CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2015 - Recebeu voto de aplausos pela Câmara Municipal de Araçatuba;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba;

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras;

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de abril de microconto Escambau;

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.

2017 - 24ª classificada no TOP 35, na 2ª semana de outubro de microconto Escambau;

2017 - 15ª classificada no TOP 35, na 3ª semana de outubro de microconto Escambau;

2017 - 1ª classificada no concurso de Poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2017 - 11ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de outubro de microconto Escambau;

terça-feira, 31 de março de 2015

AS CUMADI

Viva a Mentira, cumadi Verdade!!   Viva a Verdade, cumadi Mentira!






                                                             

domingo, 29 de março de 2015

ESSE EU

ESSE EU – Rita Lavoyer
Não sei quem sou agora,
sinceramente nem sei
quem neste momento eu lírico.
Se tem alma ou se corpo há,
estranhamente, estranho-me
esse eu em mim: tão eu.
Não sei se vou ou fico,
se decifro ou devoro-me
incerteza de mim.
Certa é que não sou
e o que é agora não sou eu,
mas um eu que também não é certo.
Sendo o que é esse eu exatamente agora
não o fui e nem o serei, é certo.
Daqui a pouco esgota-se esse eu
antes que devorado eu o tenha.
Assim excedo o quanto posso
esse eu em mim,
até que decifrado esteja e,
ávida de ter esse eu vivido,
findado,
sei novamente quem sou,
até que o eu espalhe-se novamente
em mim, deixando-me na dúvida
se sou eu ou esse eu.

Ministro da Educação, um araçatubense


Desejo boa sorte ao novo Ministro da Educação, o filósofo Renato Janine Ribeiro - independente de sua naturalidade ( pois tem um pé em Araçatuba)-, ou ideologia política - , porque a Educação neste país há muito precisa ser respeitada em ação, para depois ser amada em verbo ,no sentido que o verbo verdadeiramente traz no bojo da sua ética.
Que Renato Janine, como Ministro, seu discurso e seu conhecimento sejam transformados em benefícios ao tão ludibriado povo brasileiro , tão carente de respeito e educação por quem, no poder, há décadas, tanto nos governos de esquerda e de direita, mostram-nos completamente sem rumo.
Boa-Sorte. Que sua ética e minha vontade de ver o Brasil bem em Educação não sejam utópicas. 


Como é triste ver pessoas sentindo-se felizes por serem conduzidas, quando na verdade, o que lhes faltam são  conhecimentos suficientes para conquistarem a liberdade de si mesmas,  guiando-se, agindo com objetivos  concretamente benéficos à humanidade e reagindo com  iguais argumentos para o crescimento  do social. 

Quem rouba do ser humano a Educação, tira-lhe as defesas antes mesmo de  ele nascer. 

  Que a Educação alcance a todos nós. 



quarta-feira, 25 de março de 2015

BEBÊ, NO FACE, PARIDO

– Rita Lavoyer

Descrevi meu bebê na página do Facebook.
No Face, meu bebê estava  bem descritivo.
Descrevi meu bebê no Face
da forma como eu o trazia ainda no  meu ventre.
Descrevi meu bebê no meu mural,
dizendo  que não sabia como eram seus cabelinhos.
Seriam  pretos, parecidos ao do irmão?
Ou seriam ruivos como os da irmã?
Os olhinhos dele ainda estão fechadinhos,
mas os vejo  desbravadores.
Bebê delicado este que trago no ventre.
Os dedinhos que, às vezes, ele  leva
à sua boquinha de lábios bem delineados,
dedilharão sinfonias, as mais saudáveis,
para o desenvolvimento  de suas partes, partituras...
Descrevi  meu bebê de pele alva como a minha
com letras negras para ele ficar bem  lido.
O seu corpinho bem formado, suas perninhas,
seus bracinhos, abraçaram e brincaram com
o bebê que eu  descrevi no meu mural.
Depois que ele brincou no berço que o
espaço me deixou embalar, ele, o meu bebê,
olhou para mim e abriu um sorriso,
depois jogou-me um beijo.
Ai, que delícia!
Na web, pelo face, no meu mural,  pari um filho.

