Contos, minicontos, crônicas, poesias, nonsenses e outros assuntos que agradam e perturbam na mesma proporção, sempre ao meu estilo.
CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS
PREMIAÇÕES LITERÁRIAS
2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras, com a poesia O FILME;
2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba, com o conto A CARTA;
2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba, com o conto O BEIJO DA SERPENTE;
2012 - 7ª colocado no concurso de blogs promovido pela Cia dos Blogueiros - Araçatuba-SP;
2014 - tEXTO selecionado pela UBE para ser publicado no Jornal O Escritor- edição 136 - 08/2014- A FLOR DE BRONZE //; 2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba, com o conto LEITE QUENTE COM AÇÚCAR;
2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins, com o conto MARCAS INDELÉVEIS;
2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR, com o conto SOB A TERRA SECA DOS TEUS OLHOS;
2015 - Recebeu voto de aplausos pela Câmara Municipal de Araçatuba;
2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba com o conto A ANTAGONISTA DO SUJEITO INDETERMINADO;
2016 - classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia, com o poema AS TUAS MÃOS.
2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras, com a crônica PLANETA MULHER;
2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura
2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura
2017 - 13ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de abril de microconto Escambau;
2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.
2017 - 24ª classificada no TOP 35, na 2ª semana de outubro de microconto Escambau;
2017 - 15ª classificada no TOP 35, na 3ª semana de outubro de microconto Escambau;
2017 - 1ª classificada no concurso de Poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras, com a poesia PERMITA-SE;
2017 - 11ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de outubro de microconto Escambau;
2018 - 24ª classificada no TOP 35, na 3ª semana de janeiro de microconto Escambau;
2018 - Menção honrosa na 4ª edição da Revista Inversos, maio/ com o tema Crianças da África - Poesia classificada BORBOLETAS AFRICANAS ;
2018 - 31ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de janeiro de microconto Escambau;
2018 - 32ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de janeiro de microconto Escambau;
2018 - 5ª classificada no TOP 7, na 1ª semana de junho de microconto Escambau;
2018 - 32ª classificada no TOP 35, na 3ª semana - VII de junho de microconto Escambau;
2019 - Classificada para antologia de suspense -segundo semestre - da Editora Jogo de Palavras, com o texto OLHO PARA O GATO ;
2019 - Menção honrosa no 32º Concurso de Contos Cidade de Araçatuba-SP, com o conto REFLEXOS DO SILÊNCIO;
2020 - 29ª classificada no TOP 35, na 4ª semana - VIII de Prêmio Microconto Escambau;
2020 - Menção honrosa no 1º Concurso Internacional de Literatura Infantil da Revista Inversos, com o poema sobre bullying: SUPERE-SE;
2020 - Classificada no Concurso de Poesias Revista Tremembé, com o poema: QUANDO A SENHORA VELHICE VIER ME VISITAR;
2020 - 3ª Classificada no III Concurso de Contos de Lins-SP, com o conto DIÁLOGO ENTRE DUAS RAZÕES;
2020 - 2ª Classificada no Concurso de crônicas da Academia Mogicruzense de História Artes e Letras (AMHAL), com a crônica COZINHA DE MEMÓRIA
CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS
- 2021 - Selecionada para a 6ª edição da revista SerEsta - A VIDA E OBRA DE MANUEL BANDEIRA , com o texto INILUDÍVEL ;
- 2021 Selecionada para a 7ª edição da revista SerEsta - A VIDA E A OBRA DE CECÍLIA MEIRELES com o texto MEU ROSTO, MINHA CARA;
- 2021 - Classificada no 56º FEMUP - com a poesia PREPARO A POESIA;
- 2021 - Classificada na 7ª ed. da Revista Ecos da Palavra, com o poema CUEIROS ;
- 2021 - Classificada na 8ª ed. da Revista Ecos da palavra, cujo tema foi "O tempo e a saudade são na verdade um relógio". Poema classificado LIBERTE O TEMPO;
- 2022 - Classificada no 1º Concurso Nacional de Marchinhas de Carnaval de Araçatuba, com as Marchinhas EU LEIO e PÉ DE PITOMBA;
- 2022 - Menção honrosa na 8ª edição da Revista SerEsta, a vida e obra de Carlos Drummond de Andrade , com o texto DIABO DE SETE FACES;
- 2022 - Classificada na 10ª ed. Revista Ecos da Palavra, tema mulher e mãe, com o texto PLANETA MULHER;
- 2022 - Classificada na 20ª ed. Revista Inversos, tema: A situação do afrodescendente no Brasil, com o texto PARA PAGAR O QUE NÃO DEVO;
- 2022 - Classificada na 12ª ed. Revista Ecos da Palavra, tema Café, com o poema O TORRADOR DE CAFÉ;
- 2022 - selecionada para 1ª antologia de Prosa Poética, pela Editora Persona, com o texto A FLOR DE BRONZE;
- 2022 - Selecionada para 13ª edição da Revista Ecos da Palavra, tema MAR, com o poema MAR EM BRAILLE;
- 2022 - Classificada para 2ª edição da Revista Mar de Lá, com o tema Mar, com o poema MAR EM BRAILLE;
- 2022 - Classificada para 3ª Ed. da Revista Mar de Lá com o microconto UM HOMEM BEM RESOLVIDO;
- 2022- Classificada com menção honrosa no 34º Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba, com o conto O CORTEJO DA MARIA ROSA;
- 2022- Classificada pela Editora Persona com o conto policial QUEM É A LETRA L;
- 2022 - Classificada no Concurso da E-33 Editora, Série Verso e Prosa, Vol.2 Tema Vozes da Esperança, com o poema POR ONDE ANDAS, ESPERANÇA? ;
- 2023 - Classificada na 15ª edição da Revista Literária ECOS da Palavra, com o poema VENTO;
- 2023 - Classificada para coletânea de poetas brasileiros pela Editora Persona, com o poema CUEIROS;
- 2023- Selecionada na 23ª ed. da revista Literária Inversos com tema "Valores Femininos e a relevância do empoderamento e do respeito da mulher na sociedade contemporânea", com o poema ISSO É MULHER;
- 2023 - Classificada no Concurso de Contos de Humor, Editora Persona, com o conto O PÃO QUE O QUINZIM AMASSOU;
- 2023 - Classificada no Concurso de Poesias Metafísica do Eu, Editora Persona, com o poema QUERO OLHOS ;
- 2023 - Selecionada pra a 11ª Edição da Revista SerEsta, A vida e obra de Paulo Leminsk, com o poema EL BIGODON DE CURITIBA ;
- 2023 - Classificada no 1º concurso de poesia do Jornal Maria Quitéria- BA, com o tema " Mãe, um verso de amor", com o poema UM MINUTO DE SILÊNCIO À ESSAS MULHERES MÃES;
- 2023 - Selecionada para Antologia literária - Série Verso e Prosa. Vol. 4, tema Vozes da Solidão, editora E-33, com a crônica A MÃE;
- 2023 - Selecionada para a 9ª ed. da Revista Mar de Lá, como poema O POETA E A AGULHA;
- 2023 - Classificada no concurso de Prosa Poética , Editora Persona, com o texto QUERO DANÇAR UMA MÚSICA CONTIGO;
