi dizer que no universo poético não há guerras, embora a guerra também seja uma de suas belezas.  Buscando comprovações, provei que na Poesia os sentimentos têm  cor, cheiro, gosto, som, textura ... e  essa sinestesia  nos remete às intimidades das palavras e, ali,   descobri  que a mesma palavra é a santa e a prostituta que nos fazem experimentar, na mesma proporção, a delícia do milagre e do  regaço que promovem  na vida da gente. Fez-me entender que há palavras que já nascem desvirginadas, exibindo seu êxtase e, para que seus prazeres não esfriem, com elas devemos nos deleitar, por aconchegarem-se bem nos cios das poesias, excitando-as para outras... outras... outras... cada vez  mais puras.  

Voltava a compreender que a Poesia, tal como inspiração divina, cura nossos sentimentos enfermos. Ela trata, limpa e protege, regenerando-nos o tecido do entusiasmo, possibilitando à criação o júbilo da nossa existência.

Nessa busca aprendi que de Poesia sei quase nada.  Por isso, fico sem recursos para acusá-la sobre o que revela de mim. Nesta epifania reencontrei-me e, achada por uma inspiração, hoje, sustento-me ainda mais com a fé que outrora pregava, acreditando poeticamente nela, na Poesia, fonte de onde jorra abundante o colostro que ressuscita as palavras secas de cuja boca  ao deserto se assemelha. 

Mas, creia,  mata a Poesia aquele que a traz em si, mas na condição de homicida se  recusa expressá-la. Mal sabe esse os tributos que a arte lhe cobrará no ajuste do seu destino. Quando souber o quanto pagará, preferirá não ter sabido que existe  vida na Poesia que ele extirpou de sua raiz.  

Elimina a Poesia aquele que a calunia por trazer apenas a palavra da ignorância na crosta da sua língua.  Mal sabe esse caluniador o sofrimento que o espera no acerto de contas com as palavras que concretizam o sentimento de belo.  Espere, que suas cordas vocais o enforcarão até que chore e se arrependa das acusações descabidas contra a Poesia.

Ai de você se quiser bancar o desertor de suas inspirações poéticas caso elas se lhe despontarem em qualquer momento do seu dia. Não conseguirá enxergar as perigosas ciladas que as trevas  rapapés lhe promoverão  e nos seus calcanhares algemará a sua bestialidade.

Ah, se soubesse o quão mortal é o fel da indiferença, não desprezaria a Poesia, virando-lhe o rosto, ou fechando-lhe os olhos e os ouvidos, não comparecendo aos saraus  que a exaltam.

Mas... para que nada de mal lhe aconteça enquanto elemento da criação, faça da Poesia o seu confessionário. Serão recíprocos. Ouça-a primeiro, depois descreva seus sentimentos, seus pecados, que  ela,  na condição de benemérita, remite suas frivolidades, santificando-as. Assim, ela o elevará, transformando seus entusiasmos e suas transgressões em arte.

Agora, à Poesia eu peço:  faça-me teus dias, tuas horas, teus minutos e teus segundos. No teu pulsar que eu seja o oxigênio. No teu agir que eu seja o motivo. No teu sentir que eu seja... que eu seja eu.    
   
Qualquer gesto de carinho é Poesia. Viva a Poesia. Carregue-a consigo. Dessa forma, por onde andar, deixará sua essência no ar.


sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

NÃO HÁ POESIA...



Para a violência que escorre de Norte a Sul do País,
sangrando seu mapa, não há poesia que abrande tanta realidade. 




 Não há poesia em ver o humano corroído pela imoralidade,
safadeza e oportunismo. 
Não há poesia em verdades  que depreciam

 ainda mais quem  já perdeu  seu valor.


Não  há poesia no ato insano e covarde 
 de um povo  desacreditado,
 sobre o qual  se sustentam  os nódulos  de gente pública 
 que corroem os órgãos da  Nação que carece tratamento.  


Não há poesia na falência do que deveria ser primordial ao cidadão:
saúde, segurança, educação.


Não há poesia  nestas imagens:
 identidade que se apresenta de uma  Nação acéfala.


Rita de Cássia Zuim Lavoyer