CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2015 - Recebeu voto de aplausos pela Câmara Municipal de Araçatuba;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba;

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras;

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de abril de microconto Escambau;

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.

2017 - 24ª classificada no TOP 35, na 2ª semana de outubro de microconto Escambau;

2017 - 15ª classificada no TOP 35, na 3ª semana de outubro de microconto Escambau;

2017 - 1ª classificada no concurso de Poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2017 - 11ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de outubro de microconto Escambau;

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Mandar prender bandido pobre é fácil, difícil é manter políticos na cadeia


           Não sou favorável ao projeto  de redução da maioridade penal no Brasil,  projeto do senador  Aloysio Nunes (PSDB), que prevê a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos, tráfico de drogas, tortura e terrorismo.

          Eu achei justo o projeto não ter sido aprovado. Um projeto que não se preocupou em criar condições para melhorar o sistema prisional para receber crianças não é um projeto plausível.

         Tirar o agressor do convívio social, apesar de não ser fácil, acaba sendo uma solução, quando não há mais a última gota para matar a sede de justiça que o povo sente.   Dá para entender a  intenção do senador quanto a segurança da população... 
          E depois disso? Lavam-se as mãos como se o único problema social fosse a criança que se tornou criminosa, sabe-se lá por quê? Razões devem haver.  Uma criança com 16 anos que aos 8 anos já matava teve quanto tempo de vida?  tempo de carinho?  tempo de ser respeitada como ser humano que um dia ela nasceu, mas o próprio berço a fez se tornar um ser violento? Como discutir isso com a criança presa entre adultos de piores espécies que a dela?

         Os presídios estão sucateados, onde caberiam esses “novos condenados?”  Com a mesma velocidade com que  construíram  os estádios para a Copa do Mundo, construiriam também novos presídios? E daí se conseguissem? É mais importante investir em estádios faraônicos e presídios do que em educação, saúde pública, infraestruturas, segurança etc...? Nesse sistema prisional brasileiro esse adolescente de 16 não corre o “risco” de desenvolver ainda mais o seu  potencial criminoso, já que os programas de ressocialização dos nossos presídios apresentam-se deficientes?   Isso dá textos, heim?  

         Agora, achar que essa criança pode ser enquadrada porque já pode votar – como eu li e ouvi entre muitos pensantes-  é no mínimo estranho. Fosse assim estaríamos todos na cadeia, já que o culpado, como sempre, é o povo. Não somos nós, adultos,  que temos a maior arma nas mãos: o título de eleitor!? Poder  votar aos 16 anos é culpa de algum adolescente de hoje? Deve ser bom para muitos traficantes que se candidatam e conquistam votos de aprendizes de meliante.

          Então, somos mesmos os culpados pela sociedade se apresentar dentro deste quadro dramático de violência?

          Somos crianças cometendo um crime hediondo votando nesse ou naquele traste?  Ou seremos adultos suficientes para carregarmos a ingenuidade de uma criança sendo torturada para votar num traste ou no outro? Ou lavamos as nossas mãos não votando em nenhum político já que muitos  do todo são uma droga mesmo?

         Não pense que ser contrária ao projeto estou retirando a responsabilidade do malandro, não cometeria tamanha hipocrisia sabendo que minha família corre tanto risco quanto aos que clamam pela aprovação do projeto. Digo que, ao meu ver,  o projeto não é viável, porque se prender causasse medo os bandidos liberados não se arriscariam a voltar  à prisão - que para alguns é melhor do que aqui fora, que teriam que trabalhar para ganhar o sustento da família, se ele for o provedor dela , aí, na boa, a família do presidiário ganha um auxilio  para garantir a sobrevivência do núcleo familiar.            Se colocarmos tudo isso na balança a população vai pagar mais ainda do que já paga. Com essa segurança que temos, o povo brasileiro está é ferrado  de todo jeito, inclusive os pobres policiais e as crianças que nascem sem culpa e acabam culpadas por terem nascido. E o ECA  sofreria alterações em seu conteúdo?  Complicada pra caramba essa questão.
          Crimes hediondos, tráfico de drogas, tortura e terrorismo – isso pra mim é gravíssimo, mas os meliantes não cometem esses crimes apenas aos 16, muitos já vinham praticando essas atrocidades desde criancinhas e vão entrando na situação problema que, aos 16 anos, já não há meios de elas caírem fora. Então, os cuidados que receberam no  passado não foram suficientes (se é que foram cuidadas –muitas não foram), como condená-las para o futuro??