- 2023 - Selecionada para Antologia literária - Série Verso e Prosa. Vol.5, tema Vozes do Sertão, editora E-33, com o poema IMAGEM DE OUTRORA;
- 2023 - Selecionada para Antologia literária - Série Verso e Prosa. Vol.6, tema FÉ, Editora E-33, com o poema OUSADIA POÉTICA;
- 2023 - CLASSIFICADA para a Antologia Embalos Literários, Editora Persona, com o conto SEM AVISAR;
- 2023 - Classificada na 18ª edição da Revista Literária ECOS da Palavra, com o poema FLORES, com o poema O PODER DA ROSINHA;
- 2023 - Selecionada para Antologia literária - Série Verso e Prosa. Vol.7, tema AMIZADE, Editora E-33, com o poema AMIZADE SINCERA;
- 2023 - Classificada em 8ª posição no Prêmio Castro Alves, na 33ª ed. Concurso de Poesia com temática Espírita, com o poema SOLIDARIEDADE;
- 2023 - Selecionada para Antologia literária - Série Verso e Prosa. Vol.8, Vozes da Liberdade, tema , Editora E-33, com o poema REVOADA;
- 2023 - Classificada para a Antologia Desejos profundos - coletânea de textos eróticos , Editora Persona, com o poema AGASALHA-ME;
- 2023 - Classificada para antologia Roteiros Adaptados 2023 - coletânea de textos baseados em filmes, Editora Persona, com o texto BARBIE, UMA BONECA UTILITÁRIA;
- 2023 - PRIMEIRO LUGAR no Concurso , edital 003/2023 - Literatura - seleção de projetos inéditos, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura de Araçatuba, com o livro infantojuvenil DENGOSO, O MOSQUITINHO ANTI-HERÓI;
- 2024 - Selecionada para compor a Coletânea Cronistas Contemporâneo, pela Editora Persona, com o texto A CONSTRUÇÃO DE UMA PERSONAGEM;
- 2024 - Classificada para 19ª edição da Revista Literária Ecos da Palavra, com o poema A PASSARINHA;
- 2024 - Classificada para a 13ª edição da Revista Mar de Lá, com o poema O TORRADOR DE CAFÉ;
- 2024 - Selecionada para compor a Coletânea "Um samba no pé, uma caneta na mão", tema carnaval, pela Editora Persona, com o poema DEIXA A VIDA TE LEVAR;
- 2024 - Selecionada para compor a coletânea "Revisitando o Passado", promovido pelo Projeto Apparere, com a crônica COZINHA DE MEMÓRIA;
- 2024 - Selecionada para compor a Coletânea de Poetas Brasileiros,2024, Editora Persona, com o poema IMAGEM DE OUTRORA;
- 2024 - Selecionada para compor a Antologia JOGOS DO AMOR, promovida pela Revista Conexão Literária, com o tema O jogo do amor, poema classificado: TENHO MEDO;
- 2024- Selecionada para 20ª ed. da Revista Literária Ecos da Palavra, com o tema INFÂNCIA, com o poema DEBAIXO DE UMA LARANJEIRA;
- 2024 - Selecionada para compor a Coletânea SOB OSSOS E SERPENTES, da Tribus Editorial, com o conto, com 9.999 caracteres, O BEIJO DA SERPENTE,
- 2024 - Selecionada para a 21ª Edição da Revista Literária Ecos da Palavra, com o poema REVOADAS;
- 2024 - Selecionada para a Coletânea de poemas Intimistas Existencialistas, com o tema A Arte do Eu, promovido pela Editor Persona, com o poema GOTAS DA CHUVA ;
- 2024 - Selecionada para compor a antologia NÓS , textos de autoria feminina pela SELO OFF FLIP, com a crônica MULHER, FONTE DA ÁGUA;
- 2024 - Classificada na 27ª Edição do Concurso da Revista Literária Inversos, com o tema "Culinária Típica da Festa de São João", promovido pela Academia de Letras e Artes de Feira de Santana (ALAFS) e Academia Metropolitana de Letras e Artes, com o poema SEU ZEQUINHA NO SÃO JOÃO DO NORDESTE;
