CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2015 - Recebeu voto de aplausos pela Câmara Municipal de Araçatuba;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba;

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras;

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de abril de microconto Escambau;

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.

2017 - 24ª classificada no TOP 35, na 2ª semana de outubro de microconto Escambau;

2017 - 15ª classificada no TOP 35, na 3ª semana de outubro de microconto Escambau;

2017 - 1ª classificada no concurso de Poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2017 - 11ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de outubro de microconto Escambau;

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

SAL E NENE



O mundo virtual está extrapolando todos os limites possíveis para que a realidade fique refém da imaginação. A realidade já era?
Estamos vivendo em uma era em que o mundo virtual torna possível, o impossível.
Li ontem, 29/12 no MSN que um fanático japonês casou-se com uma personagem de videogame. Com direito a lua-de-mel. Gozado, não?


O nickname do japonês maluco é SAL9000 . O seu nome verdadeiro não é divulgado. Pasmem!
A noiva “felizarda” chama-se Nene Anegasaki. Ela tem características românticas. O rostinho dela é singelo, seus olhos esbugalhados são fascinantes, para não dizer: "zoiuda”.


Bem, não importa o tamanho dos olhos da boneca. O que me chamou a atenção na matéria são as características da noiva pelas quais o noivo, jogador do game Love Plus, se apaixonou. Veja parte da entrevista que o jogador dá a uma rede de T.V.

"Eu amo a personagem, não a máquina", disse SAL9000 à rede de TV CNN. "Entendo perfeitamente que se trata de um game e entendo perfeitamente que não posso estar legalmente casado com ela." "Ela não fica brava comigo nunca se eu me atraso. E se fica chateada, logo me perdoa", justifica SAL. "Estou com ela e não preciso de uma namorada humana."

Love Plus é um jogo, com estilo romântico, em que o jogador pode divertir-se com a personagem, passear, namorar inclusive.

Essas personagens são idealizadas para conquistar e manter o jogador ligado. Persuadem, conquistam... Não é difícil mantê-los na rede, são presas fáceis. Viciam facilmente a ponto de querer casar. Que paradoxo!


Até onde os nossos jovens chegarão para fugir da realidade eu não sei. Mas certo será que em breve, seremos avós de parafusos. Daí, encontrarem-se com suas porcas é outra história. Aliás, porca também é um tipo de jogo de meninos. Os atuais já não praticam mais essa porca digo, esse jogo. Será que o acham uma porcaria?


Talvez porque necessite mais de um jogador, e ter contato direto com outra pessoa hoje já não é tarefa das mais agradáveis, ainda que seja em jogo, quanto mais na realidade, no dia a dia. Ouvir chateações, cobranças, expressar sentimentos, já não é mais um ato tão humano. No mundo virtual os personagens são melhores nesse quesito. É uma tela diante da nossa realidade.


Os games estão jogando com os nossos jovens e ambos estão gostando. Aquele, pela vitória; este, pela carência. Aqui é que a porca torce o rabo.
IMAGEM: getufs.blogspot.com

sábado, 26 de dezembro de 2009

EMOÇÕES




Acho que há mais de dez anos eu não assistia a um show televisivo do rei Roberto Carlos. Ao vivo, nunca!

Por acaso, hoje, passando em frente a T.V, ouvi-o. Olhei-o e não vi nele beleza que tire o fôlego de uma mulher, mas ele tem algo que tira o meu. A voz dele foi me penetrando de uma forma, chamando-me “Rita, sente-se aqui. Hoje eu canto especialmente para você.”

Sentei-me bem na ponta do sofá, porque outras coisas me chamavam.

Também não sei precisar a quanto tempo não assisto a qualquer programa de televisão. Alguns roubam-me a paciência. “São detalhes de uma vida, momentos que eu não me esqueci.”

Conforme as canções iam sendo ouvidas e passadas por uma breve análise pelos meus neurônios, fui notando que o sofá deveria ser bem macio quando eu o comprei. Deveria ser sim. Apesar de estar velho, ainda se mantém confortável para sustentar o meu corpo.

Quis encostar-me nele para ficar. Mas outras coisas ainda me chamavam.

Veja, são tantos detalhes tão pequenos que não observamos de pronto. Precisou o sofá estar surrado para eu me questionar se um dia ele foi bom, apesar de ainda suportar o meu corpo, ou foi o rei, atrás de uma tela fria, tentando me ensinar que “é preciso saber viver”?

Há pessoas que vivem emoções em um sofá. Há sofás que vivem emoções com pessoas.
Quando ele cantou “Jesus Cristo eu estou aqui”, eu lhe respondi, inconscientemente “o meu sofá e eu também”.

