CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras, com a poesia O FILME;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba, com o conto A CARTA;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba, com o conto O BEIJO DA SERPENTE;

2012 - 7ª colocado no concurso de blogs promovido pela Cia dos Blogueiros - Araçatuba-SP;

2014 - tEXTO selecionado pela UBE para ser publicado no Jornal O Escritor- edição 136 - 08/2014- A FLOR DE BRONZE //; 2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba, com o conto LEITE QUENTE COM AÇÚCAR;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins, com o conto MARCAS INDELÉVEIS;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR, com o conto SOB A TERRA SECA DOS TEUS OLHOS;

2015 - Recebeu voto de aplausos pela Câmara Municipal de Araçatuba;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba com o conto A ANTAGONISTA DO SUJEITO INDETERMINADO;

2016 - classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia, com o poema AS TUAS MÃOS.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras, com a crônica PLANETA MULHER;

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de abril de microconto Escambau;

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.

2017 - 24ª classificada no TOP 35, na 2ª semana de outubro de microconto Escambau;

2017 - 15ª classificada no TOP 35, na 3ª semana de outubro de microconto Escambau;

2017 - 1ª classificada no concurso de Poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras, com a poesia PERMITA-SE;

2017 - 11ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de outubro de microconto Escambau;

2018 - 24ª classificada no TOP 35, na 3ª semana de janeiro de microconto Escambau;

2018 - Menção honrosa na 4ª edição da Revista Inversos, maio/ com o tema Crianças da África - Poesia classificada BORBOLETAS AFRICANAS ;

2018 - 31ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de janeiro de microconto Escambau;

2018 - 32ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de janeiro de microconto Escambau;

2018 - 5ª classificada no TOP 7, na 1ª semana de junho de microconto Escambau;

2018 - 32ª classificada no TOP 35, na 3ª semana - VII de junho de microconto Escambau;

2019 - Classificada para antologia de suspense -segundo semestre - da Editora Jogo de Palavras, com o texto OLHO PARA O GATO ;

2019 - Menção honrosa no 32º Concurso de Contos Cidade de Araçatuba-SP, com o conto REFLEXOS DO SILÊNCIO;

2020 - 29ª classificada no TOP 35, na 4ª semana - VIII de Prêmio Microconto Escambau;

2020 - Menção honrosa no 1º Concurso Internacional de Literatura Infantil da Revista Inversos, com o poema sobre bullying: SUPERE-SE;

2020 - Classificada no Concurso de Poesias Revista Tremembé, com o poema: QUANDO A SENHORA VELHICE VIER ME VISITAR;

2020 - 3ª Classificada no III Concurso de Contos de Lins-SP, com o conto DIÁLOGO ENTRE DUAS RAZÕES;

2020 - 2ª Classificada no Concurso de crônicas da Academia Mogicruzense de História Artes e Letras (AMHAL), com a crônica COZINHA DE MEMÓRIA

CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS

  • 2021 - Selecionada para a 6ª edição da revista SerEsta - A VIDA E OBRA DE MANUEL BANDEIRA , com o texto INILUDÍVEL ;
  • 2021 Selecionada para a 7ª edição da revista SerEsta - A VIDA E A OBRA DE CECÍLIA MEIRELES com o texto MEU ROSTO, MINHA CARA;
  • 2021 - Classificada no 56º FEMUP - com a poesia PREPARO A POESIA;
  • 2021 - Classificada na 7ª ed. da Revista Ecos da Palavra, com o poema CUEIROS ;
  • 2021 - Classificada na 8ª ed. da Revista Ecos da palavra, cujo tema foi "O tempo e a saudade são na verdade um relógio". Poema classificado LIBERTE O TEMPO;
  • 2022 - Classificada no 1º Concurso Nacional de Marchinhas de Carnaval de Araçatuba, com as Marchinhas EU LEIO e PÉ DE PITOMBA;
  • 2022 - Menção honrosa na 8ª edição da Revista SerEsta, a vida e obra de Carlos Drummond de Andrade , com o texto DIABO DE SETE FACES;
  • 2022 - Classificada na 10ª ed. Revista Ecos da Palavra, tema mulher e mãe, com o texto PLANETA MULHER;
  • 2022 - Classificada na 20ª ed. Revista Inversos, tema: A situação do afrodescendente no Brasil, com o texto PARA PAGAR O QUE NÃO DEVO;
  • 2022 - Classificada na 12ª ed. Revista Ecos da Palavra, tema Café, com o poema O TORRADOR DE CAFÉ;
  • 2022 - selecionada para 1ª antologia de Prosa Poética, pela Editora Persona, com o texto A FLOR DE BRONZE;
  • 2022 - Selecionada para 13ª edição da Revista Ecos da Palavra, tema MAR, com o poema MAR EM BRAILLE;
  • 2022 - Classificada para 2ª edição da Revista Mar de Lá, com o tema Mar, com o poema MAR EM BRAILLE;
  • 2022 - Classificada para 3ª Ed. da Revista Mar de Lá com o microconto UM HOMEM BEM RESOLVIDO;
  • 2022- Classificada com menção honrosa no 34º Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba, com o conto O CORTEJO DA MARIA ROSA;
  • 2022- Classificada pela Editora Persona com o conto policial QUEM É A LETRA L;
  • 2022 - Classificada no Concurso da E-33 Editora, Série Verso e Prosa, Vol.2 Tema Vozes da Esperança, com o poema POR ONDE ANDAS, ESPERANÇA? ;
  • 2023 - Classificada na 15ª edição da Revista Literária ECOS da Palavra, com o poema VENTO;
  • 2023 - Classificada para coletânea de poetas brasileiros pela Editora Persona, com o poema CUEIROS;
  • 2023- Selecionada na 23ª ed. da revista Literária Inversos com tema "Valores Femininos e a relevância do empoderamento e do respeito da mulher na sociedade contemporânea", com o poema ISSO É MULHER;
  • 2023 - Classificada no Concurso de Contos de Humor, Editora Persona, com o conto O PÃO QUE O QUINZIM AMASSOU;
  • 2023 - Classificada no Concurso de Poesias Metafísica do Eu, Editora Persona, com o poema QUERO OLHOS ;
  • 2023 - Selecionada pra a 11ª Edição da Revista SerEsta, A vida e obra de Paulo Leminsk, com o poema EL BIGODON DE CURITIBA ;
  • 2023 - Classificada no 1º concurso de poesia do Jornal Maria Quitéria- BA, com o tema " Mãe, um verso de amor", com o poema UM MINUTO DE SILÊNCIO À ESSAS MULHERES MÃES;
  • 2023 - Selecionada para Antologia literária - Série Verso e Prosa. Vol. 4, tema Vozes da Solidão, editora E-33, com a crônica A MÃE;
  • 2023 - Selecionada para a 9ª ed. da Revista Mar de Lá, como poema O POETA E A AGULHA;
  • 2023 - Classificada no concurso de Prosa Poética , Editora Persona, com o texto QUERO DANÇAR UMA MÚSICA CONTIGO;
  • 2023 - Selecionada para Antologia literária - Série Verso e Prosa. Vol.5, tema Vozes do Sertão, editora E-33, com o poema IMAGEM DE OUTRORA;
  • 2023 - Selecionada para Antologia literária - Série Verso e Prosa. Vol.6, tema FÉ, Editora E-33, com o poema OUSADIA POÉTICA;
  • 2023 - CLASSIFICADA para a Antologia Embalos Literários, Editora Persona, com o conto SEM AVISAR;
  • 2023 - Classificada na 18ª edição da Revista Literária ECOS da Palavra, com o poema FLORES, com o poema O PODER DA ROSINHA;
  • 2023 - Selecionada para Antologia literária - Série Verso e Prosa. Vol.7, tema AMIZADE, Editora E-33, com o poema AMIZADE SINCERA;
  • 2023 - Classificada em 8ª posição no Prêmio Castro Alves, na 33ª ed. Concurso de Poesia com temática Espírita, com o poema SOLIDARIEDADE;
  • 2023 - Selecionada para Antologia literária - Série Verso e Prosa. Vol.8, Vozes da Liberdade, tema , Editora E-33, com o poema REVOADA;
  • 2023 - Classificada para a Antologia Desejos profundos - coletânea de textos eróticos , Editora Persona, com o poema AGASALHA-ME;
  • 2023 - Classificada para antologia Roteiros Adaptados 2023 - coletânea de textos baseados em filmes, Editora Persona, com o texto BARBIE, UMA BONECA UTILITÁRIA;
  • 2023 - PRIMEIRO LUGAR no Concurso , edital 003/2023 - Literatura - seleção de projetos inéditos, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura de Araçatuba, com o livro infantojuvenil DENGOSO, O MOSQUITINHO ANTI-HERÓI;
  • 2024 - Selecionada para compor a Coletânea Cronistas Contemporâneo, pela Editora Persona, com o texto A CONSTRUÇÃO DE UMA PERSONAGEM;
  • 2024 - Classificada para 19ª edição da Revista Literária Ecos da Palavra, com o poema A PASSARINHA;
  • 2024 - Classificada para a 13ª edição da Revista Mar de Lá, com o poema O TORRADOR DE CAFÉ;
  • 2024 - Selecionada para compor a Coletânea "Um samba no pé, uma caneta na mão", tema carnaval, pela Editora Persona, com o poema DEIXA A VIDA TE LEVAR;

