CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura


terça-feira, 10 de março de 2015

É MARMANJO, ENCOSTO OU O QUÊ ?

Rita Lavoyer

Optei pelo Poupa-tempo  com a intenção de poupar meu tempo mesmo, agendei tudo pela internet  e, semana passada, o dia fatídico  da renovação da CNH chegou. Foi daí que descobri que moro no lugar mais longe do mundo.

Faltava meia hora para  o horário agendado, da escola para  casa não daria tempo de retornar, achei melhor chegar mais cedo para o compromisso na intenção de ocupar o lugar de algum desistente. Dito e feito.

Passei por um guichê, por outro e outro e esperava para ser chamada pelo oftalmologista, sentadinha, quietinha com os formulários da renovação nas mãos; sentou-se ao meu lado um senhor cuja estrutura não consigo descrever, então o resumo como “O gigante do pé-de-feijão”.

– Qual a sua senha? – ele  a pegou da minha mão para comparar com a dele – Então sou depois de você – disse-me.
– É! – respondi.

– Dizem que quem vem aqui e tem problemas de vista não passa de jeito nenhum. Eu tenho problema de cataratas nos dois olhos, mas catarata não é doença, é só uma carne crescida em cima do olho... não sei não se vou passar, estou com tanto medo, porque aqui não passa mesmo!Reprova, tira até a carta da gente!

Virei  bem devagar o meu pescoço para encarar o cara e concluí: é miragem, som pode ser! Isso não existe!   É uma força de outro lugar que veio me perturbar justamente neste dia e horário,  só pode! 

E o homem falava, falava... os decibéis da voz dele  desestruturou toda
escala Richter dos formulários nas minhas mãos.  “ Que isso, Rita! Esse marmanjo não existe,  é miragem. Você está com fome! Daqui a pouco tudo isso acaba, você chega em casa, almoça e tudo se resolve”.

Salva pela chamada. Levantei-me para entrar na sala de exame e ele desejou-me boa sorte assim:

Se você tiver problemas nos olhos, não vai passar!

 Relevei  porque ele não passava de uma miragem, encosto ou sei lá o que!

Sente-se aí e coloque o seu dedo indicador  direito no aparelho -  disse-me o doutor.
Botei, botei, botei e botei de novo !

O sistema não está lendo a sua digital...

Posso fazer nada, doutor! Só tenho esse dedo indicador direito.  Não tenho outro. Faz alguma coisa aí.

Sei lá o que ele fez, enfim, mandou eu olhar no aparelho para ver as letras.

Primeiro com o olho esquerdo. Quais letras você vê ai?

Bota as letras aí, doutor. Não estou vendo nada!

Como não está vendo? As letras estão aí, diga que letras são?

(silêncio absoluto)
Doutor, eu vejo as letras, mas não sei ler. Não dá para pôr  desenhos de  bichinhos, igual quando criança vai fazer exame de vista?

Você não sabe ler? Como é que dirige então?

Uai, dirijo com o volante, doutor! Obvio!

Ai, Papai do Céu! Como é gostoso fazer as pessoas rirem. O velhinho estava quase vermelho.


- Então vamos testar com o direito. Que letras você vê aí?
- Põe as letras aí, doutor! – eu pedi!

(silêncio absoluto)

Coloquei todo o meu peso sobre a perna direita, o braço direito eu joguei para trás, segurando-o com a mão esquerda e com o pé esquerdo eu fazia círculos, não sei pra que, mas fazia...

Você tem óculos? Quem é o seu oftalmologista?
Tenho, sim senhor! É o doutor fulano de tal...
Cadê  os óculos?

Esqueci!
Você sabe que precisa usar óculos?
Pois é, doutor, me esqueci também.
Você veio até aqui do quê?
De carro, oras! 


Até que o velhinho é simpático, justo também.

Passa lá na recepção e remarque sua consulta! Quero ver você novamente, semana que vem, com os óculos.

Saio da sala e vejo o marmanjo se aproximar. Toquei no cara pra ver se era miragem. Não era! Bati-lhe  no braço,  desejei-lhe boa sorte assim:

– Você vai ser aprovado! 

Corri para a recepção, marquei novo retorno, fiz mais algumas coisa e quem eu vejo na fila do caixa recolhendo as tarifas para finalização do processo de renovação da CNH? – O cara!

Quer dizer que o medroso  o médico  não pediu para retornar na próxima semana, e eu sim? Tudo bem, eu voltaria na próxima semana.

Hoje eu retornei munida de todos os meus microscópios  para enxergar até  o citoplasma daqueles letrinhas cegas.  Esperei minha vez  sentadinha, quietinha, meditando  com os formulários nas mãos, de repente senti algo se  avolumar ao meu lado. Abri meu olho direito bem devagar e mirei aquele encosto. Era ele! De novo a mesma pessoa!

Não é possível – pensei! Será que ele também foi reprovado semana passada? 
 Coitado, não  é um marmanjo medroso, só alguém que precisa de óculos – continuei pensando.


Também não perguntei o que fazia ali, afinal acontecem-nos coisas e fatos que é melhor não buscarmos explicações. Pelo sim, pelo não, distribuí óculos pelos cantos da casa, assim, numa emergência,  lembro-me de que tenho esses negócios à  minha disposição.  

Tomô, Rita quatro zóio! aprende agora! 

4 comentários:

HAMILTON BRITO... disse...

Não acredito, vai renovar carta, sabe que vai fazer o exame de vista e não leva o par de zoio artificial...seu estoque de óleo de peroba deve ser grande.

Rita Lavoyer disse...

Como eu disse, José Hamilton, eu me esqueci de levá-los, mas depois eu me lembrei... me lembrei quando eu já estava lá.

Célia Rangel disse...

kkkk...ô Rita! Sabia que chega um tempo em que temos que tomar "memorex" para acabarmos, ou pelo menos, diminuirmos o "esquecex"? Aqui tenho caixas dos mesmos... kkkk...
Bjs.

Rita Lavoyer disse...

Célia, tenho que tomar esse "memorex" sim.
Fiquei tão traumatizada que cheguei a ficar cega, foi isso!