Tomara ele venha inspirar-me poesias.

terça-feira, 24 de março de 2015

CHORO DE SAUDADE



CHORO DE SAUDADE (Rita Lavoyer)
Amigo, se ainda tens força para
de saudade falar,
não queiras saber da minha que,
somente de lembra-me dela, deságuo...
Invadiu-me num vazio tão de repente
que nem sei mais o que sinto
quando tudo tem cor, cheiro e sabor de saudade.
Compõe-me ela com tanta voracidade
que penso querer levar-me consumida.
Melhor não falarmos dela - da saudade.
Amigo, ela é tola - a saudade -
tem mais força que as lágrimas que vertemos.
È marca que o tempo não consegue apagar
das nossas raízes.
Amemos, pois!
Amemos!
Há outro meio mais eficaz
de dar vida à saudade?
Precisa de nós tanto quanto
dela carecemos.
Se não fosse ela, agora,
não diria o quanto preciso dizer:
“Amo!”
Amo com um amor maior que esta saudade
que precisa me dominar.
Preciso olhá-lo, senti-lo
e pôr fim a esta agonia.
Finda-me logo, saudade!
Finda-me logo!
Amigo, soma tua saudade à minha.
Pega minha mão e juntos choraremos.
Ah...
Que alívio, Amigo!
Que alívio, Amigo!
Saber que saudade
é dor de gente como nós.

quinta-feira, 19 de março de 2015

CID E O SEU DEDO EM RISTE

CID E O SEU DEDO EM RISTE - Rita Lavoyer

Dedo em riste sempre dá o que falar.
De risadinha em bastidores, passa à bafafá.
No congresso dos dedos-duros
quem tem que defender o seu
não pode vacilar.
O da Educação, que não tem educação,
apontou o seu dedo fura bolo
pru’ma turma que o Cun...
O Cunha tem que bajular.
Como pode, o chefe da educação,
não conhecer do seu dedo a função?
Tadinho, mostrando a sua inocência,
vomitou as verdades dos achacadores.
Na sessão das transparências,
situação e oposição mostraram suas garras,
destilando incompetências.
Um lado ameaçou retaliação,
até a aposentadoria entrou na questão.
Snif, emocionada estou!
Cid perdeu a razão:
por um dedo mal usado,
o da Educação foi exonerado.
Neste País os dedos dos políticos
são sérias questões de piadas.
Uns mostram, outros cortam
para chegarem ao promontório.
Estando lá, fascina-lhes a lambança,
e seus dedos viram supositórios.
Nessa politicalha quem não morre mata
para não largar o osso
e o CID “cidanô” certinho:
neste momento experimenta
o que significa ser povo -
- está sentindo que dedo de presidente
sempre age mais grosso.


Fonte: Cid Gomes deixa governo após discutir com deputadoshttp://www.dm.com.br/…/cid-gomes-deixa-governo-apos-discuti…

