domingo, 31 de agosto de 2014

O SER PERFEITO DA NAÇÃO

Rita Lavoyer


                A pessoa não nasce ídolo. Ela se torna ídolo pelos seus feitos, conquista legiões, vira rei, imortal!

                Há, dentre a multidão de ídolos, um superídolo, e é ele o destaque nestas minhas singelas linhas.

                Sensível, é um extra-humano.    Apesar de toda a sua fama dispensa seguranças, o que ele tem são seguidores,  nem se importa com o prestígio   que conquistou. É gente antes de tudo.  Superou obstáculos como um bom competidor supera, fez de suas conquistas pódio para outros competidores. Reparte o que ganha porque conhece a necessidade do outro.  Fez do altruísmo a carreira da sua alma, não revela à sua mão esquerda o que faz a sua direita, pois permanece vivo na fé, ante a tempestade.  Conseguiu desprender-se das posses do ouro e repudia a aquisição de dinheiro fácil. 
Porta-se varonilmente em todos os momentos difíceis. Suportou  e suporta o peso das injustiças, mas traz em si os aprendizados que conquistou com o tempo –( implacável dominador de civilizações e homens)-  de quando fora entregue a juízes cruéis.

                Considera-se instrumento das Mãos do Divino Senhor e se pecou por deficiência lamentável, não tardou tornar pública sua fraqueza a tempo de se  corrigir perante sua legião de seguidores. É bondoso e confiante e não foge aos estudos da meditação, tenta fugir  da ignorância por saber necessitado por muitos. E pelo povo passa dias e noites em orações porque é o povo o sangue que lhe corre nas veias.

                É um operário oculto nas oficinas que operam em benefício dos mais pobres e mais necessitados: os que sofrem de todos os tipos de furtos.  Imaginativo e entusiasta, não  nega o esforço braçal em favor do seu próximo.  Para ele não existem tarefas maiores e nem menores, são todas artes que dignificam os homens. E é para os homens que este ídolo luta  porque quer implantação de novas leis que lhes assistam.  

                E será este ídolo mais respeitado pelas leis que implantará e pelos outros feitos que realizará. O legislador, o herói que alcançará a evidência pelo seu destaque e será mais amado do que já é. A comunidade  será o seu conjunto de serviços, gerando riquezas e experiências, pois distribuirá o estímulo do seu entendimento e de sua colaboração com todos, respeitando de todos  as suas diferenças.

                Ele é um ídolo porque fez do brasileiro o capital mais precioso da sua vida.  Ser perfeito. O nome dele é Político: o semeador benemérito do futuro da nossa Nação.  Nossa Senhora,  que gente boa, sô! 

              Chego chorar de rir quando ouço; “Interrompemos a programação para transmissão  do horário  eleitoral gratuito”. É o horário de eu pegar meus livros de piadas, ô leitura boa para saúde, para educação, para segurança, para saneamento básico, para o desenvolvimento geral da Nação. Estou com as páginas e não abro. Voto no livro! 



 



quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Por que a Literatura no vestibular?

http://issuu.com/pedrocesaralves/docs/jornaldoprof020  


acesse o site acima para ler a matéria no Folhetim Araçatuba e Região

                Não há como negar que a Literatura é arte. E ela se extrapola  quando entendemos que pode haver  várias visões em um olhar e sobre ela lançamos luzes.   Por ser viva, a Literatura não pode aceitar-se uma  única definição, exclusivamente objetiva, que determine sua função, esgotando-a como sendo arte e pronto!  A sua grandeza consiste em possibilitar-nos  torná-la útil ou não às nossas necessidades, satisfazendo-as  ou não. Carrega em si o direito de não ter que justificar  suas verdades  quando faz da vida ficção, libertando-se do compromisso com as provas.
                Mas a Literatura pode e deve ser explorada como recurso educacional,  um meio gostoso  de proporcionar ensinamento, tornar o homem mais instruído  e situado em seu tempo e espaço, conhecer as histórias do passado, supor as do futuro e ultrapassar,  desbravando,   a subjetividade do autor para alcançar a realidade da obra ficcional, explorando-a e se satisfazendo nela.  Por que Literatura na escola?
                Ensinar as funções da linguagem aos alunos não é difícil. Torna-se prazeroso quando eles, entendendo-as , dialogam com o emissor e degustam dele a mensagem, fazendo-se receptores dela.  Bem assimiladas, o estudante chega com mais preparo  à disciplina Literatura.  
                Há alunos  que afirmam  não gostarem  de Literatura e que estudar isso não é importante para as vidas deles.   Numa discussão sobre isso, em sala de aula, em que  se argumentam os prós e os contras, sem perceberem , os jovens estão desenvolvendo e  promovendo seus próprios discursos. Como exemplo de produção literária não tem nada melhor. Explicar que o autor de romance de tese, de poesia, de uma canção  compostos nos séculos passados e que são, ainda, estudados e discutidos até hoje, fazendo com o comportamento  deles  perante a Literatura uma analogia é, além de muito produtivo,  um  excelente exercício de cidadania que vivifica a palavra, que vivifica o grupo,  que vivifica os sonhos, que vivificam o homem.
                Produtivo porque nós pegamos o gancho e vamos discutindo os porquês da Literatura e sua importância, razões pelas quais ela é solicitada nos vestibulares de todas as universidades.  Apontamos alguns pontos essenciais que devem ser observados  numa obra indicada para o vestibular:
                - Em qual época  a obra foi escrita/publicada, qual a posição política-social que o país vivia e  qual era a visão do narrador sobre o mundo, sua perspectiva, associando a obra à época;
                - A intertextualidade da obra com outras disciplinas como: História, Geografia, Filosofia, Português entre outras;
                -  Em qual movimento literário a obra se enquadra;
                - Qual o plano narrativo, o foco principal;
                - A  relação do personagem com o meio em que ele vive e quais  efeitos essa relação causa no seu estado físico, psicológico e social.  
                Conseguindo observar esses elementos numa obra literária o leitor entenderá aquela sociedade retratada, situando-se para fazer análises, comparações  e concluindo  através das visões do seu olhar sobre o mundo e sobre si mesmo.
                A Literatura brasileira, por exemplo : a da Geração de 30, tem excelente material para despertar-nos  cidadania.    Ela mostra, denuncia os desmandos sociais, mas compete ao homem mudá-los.  Ela toca onde dói.  