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2024

A IMPORTÂNCIA DA CONSAGRAÇÃO DOS ALIMENTOS

                                                           

JORNAL ARAÇATUBA E REGIÃO

  https://www.aracatubaeregiao.com.br/



A importância da consagração dos alimentos 

Por Rita de Cássia Zuim Lavoyer

            Hipócrates (460 a.C. - 377 a.C.) disse “que teu alimento seja teu remédio e que teu remédio seja teu alimento”

Quem, pelo menos uma vez na vida, não desdenhou o alimento servido à mesa, quando o viu torceu o nariz e disse que não comeria aquilo? Sequer o abençoou, muito menos agradeceu quem o produziu, quem o comprou, quem o preparou. Agradecer pelos alimentos é respeitar o Criador. Consagrar a refeição que se ingere é facilitar o trabalho do alimento em benefício da própria saúde.    

É sabido que a boa alimentação é responsável pelo bom desenvolvimento do organismo. Uma alimentação equilibrada oferece nutrientes que fortalecem o sistema imunológico, mantém o corpo e a mente saudáveis.  Infelizmente, ainda há muitas crianças e adultos privados de boa alimentação no mundo, vitimados pela insegurança alimentar causada pela desigualdade promovida por políticas socioculturais que não se preocupam com a má distribuição de renda. A esse grupo de desprivilegiados não cabe o luxo de desdenhar qualquer alimento que lhe é oferecido. Assim a humanidade continua com grupos de comensais que comem só o que quer, por terem condições de escolher e pagar pelo que gosta, e outros que só comem quando lhes dão, quando não, a sobra.

O Brasil é um dos países que se destaca pelo desperdício de alimentos. Um paradoxo cruel vivido em um país onde milhões de hectares são destinados à produção agropecuária, toneladas de alimentos exportados e a desnutrição e a má qualidade alimentar brasileira consomem o homem cada vez mais. No Brasil, estima-se que cerca de 70 mil toneladas de alimentos vão parar no lixo diariamente, portanto, é considerado um dos mais ricos do mundo, e taxado como o país do desperdício (BADAWI, 2009).

Deve-se considerar que muitos alimentos próprios para o consumo são desperdiçados desde o momento da colheita, contribuem para essa perda a falta de capacitação de mão-de-obra, transportes inadequados, logística inapropriada, manuseio excessivos, entre outros fatores, passando pelo mesmo descaso pelos distribuidores, supermercados, residência, embora não sejam gratuitos, são jogados no lixo em boas condições, como se não valessem nada,  sendo que poderiam estar na mesa de muitos necessitados. Os restos de alimentos, ou lixo orgânico, avolumam sobremaneira os lixões. Isto prova o quanto os alimentos são mal aproveitados, fossem melhor valorizados e se a população conhecesse os nutrientes que os insumos trazem na sua totalidade,  os gastos com a alimentação reduziriam e melhorariam as qualidades das preparações.  À medida que crescem esses desperdícios, cresce também a fome, causada pelos baixos salários, insuficientes para alimentar uma família como ela precisa, restringindo a alimentação posta à mesa.

