sexta-feira, 21 de novembro de 2014

O BEIJO

 
 
 
Caro(a)
Estou participando de um concurso e para que o meu texto seja selecionado e faça parte da coletânea, preciso de votos e compartilhamento do texto e comentário na página da editora .
Podendo, acesse o endereço e procure o meu texto “O BEIJO”. comente e compartilhe.
Acesso por este endereço: http://paixoesclandestinas.com/  no final do texto há um logo do facebook, é só clicar nele para votar. Obrigada Rita Lavoyer
 
 
 
 
 
 
 



 

Os olhares, infantis. Desejos atrás da porta em disfarces evidentes. Recatados. Assim um ao outro se viam. Não houve como. Nos olhares se avistaram. Ali mesmo se acharam naqule esconde-esconde, mas não se encontravam no termômetro do contratempo.

Foi amor-amor. Retraídos neste sentimento, aqueles adolescentes comiam-se com os olhares em cada soturna despedida. Cada voz sempre abafada no desejo de um toque de pele com pele.

_ Quando? Assim o silêncio foi rompido.

_ Talvez... Dessa forma o encontro foi selado.


Riscaram a amarelinha, emudeceram.
 Um dedo, empurrado pela mão, tocou o do outro. O silêncio morou ali quando uma boca procurou os lábios daquele seu, e não se contiveram no aperto de ternura, nas bocas unidas encontraram o carinho de uma vida.

Quanto mais se aprofundavam no ato daquele beijo, um ao outro se encontrava aumentando-lhes o desejo. Os braços fortes, as mãos carinhosas passeavam-lhe nas costas. Os lábios se desgrudaram descendo, os dele, no pescoço dela. Enquanto ela gemia, ele a mordiscava e o beijo não parava de praticar a sua ação.

Num ímpeto, os jovens se  contiveram. Se desgrudaram por um instante. Foi bastante esse tempo para deixá-la inteira louca. Novamente ela buscou conforto naquela boca; no que ele a afastou deixando-a a deriva. Ela não entendeu interromper aquele culto. Aceitou tão logo ele a deitou no chão.

Quanto mais um dava ao outro, muito mais os dois queriam. A verdade de um era aquilo que o outro consumia. Era tudo tão composto naquela dupla anatomia, quanto mais um se entregava, muito mais o outro sugava.

E foram os sentidos em ambos  explorados, partiram do abstrato para atos mais concretos. Tudo fora revelado pelo canal daqueles poros e os corpos já eram mapas para exploração do tal dueto.

Escavou com sua língua uma gruta para entrar, ela era uma sereia e ele o seu mar. E de tanto que lambeu o sal ficou mais doce, pois se assim não fosse não seria amor.

Muitos beijos surgiam descendo da boca ao colo. Já era demais a ele suportar o fecho ecler.

 Naquele instante ele foi homem e a fez sua mulher.
 Ele a amou e amou enquanto ela o beijava.
 Pedia ao cavalheiro que em sua anca cavalgasse e ele, naquela luta, deleitando-se na garupa, dentro dela se ajeitou.

No enlace chave daquelas pernas, entregou-se inteiramente àqueles gestos tão suaves.
Aproveitando aquele ensejo de prazeres e afins, trancou-se inteiro naquele avesso de cetim.

Lá pelas tantas, de tantos disfarces, revelou a sua face e ao lado dela descansou.

Viu-a sem o véu, tomou o que era seu: ela- o seu troféu e ajoelhado, sorrindo, ele orou.

Alcançou o altar e, sobre ele, o Homem  novamente a amamentou.


Rita Lavoyer


quarta-feira, 12 de novembro de 2014

madrugada


Foi hoje cedo. Era de manhã, bem manhazinha mesmo. De um tempo pequeno e curto , tipo rápido, sem parar e eu fui à janela. Era a janela e eu. Lá fora, de uma distância curta, uma guerra se passara certamente sem erro,  acertando em cheio o som que não se fazia mais ouvir. De repente ouvi o que outrora ouvia, ouvi um pingo, uma gota, um fio, um jorrar, um rebentamento. O escuro do chão brilhou sob o escuro do céu que chorava uma chuva , a que choramos por ela. Alegrei-me, sorri.  A chuva, na  sua passagem rápida, levou meu sorriso, nem deu tempo de rir. Saí da janela e fui cuidar do fervo que já dura longo tempo. De repente o despertador tocou tonto. Trabalhou atrasado, trabalhei primeiro que ele.  Ah, se eu pudesse voltar pra cama e, pelo menos, sonhar com a chuva... Se chovesse um pouco mais sairia para andar nela. 
Rita Lavoyer

terça-feira, 11 de novembro de 2014

NÓS E ELES

"Versos íntimos", de Augusto dos Anjos, deu-me inspiração para este "Nós e eles" - Chegar à grandeza do poeta dos Anjos é difícil. Enquanto isso, brinco com as palavras, mas confesso que depois que terminei e li a produção me causou um mal estar danado. Mas não posso deletar, vai ficar aqui, porque foi o que consegui fazer. Cruzes!