G1
O ministro da Educação, Cid Gomes, pediu demissão na tarde desta quarta-feira (18) à presidente Dilma Rousseff, que aceitou.
O pedido ocorreu logo depois de o ministro participar na Câmara dos Deputados de sessão em que declarou que deputados “oportunistas” devem sair do governo. “A minha declaração na Câmara, é obvio que cria dificuldades para a base do governo. Portanto, eu não quis criar nenhum constrangimento. Pedi demissão em caráter irrevogável”, declarou o ministro.
Do plenário, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, chegou a anunciar a demissão antes mesmo de ter sido oficializada.”Comunico à Casa o comunicado que recebi do chefe da Casa Civil comunicando a demissão do ministro da Educação, Cid Gomes”, anunciou Cunha no plenário.
Depois, a Presidência da República divulgou a seguinte nota oficial:
“Nota Oficial – O ministro da Educação, Cid Gomes, entregou nesta quarta-feira, 18 de março, seu pedido de demissão à presidenta Dilma Rousseff. Ela agradeceu a dedicação dele à frente da pasta.
Secretaria de Imprensa -Secretaria de Comunicação Social Presidência da República.
Reação do PMDB
O PMDB havia exigido a demissão de Cid depois que o ministro reiterou a sua afirmação. A expectativa do governo e da Câmara era que ele se desculpasse pelas declarações e tentasse recompor suas relações.
Ao invés disso, Cid Gomes dirigiu-se ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), com o dedo em riste e vociferou: “Prefiro ser acusado de mal educado a ser acusado de achacador como ele [Cunha], que é o que dizem dele as manchetes dos jornais”.
Antes, o ministro já havia dito que quem é da base aliada do governo tem de votar com o governo. “Ou larguem o osso. Saiam do governo.”
Assim que deixou a Câmara, o ministro foi chamado para ter uma conversa com a presidente Dilma. A demissão de Cid é uma tentativa do governo de evitar que a relação com a Câmara dos Deputados se complique mais ainda, o que aproximaria a possibilidade do Planalto ver derrotados no Congresso projetos de seu interesse.

FORA DE MIM


Li , agora, uma notícia
sobre ciência que,
engenhocanhecida,
já faz coração bater fora do corpo.
Quero uma engenhoca dessa
funcionando dentro de mim.
Aliás, quero várias invenções dessa
explodindo em meu íntimo.
Quero mais que o meu coração vaze,
fuja desse meu peito pulsante
e leve consigo seu jeito errado de ser.
Vá!
Vá, meu coração único e indisponível.
A ciência já achou um jeito de
eu dispensá-lo ... de vê-lo...
fora de mim.
Foi prazer conhecê-lo, coração! 
Rita Lavoyer


Obs- não consegui postar o vídeo aqui. 
https://www.facebook.com/video.php?v=10153146687521649&pnref=story

segunda-feira, 16 de março de 2015

COM MOTIVOS

Com motivos
Rita Lavoyer


Se o instante inexistente se tornar
no ato que deveria existir,  
o que será do poeta
se é de um ponto do instante
que brota a inspiração pru’ma vida?

O que fazer, poeta,
se o instante, todos os dias, demorar
uma vida para acontecer?
Se tentas esticar teus motivos
onde colherás o teu verso, poeta?

Qual será tua questão, poeta,
Depois daquele instante existente em
cujo ponto o verso  desabrochou
E  não o percebeste?
Será agora, ou depois  o mesmo verso?

Se semeares  somente na tua existência longa,
colherás, poeta, apenas  o que plantaste:
 cotidiano de espaço-temporal  incubado-.
Por teres deixado o  instante despercebido,
farte-te, agora, com a tua escassez de criação.

Ainda que queiras em versos projetar esta dor
escondida no peito,  por teres perdido
a inspiração de um  instante, tempo já não há mais.
O galardão de poeta  devolvas ao espaço,
 por não teres dele feito jus ,
 deixando  inexistir um verso.  


Jornal O TREM Itabirano

Texto meu, em defesa dos professores, foi publicado no Jornal em referência, do qual sou assinante, conforme consta no conteúdo abaixo, recebido via e-mail. 

""Amigos, já roda na praça a edição de março dO TREM Itabirano, o jornal de Itabira que o Brasil lê, assina e admira.
 
EM CARTAZ: 
 
José Maria Rabêlo e Fernando Jorge não levantam o cartaz Je suis Charlie. Segundo eles, trata-se de um jornal achincalhador da cultura alheia.
 
Prefeito Damon de Sena continua escondendo informações - e ainda gasta dinheiro público para dar uma de transparente. Por que Damon esconde, de forma ilegal, contratos milionários? Alguma coisa grave há. 
 
Quinto Beatle é da mineira Caratinga, garante o escritor Sylvio Abreu. 
 