         Também não convém dizer: - “ Está  com dó adote um bandido”, como foi noticiado recentemente por uma âncora de um Jornal de horário nobre.  Mas nesse  faroeste em que vivemos, não deixa de ser um alerta ao poder público que se mostra impotente diante da justiça que a população tenta fazer com as próprias mãos, inclusive amarrando ladrão  em poste. Uma contradição entre a fala da jornalista com a real situação de adoções no país, pois  na fila para adoção de crianças há uma imensidão de casais esperando por  um filho.   Ninguém quer adotar um bandido, querem ter a oportunidade de repartir alegrias, transferir conhecimentos e experiências educacionais. Salvo alguns loucos que adotaram para judiar da criança, como o caso da procuradora Vera Lúcia, acusada de torturar a menina de 2 anos que pretendia adotar (2010). Cadeia pra essa marginal!

          Embora existam projetos de excelência sendo executados pelas Varas da Infância e da Juventude, a  Fundação Casa, o Ministério Público não dão conta de atender a demanda, por não atingir completamente o  alvo e muitos  assistidos desviam-se para o pior. Conheço profissionais competentíssimos trabalhando nessas questões.

         O jovem , não conseguindo sair dessa redoma do mal, trancafiá-los em um presídio não é a solução.  Pode ser, sim, “um meio-termo” como bem argumentou o autor do projeto, senador Aloysio Nunes, para proteger uma população – a do bem-  da outra população – a do mal-  como leio do projeto suas subliminares.

         Vejo o projeto com um teor paliativo, para limpar as cidades hoje, mas para amanhã uma bomba carcerária.   Entupir os presídios não convém, a não ser que  intencionem uma carnificina.  Ai sim, não haveria mais criminosos, estariam bandidos matando bandidos e fica tudo bem, sem culpados?

         Não é de causar admiração a bancada da situação votar contra o projeto do senador Aloysio Nunes, haja vista aceitar que a população faça vaquinha para tirar os acusados do mensalão da prisão. Não haveria contradição se eles votassem a favor do projeto?  

         Quantas crianças e adolescentes chegaram ao ponto da bandidagem por não terem condições dignas de sobrevivência, causada, inclusive, pela corrupção neste Brasil?

         Neste Brasil, acusar, julgar,  condenar  e mandar prender bandido pobre é fácil, quero ver manter os políticos corruptos de todos os partidos na cadeia.      ]
 
autoria- Rita Lavoyer 

                                                                                              

domingo, 16 de fevereiro de 2014

FALTA D'ÁGUA E EUTANÁSIA


 
“Minorai os derradeiros sofrimentos, quanto o puderdes; mas, guardai-vos de abreviar a vida, ainda que de um minuto, porque esse minuto pode evitar muitas lágrimas no futuro." - S. Luís. (Paris, 1860.) Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo V.

Semana passada dois assuntos me chamaram a atenção, tocaram-me profundamente:   a falta de água em alguns bairros da cidade de Araçatuba e a aprovação da eutanásia na Bélgica.

Viver em pleno calor de 40 graus à sombra não é fácil, ainda mais faltando água dentro de casa.  Houve problemas numa adutora e a Samar não foi capaz de sanar o problema a tempo, deixando vários cidadãos araçatubenses com o sangue fervendo: de raiva!

Não tiro deles a razão, sei o que é passar sem água e sem energia. Morava em Santarém–PA, cidade quentíssima banhada pelos rios Tapajós e Amazonas, onde o encontro das águas acontecia lavando os olhos da natureza e os meus por assistirem tamanha beleza, todavia dos meus olhos  vazavam lágrimas, lavando também a minha ilusão de ver aquela população sendo tratada com o respeito que ela precisava e merecia.

Via, muitas vezes, o socorro vir pelas mãos da população que, com enxadões  e outros instrumentos nas mãos, furava as ruas até encontrar um cano que pudesse vazar a água, que estava enterrada, mas não chegava às torneiras, sem contar que ainda sofríamos com o racionamento de energia em toda a cidade em pleno final do século 20, a termoelétrica abastecia hospitais, de tempo em tempo cada região da cidade recebia um pouco de luz, então desligávamos as lanternas e economizávamos pilhas.