Engraçado que os sofás nos acolhem e nunca percebemos isso. Aliás, sofá tem quatro letras, tanto quanto Deus.

As rosas vermelhas foram beijadas pelo rei e jogadas à platéia. O show acabou.
De repente, me deu uma vontade de deitar no sofá, mas... algo mais forte levantou-me para eu escrever este texto.

Ofereço esta canção ao meu sofá:

"Como é Grande o Meu Amor Por Você"
Composição: Roberto Carlos

Eu tenho tanto pra lhe falar
Mas com palavras não sei dizer
Como é grande o meu amor por você...
E não há nada pra comparar
Para poder lhe explicar
Como é grande o meu amor por você...
Nem mesmo o céu, nem as estrelas
Nem mesmo o mar e o infinito
Não é maior que o meu amor
Nem mais bonito...
Me desespero a procurar
Alguma forma de lhe falar
Como é grande o meu amor por você...
Nunca se esqueça, nenhum segundo
Que eu tenho o amor maior do mundo
Como é grande o meu amor por você...
Mas como é grande o meu amor por você...


Rita Lavoyer 25/12/2009

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

SAPATOS NOVOS EM PÉS DE MORTO.


O jovem cresceu e passou a usar os sapatos do irmão mais velho.

Embora com pouca folga, bastavam-lhe.

Cresceu bastando-se, pois seu caminho era estreito.

Teve um filho e passou a usar, também, os sapatos do pai,

homem rude, agora avô.

Bastavam-lhe.

Perdeu o pai e os sapatos dele.

Seu caminho estreitou-se ainda mais.

O mais velho também se foi; com ele, os sapatos.

O estreito afunilou-se.

Precisou usar os sapatos do filho. Eram precisos.

Bastavam-lhe.

Velho, morreu.

O filho jovem e sagaz presenteou-o, para a ocasião, com sapatos novos com os quais foi enterrado.

Basta!

O caminho esta livre.

Alargue-se.


Rita Lavoyer

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

ARAÇATUBA! MÃE-MULHER CEM ANOS LUZ. TERRA ARAÇÁ, CIDADE QUE NOS CONDUZ.



Araçatuba! Mãe-mulher cem anos-luz.
Terra Araçá, cidade que nos conduz.

Ainda virgem nesta terra noroeste,
os teus anjos caingangues nus em pelo
guardavam o hímen, outrora selo indesfrutável,
para protegê-lo, mataram e morreram.
Da tua vida eram eles guardiões,
viraram reles diante de tantas armas,
frente a elas foram foices e canhões.
Estes índios foram a causa
da desfloração tão demorada,
pois não queriam em outros braços
esta terra tão amada.
Não sabiam o porquê a menininha
cheirando a vida e com o viço ainda em flor
para ser mulher houvera passar pela dor.
Com outros seres diferentes de tua pele,
os caingangues assistiram a exploração.
Foi violenta a cena que assistiram,
sem mais bravuras prostraram-se ao chão.
Viram-te sendo aberta e desmatada
de mãos atadas nada mais tinham a fazer.
A vergonha na visão dos aforistas
com brancos panos esconderam membros a vista.
Aqueles anjos, outrora puros, depois homens,
ajudaram o flanco para aqui chegar o trem.
Em tuas áreas adentraram com firmeza
limpando as vias, clareando a escuridão.
Eram jagunços, exploradores e dormentes
Penetrando-te para te remodelar.

Frente a frente com teu corpo tão disforme,
como o ciclo em sua evolução,
de menininha passaste a moça feita.
Já eras fértil e sonhavam com a colheita.
No vai-e-vem do trem em tuas entranhas
fizeram mapa com o teu corpo de mulher.
E logo veio um filho atrás do outro,
porque sabias dar a luz e muito brilho
ao filho, ao pai, ao esposo e aos irmãos.
Descarrilado o trem, tu o punhas no trilho,
Porque progresso é o teu DNA.
Hoje teus filhos em nome deste progresso
Gritam bem alto o teu nome, o teu sucesso:

“Araçatuba! Mãe-mulher cem anos-luz
Terra Araçá, cidade que nos conduz.”

Todo o povo, de joelhos em tuas terras
de onde brotam os homens para vencer
Araçatuba! És mulher e os teus filhos
aqui estão, hoje, para te agradecer.

Mulher-cidade, ainda jovem , toda futuro...
Das tuas tubas fazes brotar os araçás
de cuja árvore gozamos tão doce sombra
para os teus filhos em teus seios repousar.

“Araçatuba! Mãe-mulher cem anos-luz
Terra Araçá, cidade que nos conduz.”

