CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.


quinta-feira, 24 de novembro de 2016

AS TUAS MÃOS


As tuas mãos -         
 Autoria- Rita de Cássia Zuim Lavoyer

As tuas mãos nas minhas, aspirante a herói,
nos tempos das nossas primeiras guerras
de segundas intenções,  detonavam
a belicosidade da supremacia – a minha –
que combatia minha razão e meus sentimentos
 e acionava as bombas que explodiam nossos mundos.

As tuas mãos nas minhas, jovem infante,
nos tempos das nossas guerras frias,
resolveram conflitos de alta intensidade,
evitando  que eu consumisse em mim
 recursos  significativos na produção da granada
 que estilhaçava do meu cérebro ao estômago.


As tuas mãos nas minhas, meu caro,
nos tempos das nossas guerras civis,
arrancaram do meu tato insurgente
o castigo da pólvora  autoritária que
liderava a cegueira da minha militância
em prol do meu proselitismo.

As tuas mãos nas minhas, meu parceiro,
nos tempos das guerras que não cessaram,
provaram a tua superpotência, enfraquecendo
as associações fortemente rivais entre nós,
expondo  nos painéis  da minha realidade
nossas  diferenças e tuas aceitações.

 As tuas mãos nas minhas, meu amigo,
no exercício da tua função de  humano,
evitaram que nos matássemos varonilmente,
porque soubeste  te colocar no meu lugar
quando eu mesma não sabia onde estava
quando as  tuas mãos não estavam com as minhas.

Quando as tuas mãos estão com as minhas mãos
o toque da vitória ergue, majestoso, a bandeira da Paz.
E a cada batalha que o teu perdão me ajuda a vencer,
cessam-se  dos meus  campos minados a vingança,
amplia-se, nas minhas palmas, o desejo de ter

 as minhas mãos nas tuas mãos heroicas, meu irmão! 

Poema classificado no X CLIPP- 
Concurso Literário de Presidente Prudente, Ruth Campos, 2016.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

PERDOEMO-NOS... O ALZHEIMER NÃO PERDOA


Hoje, ainda consciente de que acumulo  lembranças e elas estão presentes nas histórias que me compõem, aproveito esta oportunidade para lembrar-me de que preciso pedir-lhe perdão, minha mãe, pelas tantas vezes que a vida ofereceu-me momentos com a senhora, podendo usufruir das suas histórias e experiências, mas não a quis ouvir. Perdoe-me enquanto ainda podemos  nos lembrar dos nossos sentimentos. Perdoe-me, amanhã também, caso eu me esqueça de onde vim.  
Hoje, ainda sabendo distinguir  amor fraterno de outros sentimentos, vivenciando-o de forma não genuína,  aproveito esta oportunidade para lembrar-me de que preciso pedir-lhes perdão, meus irmãos, pelas minhas ausências nas histórias que compuseram e, mesmo assim, não se esqueceram de me registrar nelas, mantendo-me personagem do dia a dia de vocês, sem  que eu, sequer, lhes emprestasse o lápis para tal feito. Perdoem-me enquanto ainda podemos nos lembrar dos nossos sentimentos. Perdoem-me, amanhã também, caso eu me esqueça em qual parágrafo da  nossa história eu posso ficar.

Hoje, ainda com força materna para auxiliá-los nas trajetórias que me competem orientá-los, aproveito esta oportunidade para lembrar-me de que preciso pedir-lhes perdão, meus filhos, pelas minhas indelicadezas diante das várias  fragilidades que me apresentaram e eu, ainda mais frágil,  armei-me de forças ridículas para mostrar-me superior a vocês. Perdoem-me amanhã também, caso eu me esqueça dos seus nomes e de suas origens.

Hoje, ainda com os encantos da mulher que deseja e é desejada, aproveito esta oportunidade para lembrar-me de que preciso pedir-lhe perdão, meu esposo, pelas minhas  controvérsias diante de seus argumentos, impondo-lhe um ponto final,  pois a polêmica por mim instaurada  devia ser ouvida por todos  em silêncio! Silêncio que  foi quebrado pelo seu perdão. Perdoe-me enquanto ainda posso me lembrar de que não me arrependo do juramento que  lhe fiz... e levo você, pleno, em meu coração... Perdoe-me, amanhã também, caso eu venha  perder-me de mim.

Hoje, meus amigos, ainda com a vivacidade que me empolga e tomada de lembranças dos nossos momentos  agradáveis ou não, aproveito esta oportunidade para lembrar-me de que preciso pedir-lhes perdão pelas minhas ausências e pela apoucada manifestação do meu prazer perante as suas vitórias e da minha dor diante dos  fracassos. Mas confesso-lhes: das vezes que tentei acertar com vocês, as poucas que deram erradas fugiram ao meu controle. Perdoem-me também  por esses meus fracassos de amiga atrapalhada e garanto-lhes que sou-lhes muito grata por comemorarem comigo minhas vitórias.  Se amanhã eu não me lembrar de vocês, peço-lhes apenas compreensão. Fui-lhes o que pude ser, da mais sincera forma que ainda posso ser.