- 2024 - Classificada no concurso Literário MEMÓRIAS DE AFETO, promovido pela Lítero Editorial, com o poema O TORRADOR DE CAFÉ;
- 2024 - Selecionada para compor a 22ª edição da Revista Ecos da Palavra , temática Animais, com o texto ORAÇÃO DOS BICHINHOS ;
- 2024 - Selecionada para compor a Coletânea de Microconto-2024, promovido pela Editora Persona, com o microconto ROSTO;
- 2024 - Selecionada para compor a coletânea A POESIA SUBIU O MORRO, promovido pela Editora A Arte da Palavra, com o poema PERMITA-SE;
- 2024 - Classificada para compor a Edição 23 da Revista Ecos da Palavra, com o poema QUANDO EU SENTIR;
- 2024 - 2º classificada no 35º Concurso Nacional de Contos cidade de Araçatuba, com o conto IN VINO VERITAS;
- 2024 - Classificada para compor a Coletânea Contistas Contemporâneos, 2024 - Editora Persona, com o conto NÃO FOI A PRIMEIRA VEZ;
- 2025 - Classificada para compor a 25ª edição da Revista Ecos da Palavra, com o poema CONVITE;
- 2024 - Cordéis classificados para compor a Antologia Povo, Cordel e Poesia, promovido pela Litero editorial, com os cordeis: SEJAMOS TODOS EMPÁTICOS; AMAR ANIMAIS É DOM; A IMPORTÂNCIA DA LEITURA; 2024 - Selecionada para publicação em coletânea Concurso de poesia Município de Campo Mourão - Biblioteca Egydio Martello - 2024, com a poesia CONVITE ;
- 2025 - Classificada no Concurso Coletivo Fomento Literário ; tema Semente da Esperança, com o poema GERMINAIS;
- 2025 - Classificada para compor a Coletânea de Poetas Contemporâneos, 2025, Editora Persona, com o poema ANJO DE VERDADE ; ,
- 2025 - classificada na 26ª edição da Revista Literária Ecos da Palavra, com o tema Amizade e com o poema AMIZADE SINCERA;
- 2025 - Classificada na 15ª edição da Revista Literária SerEsta, sobre a vida e a obra de Casimiro de Abreu, com a prosa O MEU CORPO NÃO ESTÁ NA REDE;
- 2025 - Classificada na Antologia MISTÉRIOS - contos e poemas, pela Revista Conexão Literatura, com o conto QUEM É A LETRA L;
- 2025 - Classificada na 51ª Edição da Revista LiteraLivre com o poema SEM(HORA);
- 2025 - Classificada no 1º Prêmio Proverbo de Literatura, com o poema (Entre) Versos e Razões;
- 2025 -RECEBEU TROFÉU ODETTE COSTA NA CATEGORIA LITERATURA COM O LIVRO DENGOSO, O MOSQUITINHO ANTI-HERÓI
- 2025 - Classificada para Revista Conexão Literatura , com o tema POEMAS SOBRE O TEMPO, Vol. VII, com o poema PÓ DO TEMPO ;
- 2025 - Selecionada para compor a Revista Barbante, Volume XIII – Núm. 99 – 08 de junho de 2025 , com a Crônica MÁQUINA PARA A POESIA;
- 2025 - Selecionada para compor a Coletânea Enigmas Independentes, promovida pela Editora Independentes, como conto OS SEGREDOS DE CATARINA;
- 2025 - Selecionada para compor a Revista Barbante, Volume XIII – Núm. 100 – 15 de junho de 2025 - PARTE I DE II - Edição especial de número 100, com a crônica NÃO FOI A PRIMEIRA VEZ;
- 2025 - Selecionada para compor a edição n. 6 da Revista Animalista, com o cordel AMAR ANIMAIS É DOM;
- 2025 - Selecionada para compor a Revista Literária Epifania# 1, com o tema sentimentos: amor, tristeza, alegria, raiva, com o poema NA FOZ OU NO SONO;
- 2025 - selecionada para compor a 52ª edição da Revista LiteraLivre, com o poema O TORRADOR DE CAFÉ;
- 2025 - Selecionada para compor a 28ª edição da Revista Ecos da Palavra, tema CHUVA, , com o poema GOTAS DA CHUVA