                Por enquanto é isso.
Haverá outras publicações sobre o assunto.
Rita Lavoyer

sábado, 9 de agosto de 2014

PAI QUE EMBALA O BERÇO

Pai que embala o berço
Rita Lavoyer


           
            Filho, quão gostoso é olhá-lo nesse seu soninho de luz. Olhando o seu rostinho tão criança incendeia-me o peito a claridade do amanhã.
            Filho, quão delicioso é vê-lo acordando com esse chorinho manso, acalenta-me o peito, uma alegria de futuro.
            Filho, que sabor maravilhoso os meus braços sentem ao pegá-lo, e sua maciez penetra-me os poros, fortalecendo-me a vida.
            Vou embalá-lo, meu filho, e tentar cantar uma canção como eu ouvia quando também fui criança. Se eu não cantar bem,  por favor não chore.  Mas se chorar, mudo a canção. Invento qualquer outra, até que eu consiga fazer você sorrir um pouquinho para mim. Sei que vai sentir fome daqui a pouco, melhor preparar a sua mamadeira. Primeiro, acho que tenho que trocar as suas fraldas. Estou meio perdido, filhinho, mas vou me encontrando junto com você. Eu não estava preparado para isso. Ainda não levo jeito.
            Nós o esperamos tanto, fazíamos planos juntos. Pensamos que, talvez,  você gostaria de ser astronauta. Agora, olhando-o, acho que nós acertamos. Seus olhos vivos parecem querer ver o mundo de uma só vez.
            Não chore, minha criança. Já estou terminando, a próxima eu troco mais rápido, prometo.
            Também, já é quase um rapazinho, está todo ralado, mas logo vai se equilibrar e correr com essa sua bicicleta por aí. Está com febre novamente, já marquei com seu médico, vou levá-lo lá, vai acertar com o remédio desta vez.
            Amanhã tenho reunião na sua escola, aprontou mais uma, não foi,  mocinho?
            Não é assim,  pegue direito no volante, olhe pra frente  e tenha calma, estarei aqui do seu lado, é só ir devagar que você vai conseguir. Não tenha medo, meu filho, sou seu pai, confie em mim.
            Filho, já é tarde, vá se deitar, amanhã você acaba de estudar. Tome o seu leite antes que esfrie, meu filho.
            Passou! Você passou! Tinha certeza que conseguiria, meu filho. Sempre confiei em você.
            Linda, meu filho! Sua noiva é muito linda, mesmo. Agora você já é um homem formado, tem bom emprego. Deve constituir sua família. Estou orgulhoso por ser seu pai. Você só me deu alegrias e, tenho certeza, será um ótimo esposo e bom pai aos seus filhos.
            -  Pai, acha mesmo que eu irei deixá-lo? Você é tudo na minha vida, me criou sozinho, foi mãe e pai ao mesmo tempo. Suportou o abandono da sua esposa e dedicou-se somente a mim. Não vou deixá-lo nunca, pai. Se eu agisse assim, estaria contrariando a educação que o senhor me deu. Eu sou um feliz filho, porque tive um pai durante todos os momentos da minha vida.
            Eu sou feliz, PAI! Eu tenho o senhor perto de mim. Feliz dia dos Pais, meu querido Pai!




Rita Lavoyer



sexta-feira, 8 de agosto de 2014

A FLOR DE BRONZE



Este texto, de 22/09/2011 , republico-o novamente porque foi um dos 3  selecionados pela UBE para ser publicado no Jornal O Escritor- edição 136 - 08/2014, promovido por essa Instituição. Fico contente porque entre tantos que possivelmente encaminharam os seus trabalhos, o meu ganhou destaque. Tai, gostei! Rita .