Nós e eles - Rita Lavoyer


Não esperes por mim no páramo ...
Por lá não pretendo chegar, jamais!
Ainda que me descarne a matéria, enfim...
Não aguardo o amanhã, não revivo o depois!
Não penses ser grande o meu amor.
Ele é vão, vago e de maldade.
É amor que ama o ódio
Por saber o que é amar de verdade.
Um dia te amei na tua presença,
Na ausência apunhalavas-me sem dó.
Reinventas tuas mentiras, fazes dela suporte
De onde cairás, suplicando a chegada da morte.
Não! Não me basta isto somente.
Será tua queda o começo do fim.
Quando eu te vir lambendo o barro
Dar-te-ei como beijo meu cuspe, meu escarro.
Não esperes por mim lá no páramo
Está aqui no solo a nossa sobrevida
Espumando sangue e carniça
Soando rangeres e urros.
As feridas fétidas que purgamos
Porão mesas aos vermes famintos.
Servidos estaremos iguais no valor:
Iguarias às espécies superiores.
Que delícia somos nós!
Incomensuravelmente prazer para eles!


Nós e eles- Rita Lavoyer.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

VIDAS SECAS


 

                 A água é uma substância química cujas moléculas são formadas por dois átomos de hidrogênio e um de oxigênio.  Cobre grande parte da superfície da Terra e responde  pela existência da vida no Planeta.

Poucas pessoas se preocuparam em cuidá-la, preservando-a.  O Planeta está superaquecido, atravessando sérios problemas ambientais  e, no Brasil,  com o desmatamento e queimadas, refletindo na biodiversidade;  exploração incorreta dos solos, decorrente das técnicas de produção; poluição do ar nos grandes centros urbanos; contaminação dos corpos hídricos por esgotos sanitários e  escassez da água pelo mau uso e gerenciamento das bacias hidrográficas,   o quadro não seria menos grave.

A exemplo  disso, sofrendo a maior seca em 84 anos,  temos o estado de São Paulo que enfrenta  a pior crise hídrica da história do país, obrigando o governo a lançar campanha para economizar água,  premiando os cidadãos por tão grande feito: economizar água – como sendo essa atitude  questão de mérito e não de responsabilidade.   Isso  tem feito os brasileiros, principalmente do berço esplêndido do  sudeste,  transformarem-se em Severinos, experimentando suas sedes, consequência da estiagem de 2014.

E por causa da sede,  paulistanos manifestaram-se em passeatas, ameaças, expõem seus banhos de caneca e até roubo de água  tornou-se notícias.

 Hoje, o cidadão, com um orçamento melhor, tem dinheiro para comprar uma garrafa, um galão, uma caixa d’água, um caminhão pipa e enchê-los com o liquido sagrado, mas... cadê a água? Onde comprá-la?

Se dinheiro produzisse chuva, certamente muitos empresários  encheriam seus jatinhos  de cédulas e  resolveriam o problema com São Pedro. Porém... condenados a Severinos e a Fabianos, a população brasileira engole o choro a seco, porque saliva e lágrima tem preço de vida no organismo brasileiro.

Não chore pela  água que falta, contudo – sinta-se uma baleia,  agradeça por ela, ainda, compor setenta por cento do seu corpo.

Chorar essa seca da vida não calará o colapso do abastecimento pelo qual o Estado de São Paulo padece. Tomara, tenhamos, os paulistanos, a mesma resistência que os nordestinos desenvolvem para defender suas vidas secas e que, enquanto Severinos, Fabianos,  aprendamos a lição que a água tem nos dado.  

Rita Lavoyer

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Parabéns, inventor!


Acho que quem inventou o "etc" sabia que não haveria papel suficiente para listarmos  os exemplos de corrupção no Brasil e etc, etc, etc...


domingo, 2 de novembro de 2014

Ideais


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Vivem para matar aqueles que, jazendo sem ideais, perseguem cidadãos que ameaçam suas conveniências.
 
 Rita Lavoyer - Araçatuba
 
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Ilusão

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Aquele que não adentrou o mundo da ilusão, experimentando-o,
não sabe, ainda, qual realidade lhe convém.
 
Rita Lavoyer - Araçatuba
 
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