CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras, com a poesia O FILME;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba, com o conto A CARTA;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba, com o conto O BEIJO DA SERPENTE;

2012 - 7ª colocado no concurso de blogs promovido pela Cia dos Blogueiros - Araçatuba-SP;

2014 - tEXTO selecionado pela UBE para ser publicado no Jornal O Escritor- edição 136 - 08/2014- A FLOR DE BRONZE //; 2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba, com o conto LEITE QUENTE COM AÇÚCAR;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins, com o conto MARCAS INDELÉVEIS;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR, com o conto SOB A TERRA SECA DOS TEUS OLHOS;

2015 - Recebeu voto de aplausos pela Câmara Municipal de Araçatuba;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba com o conto A ANTAGONISTA DO SUJEITO INDETERMINADO;

2016 - classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia, com o poema AS TUAS MÃOS.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras, com a crônica PLANETA MULHER;

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de abril de microconto Escambau;

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.

2017 - 24ª classificada no TOP 35, na 2ª semana de outubro de microconto Escambau;

2017 - 15ª classificada no TOP 35, na 3ª semana de outubro de microconto Escambau;

2017 - 1ª classificada no concurso de Poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras, com a poesia PERMITA-SE;

2017 - 11ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de outubro de microconto Escambau;

2018 - 24ª classificada no TOP 35, na 3ª semana de janeiro de microconto Escambau;

2018 - Menção honrosa na 4ª edição da Revista Inversos, maio/ com o tema Crianças da África - Poesia classificada BORBOLETAS AFRICANAS ;

2018 - 31ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de janeiro de microconto Escambau;

2018 - 32ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de janeiro de microconto Escambau;

2018 - 5ª classificada no TOP 7, na 1ª semana de junho de microconto Escambau;

2018 - 32ª classificada no TOP 35, na 3ª semana - VII de junho de microconto Escambau;

2019 - Classificada para antologia de suspense -segundo semestre - da Editora Jogo de Palavras, com o texto OLHO PARA O GATO ;

2019 - Menção honrosa no 32º Concurso de Contos Cidade de Araçatuba-SP, com o conto REFLEXOS DO SILÊNCIO;

2020 - 29ª classificada no TOP 35, na 4ª semana - VIII de Prêmio Microconto Escambau;

2020 - Menção honrosa no 1º Concurso Internacional de Literatura Infantil da Revista Inversos, com o poema sobre bullying: SUPERE-SE;

2020 - Classificada no Concurso de Poesias Revista Tremembé, com o poema: QUANDO A SENHORA VELHICE VIER ME VISITAR;

2020 - 3ª Classificada no III Concurso de Contos de Lins-SP, com o conto DIÁLOGO ENTRE DUAS RAZÕES;

2020 - 2ª Classificada no Concurso de crônicas da Academia Mogicruzense de História Artes e Letras (AMHAL), com a crônica COZINHA DE MEMÓRIA

CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS

  • 2021 - Selecionada para a 6ª edição da revista SerEsta - A VIDA E OBRA DE MANUEL BANDEIRA , com o texto INILUDÍVEL ;
  • 2021 Selecionada para a 7ª edição da revista SerEsta - A VIDA E A OBRA DE CECÍLIA MEIRELES com o texto MEU ROSTO, MINHA CARA;
  • 2021 - Classificada no 56º FEMUP - com a poesia PREPARO A POESIA;
  • 2021 - Classificada na 7ª ed. da Revista Ecos da Palavra, com o poema CUEIROS ;
  • 2021 - Classificada na 8ª ed. da Revista Ecos da palavra, cujo tema foi "O tempo e a saudade são na verdade um relógio". Poema classificado LIBERTE O TEMPO;
  • 2022 - Classificada no 1º Concurso Nacional de Marchinhas de Carnaval de Araçatuba, com as Marchinhas EU LEIO e PÉ DE PITOMBA;
  • 2022 - Menção honrosa na 8ª edição da Revista SerEsta, a vida e obra de Carlos Drummond de Andrade , com o texto DIABO DE SETE FACES;
  • 2022 - Classificada na 10ª ed. Revista Ecos da Palavra, tema mulher e mãe, com o texto PLANETA MULHER;
  • 2022 - Classificada na 20ª ed. Revista Inversos, tema: A situação do afrodescendente no Brasil, com o texto PARA PAGAR O QUE NÃO DEVO;
  • 2022 - Classificada na 12ª ed. Revista Ecos da Palavra, tema Café, com o poema O TORRADOR DE CAFÉ;
  • 2022 - selecionada para 1ª antologia de Prosa Poética, pela Editora Persona, com o texto A FLOR DE BRONZE;
  • 2022 - Selecionada para 13ª edição da Revista Ecos da Palavra, tema MAR, com o poema MAR EM BRAILLE;
  • 2022 - Classificada para 2ª edição da Revista Mar de Lá, com o tema Mar, com o poema MAR EM BRAILLE;
  • 2022 - Classificada para 3ª Ed. da Revista Mar de Lá com o microconto UM HOMEM BEM RESOLVIDO;
  • 2022- Classificada com menção honrosa no 34º Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba, com o conto O CORTEJO DA MARIA ROSA;
  • 2022- Classificada pela Editora Persona com o conto policial QUEM É A LETRA L;
  • 2022 - Classificada no Concurso da E-33 Editora, Série Verso e Prosa, Vol.2 Tema Vozes da Esperança, com o poema POR ONDE ANDAS, ESPERANÇA? ;
  • 2023 - Classificada na 15ª edição da Revista Literária ECOS da Palavra, com o poema VENTO;
  • 2023 - Classificada para coletânea de poetas brasileiros pela Editora Persona, com o poema CUEIROS;
  • 2023- Selecionada na 23ª ed. da revista Literária Inversos com tema "Valores Femininos e a relevância do empoderamento e do respeito da mulher na sociedade contemporânea", com o poema ISSO É MULHER;
  • 2023 - Classificada no Concurso de Contos de Humor, Editora Persona, com o conto O PÃO QUE O QUINZIM AMASSOU;
  • 2023 - Classificada no Concurso de Poesias Metafísica do Eu, Editora Persona, com o poema QUERO OLHOS ;
  • 2023 - Selecionada pra a 11ª Edição da Revista SerEsta, A vida e obra de Paulo Leminsk, com o poema EL BIGODON DE CURITIBA ;
  • 2023 - Classificada no 1º concurso de poesia do Jornal Maria Quitéria- BA, com o tema " Mãe, um verso de amor", com o poema UM MINUTO DE SILÊNCIO À ESSAS MULHERES MÃES;
  • 2023 - Selecionada para Antologia literária - Série Verso e Prosa. Vol. 4, tema Vozes da Solidão, editora E-33, com a crônica A MÃE;
  • 2023 - Selecionada para a 9ª ed. da Revista Mar de Lá, como poema O POETA E A AGULHA;
  • 2023 - Classificada no concurso de Prosa Poética , Editora Persona, com o texto QUERO DANÇAR UMA MÚSICA CONTIGO;
  • 2023 - Selecionada para Antologia literária - Série Verso e Prosa. Vol.5, tema Vozes do Sertão, editora E-33, com o poema IMAGEM DE OUTRORA;
  • 2023 - Selecionada para Antologia literária - Série Verso e Prosa. Vol.6, tema FÉ, Editora E-33, com o poema OUSADIA POÉTICA;
  • 2023 - CLASSIFICADA para a Antologia Embalos Literários, Editora Persona, com o conto SEM AVISAR;
  • 2023 - Classificada na 18ª edição da Revista Literária ECOS da Palavra, com o poema FLORES, com o poema O PODER DA ROSINHA;
  • 2023 - Selecionada para Antologia literária - Série Verso e Prosa. Vol.7, tema AMIZADE, Editora E-33, com o poema AMIZADE SINCERA;
  • 2023 - Classificada em 8ª posição no Prêmio Castro Alves, na 33ª ed. Concurso de Poesia com temática Espírita, com o poema SOLIDARIEDADE;
  • 2023 - Selecionada para Antologia literária - Série Verso e Prosa. Vol.8, Vozes da Liberdade, tema , Editora E-33, com o poema REVOADA;
  • 2023 - Classificada para a Antologia Desejos profundos - coletânea de textos eróticos , Editora Persona, com o poema AGASALHA-ME;
  • 2023 - Classificada para antologia Roteiros Adaptados 2023 - coletânea de textos baseados em filmes, Editora Persona, com o texto BARBIE, UMA BONECA UTILITÁRIA;
  • 2023 - PRIMEIRO LUGAR no Concurso , edital 003/2023 - Literatura - seleção de projetos inéditos, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura de Araçatuba, com o livro infantojuvenil DENGOSO, O MOSQUITINHO ANTI-HERÓI;
  • 2024 - Selecionada para compor a Coletânea Cronistas Contemporâneo, pela Editora Persona, com o texto A CONSTRUÇÃO DE UMA PERSONAGEM;
  • 2024 - Classificada para 19ª edição da Revista Literária Ecos da Palavra, com o poema A PASSARINHA;
  • 2024 - Classificada para a 13ª edição da Revista Mar de Lá, com o poema O TORRADOR DE CAFÉ;
  • 2024 - Selecionada para compor a Coletânea "Um samba no pé, uma caneta na mão", tema carnaval, pela Editora Persona, com o poema DEIXA A VIDA TE LEVAR;
  • 2024 - Selecionada para compor a coletânea "Revisitando o Passado", promovido pelo Projeto Apparere, com a crônica COZINHA DE MEMÓRIA;
  • 2024 - Selecionada para compor a Coletânea de Poetas Brasileiros,2024, Editora Persona, com o poema IMAGEM DE OUTRORA;
  • 2024 - Selecionada para compor a Antologia JOGOS DO AMOR, promovida pela Revista Conexão Literária, com o tema O jogo do amor, poema classificado: TENHO MEDO;
  • 2024- Selecionada para 20ª ed. da Revista Literária Ecos da Palavra, com o tema INFÂNCIA, com o poema DEBAIXO DE UMA LARANJEIRA;
  • 2024 - Selecionada para compor a Coletânea SOB OSSOS E SERPENTES, da Tribus Editorial, com o conto, com 9.999 caracteres, O BEIJO DA SERPENTE,
  • 2024 - Selecionada para a 21ª Edição da Revista Literária Ecos da Palavra, com o poema REVOADAS;