Parabéns, mãe-mulher Araçatuba
por cem anos a todos nós dar a tua luz.
Com muito orgulho teus filhos, hoje, somos
Porque de ti herdamos nossos cromossomos.

Todos os dias são teus dias, tuas horas
presenteando-nos com o teu tempo, com tua história.
Viva a mãe-mulher que fizeste para amar
todos os filhos desta Terra araçá.

“Araçatuba! Mãe-mulher cem anos-luz
Terra Araçá, cidade que nos conduz.”

Escrevi esse texto para homenagear a cidade de Araçatuba em seu centenário, mas acabei esquecendo-o no limbo.


RITA LAVOYER





domingo, 6 de dezembro de 2009

MENINA

Princesa tão linda!
Que filha tão bela!
Dos contos de fada
é a Cinderela.
O túnel da vida
ganhou claridade,
e toda a ilusão
agora é realidade.
Menina!

Seus olhos azuis
faíscam o luar.
Querida menina
só quero te amar.
Um grande tesouro
você é para mim.
Te amarei pra sempre
do começo ao fim.
Menina!

Você completou
o meu sonho materno.
Faça do meu colo
o teu berço eterno.
Criança tão linda,
tão cheia de graça,
a vida melhora
quando você me abraça.
Menina!

No jardim da vida
é a flor mais singela,
mas do universo
você é a mais bela.
Você é minha filha
E o mundo te ama.
Será para sempre
meu bebê Juliana.

Minha filha.
Rita Lavoyer



sábado, 5 de dezembro de 2009

OH, COLIBRI!


Oh, Colibri!
A vida é sua sorte. Sorte é ter um sonho e
não dar asas ao sonho é pena de morte.
Se chegar um sonho
se agarre nele,
seja as asas dele.
Siga com ele.
Oh, Colibri!
Não te tenha pena.
Não tentar a sorte é pena de morte.
Não roube o seu tempo,
pegue na crina do vento e
explore seu sul e seu norte.
Oh, Colibri!
Vá se descobrir.
Quando o seu canto não tiver encanto,
não se desencante, eu sou sua vida!
Sou sua mãe, seu pai.
Não te dou o sonho, te ensino a voar.
Aqui ou acolá, vou sempre te amar.
Oh, Colibri!
Se estiver por um fio
terá nos meus braços o seu cabo-de-aço.
Oh, Colibri!
A vida existe se tiver um sonho em qualquer espaço.
Oh, Colibri!
Pode ser que um dia você colha o frio do vazio em pleno verão.
Pare no seu tempo, mas não pare as asas da imaginação.
Você tem esse dom.
Oh, Colibri!
Você tem esse dom .
Por onde voar, se plantar seu sonho ele brotará.
Vai poder então,
colher os seus frutos
em qualquer estação.
E todos o verão, meu filho,
você com os pés no chão.
Oh, Colibri!
Vá sempre cobrir de asas
os seus sonhos.
Eles são sua vida.
Oh, Colibri!
Voe sempre mais forte.
Não dar asas aos sonhos
é pena de morte.
RITA LAVOYER

QUERO ANDAR NA CHUVA COM VOCÊ!



Puxa! Hoje amanheceu chovendo. Um choro alegre lavando as plantas e as folhas choram de alegria também. Me deu vontade de descer pra rua, deixar as gotas molharem a malha da minha roupa para grudar em meu corpo. Me deu uma vontade de andar na chuva com você. Puxa! Como deu.

Sai andando com os meus olhos sobre os telhados, sobre as árvores, os prédios lavados e a água escorrendo lá em baixo. Me deu uma vontade de andar na chuva com você. Puxa! Como deu.

Voltei o olhar para os meus olhos, deixei o ar molhado me molhar, enquanto apreciava a chuva deslizando no asfalto. Já molhada, me via brincando na chuva com você. Meus pés nus, os seus também. Corremos tanto que já não estávamos mais no primeiro plano. A terra tão molhada cobria-nos os membros. Já era barro e nos sentimos.
As árvores, agitadas com aquele banho de êxtase, soavam canções com as quais valsamos em sintonia. Dois bailarinos e nas pontas, o compasso. As mãos, o enlace, mas os dedos subiram ao encontro da face. Meus lábios pediam: - eu quero os seus. No beijo molhado as palavras achamos e a língua não pôde calar o depois. Dois corpos suados, unidos agora e a chuva, lá fora, parou pra nós dois.

Dentro do plano, já todo esgotado, dois seres amados a saliva molhou. No tronco da árvore, já toda floresta, de novo fizemos do corpo uma festa. No fervor nos amamos, nos amamos e nos amamos e as gotas secaram com o calor do amor. Sobre a relva, dois seres tão selva, no lenho lenhamos e a seiva dos pelos pelas pernas rolou.