 Soma-se a todos esses problemas o fato de que muitos alimentos vêm de outras regiões. Isso encarece o produto, direcionando a população de baixa renda a se alimentar de produtos processados e ultraprocessados, cujos nutrientes dos alimentos foram removidos pela indústria para diminuir o custo do produto e ganhar vida longa de prateleira, excluindo quase por completo seus componentes nutricionais.  Dessa forma, a qualidade da dieta dessa população e da sua vida fica comprometida. Atrelado a isso há os entraves da lei que impossibilitam doações de alimentos fora de padrões de consumo. Não se intenciona nestas explanações que pessoas em condições de fome sejam submetidas às sobras de alimentos ou produtos estragados. Objetiva-se considerar que muitos alimentos jogados fora, em boas condições, sejam reaproveitados ao máximo e cheguem às mesas dos brasileiros para alimentá-los, suprindo suas carências nutricionais.  

Consertar o problema do mundo de culturas e políticas diferentes não é fácil, soa utópico.  Mas em se tratando do Brasil, é para se questionar e seria prudente que o setor  ligado à agricultura e à pecuária, que representa positivamente o Brasil lá fora, pensasse em adotar políticas públicas contra os desperdícios de alimentos, investindo em treinamento de mão-de-obra, em aulas em comunidades carentes sobre reaproveitamento de insumos que são indevidamente descartados e que outros setores relacionados à produção de alimentos entendam seu papel social e unam-se para diminuir a fome no Brasil.   Que acionem as mídias para conscientizar comerciantes e consumidores em geral sobre as propriedades completas dos insumos, e como reaproveitá-los e  quão o desperdício de alimentos impacta negativamente na economia do país e aprendam que alimentos também se incluem na teoria de que nada se perde, tudo se transforma, para, quiçá, reduzam os desperdícios e que alimentos com maiores valores nutricionais cheguem às mesas dos mais necessitados, diminuindo um pouco o índice de pobreza e a fome do país, porque alimento é questão de cultura, de educação. E pensar os alimentos como fonte sagrada de sobrevivência é questão de humanidade.  A fartura não pode gerar desperdício e este não pode gerar fome, tampouco esta ser causa da morte de muitos irmãos desprotegidos, largados à própria sorte.  

Diante dessa problemática sobre o desperdício de alimentos e a fome de muitos irmãos é necessário considerar, entendendo, que o alimento é o combustível natural do corpo e da mente, e quem consegue mantê-los em harmonia, dominando o controle dos vícios e da gula, equilibra a própria natureza, por isso respeitar os alimentos, tendo postura diante deles,  agradecendo-os quando conseguimos adquiri-los,  abençoando-os antes de  prepará-los, de ingeri-los, consagrar nossas refeições é agradecer ao Criador pelo cuidado que ELE continua tendo em prover cada um com suas particularidades e abençoar os alimentos que somos capazes de adquirir, preparar e degustar melhora suas eficácias em favor do nosso organismo.

Obrigada, Senhor, pelos  alimentos que nos saciam, principalmente pela saúde que temos para  saboreá-los e que eles não faltem aos nossos irmãos desvalidos que carecem do necessário para sobreviver.

 

 

Referências:

 

BADAWI, Camila. Aproveitamento integral dos alimentos. Melhor sobrar do que faltar. Disponível em: <http://www.biologia.seed.pr.gov.br/arquivos/File/sugestoes_atividades_pdf/aproveitamento_alimentos >. Acesso em 23/01/2024.

 


cozinha de memória

 


DEIXA A VIDA TE LEVAR - Concurso Um Samba no Pé, uma Caneta na Mão - Editora Persona

 

Com o tema Carnaval " Um samba no pé e uma caneta na mão" este  foi meu  Poema/marchinha classificado neste edital da Editora Persona: 



 DEIXA A VIDA TE LEVAR   - Rita de Cássia Zuim Lavoyer  

 

E ô, e ô!
Se tu fores eu também vou

cantar o nosso enredo
dividir o mesmo suor
no som do nosso calor.


Se te agarro não desgrudes,
se colar digas “não solte”.
Deixa a vida te levar
pro rumo da nossa sorte.


Tua sorte está aqui, está ali, está acolá,
porque hoje é carnaval
é no mundo profano
que o homem se torna igual.

Deixa a vida te levar,
é ela quem te desafia.
Aprendas a levar a vida
nas asas da fantasia.