O editoral traz um assunto pelando: o jornalismo itabirano, digo, o jornalixo itabirano. 
 
Prefeito de Itabira usa equipamentos públicos para se lançar à reeleição: propaganda extemporânea. Está confundindo coisa pública com projetos pessoais. 
 
Copa Libertadores da América: espelho da esculhambação que infelicita este continente; também do que dizem termos de melhor: nossa paixão-pasión. Texto de Marcos Caldeira Mendonça. 
 
Carlos Drummond de Andrade escreveu em 1954 sobre o problema da energia no Brasil. O texto é tão atual que poderia ter sido escrito hoje. Crônica foi enviada aO TREM por Pedro Augusto Graña, neto do imenso poeta. 
 
O Incrível caso de Tiolé, um itabirano que decidiu morrer para testar a namorada. 
 
O governo Damon de Sena assinou contrato de consultoria com a empresa R. Santana no valor de R$ 1,7 milhão. O TREM solicitou informações a respeito, mas o prefeito se nega a passá-las. 
 
Um grande escritor residente no Rio de Janeiro perguntou ao jornalista Marcos Caldeira Mendonça qual é o grande tormento de fazer um jornal como O TREM em Itabira. Resposta: “Ter de prestar atenção na política itabirana. Tem cheiro de tábua de chiqueiro”. 
 
É uma violência o que se faz com o professor no Brasil. Pensata de Rita Lavoyer. 
 
Só se dá valor à água quando acaba. Por Nagib Anderáos. 
 
O gabinete do deputado Nozinho é um paraíso para ex-prefeitos. Estão lá, além dele, que prefeitou na vizinha São Gonçalo, Ronaldo Magalhães (Itabira), Geraldo Noé (Santa Maria) e Joaquim de Castro (São Domingos do Prata). 
 
Com receio de se sentir feio, Assis Silva fechava os olhos antes de mirar-se no espelho; se concentrava e repetia várias vezes para si mesmo: “Lilingue, Ciciu...” Então abria os olhos e se via como o homem mais bonito do mundo. Casos da Itabira antiga pelo cronista Guido de Caux. 
 
ISSO TUDO E MUITO MAIS. 
 
O TREM - Escrito por um timaço de jornalistas e escritores, com amplo histórico de bons serviços prestados Itabira, Minas e ao Brasil.
 
 
 
DISSERAM DO TREM ESPONTANEAMENTE BRASIL AFORA. 
 
“Não é qualquer um que merece ser entrevistado em tão importante jornal,
como O TREM Itabirano.” Audálio Dantas, jornalista e escritor, São Paulo.
 
“Gosto muito do conteúdo dO TREM Itabirano. Alto nível cultural.”
Frei Betto, escritor mineiro, São Paulo.
 
“O TREM Itabirano é um jornal muito inteligente em suas reportagens e, assim,
sua leitura tem sido um prazer para mim”.
Yara Tupynambá, pintora, Belo Horizonte. ""



quinta-feira, 12 de março de 2015

Poesia



****************
Quando desenvolvi grande apetite pelas letras, passei a engolir o que produzia, para sentir se o meu letramento caía no meu gosto. Foi daí que quase desenvolvi uma bulimia.
Hoje, evito produções balanceadas; afinal, se eu mesma não aprovar os meus preparos, como cobrar aprovação de quem os degustar?
Pode até não gostar das minhas letranças, que lhe é um direito, mas não é meu dever impedir que elas sejam indigestas.

                  **************** - Rita Lavoyer



***************
Em uma parte do período, a Poesia é hermafrodita do começo ao fim. 
Em outra, do fim ao começo. 

                **************** Rita Lavoyer



****************
Poesia é uma certa história dentro da qual penetro para versar-me

                    **************** Rita Lavoyer

Então...