           Ela se levantou, abriu a cortina do quarto e a luz do dia ofuscou-lhe os olhos. Da janela de vidro ela não podia enxergar o que se passava do lado de fora. A neve encobria tudo enquanto era inverno. Ela correu até a sala e avistou sobre a mesa de jantar um sino das antigas. Trazia um formato de flor com gotas na sua composição. Ela projetou nele vários tempos, tirando variados sons.

          A menina o pegou apertando o na mão.Com o polegar ela o esfregava de vez em quando. Abriu a janela para sentir o ar fresco que trazia o cheiro de cio que os animais exalavam. Ela os via correndo pelo jardim. Esforçou uma subida na cadeira de balanço para alcançar o assento. Aconchegou ali o seu corpo sedutor. Era primavera e ela via a vida se fazendo lá fora. O vento que adentrava aquela sala balançava-lhe a saia, erguendo-a. Movimentava a cadeira de balanço para auxiliá-la na investida. A flor suou entre os seus dedos. Soou naqueles lábios um sorriso de satisfação que ela selou com o polegar.

          O calor derretia o metal que compunha o punho daquela mulher, deixando gravado nela o cheiro fiduciário de azinhavre. O algodão esquentava-lhe o corpo. Prostrava-se de tempo em tempo entre as janelas abertas que não atraiam o vento que, escasso, findava-se por ocasião do ocaso. O suor ardeu o corpo daquela senhora. O que lhe corria na face, ela enxugava com o polegar, enquanto os outros dedos agarravam-se ao seu sino de flor. Soou o tombar do dia.

          É época de ela colher os frutos do seu tempo. Forçou um movimento e, de leve, pode ouvir o vento. Passou-se o tempo, o vento. Não era mais sino havia estações. A flor não passou da sua mão. Estava sem o brilho antigo que a revestia. Tinha ferrugem. As gotas que compunham sua ornamentação caíram. O badalo consumiu-se no seu polegar. Ela pretendia fazê-la soar. Não houve som naquela flor.

          A velha olhou o lado de fora e avistou o escuro. Nele reluzia uma neve branca. No meio dela uma margarida vermelha destoava daquela estação. Solitária, ela abriu a sua porta e saiu no tempo.O vento frio ardia-lhe a face. Os seus passos afundavam na neve. Na investida, deixou cair o que lhe restava da flor de bronze. Sem esperar o dia amanhecer e não cedendo nenhuma polegada, jogou-se para alcançar aquela primavera antecipada.

Autoria RITA LAVOYER, membro da Cia dos Blogueiros e UBE

domingo, 3 de agosto de 2014

BOLA AQUÁTICA - UM BRINQUEDO CONTAMINANTE?

imagem retirada da internet
               Bola aquática é um brinquedo dentro da qual a criança entra e  a fica girando na água.
                Por que o texto?
                Certo ano, na exposição, aqui em Araçatuba,  minha filha brincou nessa bola. A bola estava murcha, a pessoa  encarregada pelo brinquedo a encheu, a criança entrou e ficou lá dentro alguns minutos.  Fui observando aquilo e me enojando. A bola fica branca por causa da respiração da criança – bafo mesmo-.
                Aí a criança sai, eles esvaziam a bola e enchem novamente para outra criança entrar, e a fila de espera de crianças  para brincar estava grande. 
                Vão enchendo e esvaziando o brinquedo um número razoável de vezes...  então perguntei ao rapaz encarregado de pôr e tirar as crianças de dentro da bola – lá na exposição- sobre os problemas de saúde que aquele brinquedo pode causar às crianças, porque muitas entram, mas eu não vi ninguém higienizando  a bola pelo lado de dentro.
                Ele se justificou informando que o ar é trocado cada vez que uma criança sai e a outra entra.
                Então me perguntei: _ “ se o ar é substituído, os vírus que a criança libera ali dentro sai junto com o ar ou fica impregnado na parede  interna daquele brinquedo?”  Daí um criança gripada entra lá e pronto, outra entra e respira os vírus, as bactérias de outras e vão trocando seus agentes...
                Quero colher  informações a respeito disso, se alguém souber  de um otorrino, endócrino, infectologista, agência sanitária, secretaria da saúde, vereadores de Araçatuba ou sei lá quem mais que me possam informar ficarei agradecida.
                A minha pergunta e o objetivo dela não é, em hipótese alguma, para prejudicar os proprietários ou empresas que alugam esse brinquedo.
                Pergunto porque minha filha, vendo o brinquedo, quer entrar , mas eu não a deixo de forma nenhuma, nunca mais!  E ela volta chorando para casa dizendo que a amiguinha foi, outro amiguinho foi também... aí  que eu não deixo porque eu sei que a amiguinha está gripada,  o amiguinho tanto quanto minha filha são alérgicos e sofrem com alguns problemas respiratórios...  então??  
                Daria uma matéria investigativa em benefício da saúde das crianças?? porque se médicos me disserem que nesse brinquedo não corre-se risco de as crianças serem contaminadas , passarei a olhá-lo com outros olhos, menos  maternos, menos neuróticos.
                Obrigada  antecipado às  pessoas que possam vir aqui me tirar as dúvidas a respeito desse brinquedo, que  parece inofensivo, mas pode ser, ou não, tanto quanto uma montanha-russa, perigoso.
Rita Lavoyer