Ambiente propício a outro início já era indício para água apagar. Os beijos ardentes secando enxurrada, os amados querendo novamente pecar.
Diante da cena, tão bela e tão plena, coube ao Criador exercer seu perdão. Do alto assistia dois rastros de amor escorrendo no chão.

Do quadro quebrei a moldura e meus olhos voltaram para o olhar do lá fora.

No capricho das horas a chuva foi embora e um pacto comigo o clima selou. Quando a água cair do céu feito chuva, estarei na sacada para me molhar. Seu desejo, em forma secreta de água, entrará em meus poros para me amar.
O tempo é o senhor do meu clima, só ele sabe a vontade que sinto de andar de mãos dadas na chuva contigo.

Enquanto não chega o momento exato me uno ao ato do sonho escondido. É como consigo tê-lo comigo.
Quando chover saberá de nós dois. Se o tempo é uma ponte, seja a minha água, eu serei sua fonte. O relógio não para e ninguém o prevê, só sei que na chuva, ainda quero andar com você.
E se nossos corpos, unidos e úmidos naquela hora, nos enxugaremos na folha de mais uma página escrita na nossa história.
Quero andar na chuva com você. Puxa! Como eu quero.
Rita Lavoyer

VIDA SEM DOR - O FILME



_ Eu sou o diretor!
Foi assim anunciado,
mas tudo começou
sem ter sido planejado.
Coitado! Distribuiu o “script”.
Eu Sou, um pouco sem juízo,
quis rodar o filme no Eterno Paraíso.
A protagonista resolveu ter um ‘piti’.
O nome era Eva, a melhor artista,
mas queria chamar-se Lili,
o nome da antagonista.
Aquela empurrou esta direto pro abismo,
a pobre foi cair numa área de nudismo.
Expulsa do Paraíso foi pra periferia.
Aconteceu de fato o que Eva queria.
Isso não estava no “script”.
Cheia de garra! Pronta pra guerra!
Pequena tão notável. Com a sua queda
precisou sair de cena.
Salvador pra Lili não havia ali.
Virou um ti-ti-ti sobre a Lili.
Eu Sou foi visitá-la.
Ocultou sua face passando entre as valas.
Desceu lá pro inferno e deixou-se seduzir.
Dentro daquele fogo o que viu foi todo o céu.
Explorou dela o mapa secando-lhe todo o mel.
No leite das correntezas Eu Sou se arrastou.
No profano, foi humano, e a Lili, Ele amou.
Rastejou. Achou naquela menina
uma mina de amante .
Exploraram-se nas fontes sem querer achar o fim.
Alucinante, Ele então se declarou:
“Eu sou seu mundo! Eu sou! E você está toda em Mim.”
Do filme, esqueceram-se os dois.
Aproveitaram o momento
comprometendo o depois.
E o que aconteceu? Ela foi todo Ele,
mas Ele perdeu seu EU.
No afã de se achar Ele chorava, ela ria.
O herói deitou o orgulho porque nada mais via.
Acorrentou-se todo nela para perder o duelo
de pele e pelo. O guerreiro,
daquela guerra foi o primeiro.
Mergulhou de peito e alma
num leito de calma e de ternura.
Deleitou-se o Criador no divã da criatura.
Nesse elo de prazer tão envolvente
afugentou-se dentro dela
e de lá se fez tão ente.
Eu Sou fez isso.
Deu-se luz e fez-se Homem.
Envolto em mar de amor,
com medo de se afogar,
escalou a rosa dele
naquela pedra angular.
Subiu ao Paraíso amargando um pecado.
Olhou o seu elenco
e o que foi que ele viu?
Dois pares de mãos
escondendo o covil.
Pensou: “meu sexo no Paraíso refletira.”
O texto daquele filme
escondia muita mentira.
Uma simples cena fez-se obscena
aos olhos do diretor.
“Vida sem dor” Ele o julgou condenado,
porque tinha dentro dele
sentimentos misturados.
Decidiu, então, pôr fim no que tinha começado.
Na rescisão, à Eva deu Adão e um pedaço de maçã
pra com eles conviver em toda Era Cristã.
À Lili deu o diabo
que também foi bom presente.
Transformar-se em tudo sabe,
mas prefere ser serpente,
que rasteja e faz igual O deus que a procura.
Se humaniza, tem desejos, sente dor.
Rastejando-se aos pés dela,
deus-Homem implora o seu amor.
Essa é uma história de um filme não rodado,
mas pra ter vida sem dor até deus trai o diabo.
Rita Lavoyer

Poesia vencedora do concurso “Osmair Zanardi”, 2007.