  • 2024 - Selecionada para a Coletânea de poemas Intimistas Existencialistas, com o tema A Arte do Eu, promovido pela Editor Persona, com o poema GOTAS DA CHUVA ;
  • 2024 - Selecionada para compor a antologia NÓS , textos de autoria feminina pela SELO OFF FLIP, com a crônica MULHER, FONTE DA ÁGUA;
  • 2024 - Classificada na 27ª Edição do Concurso da Revista Literária Inversos, com o tema "Culinária Típica da Festa de São João", promovido pela Academia de Letras e Artes de Feira de Santana (ALAFS) e Academia Metropolitana de Letras e Artes, com o poema SEU ZEQUINHA NO SÃO JOÃO DO NORDESTE;
  • 2024 - Classificada no concurso Literário MEMÓRIAS DE AFETO, promovido pela Lítero Editorial, com o poema O TORRADOR DE CAFÉ;
  • 2024 - Selecionada para compor a 22ª edição da Revista Ecos da Palavra , temática Animais, com o texto ORAÇÃO DOS BICHINHOS ;
  • 2024 - Selecionada para compor a Coletânea de Microconto-2024, promovido pela Editora Persona, com o microconto ROSTO;
  • 2024 - Selecionada para compor a coletânea A POESIA SUBIU O MORRO, promovido pela Editora A Arte da Palavra, com o poema PERMITA-SE;
  • 2024 - Classificada para compor a Edição 23 da Revista Ecos da Palavra, com o poema QUANDO EU SENTIR;
  • 2024 - 2º classificada no 35º Concurso Nacional de Contos cidade de Araçatuba, com o conto IN VINO VERITAS;
  • 2024 - Classificada para compor a Coletânea Contistas Contemporâneos, 2024 - Editora Persona, com o conto NÃO FOI A PRIMEIRA VEZ;
  • 2025 - Classificada para compor a 25ª edição da Revista Ecos da Palavra, com o poema CONVITE;
  • 2024 - Cordéis classificados para compor a Antologia Povo, Cordel e Poesia, promovido pela Litero editorial, com os cordeis: SEJAMOS TODOS EMPÁTICOS; AMAR ANIMAIS É DOM; A IMPORTÂNCIA DA LEITURA; 2024 - Selecionada para publicação em coletânea Concurso de poesia Município de Campo Mourão - Biblioteca Egydio Martello - 2024, com a poesia CONVITE ;
  • 2025 - Classificada no Concurso Coletivo Fomento Literário ; tema Semente da Esperança, com o poema GERMINAIS;
  • 2025 - Classificada para compor a Coletânea de Poetas Contemporâneos, 2025, Editora Persona, com o poema ANJO DE VERDADE ; ,
  • 2025 - classificada na 26ª edição da Revista Literária Ecos da Palavra, com o tema Amizade e com o poema AMIZADE SINCERA;
  • 2025 - Classificada na 15ª edição da Revista Literária SerEsta, sobre a vida e a obra de Casimiro de Abreu, com a prosa O MEU CORPO NÃO ESTÁ NA REDE;
  • 2025 - Classificada na Antologia MISTÉRIOS - contos e poemas, pela Revista Conexão Literatura, com o conto QUEM É A LETRA L;
  • 2025 - Classificada na 51ª Edição da Revista LiteraLivre com o poema SEM(HORA);
  • 2025 - Classificada no 1º Prêmio Proverbo de Literatura, com o poema (Entre) Versos e Razões;
  • 2025 -RECEBEU TROFÉU ODETTE COSTA NA CATEGORIA LITERATURA COM O LIVRO DENGOSO, O MOSQUITINHO ANTI-HERÓI
  • 2025 - Classificada para Revista Conexão Literatura , com o tema POEMAS SOBRE O TEMPO, Vol. VII, com o poema PÓ DO TEMPO ;
  • 2025 - Selecionada para compor a Revista Barbante, Volume XIII – Núm. 99 – 08 de junho de 2025 , com a Crônica MÁQUINA PARA A POESIA;
  • 2025 - Selecionada para compor a Coletânea Enigmas Independentes, promovida pela Editora Independentes, como conto OS SEGREDOS DE CATARINA;
  • 2025 - Selecionada para compor a Revista Barbante, Volume XIII – Núm. 100 – 15 de junho de 2025 - PARTE I DE II - Edição especial de número 100, com a crônica NÃO FOI A PRIMEIRA VEZ;
  • 2025 - Selecionada para compor a edição n. 6 da Revista Animalista, com o cordel AMAR ANIMAIS É DOM;
  • 2025 - Selecionada para compor a Revista Literária Epifania# 1, com o tema sentimentos: amor, tristeza, alegria, raiva, com o poema NA FOZ OU NO SONO;
  • 2025 - selecionada para compor a 52ª edição da Revista LiteraLivre, com o poema O TORRADOR DE CAFÉ;
  • 2025 - Selecionada para compor a 28ª edição da Revista Ecos da Palavra, tema CHUVA, , com o poema GOTAS DA CHUVA
  • 2025 - selecionada para compor a Antologia "A Força dos Versos", pela Editora Literária, com o poema OUSADIA POÉTICA;
  • 2025 - Selecionada para compor a 2ª edição Revista Alma: associação Literária de Mocossa Moçambique., com o poema A PASSARINHA;
  • 2025 - Classificada em 9º lugar no XXVI Concurso de Contos Alípio Mendes, promovido pela Academia Angrense de Letras e Artes, com o conto MATEUS, O MENINO DOS ANOS DE CHUMBO;
  • 2025 - Classificada para compor a 5ª edição, edição comemorativa de 1º aniversário da Revista Vinca Literária, somente para mulheres, com o poema QUANDO A SENHORA VELHICE VIER ME VISITAR;
  • 2025 - Selecionada para compor a 31ª edição da Revista Inversos, em homenagem ao dia das Crianças, com o poemeto CRIANÇA REAL;
  • 2025 - Selecionada para compor a 16ª ed. da Revista SerEsta, com o tema A vida e a obra de Carolina Maria de Jesus, com a crônica UMA ENTREVISTA COM CAROLINA MARIA DE JESUS;
  • 2025 - Selecionada para compor a antologia do XIV Concurso Literário de Presidente Prudente - CLIPP - com o poema VERSOS LIVRES,;
  • 2025 - 3º lugar na categoria mini poema, Nacional/internacional, do 14º Concurso Literário da Academia Madureirense de Letras 2025, com o mini poema PROSA, SABORES E MEMÓRIAS;
  • 2026 - Selecionada para compor a Antologia Prosa Poétioa, promovida pela Editora Persona, com a prosa MÁQUINA PARA A POESIA;
  • 2026 - 3ª classificada no concurso de fábulas promovido pela Editora Typus, com a fábula A MACACA E O LEÃO ;
  • 2024 - Selecionada para publicação em coletânea Concurso de poesia Município de Campo Mourão - Biblioteca Egydio Martello - 2024, com a poesia CONVITE ;
  • 2026 - Selecionada para compor a Coletânea de Poetas Brasileiros 2026, promovido pela Editora Persona, com o poema NONAS POESIAS;
  • 2026 - Selecionada para compor a Coletânea Poemas sobre a morte, promovida pela Editora Persona, com o poema O ENCONTRO ;
  • 2026 - Selecionada para compôr a 4ª edição da Revista Alma, de Mocosa-Moçambique, com o poema VERSOS LIVRES;

