CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2015 - Recebeu voto de aplausos pela Câmara Municipal de Araçatuba;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba;

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras;

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de abril de microconto Escambau;

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.

2017 - 24ª classificada no TOP 35, na 2ª semana de outubro de microconto Escambau;

2017 - 15ª classificada no TOP 35, na 3ª semana de outubro de microconto Escambau;

2017 - 1ª classificada no concurso de Poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2017 - 11ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de outubro de microconto Escambau;

quarta-feira, 31 de março de 2010

UM ELEFANTE INCOMODA MUITA GENTE. UMA FORMIGUINHA INCOMODA MUITO MAIS.


Elefante é um bicho grande. Incomoda pelo tamanho, pelo cheiro. Incomoda porque... Porque incomoda, ué!


É um animal em extinção. Alguns estão no zoológico, outros no circo. Poucos estão em seu habitat natural.


Apesar de ser grandalhão, tem um cérebro do tamanho de uma formiga. Se ele tiver uma formiga formidável dentro dele, “vixi!”, ele será grandalhão e inteligente. Aí sim, vai incomodar muita gente mesmo!


Mas é fácil tirá-lo do caminho. Pelo tamanho todos conseguem vê-lo. É só juntar muita gente forte, amarrar o bicho, pôr na jaula e mandá-lo para onde achar que deve, afinal qualquer agulha consegue acertá-lo.


A formiga... Bem...

A formiga é um bichinho muito pequenininho. Tão pequenininho que muitas morrem sem antes conseguirem ver o próprio pé, pois os pés dos outros as esmagam logo que saem do ninho.

E por falar em ninho, tem o de cobras. Mas como há poucos ninhos, cobras têm que comer cobras. As que sobram têm o rabo preso entre si para garantirem sobrevivência.


Nesse ninho, nem elefante, tão pouco as formigas, gostariam de meter os pés. Ou patas? Hum! Sei não! Melhor usar patas, porque se metem com as galinhas, são do mesmo círculo, e se elas forem gordas dão canja mais suculenta para a cobra comer, e a gente vai falando, o novelo enrolando e poucos entendendo.


Por falar em entender, dizem que quanto mais entendemos das coisas, mais inteligente somos. Ouvi uma história contada por muitos bichos, porém da mesma espécie, mas não entendi direito. O que eu sou então, já que eu não entendi?
E a história foi rolando. Galinhas e patas brigando para bicar uma formiga. Mas a bichinha era ligeira, de olhinhos vivos sabia do apetite das penosas por ela. Na disputa, saiu correndo. Viu-se acuada em determinado momento e o único esconderijo foi o ninho da cobra.


Lá adentrou-se. O espaço era pequeno, feito para o formato da cobra, se esticada. Um cano? Parecia que a formiga ia entrar pelo cano mesmo.

A cobra percebeu algo, mas nada via. Sentia que pisava nela, pesando-lhe. Rastejou-se e saiu do ninho.


Teve espaço. Esfregava-se no chão para tentar tirar aquele incômodo que andava pelo seu corpo. A formiguinha ficou. A cobra dava de rabada em si mesma tentando livrar-se daquilo, enquanto as penosas assistiam à cena.


Sentiu o negócio andando por sua cara. Contorceu-se toda e meteu o próprio rabo na cara, mas não acertava a formiguinha. E a cara foi inchando. Sábia, a formiguinha desceu pelo corpo da cobra alojando-se nas costas. Foi quando a cobra pode vê-la.


A pequenininha, provocativa, sorriu para a cobra que, num ataque destemido, meteu as presas no próprio corpo, morrendo com o próprio veneno.

A formiguinha saiu ilesa. As penosas aproveitaram e comeram a cobra, mas morreram de indigestão.
O elefante?

Celebra o cérebro da formiga e sua razão de ser – incomodar, incomodar, incomodar muita cobra; digo, muita gente.
RITA LAVOYER

terça-feira, 16 de março de 2010

DIA DA POESIA



POESIA DO POETA

Poeta é quem transforma as durezas da vida em saberes mais saborosos de sentir.A Poesia não está somente nas palavras escritas, faladas ...

Poeta não é somente aquele que autentica o papel com a sua tinta, e que compõe, e que declama... O Poeta é a alma do corpo da Poesia. Qualquer gesto de carinho é Poesia. O Poeta, por onde quer que ande, deixará sempre sua essência no ar. Eu sou Poesia porque tudo em mim é harmonioso. Sou inspiração.Somos inspiração do maior Poeta do mundo – “O Criador”.

Logo, estou em harmonia com o Universo que é o maior Poema que já foi escrito.

Sou eu mesma.

POETA DEUS

Somente o Poeta tem visão de Deus, alma de Deus, amor de Deus.
Somente o Poeta é Deus.
Por isso, Deus fez a arte; o Poeta, as palavras.
Unidas em Poesia, palavras se endeusam na arte de poetizar.