Vi araçatubenses sofrendo nesta semana o que minha família passou no século passado. Dois dias sem tomar banho, sem lavar ou cozinhar! Muito triste! Lembrei-me das minhas dificuldades naquele século e chorei. Sim, conseguimos viver sem energia, mas sem água não! Araçatubenses e nem outro ser humano  merecem passar por esta demonstração de resistência. Mas passam e  sobrevivem!

Quantas formas legais  existem de o homem desencarnar? Há várias e eu não vou listá-las aqui. Quando leio : - “Bélgica aprova eutanásia em crianças, menores de 18 anos”. Quando sei que uma lei desta passou com 86 votos a favor e 44 contra,  de repente, perco até a sede e dos meus olhos vazaram lágrimas.

Não sou a favor de nenhum processo que permita que se abrevie a vida de alguém. Se o direito à vida é o mais fundamental de todos os direitos, acredito que o de morrer no tempo certo também seja. Ainda que a pessoa agonize num período de sua existência, respeito perfeitamente o sofrimento dela, não concordo com a antecipação da morte. Apressar o desencarne de alguém é impedir que a morte exerça a sua função no seu tempo.  Muito triste!

 Mas na Bélgica ela vai passar a morte matada, embora grupos de pediatras e da igreja católica estejam resistentes a isso.

Não matemos a morte, nosso corpo não é como uma lanterna que, se desligada,  a pilha  para de funcionar. Muitas mãos farão da eutanásia  instrumento a fim de socorrer os que agonizam, mas ela não lavará o problema existente naquele que chora. Enterrar o problema não é chegar à solução dele, ao contrário: é privar o ser humano da oportunidade de entrar em melhores condições no plano espiritual. Enquanto houver energia que pulse um corpo, abreviá-lo não porá fim nela. 

Voltando ao nosso problema: privar o ser humano da água é tirar-lhe oportunidades, ainda mais aquelas que ele tem por direitos, por pagá-las. Todavia, nada justifica as agressões que os funcionários da Samar e os policiais sofreram quando os caminhões  tentaram entrar no bairro para levar água em socorro dos moradores. Funcionários e policiais são tão vítimas quanto aqueles que ficaram sem água. São todos empregados obedecendo às ordens de superiores.

Espero que a Samar não permita mais que a população araçatubense passe essa raiva. Para minha família não faltou água, também não quero que falte para ninguém, porque eu agonizo junto com os que sofrem. Ainda bem que há muita energia pulsando vidas aqui, não permitindo que maus feitos abreviem suas raças, matando-as de raiva.

Privar o homem de água é matá-lo em conta-gotas, bem pior do que a eutanásia, que é instantânea e sem sofrimento.

Autoria – Rita Lavoyer

 

 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

SERRA DAS SETE VOLTAS publicado neste blog em 13/12 ou VIAGEM LITERÁRIA de 04/02/2014




Texto publicado no jornal Folha da Região em 04/02/2014.


Presentearam-me com o livro “Serra das Sete Voltas”, escrito por Francisco de Assis Brandão, de Araçatuba, lançado em 27/11/2013 e confesso: fiquei encantada. Lendo as primeiras páginas eu já sabia que não o largaria antes de terminá-lo. Fui, pois, cativada por esta produção elaborada com estilo próprio de quem sabe contar.   

A obra foi composta pelo simples prazer que o autor traz em registrar histórias, fazendo deste ato uma arte, e o fez com maestria, sem pretensão de atender convenções afins, mas consciente da sua condição de produzir, como ele próprio diz “não sou literato” e, sem dizer nada, deixa-nos claro a importância de ele ter desenvolvido sua liberdade criativa.

            Durante toda a leitura, expandia-se minha recepção, ficando, a cada página, propícia à estética deste literato que historiou, num jogo cronológico, rompendo um abismo entre o tempo e o espaço, contos muito bem contados de causos muito bem ouvidos e assimilados por uma criança que vive nos seus 87 anos, que tem a Filosofia como mãe de todas as artes, que sabe contar porque apreendeu convivendo. 