Então... - Rita Lavoyer
Naquele dia ela não acordou cedo.
Naquele dia ela não fez o café,
não limpou, não esfregou,
não passou, não cozinhou, não comeu. 
Não teclou, não leu, não escreveu,
não curtiu, não compartilhou, não levou,
não buscou, não ligou, não perguntou,
não conversou, não saiu, não visitou,
não retornou, não riu, não chorou,
não pediu, não gritou, não deu,
não recebeu, não errou, não acertou,
não obedeceu, não ordenou, não ensinou,
não aprendeu. Não amou, não desejou,
não dormiu tarde, não sonhou,
não esteve, não permaneceu, não foi, não ficou,
Naquele dia não houve ação, nem estado.
Naquele dia ela não morreu,
nem viveu! 

terça-feira, 10 de março de 2015

É MARMANJO, ENCOSTO OU O QUÊ ?

Rita Lavoyer

Optei pelo Poupa-tempo  com a intenção de poupar meu tempo mesmo, agendei tudo pela internet  e, semana passada, o dia fatídico  da renovação da CNH chegou. Foi daí que descobri que moro no lugar mais longe do mundo.

Faltava meia hora para  o horário agendado, da escola para  casa não daria tempo de retornar, achei melhor chegar mais cedo para o compromisso na intenção de ocupar o lugar de algum desistente. Dito e feito.

Passei por um guichê, por outro e outro e esperava para ser chamada pelo oftalmologista, sentadinha, quietinha com os formulários da renovação nas mãos; sentou-se ao meu lado um senhor cuja estrutura não consigo descrever, então o resumo como “O gigante do pé-de-feijão”.

– Qual a sua senha? – ele  a pegou da minha mão para comparar com a dele – Então sou depois de você – disse-me.
– É! – respondi.

– Dizem que quem vem aqui e tem problemas de vista não passa de jeito nenhum. Eu tenho problema de cataratas nos dois olhos, mas catarata não é doença, é só uma carne crescida em cima do olho... não sei não se vou passar, estou com tanto medo, porque aqui não passa mesmo!Reprova, tira até a carta da gente!

Virei  bem devagar o meu pescoço para encarar o cara e concluí: é miragem, som pode ser! Isso não existe!   É uma força de outro lugar que veio me perturbar justamente neste dia e horário,  só pode! 

E o homem falava, falava... os decibéis da voz dele  desestruturou toda
escala Richter dos formulários nas minhas mãos.  “ Que isso, Rita! Esse marmanjo não existe,  é miragem. Você está com fome! Daqui a pouco tudo isso acaba, você chega em casa, almoça e tudo se resolve”.

Salva pela chamada. Levantei-me para entrar na sala de exame e ele desejou-me boa sorte assim:

Se você tiver problemas nos olhos, não vai passar!

 Relevei  porque ele não passava de uma miragem, encosto ou sei lá o que!

Sente-se aí e coloque o seu dedo indicador  direito no aparelho -  disse-me o doutor.
Botei, botei, botei e botei de novo !

O sistema não está lendo a sua digital...

Posso fazer nada, doutor! Só tenho esse dedo indicador direito.  Não tenho outro. Faz alguma coisa aí.

Sei lá o que ele fez, enfim, mandou eu olhar no aparelho para ver as letras.

Primeiro com o olho esquerdo. Quais letras você vê ai?

Bota as letras aí, doutor. Não estou vendo nada!

Como não está vendo? As letras estão aí, diga que letras são?

(silêncio absoluto)
Doutor, eu vejo as letras, mas não sei ler. Não dá para pôr  desenhos de  bichinhos, igual quando criança vai fazer exame de vista?

Você não sabe ler? Como é que dirige então?

Uai, dirijo com o volante, doutor! Obvio!

Ai, Papai do Céu! Como é gostoso fazer as pessoas rirem. O velhinho estava quase vermelho.


- Então vamos testar com o direito. Que letras você vê aí?
- Põe as letras aí, doutor! – eu pedi!

(silêncio absoluto)

Coloquei todo o meu peso sobre a perna direita, o braço direito eu joguei para trás, segurando-o com a mão esquerda e com o pé esquerdo eu fazia círculos, não sei pra que, mas fazia...