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

MARIA E JOÃO



MARIA E JOÃO.

Maria tinha por João um amor que o envaidecia. João tinha por Maria, repulsa. Mas precisava do amor que ela lhe tinha pra manter viva a chama da sua vaidade.
E agora, Maria? Você esteve na fila do João. Chegou a sua vez. Você entrou na roda, Maria. Agora rodopie.
Para a Maria, era o João na terra e o João no céu. Não havia meio termo entre as duas divindades. Ou lhe era o João, ou lhe era o João.
A ginástica desumana que a Maria fazia, no palco do João, a fez equilibrista. Aí, a Maria, de um trampolim ao outro, rodopiava para elevá-lo às alturas.
João a olhava, mas não a via. Não havia uma forma de a Maria penetrar-lhe a armadura.
Hei, João! Por que teve que se tornar assim?
Maria rodopiava, rodopiava e num dos seus gestos, foi o seu equilíbrio quem rodopiou e , no chão, Maria ficou.
E agora, Maria? O seu equilíbrio findou-se.
Perdeu a razão e ao João ela gritou.
Por que teve que gritar, Maria? Ficasse calada. Mas quis entrar na roda. E agora, Maria? Por falta de pena, caiu feito bigorna.
Deitava no chão, a Maria se viu.
E agora, mulher? Seus pulos acabaram. O que fará sem a luz do João?
Você tem nome, Maria. Não deixe que dele zombem. Você é os meu versos, Maria. Se ame, proteste, agora, Maria! É mulher com discurso e carinho pra dar.
Que bebam, que fumem, que cuspam, Maria, mas no João e não em você.
Você lhe foi noite e foi dia, Maria. Mas o bonde dele já passou. Não corra atrás, é utopia.
Ele acabou, ele fugiu, ele mofou, o João!
E agora, Maria? Está sem palavras? Não fale agora, espere a febre do jejum acabar. Existe outra porta, Maria. A chave está com você. Abra a sua biblioteca, leia-se. Se na leitura encontrar-se com o João em terno de vidro, arme-se com o seu ouro e quebre-o. O João é pura incoerência.
E depois?
Erga os seus joelhos desconjuntados, Maria!
Abra a sua porta, corra para o mar e grite, e gema, e toque uma valsa para dançar em sintonia com a nova realidade, sem o João.
E agora, Maria? Ação! Porque amor não se conjuga, ele é a culpa do pecado, é nome errado da certidão do mundo.
Você não, Maria!
Você tem nome, Maria. Honre-o.
O João? Não é nada, Maria! Por isso, não lhe daremos nome algum, Maria. Deixe-o a mercê da própria roda, Maria. A fila dele, Maria, ainda está grande, Maria, e cheia de gente sem nome, Maria, para servi-lo, Maria.