 Oi, venha aqui!

Eu vou sim! Eu vou contigo
fantasiada de alegria

armada do Deus Amor

Pra não correr nenhum perigo.

 

Deixa a vida te levar
pro universo da magia
e viver a tua vida
do jeito que o Pai queria.


relação dos classificados na categoria poesia.


r



domingo, 4 de fevereiro de 2024

O TORRADOR DE CAFÉ

 POEMA CLASSIFICANO PARA  A 13ª  EDIÇÃO DA REVISTA MAR DE LÁ.

O torrador de café

Em homenagem à minha avó ALZIRA ESMÉRIA BARALDI (In memóriam)


Os alimentos que me eram servidos na infância

registram minha história, meu tempo, meu lugar,

minha família, meus grupos, meu credo: minha procedência,

enredo da minha existência.

 

Estimularam meus sentidos e,

por eles saciada, embora de pouca idade,

já conhecia meus sentimentos,

reconhecia minhas necessidades.

 

Os pratos, por minhas percepções reverenciados,

trouxeram-me viva até aqui, prenhe de saudade

dos temperos da minha mãe: Mulher que fez

da concha das mãos, algumas vezes, meu prato e meu talher.

 

Mas as misturas de sensações, as sinestésicas,

essas que me fazem parir delícias manhãs após manhãs,

quem produz são as lembranças do torrador de café

que minha avó ajustava sobre um fogão de barro

 

feito por ela no fundo do nosso terreiro.

Ela chamuscava um galho e outro

e, com o encanto dos seus assopros,

sua engenharia transformava-se em fogareiro.

 

Ela me permitia girar aquele aparelho!

Verdadeiro instrumento de apreender sentidos.

Eu o girava e, o contínuo movimento de rotação

somava-se ao meu presente, colocando no eixo

o meu futuro e o meu passado.

Extasiava-me ouvindo o bailado dos grãos do café

sapateando nas paredes daquele salão quentinho.

 

Todas as manhãs aquele mormaço me beija a face,

aquela fumaça me aquece a alma,

aquele cheiro me revolve o útero

e eu gozo, nutrindo meus olhos,

vendo aquele fluido de prazer atravessar o coador.

Um voyeurismo que me enche a boca d’agua.

E eu o tomo. Passado na hora.

Presente dos deuses para o tempo que se segue.



  Página da Revista Mar de Lá na qual se encontra este poema classificado

 

 






A PASSARINHA

 POEMA CLASSIFICADO PARA A 19ª EDIÇÃO DA REVISTA LITERÁRIA ECOS DA PALAVRA


A PASSARINHA – Rita de Cássia Zuim Lavoyer

 

Um dia serei poeta.

Quando despontarem  

dessa meta seus efeitos

os fatos, imperfeitos ou não,

a mando das minhas vividas incertezas

evidenciarão o formato do meu ser

na franqueza dos versos qu’eu compuser.

 

Pousarei no bico de um passarinho

e, com ousadia, de sua pena emprestada

projetarei, na sua melodia, o meu ninho

onde, já quase alada, eu possa integrar com

desassombro qualquer sentimento que me surja

 e nele transformar em canto leve

as alfurjas que me pesarem n’ombro.

 

Quando eu for poeta renascerei

em mim nova criança.

Serei barro, serei sopro, serei alma.

Imagem e semelhança minha.  

Ainda que essa meta não soe iminente,

e eminente meu poema não se torne,

serei, sem dúvida, dos meus cantos a passarinha.

 

 







sábado, 13 de janeiro de 2024

13 de janeiro de 1948 - GRANDE ALMA

 

GRANDE ALMA

 


"Só se adquire perfeita saúde vivendo na obediência às leis da Natureza. A verdadeira felicidade é impossível sem a verdadeira saúde, e a verdadeira saúde é impossível sem rigoroso controle da gula” - Gandhi

 

Mahatma, em sânscrito, significa:  “grande alma”.  Uma grande alma: Gandhi.

 

Exatamente no dia 13 de janeiro de 1948 –  Mahatma Gandhi, para protestar contra as violências  cometidas por indianos e paquistaneses, deu início a um jejum que durou duas semanas. Foi um pacificador que acreditou que uma revolução pode ser feita sem armas.

