CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classifica no TOP 35 na 4ª semana de abril de microconto Escambau.

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.


quinta-feira, 4 de março de 2010

NÃO FOI MULHER POR QUERER SER

Ela não era bela, mas inventou que poderia amar. E não deu outra. Quis se apaixonar por um rapaz que, possivelmente, lhe daria um beijo. Ela se entusiasmou com aquele sonho de ser beijada. Um encontro poderia ser a solução àquelas vertigens que a acometiam em noites mal sonhadas.


De tanto que ela pedia, ele cedeu. Ele não era lá grande coisa. Mas na balança das necessidades o peso completa o leve. Ambos se equivalem à medida das circunstâncias.


Queria estar radiante para aquele primeiro encontro. Quis mudar os cabelos ruins, torná-los mais lisos, macios e cheirosos. Não tinha nada para passar neles a não ser o pedaço de sabão que era dividido com o banheiro, o tanque e a cozinha.


Procurou um meio de, naquela noite, estar diferente do seu ranço diário. Não encontrava nada que pudesse tirar-lhe o mau cheiro. Sabia que ele encostaria o seu rosto no rosto dela. Ela desejava aquele beijo mais do que a quem o daria. Precisava do beijo.


O horário já se aproximava e não tinha nada que melhorasse o seu aroma para a ocasião. Com as roupas não se preocupava, iria com a única que tinha, já era parte integrante do seu corpo. No desespero de não decepcionar no primeiro beijo que receberia, saiu!


Demorou muito e nem deram por sua ausência naquele lugar em que ficava para viver. Mas deram quando a polícia bateu à porta informando que a moça feia de cabelos ruins fora presa por furtar em uma perfumaria um frasco de xampu.


Não havia o superior estudo e numa cela foi igualada. Estava lotada e continuou apanhando ali também.
Retiraram-na ensanguentada e a levaram para uma sala vazia, onde ninguém nada via, nem ouvia.
Alguém de farda encarregou-se de aumentar ainda mais o fardo daquela moça feia de cabelos ruins que sonhava estar cheirosa para um beijo, o seu primeiro. Atravessou-lhe o olho, vazando-o. O sangue que jorrava entupiu-lhe os berros que queriam escapar pela sua boca.


Infeliz! Ainda bem que foi vazada. Se a deixassem impune de tão hediondo crime o que mais poderia vir a roubar depois? Carne no supermercado para aquele que poderia vir a ser o seu marido por causa de um beijo cheiroso, ou remédio na farmácia para os futuros filhos seus?


Encolhida em sua cela, cerra-se uma visão sua , ajudando-a a sonhar menos em ter seus cabelos cheirosos para serem tocados antes de um beijo que não teve coragem de roubar, porque o queria doado, amado, saboreado.


Roubou o errado. Ele não lhe valeu a pena. Agora pena aí, saboreie o amargo do xampu nos rasgões do seu corpo, enquanto o tempo lambe o beijo que deixou fugir da sua boca.


O maior crime que uma mulher pode cometer a si mesma é deixar escapar a oportunidade do desejo, esse que somente ela é capaz de fazer nascer.
Vá mulher, roube-o agora. O beijo.

Rita Lavoyer


Texto publicado no Jornal Folha da Região em 04/03/2010.

7 comentários:

Eduardo Lara Resende disse...

Texto atual, limpo, direto. Muito bom.

jhamiltonbrito..blogspot.com disse...

Limpo, direto e deixando claro o que se sabe : Para cada "carderão, uma tampa" ou ainda " para cada pé, um chinelo"
"De tanto ela insistir , ele cedeu"; só mesmo um homem para fazer isso. As desgraçadas, vc pode morrer de insistir, elas não estão nem ai.
E ainda têm um dia só pra elas....
Quem este ler, saiba que sexta feira, praça joão pessoa, 8 hs. evento com o clube da seresta e orquestra municipal, em homenagem a quem?...à mulher.......

Ventura Picasso disse...

História familiar. Um xampu, um pedaço de carne e tome cadeia. Conhecemos por aqui essa realidade. Coisas de pobre, preto e putas.
Lindo texto; uma tragédia gostosa de ler.
Parabens Rita.

Cicilita disse...

Rita,
Às véperas do dia Internacional da Mulher parabéns a você pela realização do seu blog. Realizá-lo é um crime que você não cometeu contra si!
Bjks

Patrícia Bracale disse...

É ISSO AI, QUE NÃO ROUBEM NOSSA OPORTUNIDADE DE ACOMPANHAR ESSE BLOG.
E SE PRECISAR EU VENDO SHAMPOO,RSRSS.

Anônimo disse...

Que legal... Encontrei seu site... E adoro este texto; gostei tanto que quando li na Folha eu o copiei e levei para a sala de aula. Trabalhei-o nas 7ª, 8ª (EF) e 3º do Ens. Médio... / Disponibilizei-o p/ acesso na net aos meus alunos, no meu site... Gostaria de ter uma entrevista de sua pessoa em meu site - www.aracatubaeregiao.com.br - se for possível, me avise. Bjs - Prof. Pedro César

Lúcia disse...

Oi.Esse texto fala das mazelas brasileira,o preto e pobre rouba um xampu e pou!Leva um tiro ou vai preso e por lá morre,o colarinho branco rouba milhões dos cofres público e nada acontece.Não sou a favor de nenhum roupo,porém,todos devem ser castigado;que seja rico ou que seja pobre,um xampu ou um milhão.

Abraços,Lúcia
02/05/010