terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

DÊ VINHO A QUEM TEM FOME

Dê vinho a quem tem fome

A ÁGUIA convocava o AVESTRUZ para coçar-lhe o corpo, da  cabeça ao rabo. Num ritual de “coçassão” o AVESTRUZ lhe falou:
- Meu Senhor, os motivos de suas constantes coceiras são os parasitas que se alojam nas penas do seu rabo. Deve eliminá-los antes que o levem à doenças graves.

- Você é quem sempre me coça, por que não me avisou sobre os parasitas antes?

- Não os tinha visto...  Estou envelhecendo, temo que, sem aviso prévio, substitua-me  por outra ave  que o coce melhor que eu.
- O que teme é próprio de quem está num posto não vitalício.  Aconselho-o a estar  presente em todas as organizações dos grupos que controla. Sirva vinho em abundância e faça o bando enxergar a fartura que o rodeia. Defenda-me, pois do meu status depende o seu. Só depois ofereça os canapés. Sente que alguma espécie pode lhe tomar o posto? 

- Sim, patrão.  Aquele sobre quem lhe falara tem se esforçado para se sobressair...

- Desejamos ser admirados. Observe os seus bajuladores. Alguns carecem estar sob as vistas dos superiores: a esses  atribua-lhes  tarefas as mais banais;  satisfeitos por  serem úteis  nada lhe cobrarão. Não deixe que observem o que faz, e como faz. Por suas simplicidades podem se complicar ao falarem a seu respeito, dizendo somente  a verdade, inclusive.  Há os  astuciosos que precisam, a todo tempo, aparecer, ditando discursos de ordem.   Agem assim por aspirarem ao sucesso a qualquer custo. Traga-os para o seu lado. Se precisar, deixe que se sentem  no seu colo e vice-versa.

-  Leu Maquiavel, meu patrão. Devo trazer o PAVÃO para o meu lado?

- Desconfio que já fui seu aluno, amigo! Se acha  que ele pode  trapaceá-lo, como sempre me dissera, aliar-se é a forma correta  quando a insegurança reina imperiosa. O PAVÃO me é muito caro.  Por seu grande porte e natural agressividade, pode pegar-lhe o posto sim! É ave de status, qualidade que muitos reverenciam.  Darei a ele um cargo abaixo do seu. Possibilitar-lhe-ei  dois ajudantes e ele também  experimentará  o prazer de ordenar.     Elogie-o para que se sinta potente e coce-o em seguida, acalmando-lhe o ego. Agende, vez ou outra, uma saída e indique-o ao seu posto. Assim, degustará, pelo menos uma vez, a sua posição, apetecendo-lhe ainda mais o desejo de ser o que você é. Em pouco tempo ele defenderá suas ideias e será o levantador  da sua bandeira. Preciso me ausentar amanhã. Ficará no meu lugar. Não se esqueça do nosso ideal: Dê  vinho a quem tem fome.

Colocando-se discípulo do AVESTRUZ, o PAVÃO controlava os dois novos subordinados contratados:   ARAPONGA e  GAVIÃO-CABOCLO.

Com equipe organizada promoviam torneios, cultos e  festas variadas fazendo desses eventos tradição. Divertiam -  socializando -, os habitantes,  servindo-lhes  vinhos em abundância.

 ÁGUIA era endeusado por ordem  do seu empregado: o AVESTRUZ, que organizou, na rua, uma festa em culto ao seu patrão, que vinha  majestoso  num carro alegórico. A mídia cobria todo o evento.

 PAVÃO, aproveitando-se da folia,  abria seu rabo, exibindo-se. Aves jogavam-lhe confetes e purpurinas.  AVESTRUZ destacava-se na sua surrada fantasia de lacaio.  Com fome, os pássaros  daquele lugar bebiam e dançavam suas simplicidades. ARAPONGA e GAVIÃO-CABOCLO acompanhavam o cortejo a pé. Com exceção dos dois, os festejantes, exaustos de alegrias e caindo de prazer naquelas  ruas, coçavam-se mutuamente.  
 
Despreparados e embriagados, nenhum que festejava ali conseguiu bater asas quando   bandos  de ARAPONGAS e GAVIÕES-CABOCLO adentraram por espaços mapeados, eliminando muitos daquele lugar, tomando as rédeas daquela história. Alguns sobreviventes que tentaram fugir tiveram suas asas e bicos mutilados. Inválidos, possibilitaram a invasão de peçonhas e ratos naquele território.
 Os parasitas proliferaram e novas doenças podem ser vistas.

 Acabam-se anos e entram-se outros e, naquele lugar, as promoções repetem-se sob novas organizações. Os  mutilados, sem apoios, agarraram-se às tradições e arrastam-se para conseguirem um espaço onde possam se coçar. São assistidos direitinho e continuam recebendo o vinho que lhes mate a fome.  
 Quando são convidados a evidenciarem suas trajetórias, experimentam canapés, levantam suas bandeiras e  são agraciados com copos ainda maiores. Embriagados desabafam: “Somos aves simples com saudade de voar...”