 

Segundo pesquisas, seres humanos sadios conseguem viver até oito semanas sem comida. O carboidrato é o grande vilão no ganho de peso, mas a falta dele pode causar graves consequências ao organismo. Na falta de ingestão de alimentos o carboidrato é o primeiro a ser queimado, depois o organismo apela para as proteínas e o corpo começa a utilizar proteína dos músculos para fabricar glicose, na sequência ataca as gorduras – aqui o caso já fica preocupante. Tendo água, sendo forte e com boa forma física, há chance de sobrevivência para quem entra num jejum rigoroso.


 "Para mim, nada mais purificador e fortificante que um jejum."

 

Quando chega o final de ano, muitas pessoas se empanturram, tentando comer e beber tudo o que não foi possível no ano vigente inteiro.  E quando o Ano muda o número, aí pensam que no dia seguinte não haverá mais alimentos no mundo e querem comer e beber como recompensa pela fome da humanidade.  Depois descobrem que o número do manequim também mudou, para maior! Há criatura que entra em parafuso, quer enfiar as mãos na boca e rasgar até pôr para fora o que vinha engolindo nos últimos dias que viveu para a comida. A gula explode de todos os lados e, para muitos, não há como controlar a situação.   Começam as guerras: com a consciência, com o espelho, com o guarda-roupa, com a balança, com a grana, com a humanidade toda, como se ela fosse a culpada pela alimentação existente no mundo, enfim se joga numa trincheira, vai escavar buraco numa academia. Oh, guerra cruel! É agir ou morrer com peso na consciência.

 “... Todos os demais sentidos estarão automaticamente sujeitos a controle quando a gula estiver sob controle...”

 

Ao contrário de muitos de nós que temos como lema: comer ou morrer, em seu último e maior jejum, que iniciou em 13/01/1948,  época em que a Índia vivia dias difíceis, Gandhi  adotou o lema  “Agir ou morrer” se necessário, para instaurar a paz, jejuaria até a morte.  
            Dezessete dias após esta data, em 30 de janeiro de 1948, contrariando a sua doutrina da “não violência”, um jovem hindu, que não assimilou os ensinamentos do líder, o assassinou com 3 tiros à queima-roupa, em Nova Deli.  

“... Aquele que domina os próprios sentidos conquistou o mundo inteiro e tornou-se parte harmoniosa da natureza."

 

Da boca daquela Grande Alma que não se alimentou por dias saiu, naquele momento, a expressão: “He Rama” (Ó Deus!). A humanidade perdera para a violência, um dos maiores homens do século 20: Mahatma Gandhi.

 

O bem não está só no que entra pela boca de qualquer um; mas, muito, no que sai da boca de um grande homem.

 

"A força de um homem e de um povo está na não-violência. Experimentem.” Mahatma Gandhi. 

 

Está aí uma afirmação que instiga quem tem fome de Paz!

 

Autoria- Rita Lavoyer

 

 

 

 

sábado, 6 de janeiro de 2024

A CONSTRUÇÃO DE UMA PERSONAGEM

 Crônica  selecionada, pela Editora Persona, para compor a Coletânea de Cronistas Contemporâneos 2024.  




A construção de uma personagem

                                                                   Rita de Cássia Zuim Lavoyer

 

Um aspirante a escritor sonhava algo interessante para pôr em uma história que intencionava escrever. Iniciou relatando sobre uma terra escavada. Em seguida, uma água que jorrava da fonte de sua imaginação. Embora achasse que ambos os elementos fossem a gênese da sua criação, não sabia de que forma encaixá-los à narrativa, nem como encobrir a vala de onde retirou a terra.  

 Deslizou o seu grafite misturando um elemento ao outro no intuito de conseguir uma imagem com a mistura dessas duas substâncias. Desta conjunção surgiu aos seus olhos uma lama com a qual desejava marcar o branco do papel. Foi revolvendo aquela mistura com a ponta do seu lápis, permitindo-a disforme em suas conformidades a fim de ele mesmo aperfeiçoar-se em sua atividade. Em cada linha que a sua figura se fazia presente o tema, ainda sombrio em seu consciente, desmoronava.