RIMA A REMO

Um navegador de poucos mares quis, a todo custo, encontrar um lugar encantado. Sabia que ele existia porque tinha lido a respeito.
Desengonçado e sem jeito, quis ir lá de qualquer forma. Mas ainda não era a hora. Ele ainda não tinha pena no peito.
Entrou em seu barco e navegou no seu pequeno mar.
Sem pena, rima a remo, rima a remo, rima a remo foi levar.
Cansou-se. Virou remo e a rima empurrou. Remou a rima, remou a rima para o mais alto mar.
Mas aquele lugar ele não conhecia e deixou o barco virar. Rima levou o remo e o navegador errante para o fundo do seu lar.
Rima rumou rumo ao lugar encantado que o navegador estava a procurar.
Coitado! Era um lugar tão bonito e puro. Oh, lugar encantado!
Rima seguiu a remo. Rima e remo, rima e remo...
O remo, a rima tratou logo de salvar.
Que pena! Deixou ali, naquele lugar encantado, aquele navegante amante, porém errante...
Se tivesse levado pena, nela teria se agarrado e não morreria afogado no poema que não soube decifrar.
Foi tão mero a mira da rima no remo que não há mais rima a acrescentar.
Como rima e remo têm sentimentos, formaram um belo par.
Vivem os dois, voando na terra e no mar sob o capricho da pena de quem sabe encantar.


Feliz dia, Poesia! Feliz Poesia, meu Dia!

Rita Lavoyer


Texto publicado no Jornal Folha da Região em 16/03/2010

Imagem p3nsam3ntos.blogspot.com

segunda-feira, 8 de março de 2010

SOU MULHER



Durante muito tempo na minha vida eu pretendia ser o que hoje, certamente, não sou.
Eu fui muitas coisas, dentre elas quase nada. Até que continuo com muitos ‘nadas’, mas o ‘quase’ é o que faz a diferença absoluta, quando se sabe o que tirar do vago, do vão ou do próprio nada.

Lutei e me desgastei por sonhos medíocres; desisti no meio de caminho de projetos importantes.
Fui a morta que contaminou a terra com o meu corpo quando desisti de muitas coisas por desânimo.
Já tive esperança e pouca fé. Fui religiosa que procurava a salvação no Templo e não no Cristo. Por procurá-Lo de forma errada, Ele decidiu vir ao meu encontro para gritar à minha alma que sempre estará comigo.


“Desânimo” era o nome que eu dava aos motivos das minhas desistências. Hoje eu o nomeio ‘coragem’ de ter desistido das coisas que eram chatas, que não me agradavam ou que me faziam tão mal.
Andei na chuva por falta de abrigo, fui acolhida porque tenho amigos. Já almocei sem ter vontade, dormi com fome sonhando com a janta; comi com os olhos e matei com a boca. Já menti para proteger alguns, fui sincera em ocasião que jamais deveria ter sido.


Fui a saudade do peito da minha mãe. Muitas vezes, as lágrimas dos meus irmãos quando brigávamos enquanto crianças, mas também fui o orgulho do meu avô. E sou a criança que deixava cicatrizes nos joelhos, impedindo-me hoje usar saias acima deles.
Sou esposa e mãe com coragem de ser apenas isso, quando pretendo ser apenas isso, sem que ninguém me dê ordens de ocupação para cumprir protocolo, mas esqueço-me quando assumo compromissos e preciso cumpri-los, respeitando a ordem e os ideais hierárquicos a que me submeto no exercício do meu dever.
Bati nos filhos, xinguei o marido e chutei o cachorro. Quebrei pratos na parede pela necessidade de me sentir louca.


Trai alguns princípios fracos e os recuperei fortalecidos para não deixar morrer um desejo que só uma mulher consegue parir. Tive vontade de vestir fantasias exuberantes, hoje necessito despir-me de mim, quando tento me encontrar ou me vejo bagunçada dentro do sangue que corre nesta minha carne tão viva.


Esqueço-me de algumas coisas de propósito, mas relembro outras só de pirraça.
Às vezes revejo meus pecados e peço perdão. Ora perdoada; outras, não! Mas preciso continuar, com os pecados ou sem eles. Não chicoteio mais o meu instinto enjaulado para vê-lo domado.
Sou mulher e digo o que sou, (ainda que me esquecendo de muitas coisas importantes, boas e más) revelando os vestígio para que ninguém necessite me historiar. Tento fazer minha própria história com o presente, evitando ser reconstrução que remonte o passado.