Aproveito o hoje para pedir-lhes perdão, seres do meu ser: seu José, dona Maria, irmãos, jovens alunos e outras pessoas mais.  Se em algum momento eu os ofendi, pronunciem-se antes que o Alzheimer – desejo que nunca -  comprometa nossa conexão e degenere nossa conduta, igualando-nos, impiedoso, na crescente e infeliz estatística em que ele desponta vitorioso como verdadeiro ladrão de  histórias,  de  identidades e de sentimentos.

Se amanhã o Alzheimer me atacar – não quero isso!- não me lembrarei de vocês, não me lembrarei dos nossos momentos bons e ruins. Não me lembrarei de pedir-lhes perdão. Também não me lembrarei o que significa perdoar para perdoá-los de algo que nos distanciou. Será bruma, olhos perdidos ... onde? Talvez no infinito de Deus...

Dizem que não combina justificar o pedido de perdão. Mas justifico-me porque posso  me esquecer das razões que me levaram a pedi-lo.  Perdoemo-nos: ao próximo e a nós mesmos, porque o Alzheimer não está perdoando ninguém.    
Rita de Cássia Zuim Lavoyer


domingo, 13 de novembro de 2016

terça-feira, 8 de novembro de 2016

MAL DE ALZHEIMER. VOCÊ SABE QUEM É?

Por Rita Lavoyer


Quantas vezes nos esforçamos para esquecer de fatos  que nos incomodam a alma? Há traumas para os quais o esquecimento é o melhor remédio. Duro mesmo é esquecê-los e o amargo do fracasso por não conseguir fica-nos na boca.



Alzheimer é um assunto delicado, embora eu tenha pouca propriedade para falar sobre, confesso-lhes que pela pouca experiência com um paciente acometido por essa doença,  algo de bom e de ruim sobre  essa enfermidade ficou registrado em mim.

Segundo a Abraz- Associação Brasileira de Alzheimer- estima-se que existam no mundo cerca de 35,6 milhões de pessoas com a Doença de Alzheimer. No Brasil, há cerca de 1,2 milhão de casos, a maior parte deles ainda sem diagnóstico.

Desconfio que na minha casa já exista alguém com esse trem. Até a pouco tempo ela gritava, agora deu de apitar e soltar fumaça pelas ventas, queimando seus neurônios – o que é pior:  quase esturrica os  neurônios dos demais humaninhos que convivem com ela.  Mas deve-se levar em conta que para a personagem em questão muitas outras hipóteses são permitidas: inclusive a de variação constante de perfil por ter várias histórias  na cabeça e querer escrevê-las, todas, ao mesmo tempo, emaranhando  seus circuitos  internos,  dando-lhes nós, comprometendo sua cognição.   

Fui pesquisar sobre o assunto e detectei que alguns pesquisadores também atribuem a doença às causas genéticas. 

Na minha família tinham alguns que foram “tidos” como loucos.  Mentira que eles eram loucos, eu os conheci, eram inteligentes e só falavam as verdades que necessitavam falar e quem não as suportava mandava a polícia prendê-los.

 Foram internados em hospícios porque não suportavam as mentiras dos irmãos opressores. Mas havia outros: os  tidos como caducos;  não violentavam com suas verdades, apenas variavam em suas ideias. Ora irritavam-se, ora estavam muito alegres, fato anormal para os seus estados de pobreza e sofrimentos. Coitadinhos, terminaram seus dias em estado pejorativo, não lhes coube o luxo de ter o nome do alemão registrado em seus diagnosticados, porque caducaram de maduro.

Uma pessoa, sozinha, não dá conta de cuidar de um paciente com  Alzheimer. Considerando o estágio da doença, o portador desse mal  tornar-se dependente de outros e o custo para mantê-lo não é pequeno. Há a necessidade de cuidadores profissionais - e com força física- para dar suporte ao paciente que, debilitado pela doença, tem a coordenação comprometida. Tomem cuidado com as contratações, peçam informações, investiguem. Quantos velhinhos, doentes, as mídias nos apresentam, em cenas de crueldade,  apanhando de seus cuidadores.  Para esse trauma não há remédios.

 Como a doença é irreversível, o melhor remédio é conviver bem com o paciente, sendo-lhe paciente. Sem querer, por esquecimento, ele tomará atitude que o tirará do sério; não seja ríspido com ele, ria com ele. Arme-se de bom humor e de Deus e o ajude a viver bem enquanto você se lembra do quão importante ele é para você. Ele desaprenderá a sorrir. Reensine-o a gargalhar. Abrace-o. Beije-o.  Depois, qualquer esforço para se esquecer do abandono promovido por você será em vão e o amargo dessa derrota não sairá da sua boca.


Lembre-se: o próximo “alzheimeriano”  poderá ser você.  Enquanto sua memória estiver ativa, mas já  percebe que o esquecimento o visita com frequência e o desenvolvimento de suas atividades está comprometido, lembre-se de procurar um profissional para uma avaliação cuidadosa, enquanto ainda há tempo de remediar,  ou desacelerar a doença. Aliás, ainda sabe quem você é, ou é daqueles que se esforçam para se esquecer de fatos que incomodam a alma ao invés de enfrentá-los, resolvendo-os? Lembre-se...