Coloca no mesmo páreo o sublime de ontem e o grotesco de hoje, ora revezando um e outro no tempo sem, com isso, tomar partido, mas, simplesmente, fazendo um balanço entre eles, onde o real e o imaginário equilibram-se num bucolismo, ora trágico, ora irônico, arrancando-nos risos pelos feitos e desfeitos dos personagens de cada conto, em seu cotidiano vivido ao caldo de suores e lavado por lágrimas de alegrias e de tristezas.

Em Araçatuba há Literatura sendo produzida fora dos grupos compostos por escritores e o livro “Serra das Sete Voltas” traz em si um estilo que o distingue entre outros; tirou-me do lugar de leitora, acrescentando-me, substancialmente, alguns elementos que me fizeram debruçar sobre ele após a leitura dos contos, para  uma viagem além das letras. 
 Torço para que os que apreciam livros de araçatubenses, para uma posterior premiação, o tenham lido e o coloquem entre os conhecidos que concorrerão a um prêmio este ano,  por ser meritório.

 Para compreender isso e mais um pouco de boas histórias muito bem contadas, só lendo Francisco de Assis Brandão; mais conhecido como Sissa e, com ele, subirmos a Serra, compreendendo um passado gostoso cujo efeito narrativo desponta para a posteridade.

Cumpre-me, por ser leitora e autora de alguns textos, convidar os araçatubenses a conhecer este escritor.  Nesta obra dele viajei, e em cada caso finalizado, achava-me ansiosa para chegar à próxima página, aventurando-me em cada uma das Sete Voltas.  

Já fui atrás e estou de posse do seu primeiro livro: “Sertão, Jagunços e outros contos”, lançado em 2006. Lendo-o e achando-o tão bom quanto este a que me refiro.  

Eu sai do meu estágio de leitora para o de destinatária desta obra literária entendendo que vale a pena subir a “Serra das Sete Voltas”, ficando!

 
 Texto publicado neste blog em 13/12/2013

                                      SERRA DAS SETE VOLTAS de FRANCISCO DE ASSIS BRANDÃO

                “...meu destino sou eu mesmo, minha vida é só minha e tenho que levá-la do jeito que der; o fardo é de cada um de nós, e não adianta querer repartir o peso com ninguém. Cada um que cuide de si...” Astério.

                Terminei hoje a leitura da obra do senhor Francisco de Assis Brandão: ”Serra das Sete Voltas”, lançado em 27 de novembro, em Araçatuba.   Através dela, adentrei a Serra, dando voltas, todas convidando-me a outras... outras... e outras. Registrarei aqui minhas impressões.

                Como muito bem prefaciou Marina, neta do escritor: “ A sabedoria, quando não é contada, posta em palavras e registradas em um livro, pode ser perdida no meio do caminho.”

                Concordo com Marina, pois em “Serra das Sete Voltas” ninguém se perde, pelo contrário: encontra caminhos encantadores.

                Durante toda a leitura, expandia-se minha recepção, ficando, a cada página, propícia à estética deste literato que, percebe-se não intencional,  historiou, num  jogo cronológico, rompendo um abismo entre o  tempo e o espaço,  contos muito bem contados de causos muito bem ouvidos e assimilados por uma criança que vive nos seus 87 anos,  que tem a Filosofia como mãe de todas as artes, que sabe contar porque apreendeu convivendo.  

Coloca no mesmo páreo o sublime de ontem e o grotesco de hoje sem, com isso, tomar partido, mas,  simplesmente, fazendo um balanço entre um e  outro, onde o real e o imaginário equilibram-se num bucolismo , ora trágico, ora irônico, ecoando como os cantos dos “galos nas madrugadas, latidos de cães ao longe”.

                Desde “A viagem”, foi me dando uma vontade danada de ouvir uma primeira “Serenata” e , entre um “Dilema” e outro de um “Jagunço trapalhão”, achei que fosse tudo verdade a gênese  de “Barburama”,  que de sábio tinha tudo, mas  sua técnica de autocontrole não o impediu de terminar num hospício de Barbacena.