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

2016 - ANO DO MACACO DE FOGO

Bem isso: ou você encara  ou está queimado de vez. No calendário chinês, que começa no dia 08 de janeiro,  cada ano vem representado por uma animal.  Este ano é o ano do macaco e, para  que tudo ocorra bem, tanto na sua vida, como na dos outros, é melhor que cada macaco fique no seu galho. Logo, escolha um galho que o suporte e nada de fazer macaquice no galho alheio, porque não é assim a forma correta de quebrar o galho dos outros,  jogando-lhe o seu peso.  
Há instituições preocupadas com o bem-estar dessa espécie. Acabou a era da banana.  Hoje, com as leis de proteção aos animais vejo os macaquinhos enjaulados comendo alimentação balanceada, evitando que fiquem acima do peso. Bem pensado isso. Já pensou, o pobre animal, além de estar enjaulado,  sofrer bullyingno cárcere de luxo por ser gordo? Vamos cuidar do psicológico do bichinho, porque se ele ficar descontrolado pode  se virar contra a humanidade. Já ouviram a expressão: metralhadora nas mãos de macaco?  
 Foi o que aconteceu em 2015 todinho Muito macaco gordo, tentando quebrar o próprio galho, armados de suas incontroláveis incompetências, saíram atirando por todos os cantos, botando fogo nos rabos dos outros. E nem era o ano do macaco do fogo ainda 
Para quem ainda não se deu conta, em 2015 fomos metralhados por primatas engravatados da direita, da esquerda, centroavante ...  não nos faltaram balas  atiradas  por esses  ancestrais, que ainda não desenvolveram  o volume médio do cérebro e se põem a trepar em cargos, amarrando seus rabos  em cabides, acotovelando-se indecorosos, para ver quem escorrega primeiro na casca e, em seguida, dar  “ uma banana”  a quem conseguiu prejudicar.  
 É fogo, torcida brasileira!   Se 2015 foi somente uma amostra do que o bicho queria fazer,  que em 2016  o macaco  acerte e não aperte a banana dos outros.  
E que todos lhe tenham respeito, afinal macaco é um bicho inteligente.  Explicando:  Foram à  escola das cavernas comer merenda e aprenderam que descobrir somente uma  roda não era suficiente. Inventaram mais uma e criaram a bicicleta: a única, que fora comprada a preço de banana pelo dono da tribo para presentear o filho que estava acima do peso 
 Pular nos rios, saltar das cachoeiras, imitar Tarzã  era melzinho na banana se o assunto fosse  refrescar o corpo depois das pedaladas. Bom mesmo  seria descobrir o fogo para agasalhar o estômago com uma boa refeição, daquelas que aprendera no Master Chef.    
 Em toda geração há sempre um herói desajustado. E ele estava  lá naquela caverna um  macaquinho gordo com isqueiro no bolso da tanga. Não deu outra:  apeou de sua  bike e foi  cozinhar  as frutas. Queria uma bananada.     Quem podia imaginar que  as danadas das bananas eram de dinamite? Foi uma explosão só! 
 Daí  inventaram aquela teoria cosmológica do Big Bang com intuito de  encobrir  aquela  caca”  do filhinho do Australopiteco Mor,   por ele ter sido considerado,   por  Darwin, diferente da evolução da espécie quando teve a infeliz ideia de postar sua selfie, com a explosão, no facebookCom as ameaças que o playmonkey - que ainda não era playboy - sofreu nas redes sociais, sobrou  ao  Steven Spielberg  disfarçar o bicho num E.T. e mandá-lo com a bendita bicicleta pro espaço que ele tinha acabado de abrir. 
 Então,  esse negócio do Big Bang  foi uma baita  maquiagem nas pedaladas  daquele  macaquinho  atrapalhado  naquela ocasião.  Viu, é fogo mesmo, por causa da roda  o círculo vicioso das maquiagens seguem inocentando nossos ancestrais, culpados de todos as falhas humanas  promovidas até hoje.  
Se havia dúvidas  sobre  nossas origens, os fatos justificam as razões das crise mas que os hominídeos de óculos escuros, que ainda andam de  quatro,  conseguem ver somente uma: a crise existencial. 
 Enquanto isso, os que usam colírios, seguem equilibrados  sobre as próprias pernas,  apagam o fogo provocado por quem insiste em nos “dar  uma banana”, só porque não sabe andar de  bicicleta e vive pagando mico 
Coitado do macaco, ainda que os cães, lobos e lobistas ladrem,  não o roubem  fazendo terminar  2016 aos cacos, e que seu galho não seja quebrado, mas resolvido a contento de todos que sabemos fazer “das bananas” motivos de vitórias.  Encarando de frente, 2016!