CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classifica no TOP 35 na 4ª semana de abril de microconto Escambau.

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.


domingo, 16 de fevereiro de 2014

FALTA D'ÁGUA E EUTANÁSIA


 
“Minorai os derradeiros sofrimentos, quanto o puderdes; mas, guardai-vos de abreviar a vida, ainda que de um minuto, porque esse minuto pode evitar muitas lágrimas no futuro." - S. Luís. (Paris, 1860.) Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo V.

Semana passada dois assuntos me chamaram a atenção, tocaram-me profundamente:   a falta de água em alguns bairros da cidade de Araçatuba e a aprovação da eutanásia na Bélgica.

Viver em pleno calor de 40 graus à sombra não é fácil, ainda mais faltando água dentro de casa.  Houve problemas numa adutora e a Samar não foi capaz de sanar o problema a tempo, deixando vários cidadãos araçatubenses com o sangue fervendo: de raiva!

Não tiro deles a razão, sei o que é passar sem água e sem energia. Morava em Santarém–PA, cidade quentíssima banhada pelos rios Tapajós e Amazonas, onde o encontro das águas acontecia lavando os olhos da natureza e os meus por assistirem tamanha beleza, todavia dos meus olhos  vazavam lágrimas, lavando também a minha ilusão de ver aquela população sendo tratada com o respeito que ela precisava e merecia.

Via, muitas vezes, o socorro vir pelas mãos da população que, com enxadões  e outros instrumentos nas mãos, furava as ruas até encontrar um cano que pudesse vazar a água, que estava enterrada, mas não chegava às torneiras, sem contar que ainda sofríamos com o racionamento de energia em toda a cidade em pleno final do século 20, a termoelétrica abastecia hospitais, de tempo em tempo cada região da cidade recebia um pouco de luz, então desligávamos as lanternas e economizávamos pilhas.

Vi araçatubenses sofrendo nesta semana o que minha família passou no século passado. Dois dias sem tomar banho, sem lavar ou cozinhar! Muito triste! Lembrei-me das minhas dificuldades naquele século e chorei. Sim, conseguimos viver sem energia, mas sem água não! Araçatubenses e nem outro ser humano  merecem passar por esta demonstração de resistência. Mas passam e  sobrevivem!

Quantas formas legais  existem de o homem desencarnar? Há várias e eu não vou listá-las aqui. Quando leio : - “Bélgica aprova eutanásia em crianças, menores de 18 anos”. Quando sei que uma lei desta passou com 86 votos a favor e 44 contra,  de repente, perco até a sede e dos meus olhos vazaram lágrimas.

Não sou a favor de nenhum processo que permita que se abrevie a vida de alguém. Se o direito à vida é o mais fundamental de todos os direitos, acredito que o de morrer no tempo certo também seja. Ainda que a pessoa agonize num período de sua existência, respeito perfeitamente o sofrimento dela, não concordo com a antecipação da morte. Apressar o desencarne de alguém é impedir que a morte exerça a sua função no seu tempo.  Muito triste!

 Mas na Bélgica ela vai passar a morte matada, embora grupos de pediatras e da igreja católica estejam resistentes a isso.

Não matemos a morte, nosso corpo não é como uma lanterna que, se desligada,  a pilha  para de funcionar. Muitas mãos farão da eutanásia  instrumento a fim de socorrer os que agonizam, mas ela não lavará o problema existente naquele que chora. Enterrar o problema não é chegar à solução dele, ao contrário: é privar o ser humano da oportunidade de entrar em melhores condições no plano espiritual. Enquanto houver energia que pulse um corpo, abreviá-lo não porá fim nela. 

Voltando ao nosso problema: privar o ser humano da água é tirar-lhe oportunidades, ainda mais aquelas que ele tem por direitos, por pagá-las. Todavia, nada justifica as agressões que os funcionários da Samar e os policiais sofreram quando os caminhões  tentaram entrar no bairro para levar água em socorro dos moradores. Funcionários e policiais são tão vítimas quanto aqueles que ficaram sem água. São todos empregados obedecendo às ordens de superiores.

Espero que a Samar não permita mais que a população araçatubense passe essa raiva. Para minha família não faltou água, também não quero que falte para ninguém, porque eu agonizo junto com os que sofrem. Ainda bem que há muita energia pulsando vidas aqui, não permitindo que maus feitos abreviem suas raças, matando-as de raiva.

Privar o homem de água é matá-lo em conta-gotas, bem pior do que a eutanásia, que é instantânea e sem sofrimento.

Autoria – Rita Lavoyer

 

 

2 comentários:

Célia Rangel disse...

Tristes privações de vida... A água que assiste à vida... e vida desassistida... Eterno "teorema"...
Abraço.

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Duas formas de morte - não sei qual a mais cruel e desumana. Penso que a segunda, pelo assassinato envolvido, embora legalmente consentido. Abraços, Rita.