Autora – Rita Lavoyer

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

QUAL É O SEU NOME?




_ Oi! Ela é minha esposa. O nome dela é trabalho.
_ Oi! Ele é o meu esposo. O nome dele é trabalho. Temos 4 filhos que têm os mesmos nomes: moradia, alimentação, segurança, educação, saúde, lazer.
_ Ela tem pais. O nome dos velhos? Plano de saúde, fisioterapia, farmácia, enfermeiros, vai-e-vem e combustível pra levá-los pra cima e pra baixo....
_ Ele tem pai e mãe. O nome deles? Abandonados.
_ Os meus pais não são abandonados. Eu cuido muito bem deles. Pago plano de saúde, alimentação, moradia. Pago fisioterapia. Se precisarem de mim para levá-los em algum lugar, levo-os e não reclamo.
_ Está vendo!? E os seus irmãos, hã!? Qual é o nome deles? Eles se chamam bar nos finais de semana, pescaria com a família, reuniões com os amigos, passeios com os filhos, cinema, teatro. Aliás, qual é o nome daqueles filhos deles? Eu vou falar. O nome de cada um dos seus sobrinhos é: sedentarismo, passeio, pescaria, bar e outras diversões com os pais deles. O nome de toda a sua família deveria ser ‘inúteis’.
_ Olha, o meu nome é trabalho. Casei-me com ela porque os nossos nomes combinavam, ainda combinam. Ela também tem irmãos. Muitos irmãos. Quer saber o nome deles? Inúteis. Gostou do nome? Inúteis são pessoas como os irmãos dela, que viajam com os filhos, freqüentam casas de amigos, pagam para assistirem shows bacanas. Recebem pessoas, freqüentemente, em casa, com petiscos e cerveja gelada. Aliás, faz muito tempo que não os vejo. Por onde andam os seus irmãos?
_ Talvez junto aos seus.
_ Será que eles se encontram?
_ Inúteis sempre dão um jeitinho de se unirem aos outros.
_ Não está na hora de buscar os filhos?
_ Está. Eu busco dois e você leva os dois. Depois passa no mercado e leva as compras que a mamãe me pediu, mas não estou com tempo de fazer isso agora. A lista está debaixo do telefone.
_ Aproveita que já é o seu caminho, passa na farmácia, compra os medicamentos do meu pai e leve lá na casa dele. Faça aquela tabelinha, como eu sempre faço, e põe na porta da geladeira. Peça desculpas à minha mãe e diga que não poderemos ir almoçar lá nesse fim de semana porque vou trazer trabalho pra casa. Ah, diga à minha mãe que eu já agendei o dentista pra ela.
_ Ah, traga o seu laptop. Marquei com dois clientes nesse fim de semana. Não marque compromisso nenhum. Alguém tem que ficar olhando as crianças.
_ À noite, se der tempo, a gente conversa.
_ Menino! Entra logo nesse carro que eu estou com pressa.
_ Anda moleque. Vai fazer sua mãe perder tempo.
_ Por que vocês não contratam um motorista pra nós, assim param com essa gritaria.
_ Por que? Está achando que os seus pais são inúteis?
_ Nossa! Vocês se entendem mesmo, hein! Até as respostas são exatamente iguais em palavras e momentos. Aliás, poderiam começar a nos chamar pelos nomes que temos?
_ Vocês têm nomes compridos demais. Se acrescentarmos o motorista aí sim, não os chamaremos de coisa alguma.
E o celular toca, um de cada lado daqueles pais dos filhos.
Pra quem dizer : “Pai!Mãe! se eles não os escutarão?
E o telefone toca, a vida toca, mas não toca pessoas que ‘não e nem’ se tocam.
E o filhos, na garupa das circunstância.
Autora - Rita Lavoyer.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

A FLOR AZUL




Assim como os períodos épico, lírico e dramático se seguiam um ao outro na História da poesia grega, assim revezam- se na História universal da poesia dos períodos antigo, moderno e unificado. O interessante é o objeto da minus-poesia. Em Goethe parece ter-se instalado um cerne dessa unificação – Quem adivinhou o modo de seu surgimento deu a possibilidade de uma História perfeita da poesia. Novalis. Frag.54 - Pólen .