É prá cabá ler isso: “ o meu professor de português dizia que o povo ali não precisava se alimentar, pois passava o dia comendo sílabas, letras e até palavras inteiras.” Mas se nas páginas seguintes não viesse a explicação do que é “baissoai” , juro que eu ia atrás desse escritor arrancar-lhe as orelhas.  A minha ansiedade foi recompensada pelas risadas proporcionadas na leitura do dicionário improvisado pelo povo - aquele povo protagonista das ações e reações do cotidiano vivido ao caldo de suores e lavado por lágrimas de alegrias e de tristezas.

Enfim, Francisco não engoliu nenhuma sílaba, muito pelo contrário, botou tudo que sabia para fora. Com Astério, risadas à parte, entre o porco branco ou preto, melhor foi a sabedoria que o burro Penacho trazia, salvando a boiada e o dono dela, direcionando-os para um rumo que nem patrão, nem empregado supunham  mais encontrar para chegarem vivos nas terras de onde saíram. De “Serra das Sete Voltas” - o conto: "Chapadão da Zagáia"  -, a filosofia que Astério nos passa pelas lições que a vida lhe apresentou nos faz refletir: 
 “ ...cada um que cuide de si. Se há felicidade, ela é fugaz, passageira, escapa sempre, deixando a impressão de que não existe ou que está sempre  mais além...”
 

Para compreender isso e mais um pouco de Memórias bem contadas, só lendo Francisco de Assis Brandão;  com ele, subimos as serras, compreendendo um passado gostoso cujo efeito narrativo  desponta para a posteridade.

Marina, a sabedoria do seu avô não se perderá no meio do caminho.

E eu, saindo do estágio de leitora para o de  destinatária desta obra literária, digo que vale a pena Subir as Sete Serras, ficando...

Adorei conhecê-lo, Senhor Francisco! Que venham outras obras tão boas quanto.

Autoria – Rita Lavoyer

sábado, 1 de fevereiro de 2014

PAI, EU TE AMO , em "Amor à Vida"

 
 
- PAI, EU TE AMO!

“  - Eu também te amo, meu filho”.




          Ouvir isso no final da novela “Amor à Vida”, me arrebentou por dentro. Confesso que há muito não acompanhava novelas, esta, por quebrar tantos paradigmas trazia-me diante da TV. Apesar de ter havido trechos “nada a ver” em alguns capítulos, o trato dado a questão homofóbica está tão plausível que ainda trago as palmas das mãos ardendo. O primeiro beijo da teledramaturgia aconteceu de uma forma que salgou a minha face: chorei! Amei!





            Adorei, do começo ao fim, aquele vilão que tão bem cativava pelo seu talento ímpar que   Mateus Solano traz. Amava vendo-o em suas trapalhadas, não pela inclinação ao mal, mas a performance com que trazia o seu personagem Felix para o telespectadores.  Eu me irritava ouvi-lo chamar a secretária de "Cadela". Ficava esperando acontecer uns tabefes nele e... nada... as cenas corriam pesando a violência apenas e um lado : do Felix.

            Barreiras quebradas, obstáculos vencidos e preconceitos derrotados. Ainda que não completamente, conseguimos enxergar o nosso irmão da forma como ele realmente é: irmão!

            Amei a Linda, autista, e seus quadros representando sua potência, alertando-nos  de que temos que entender que no processo de inclusão, seremos nós, os ditos “perfeitos”, que aprenderemos muito mais com os incluídos do que eles conosco, entendendo que  aprende-se melhor  onde há maior respeito, dedicação, carinho e perseverança. Acreditar no meu próximo é saber que eu posso, com ele, fazer a diferença.  

            Narrar os mais de 200 capítulos da novela não convém, mas, diante dos últimos minutos, a busca incansável de um filho pelo amor  de seu pai coroou todos os capítulos escritos por Walcyr Carrasco.

            Felix, o filho rejeitado pelo pai pela sua condição sexual, através da sua persistência, quebrou do coração daquele pai preconceituoso o cadeado; ambos renderam-se ao amor.

            Quanto mal a falta de respeito pode causar a um meu semelhante, se dele extirpo-lhe os direitos, julgando-o e condenando-o a pagar pelos meus atos.

            Infelizmente, muitos têm que conhecer o fundo do poço para enxergar a Luz que tem ao seu lado, mas, felizmente, existe o fundo do poço.
autoria- Rita Lavoyer