Sou política de verso, reverso e de troça ao sistema sem me eximir das minhas obrigações de cidadã. Elogio quando vejo mérito no trabalho e no profissional que o executou. Às vezes excessiva.
Não leio e não procuro os clássicos somente por sê-los, contudo debruço-me sobre os códigos que compõem a histórias do mundo que me cerca para que me alfabetizem.
Não lhes tiro o mérito, mas não babo sobre personagens famosos e distantes do meu mundo. Apenas absorvo, para compreender ou usufruir, suas idéias que, com coragem, se propuseram divulgar.


Não pretendo conquistar ninguém com as minhas virtudes, mas mostras meus defeitos, porque faço deles a minha cartilha.
Nesta passagem consegui muitas coisas, só não ‘deixar de amar’.

Por isso amo e quando digo: “Eu te amo” é verdadeiro. Pelo excesso desse sentimento precisei buscar conhecimento do antônimo dele para equilibrar-me na estrutura do meu respeito e da minha realidade, dando o sentido verdadeiro ao amor.
Há um terceiro ser em mim, entre o meu corpo e a minha alma, unindo-me às minhas identificações. Uma força inesgotável que tem cheiro, gosto e temperatura controlados pela minha índole.
Aprendi que alegria é um sentimento; felicidade, outro e tristeza o nosso antídoto contra ilusões. Naquela primeira, eu fico extasiada por um momento. Na segunda eu vago, porque sei que ela é um alicerce flutuante sobre o qual deposito os meus planos. Todos a queremos, e no afã de alcançá-la eu alço vôo ancorada no que sou e, na terceira me curo.
Deus e o Seu Filho são o que acredito absolutos, mas o meu relativismo é subjetivo.
Não sonho minha existência abundante, apenas quero viver.
Afinal, eu não sou qualquer uma. Eu sou Rita Lavoyer.

quinta-feira, 4 de março de 2010

NÃO FOI MULHER POR QUERER SER

Ela não era bela, mas inventou que poderia amar. E não deu outra. Quis se apaixonar por um rapaz que, possivelmente, lhe daria um beijo. Ela se entusiasmou com aquele sonho de ser beijada. Um encontro poderia ser a solução àquelas vertigens que a acometiam em noites mal sonhadas.


De tanto que ela pedia, ele cedeu. Ele não era lá grande coisa. Mas na balança das necessidades o peso completa o leve. Ambos se equivalem à medida das circunstâncias.


Queria estar radiante para aquele primeiro encontro. Quis mudar os cabelos ruins, torná-los mais lisos, macios e cheirosos. Não tinha nada para passar neles a não ser o pedaço de sabão que era dividido com o banheiro, o tanque e a cozinha.


Procurou um meio de, naquela noite, estar diferente do seu ranço diário. Não encontrava nada que pudesse tirar-lhe o mau cheiro. Sabia que ele encostaria o seu rosto no rosto dela. Ela desejava aquele beijo mais do que a quem o daria. Precisava do beijo.


O horário já se aproximava e não tinha nada que melhorasse o seu aroma para a ocasião. Com as roupas não se preocupava, iria com a única que tinha, já era parte integrante do seu corpo. No desespero de não decepcionar no primeiro beijo que receberia, saiu!


Demorou muito e nem deram por sua ausência naquele lugar em que ficava para viver. Mas deram quando a polícia bateu à porta informando que a moça feia de cabelos ruins fora presa por furtar em uma perfumaria um frasco de xampu.


Não havia o superior estudo e numa cela foi igualada. Estava lotada e continuou apanhando ali também.
Retiraram-na ensanguentada e a levaram para uma sala vazia, onde ninguém nada via, nem ouvia.
Alguém de farda encarregou-se de aumentar ainda mais o fardo daquela moça feia de cabelos ruins que sonhava estar cheirosa para um beijo, o seu primeiro. Atravessou-lhe o olho, vazando-o. O sangue que jorrava entupiu-lhe os berros que queriam escapar pela sua boca.


Infeliz! Ainda bem que foi vazada. Se a deixassem impune de tão hediondo crime o que mais poderia vir a roubar depois? Carne no supermercado para aquele que poderia vir a ser o seu marido por causa de um beijo cheiroso, ou remédio na farmácia para os futuros filhos seus?


Encolhida em sua cela, cerra-se uma visão sua , ajudando-a a sonhar menos em ter seus cabelos cheirosos para serem tocados antes de um beijo que não teve coragem de roubar, porque o queria doado, amado, saboreado.


Roubou o errado. Ele não lhe valeu a pena. Agora pena aí, saboreie o amargo do xampu nos rasgões do seu corpo, enquanto o tempo lambe o beijo que deixou fugir da sua boca.


O maior crime que uma mulher pode cometer a si mesma é deixar escapar a oportunidade do desejo, esse que somente ela é capaz de fazer nascer.
Vá mulher, roube-o agora. O beijo.

Rita Lavoyer


Texto publicado no Jornal Folha da Região em 04/03/2010.