Friedrich von Hardenberg, conhecido por seu pseudônimo literário, Novalis, foi um dos principais representantes do romantismo germânico, fins do século XVIII. Ainda jovem, tornou-se próximo do círculo dos Sturm und Drang, tendo contato com Schiller, e os irmãos Schleger, Goethe e Herder. A obra de Novalis é um canto à integração mística entre o espírito e a natureza. Sua influência foi determinante na poesia romântica européia. Foi participante do círculo de Jena (1799). Os integrantes desse círculo dirigiram-se aos estudos da história, da crítica literária e às reflexões filosóficas. O “eu” era o assunto sobre o qual esses autores trabalhavam. O “eu”, como sendo a própria origem do mundo e união de todas as coisas, nascendo uma perspectiva voltada para o todo, tornando a visão dos românticos desse círculo mais aberta. Após a morte da noiva Sophie von Kuhn, em 1797, Novalis compôs a obra Hinos para a Noite, nos quais se revela um místico exaltado, em prosa intercalada com versos. A obra é uma celebração da morte como passagem para uma vida superior ante a presença de Deus. Em 1798, Novalis escreveu a série de fragmentos filosóficos e poéticos reunidos em Die Lehrling zu Sais ( Os discípulos em Saïs) Blutenstaub (1798; Pólen) e Glauben und Liebe (1798; Fé e amor). Os textos propõem, em estilo obscuro e hermético, uma interpretação alegórica do universo. Sua fusão de esoterismo e religiosidade encontrou plena expressão no ensaio Die Christenheit oder Europa (1799; Cristianismo ou Europa), sobre a unidade essencial das igrejas cristãs.
O prestígio de Novalis chegou ao auge com a publicação dos poemas religiosos Geistliche Lieder (1799; Cantos Sagrados). Novalis morreu em Weissenfeld, em 25 de março de 1801, antes de completar 29 anos. Um romance inacabado, Heinrich von Ofterdingen, espécie de romance de formação, narra a vivência de um jovem em busca da poesia. O sonho é o ponto de partida da viagem de aprendizado do herói, no qual aparece a “flor azul”, símbolo do anseio do romântico. Esse romance foi publicado um ano após sua morte. Falei, meu deus!
complemento do texto "Quero falar sobre a flor azul" publicado no Jornal Folha da Região em 20/07/2008. RITA LAVOYER

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

VOTE NO PIOR




Oia , quando pedem nois vorta. Vorta pra fala de disamor de homi cum muié, de muié de cadáver, de pai santo e pai capeta, de fio vagabundo que bate na mãe por causa da mistura, de sogra intão, eta assunto bão pra prega o reio.
Nóis fala de poesia, nóis fala do dia-a-dia e de porcarias também. Quando dei pra fala im cadáver, dois homi desceram do salto pra briga cumigo. Mais óia, fiquei achanu que eles também eram amantes do defunto. Mimosos! Mais nóis também fala de buraco, sô!
Quando inventei de fala em buracu deu curti cirquiti em um monte de paviu curtu, as energia foi pras venta deles e viraru ventilador, jogaru estrume pra tudo quanto foi canto. Meu computador, que Deus o tenha sempre ligado, ficou todinho lambuzado. Xi, fedeu! Foi tanta porcaria que inté dava pra tampá os buracu das rua pra dá uma chance pros buracu das calçadas que estão esperanu vaga pra ir pras ruas. Credo! Mais num é desses buracu qui vou falar hoje, não. É um buraquinho que antigamente era meio compridinho. Cabia inté uns quatro dedos dentro dele, tamanho a largura da vala. Se a mão fosse delicada dava inté pra pôr as duas bem incuidinhas.
Tinha homi que punha a mão e tirava retrato só pra registrar a proeza dele, sô! Oia, hoje, com a tecnologia, perderam o prazer e infiá a mão dentro do buracu; faz só cas pontinhas dos dedos mesmo, o pior é que nunca é o primeiro, quando chega a sua vez a teclinha tá toda suada. Faz tu tu tu e pronto, a vez já é do outro. O povo sai da casinha que pareci mais a noiva na véspera, é puro sorriso na cara, mesmo sem ter o buracu, pode?
Bão, quem entende bem memo de narrativa e de dedos sabe que isso são só introdução, pro trem fica bão memo tem que te clímax. Sabe o que é climax? É a relação dos membros de um período..., é o que faz a cena fica quente, às vezes chega até ao delírio, ai! Como o espaço é curto e o tempo também, vamos logo entrar em delírio porque já tem homi que não pois o dedo na coisa ainda e já tá gritando o desfecho. Calma! Não grite porque o negócio não tem mais buracu agora é eletrônico pode queima suas coisa, sô! E por falar em buracu, deixe os buracu gente! Virgem! Sem buracu não dá mais pra meter o dedo. No nariz dos outros, mente suja!
Então, tão percebenu que tô cheganu no fim e não vai dá tempo de fazer o clímax. Relaxa! Gozado oceis, né! Mete o dedo no lugar errado e depois não assumi que é pai dos problemas. Já que o clímax que oceis esperava alcançar com o dedo mixou, vai logo pro desfecho, mete a língua.
Tem urna que tá cheia de buracu, mais tem buracu que pode mete toda urna dentro que mesmo assim não vai tampar. Então, pediru pra escreve, tô escrevenu, agora eu peço: Vote nos pior, se os bão ganhá num vai ter mais buracu. E aí, vão se meter no quê?

