CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2015 - Recebeu voto de aplausos pela Câmara Municipal de Araçatuba;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba;

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras;

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de abril de microconto Escambau;

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.

2017 - 24ª classificada no TOP 35, na 2ª semana de outubro de microconto Escambau;

2017 - 15ª classificada no TOP 35, na 3ª semana de outubro de microconto Escambau;

2017 - 1ª classificada no concurso de Poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2017 - 11ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de outubro de microconto Escambau;

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

EQUILIBRANDO OS PONTEIROS

EQUILIBRANDO OS PONTEIROS
Ela era uma criança, tanto quanto eu também era.  Ela e eu éramos quase a mesma pessoa. Acho até que fomos a mesma pessoa em  um curto período da minha vida. Mas ela era lenta, devagar demais. Parecia que o tempo dela não passava. Não havia ponteiros que funcionassem no momento dela, porque ela os fazia gangorra no seu estágio infantil. Ela os danificava todos: todos os ponteiros. Aquele momento, para mim, era uma tortura.
Alguns períodos a reprimiam pelo seu descuido e ela começou a se zangar com eles. Fazia birras e os desrespeitava só por causa das intempéries que ela não aceitava.
Percebendo que presença daquela criança me atrasaria no percurso, precisando, optei por deixá-la na sua época fantástica, aquela que lhe competia, em companhia do seu ponteiro quebrado.
Saí caminhando com passos largos, os mais largos, ultrapassando o acordo das minhas pernas.
Nem olhei para trás para não me apiedar daqueles olhinhos marejados que insistiam ser mostrados quando queriam me seduzir.
Continue com passos largos e ligeiros. Precisava conquistar uma extensão, ainda que indefinida, dentro de um tempo preestabelecido.  Não seria difícil, já que caminhava só. Nesta empreitada era eu por mim  e ninguém mais.  Fui resistente e dei conta do meu ofício. Sem demora, já havia conquistas no meu tempo desejado.
Daquela criança eu não busquei nenhuma notícia. Ela, eu acabei deixando-a no me esquecimento, porque se eu não agisse assim, certamente  se agarraria em mim, pedindo-me que a trouxesse junto.
Não! Eu não podia tê-la por perto. Atrapalharia os meus planos.  Estragona como eu a conheci, iria danificar, também, os meus ponteiros atuais, só por  brincadeira, pensando em me  agradar. Tenho certeza de que ela faria isso. Ela tem um potencial danado para me seduzir.
Decidi, de vez, não me lembrar mais dela. Pronto! Acabou de vez, nunca mais! Prevenida, corri e alcancei a frente. A minha rapidez me fez tão ágil que cheguei primeiro, na frente dos ponteiros: os meus e os dos outros. Eles, os do meu tempo, já não eram mais páreo para mim.
Desconfiei que eles também davam indícios de que queriam me atrapalhar na trajetória que eu tracei.
Para não me perder em nenhuma perda, larguei-os para trás também. Livre-me do fardo que aqueles ponteiros representavam. Senti-me leve.  Foi quando eu voei.
Voei apoiada em mim e desbravei  horizontes. Vi o Sol nascer e se pôr em questão de um tempo mínimo que eu não consigo precisar. Tudo é possível quando se voa!    
             Lá em cima o vento é forte e veloz. Muito forte. Muito veloz. Ele vem em nós, deixando o  seu rastro quando bate em nossa face. Ele, velozmente, deixou marcas fortes em minha face. Muitas se abriram. As que se fecharam, deixaram marcas nos cantos dos meus olhos, da minha boca e da minha testa.   O tempo acelerado deixa os seus sinais; os sinais, cicatrizes.
Por causa disso, não conseguia alçar vôos tão altos. Num meridiano ao alcance da minha visão, não via nada correr tão depressa como eu conseguia fazer sem os ponteiros que não me alcançavam os passos.
Para não criar atrito com a minha condição, sentei-me no chão. Com as pernas esticadas, tirei os meus sapatos e pude ver as pontas dos meus pés adultos.  Achei-as muito estranhas, engraçadas!
Nunca antes as tinha visto assim, tampouco aquele terreno em que me sentei. Eu comecei a sentir a terra. Enfiei os meus dedos nela, sujando-os. Eu os vi sujos, então eu ri. Ri tanto e tão alto que alguém pôde me ouvir. Ela veio correndo ao meu encontro com os seus braços abertos. Eu a olhei e confesso: senti medo. Muito medo! Reconheci aquela figurinha. Tentou pegar a minha mão, mas esquivei-me. Iria me seduzir, tinha certeza. Ela pegou a minha mão com força, puxando-me dali. Levantei-me com medo dela. Muito medo!
Atrevidamente, disse-me para confiar nela, porque ela jamais me abandonaria.  Pode!?
Levou-me para o tempo onde ela se encontrava. Havia uma gangorra naquela área. Tudo ali era tranquilo.  Ela me ofereceu um lado e eu me sentei. Ela se sentou na outra ponta. Ali, ajudou-me a equilibrar no ponteiro dela, aquele que não me acompanhava, ensinando-me.
Começou a brincadeira bem ao seu modo. Foi devagar. Muito devagar.  Fez-me lembrar daquela sua lentidão que me irritava. Estava sem graça aquilo e pedi para ela ir mais rápido.
As perninhas dela eram tão fortes  e resistentes que eu ia bem mais alto e mais baixo do que ela. O meu lado, sem dúvida, estava mais divertido. Ela me levava a subir e a descer numa sensação fantástica. Apesar de eu não conseguir retribuir com os meus impulsos aquela diversão, eu assistia da minha subida e descida a alegria estampada naqueles olhinhos marejados que ela me mostrava quando queria me conquistar.
 Fitei-a, achando-a muito estranha, engraçada, como as pontas dos meus pés!  Ai! Que figurinha mais linda! Vi, com os meus olhos já marejados, a alegria dela por me ver feliz com o que conseguia me proporcionar com aquele ponteiro que ela conservou.   
Ela fazia aquela brincadeira dela muito rápido, cada vez mais rápido, impressionando-me. Eu não sabia que ela era capaz de tanta rapidez!
Quando estava muito gostoso, eu soltei as minhas mãos e viajei nas forças dela,  porque eu sabia que estava segura na verdade daquela brincadeira.   Abri as minhas mãos, elas estavam suadas. O vento que batia nelas as refrescava. Por um momento, percebi que o tempo queria investir em mim. Fui, pois, resistente.
Num certo momento da brincadeira, que eu não sei precisar, aquela criança que eu abandonei lá atrás me impulsionou e não teve como: o amanhã investiu rapidamente, muito rápido mesmo,  transpassando o meu peito maduro. Eu vi, então, a queda da minha adulta.
Percebendo-me indefesa, a criança foi diminuindo a sua velocidade. Enquanto eu continuava sorrindo, a fisionomia daquela figurinha se fechava em preocupações. Ela tentou me reagir.
O amanhã investido se fez ontem num imprevisto medonho. Não dava mais tempo de sermos a mesma pessoa naquele curto período que brincamos de gangorra num ponteiro da minha vida que aquela figurinha soube proteger.
Os outros ponteiros,  os meus, não me recordo em qual espaço do meu tempo eu os larguei. Mas, atrás do dela, o único,  posso ouvir os tique-taques, tique-taques, tique-taques aqui,  onde ela melhor me passou, distraindo-me com a  figurinha que ela conseguiu, tanto quanto eu,  trazer junto comigo, para vivermos, juntas, nas pessoas que nós somos, o tempo que o tempo quiser.  

Autoria – Rita de Cássia Zuim Lavoyer