Você tem óculos? Quem é o seu oftalmologista?
Tenho, sim senhor! É o doutor fulano de tal...
Cadê  os óculos?

Esqueci!
Você sabe que precisa usar óculos?
Pois é, doutor, me esqueci também.
Você veio até aqui do quê?
De carro, oras! 


Até que o velhinho é simpático, justo também.

Passa lá na recepção e remarque sua consulta! Quero ver você novamente, semana que vem, com os óculos.

Saio da sala e vejo o marmanjo se aproximar. Toquei no cara pra ver se era miragem. Não era! Bati-lhe  no braço,  desejei-lhe boa sorte assim:

– Você vai ser aprovado! 

Corri para a recepção, marquei novo retorno, fiz mais algumas coisa e quem eu vejo na fila do caixa recolhendo as tarifas para finalização do processo de renovação da CNH? – O cara!

Quer dizer que o medroso  o médico  não pediu para retornar na próxima semana, e eu sim? Tudo bem, eu voltaria na próxima semana.

Hoje eu retornei munida de todos os meus microscópios  para enxergar até  o citoplasma daqueles letrinhas cegas.  Esperei minha vez  sentadinha, quietinha, meditando  com os formulários nas mãos, de repente senti algo se  avolumar ao meu lado. Abri meu olho direito bem devagar e mirei aquele encosto. Era ele! De novo a mesma pessoa!

Não é possível – pensei! Será que ele também foi reprovado semana passada? 
 Coitado, não  é um marmanjo medroso, só alguém que precisa de óculos – continuei pensando.


Também não perguntei o que fazia ali, afinal acontecem-nos coisas e fatos que é melhor não buscarmos explicações. Pelo sim, pelo não, distribuí óculos pelos cantos da casa, assim, numa emergência,  lembro-me de que tenho esses negócios à  minha disposição.  

Tomô, Rita quatro zóio! aprende agora! 

terça-feira, 3 de março de 2015

E-TAPAS

E- tapas
Esta notícia no Jornal Folha da Região de hoje, remeteu-me a este meu texto. Sensibilizada, não comparo a vítima da matéria às etapas no texto narradas.

A) Naquela época, o que não podia era uma filha sujar o nome do pai. Por causa disso, a educação era rígida e presa a filha ficava. Mas o amor que paira no ar conseguiu fazer dois corações se encontrarem. Embaixo de um pé de café, a menina-moça transformou-se em mulher. O amor do rapaz durou até ali, o filho dos dois, aquela mulher, sozinha, teve que parir. A herança do pai já não era mais sua, porque filha embuchada só ganha do pai a porta da rua. A mãe daquela não veria seu neto porque a ela só cabia calar. Abrisse a boca tapas ganhava.
B) Então coronel quis filha casada com o filho de um seu igual. O namoro era em casa. Tinham a permissão de ficarem na sala segurando as mãos. Coronel sente sono e, naquela noite, da filha, o pai já não era mais o dono. Não demorou e a barriga apontou e o pai de seu neto, no meio da rua, o coronel eliminou. A filha ficou na gestação prisioneira. Pariu o seu filho, mas não o conheceu. O pai disse à filha que o bastardo morreu. E tapas, na clausura, a vida lhe deu. Aquela mulher sem marido definhou-se porque sabia que a criança que crescia com a empregada era o seu filho que não tinha morrido.
C) Estava casada com quem nunca quis, fora educada que ter segurança é melhor do que ser feliz. Naqueles contatos de nojo e tortura aquela mulher jurou pôr um fim. Decidida a fugir das garras do cão arrumou sua trouxa, mas teve que ficar porque sua menstruação, durante nove meses, resolveu deixá-la. Tinha um teto pra abrigar a criança e estaria segura na hora do parto. Estava enganada. O cão, embriagado, entre tapas e pontapés, matou aquele feto deixando inválida a mulher.
D) A filha-menina cresceu como a mãe gostaria de ter sido. Deixou-a solta para viver, ser feliz. Não tinha aventura que não havia experimentado e, entre tantas gandaias, bebedeiras e afins, ela não sabe quem é o pai do bebê. Ela nasceu, é uma menina, mas com a avó a mãe a deixou. Não tinha saco para viver amamentando e o choro da bebê incomodava a mocinha. Saiu feito louca e não deu mais notícias. Aquela mãe ganhou uma neta e a filha perdeu. Para onde ela foi ninguém sabe, ninguém viu. Sabe-se que virou prostituta, profissão que adotou para vencer a luta.
E) A avó, a neta e o avô. Hoje, a etapa é outra, liberdade não tem limites e tapas é a vida quem dá, em casa não pode apanhar. Coitadinha da criança, tão inocente... Assiste a tudo o que pode, ouve, fala e pratica. Ah, menininha sarada de saia curta e peitos à vista. Não provoque, libertinagem não é consanguínea? Mas não houve como, ela o provocou e num dia, sem a avó, o avô a estuprou.
ritalavoyer.blogspot.com/2009.