terça-feira, 16 de setembro de 2008

FOLHAS SOLTAS



Seus cabelos.../Entrelaçava em meus dedos/Macios...queria senti-los/Por entre minhas mãos.
Eu li o livro Folhas Soltas de Edson Maciel. Também li o artigo do professor Hélio Consolaro( Folha da Região –Caderno Vida –Entrelinhas 14/09 “Razão para viver”) O poeta Edson Maciel é homem, primeiramente, no sentido do ser. Sabe dizer o que sente porque sabe ser o que é. ...Uma brisa suave/confundia-se com nossa respiração/E quando percebíamos/Estávamos entrelaçados. Antes de ser romântico precisa coragem para sê-lo. Olha, não é qualquer homem que a tem e muitos ainda não se descobriram e não sabem de suas finalidades, quanto mais funcionalidades. Eu te proponho sairmos por ai/ De mãos dadas...como fazíamos/ Sem pensar em mais nada/ Só vivendo aquele momento. O romântico, que primeiro precisa ser homem, senão não é nada, torna-se poeta, é conseqüência. A silhueta era de mulher/ Meu coração acelerou/ Porque para minha surpresa/ A silhueta desenhada era sua. Isso conclui o ciclo do amor. São 360 graus. Sabe o que é isso, não sabe, caro leitor? Explico. Sai de si e volta ao mesmo lugar enlaçando os meios, envolve-nos. A Mulher- Você não pode entrar em mim/ Sou Feliz assim/ Sou livre; faço o que bem quero/ Não pode me trazer felicidade / E não usa expressões à toa , não copia daqui, nem dali, não plagia, é plagiado porque o poeta, que é homem, sabe ser autêntico. As coisas do amor são sólidas/ Na sua própria fragilidade/ E quanto mais procuro evitar/ Mais me torno seu refém? A cura do homem, caro leitor, está nas palavras. Expresse-as. Tire-as de você da forma que souber. Faça como o Edson. Faça poema e revele-se para uma mulher. Amo você fulana/ Continuo só... e você?/ Ah...ninguém irá te amar mais do que eu/ Preciso de você. Isso é ser poeta, isso é ser romântico, isso é, antes de tudo, saber ser Homem, como o Edson Maciel que encontrou “ Razão para viver” porque é maduro o suficiente para descobrir que ninguém vive pra si. Ao contrário, tomaria antidepressivos esperando uma “Razão para morrer”. Agora deixo uma pergunta, caro leitor: Se quem ama nunca é feliz porque está sempre amando a pessoa errada significa dizer, por acaso, que estar sempre FELIZ é estar ao lado de alguém que não amamos? Quem está enganando quem nesta resposta? Fazer de conta : Vamos fazer de conta/ Que você ainda é minha.../Que eu ainda sou seu.../Meu Deus...é preciso fazer de conta.
É nada, caro leitor, não faça de conta. Conta o que faz, revele-se e ame sem fazer de conta porque amar e ser feliz é bom demais da conta.
Texto publicado no Jornal Folha a Região em 16/09/2008.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

DUAS COMIDAS MAL FEITAS





DISPUTA -
Achavam-se felizes, mas quando davam pra agressão o pau quebrava mesmo. As ofensas choviam e não tinha mãe que saísse limpa na história.
Foi sempre assim, desde que se casaram.
_ Você não cozinha como a minha mãe.
E ela agüentava calada pra comida poder passar pela garganta.
Quando começavam a discutir, o assunto da comida estava sempre no meio. Durante uma das refeições, ele soltou a famosa :
_ Você não cozinha como a minha mãe!
_ Não por isso, querido! Peça a sua mãe que venha até a nossa casa que eu a ensinarei a cozinhar, isso se ela, ainda, tiver condições de aprender alguma coisa. Assim, passaremos a cozinhar do mesmo jeito e nas duas casas sentirá o mesmo sabor.
Irritado com a ironia, o marido armou-se com a faca de mesa e desferiu um golpe mortal no pescoço da mulher. O sangue jorrou sobre a salada de tomates, única mistura sobre a mesa, tornou-se brilhoso sobre o opaco da panela de arroz e enrubesceu o chão.
Ágil em sua ação, o homem misturou o feijão com o arroz e com essa massa tampou a cavidade do pescoço da mulher, tentando estancar-lhe o sangue, mas deixou-a morta no chão. Em poucos minutos os mosquitos começaram a chegar.
O homem correu para a casa da mãe. Cheio de êxtase, matou a velha com o seu amor. Como não viu sangue, correu, foi até a cozinha, apanhou um tomate e esfacelou-o na cara da morta. Ligou pro restaurante, pediu uma marmita, sentou-se no sofá, ligou a TV. Acendeu um cigarro e pôs-se a esperar seu almoço.