Percebendo-se inábil para o ofício, tratou de se especializar. Prometeu que faria a sua história. Projetou e traçou sua planta baixa, planejando o seu engenho com instrumentos que lhe eram empíricos, proporcionando à celulose vibrações as mais variadas entre sonhos e delírios amassados, enchendo de papéis um cesto do canto. Deixou a sua ideia se concretizar, terra e água resultaram em um barro consistente sujeito a ser moldado.

  Entendendo-o sem coesão, buscou recursos na ciência da modelagem. Naquela folha, o carbono cristalino formava uma silhueta lexical grotesca  sobre um fundo branco, deixando à vista uma lógica incoerência no papel do sonhador com a sua matéria.

  Na ânsia de botá-la em pé, o aprendiz esmerou-se na arte da marcenaria. Com uma lâmina, lascou a madeira do seu lápis e criou uma coluna para aquela abstração quase uniforme, possibilitando-a nominá-la objeto do seu plano estático. Dado a escultor, talhou-a, desobstruindo aquela figura da sua memória, possibilitando concretizar o pilar da sua construção.

No canto da página, um arco-íris de palavras era pincelado pelo pintor que o artista se permitiu ser, colorindo as interrogativas que surgiram no decorrer do ofício, e o sopro do agente sobre as cores, para secá-las, preenchia o significado daquele significante, dando-lhe volume, descrevendo um perfil feminino sob o ângulo da visão dele.

Arquitetou diversos códigos e outras mãos de obra afloravam-se nele para decorarem o interior daquele ambiente feminino escrito com um lápis. Quanto mais o seu projeto ia tomando forma, muito mais aquela personagem deixava de ser oculta e se determinava naquele roteiro propositalmente destinado a ela.

Deixando a condição de aprendiz, o projetista já não a queria mais coadjuvante. Signos e mais signos cristalinos fantasiavam a autoestima daquela sua projeção e a redação já possuía começo e meio definidos. O clima foi surgindo à medida que o redator harmonizava as suas construções sintáticas, dando dinamicidade à sua personagem.

Encaixados muitos fragmentos da arte naquela estrutura, o dono daquela mão que dominava o objeto de escrever, gravou-se primeira pessoa naquela narrativa e na sua cria depositou todo o seu ego. Ainda impalpável e imaculada pela falta de um passado real, ele a gerou e pariu o enredo de uma história residente no imaginário dele, apresentada em relances.

Vendo o seu objeto crescendo-lhe diante dos olhos, operando uma disjunção entre o seu sonho e a vida da sua criatura, o escritor puxou-lhe as rédeas, imobilizando-a entre uma linha e outra que riscara na folha. Transformada em protagonista, não tendo afinidades consigo mesma, ele inventou que ela deveria se apaixonar.

Sem conflito nenhum com a sua condição, num instante, ele rascunhou outro personagem à sua imagem e semelhança denominando-o “mocinho”. Deu-o a ela em casamento de papel passado à força do seu punho, sem não antes escrever um sorriso feliz nos lábios carnudos daquela mulher que ele criou. Depois de uma leitura refinada, assinou: Propriedade de Causa.

Sentindo-se desgostoso com aquele desfecho e não conseguindo mudar aquela imaterialidade, relatou pingos de lágrimas sobre a história e escreveu “fim”. Amassou o papel, fez com ele uma bola e o jogou no cesto do canto, falhando na sua performance. Travestido de vilão, abaixou-se, juntou todos os amassados, pôs fogo e assistiu à sua inspiração esvair-se no ar.

Ansioso com a carbonização das suas letras, enfiou o rosto naquela fumaça, aspirando-a toda, na tentativa de asfixiar-se com a própria criação.

Não conseguindo tal intento, quis reconstruir toda a história que trazia na memória. Porém não se atentou para o fato de que a cada movimento que ele promovia para a construção da sua personagem, do pó que dela se espalhava, criava-se, involuntariamente, um narrador muito próximo das alegrias e das angústias daquela mulher e que sabia, mais que o escritor, o que ela pensava em seu íntimo.

Quando ele tentou trocar o “fim”, uma voz onisciente e intrusa anunciou um “tiro no peito”, encobrindo a vala de onde a terra fora retirada, direcionando o desfecho de uma história prometida. Para evocar emoções, a nova reconstrução ficou exposta, deixando o papel do escritor e as agruras de sua criação sujeitos, como sanção, a discursos figurativos.