segunda-feira, 2 de março de 2015

MULHER , FLOR AZUL

Mulher, Flor Azul  

Todas as flores têm as cores 
que Deus lhes deu.
Que Deus lhes deu     
 A minha mulher é de um azul tão lindo
 É a flor mais linda que  a aquarela  escreveu.

 Oh! Mulher linda, flor  maravilhosa
 Todo o seu colorido é azul cor de infinito.
 Todo o seu colorido é azul cor de infinito.

 Ela embeleza todo céu e todo o mar
 Se veste toda de azul pra me amar,
 pra me amar.
 Pra me amar
 É o meu carnaval, fantasia e purpurina
 É a flor brilhante de azul com serpentina.

Que alegria é a minha mulher
 Uma flor do campo com azul cor de encanto.
 Canto ela aqui, canto acolá.
 Canto o seu azul que só sabe encantar. 

 Minha mulher, minha fortaleza
 É uma joia rara, é uma flor azul-turquesa.
 Por ela sou muito orgulhoso.
 Minha flor-mulher é de um azul maravilhoso.


 Ela tem um tom que aquece o meu frio
 Minha flor-mulher tem a cor azul-anil.

 O perfume que ela tem me leva ao céu.
 Me leva ao céu! Me leva ao céu!
 O gosto da minha flor é azul da cor do mel.
 Minha flor-mulher tem o azul do esplendor.
 Deus fez todas as flores com o azul da sua cor.

 Oh! Mulher linda, flor maravilhosa
Todo o seu colorido é azul cor de infinito
Todo o seu colorido é azul cor de infinito


 Eu não sei viver sem o azul da sua boca
 A minha mulher entre todas é a mais louca.
 Essa flor-mulher torna o azul todo brilhante
 No leito de suas pétalas me faz todo amante.
  Por essa cor dela eu me vejo enlouquecido.
 Hoje, só sou homem porque visto o seu vestido.
 Nele eu me envolvo porque o azul só me compraz.
A minha mulher é uma flor  com a cor da paz.
 Esse homem que há em mim
 É o cheiro do seu amor  
 Porque sou  tão Mulher  quanto o nosso Criador.


                           autoria- Rita Lavoyer

domingo, 1 de março de 2015

TOQUES


TOQUES – Rita Lavoyer 

Não toques minhas mãos

se perceberes que

durante a sutileza do toque

nossas mãos não se desgrudarem.

Toca-me de ti

antes que em ti eu toque

e minhas mãos em ti queiram ficar.

Se tocado ficares, permitindo meu toque em ti,

deixa minhas mãos acariciar os teus cabelos,

enquanto as tuas tocam em meu violão

uma música que nos embale

até que, num toque de recolher,

as tuas mãos peguem as  minhas mãos,

puxando-me inteira  para todas

as partes  tuas .  Estas que não preciso

tocar  para  me arrepiar

da cabeça aos pés.