DESPONTE -
Todo homem tem um sabor, venha provar de mim pra descobrir qual é o seu gosto – disse o cozinheiro ao seu prato principal.
_ Mas a dor dos meus dissabores parece não ter fim – retrucou a comida.
O cozinheiro fez com que o seu prato principal olhasse ao seu redor, a fim de que se reconhecesse com os objetos ali contidos: fogões, refrigerador, panelas, pratos e talheres. A comida girou em torno de si mesma, ficou zonza e caiu.
Antes que ela acordasse o cozinheiro despiu-a, arrumou-a delicadamente em uma mesa central sobre a qual luzia uma linda toalha de linho. Lambeu-lhe delicadamente o pescoço e ao primeiro toque dos seus lábios aos lábios dela, sentiu-os ressecados.
_ Devo umedece-te amada minha, com os dotes de cujo pote você só faz crescer.
Assim o fez. Acordada a amada, a comida alimentada, esta, então, o possuiu. Com o seu dote, secou-lhe o pote. Afastou o seu rosto do peito dele e perguntou:
_ O que diz dos meus sabores? Mas ele, exausto, adormecia.
Levantou-se ela, fez uso dos objetos a sua volta. Preparou um suculento caldo.
“Ninguém, me tendo como prato principal, degusta-me sem dizer dos meus sabores” - ruminava.
A mulher pegou o caldo, ainda fumegante, e despejou sobre as intimidades do cozinheiro.
Os gritos do homem, sumindo no ar, fizeram arrepiar os pratos e talheres, mas não houve tempo de alcançar o refrigerador. Cozido que estava, cortou-o e o colocou na marmita. Alguém esperava o almoço.
Texto publicado no Jornal Folha da Região em 28/08/2008.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

PAI, EU TINHA TANTO PRA CONVERSAR.



Resposta do filho ao texto do pai publicado nesta coluna em 30/07/2008- “Eu tenho tanto pra lhe falar...”

_ Pai, eu tinha tanto pra conversar com o senhor, mas o senhor, pai, nunca me escutava. Eu não sabia direito como me expressar afinal, eu pouco ouvia as suas palavras. Quando o senhor vinha conversar comigo era sempre aos berros por isso, quase nunca eu o ouvia e me calava, o senhor me mandava, lembra-se?
Quando o senhor me colocava de castigo eu não achava ruim pai, porque eu sabia que o pensamento do senhor estava ligado a mim naquelas horas. Isso era bom. Eu derrubava leite, fazia birra. Era uma reação que me dominava e eu não sabia o porquê. Praticava e me entristecia ao mesmo tempo. Agora eu reconheço que errava, por isso, pai, perdoe-me, por favor.
Eu sei que está sofrendo com a minha partida. Eu sei das promessas que fez enquanto chorava sobre o meu corpo. Não faça mais nada por mim, pai. Faça pelo senhor e por sua esposa. Eu aceitei nascer para ser o seu filho porque tínhamos histórias para escrevermos juntos, vivendo-as, mas o ponto final veio antes do fim e o nosso caderno está aberto. Procure ajuda pai, para poder entender os porquês disso ou daquilo; respostas virão e deverá estar preparado para elas. Aquela hora chegou. Fechou o que deveria ser fechado e o senhor não disse aquilo que teve a oportunidade de dizer, simplesmente, porque não sentia amor por mim. Sei que ele está descortinando dentro do senhor e quando ele estiver bem claro não grite como prometeu “Um dia eu vou gritar : Meu filho eu te amo.”
Pai, não grite mais com ninguém e nem para mim. Eu o ouço através da sua dor e é ela quem me transmite quem o senhor realmente é, permitindo-me perdoá-lo pai, porque a minha alma ainda é de criança. Sei do poder de perdão do Nosso Criador e Ele lhe dará, se permitir, as letras corretas para terminar a história da sua caminhada cujo sinal o senhor atravessou. Ele estava fechado; o senhor, embriagado. Bêbado mesmo. Lembra-se, pai?
Pai, o senhor ultrapassou muitos sinais: o da tolerância, do amor, da fraternidade e do respeito com os outros e consigo mesmo.
Ainda não é a sua hora, a minha também não era. Na trajetória que o espera carregará, sozinho, o fardo que cabia a mim ajudá-lo a carregar. Só que o peso, agora, pai, será bem maior, mesmo que eu queira sair, o senhor não conseguirá me tirar de dentro dele. Esta história, pai, borracha nenhuma apagará.



Texto publicado no Jornal Folha da Região em 07/08/2008.