- 2025 - selecionada para compor a Antologia "A Força dos Versos", pela Editora Literária, com o poema OUSADIA POÉTICA;
- 2025 - Selecionada para compor a 2ª edição Revista Alma: associação Literária de Mocossa Moçambique., com o poema A PASSARINHA;
- 2025 - Classificada em 9º lugar no XXVI Concurso de Contos Alípio Mendes, promovido pela Academia Angrense de Letras e Artes, com o conto MATEUS, O MENINO DOS ANOS DE CHUMBO;
- 2025 - Classificada para compor a 5ª edição, edição comemorativa de 1º aniversário da Revista Vinca Literária, somente para mulheres, com o poema QUANDO A SENHORA VELHICE VIER ME VISITAR;
- 2025 - Selecionada para compor a 31ª edição da Revista Inversos, em homenagem ao dia das Crianças, com o poemeto CRIANÇA REAL;
- 2025 - Selecionada para compor a 16ª ed. da Revista SerEsta, com o tema A vida e a obra de Carolina Maria de Jesus, com a crônica UMA ENTREVISTA COM CAROLINA MARIA DE JESUS;
- 2025 - Selecionada para compor a antologia do XIV Concurso Literário de Presidente Prudente - CLIPP - com o poema VERSOS LIVRES,;
- 2025 - 3º lugar na categoria mini poema, Nacional/internacional, do 14º Concurso Literário da Academia Madureirense de Letras 2025, com o mini poema PROSA, SABORES E MEMÓRIAS;
- 2026 - Selecionada para compor a Antologia Prosa Poétioa, promovida pela Editora Persona, com a prosa MÁQUINA PARA A POESIA;
- 2026 - 3ª classificada no concurso de fábulas promovido pela Editora Typus, com a fábula A MACACA E O LEÃO ;
- 2024 - Selecionada para publicação em coletânea Concurso de poesia Município de Campo Mourão - Biblioteca Egydio Martello - 2024, com a poesia CONVITE ;
- 2026 - Selecionada para compor a Coletânea de Poetas Brasileiros 2026, promovido pela Editora Persona, com o poema NONAS POESIAS;
- 2026 - Selecionada para compor a Coletânea Poemas sobre a morte, promovida pela Editora Persona, com o poema O ENCONTRO ;
- 2026 - Selecionada para compôr a 4ª edição da Revista Alma, de Mocosa-Moçambique, com o poema VERSOS LIVRES;
- 2026- Selecionada para compor a antologia Universo da Poesia, pela Editora Conexão literária, com a poesia ESPERANÇAR COM A POESIA;
quarta-feira, 18 de janeiro de 2023
terça-feira, 17 de janeiro de 2023
segunda-feira, 19 de dezembro de 2022
POR ONDE ANDAS, ESPERANÇA?
Poema classificado no Concurso literários promovido pela E-33 Editora, Série Verso e Prosa, Vol. 2 Tema Vozes da Esperança
Por onde andas, Esperança? - Rita Lavoyer
Minha amiga Esperança, sem dizer nada
sem se despedir, partiu em disparada!
A angústia lotou-me o vazio, e não se arreda.
Ajudava-me a sonhar. Por mim tão querida!
Enchia de calor e de cor a minha vida.
Sem medo de morrer... Assim vivia!
Tua ausência é morte, sem campa
a carpir!
Esta morte, com seu efeito parcimônia,
adormece-me os sentidos com a força da
insônia.
Vou crer na volta, e a ela meus braços
abrir
Ela ganha vida, em mim se acomoda.
Nesta batalha incomum luto, mas travo.
Pensando que posso, elevo-me, mas não me atrevo.
Esperança, amarrada nesta guerra não encontro lenitivo.
Outrora fui on. Hoje off. Se tento de novo, demovo.
Das estrofes ouço urros. Canção, ritmo não há.
Neste meu apuro nem sei o que procuro. Criação?
Por onde andas, minha Ama?
Com teu desmame, levaste-me o umami.
Estagnada em mim, perco-me.
Contigo fui eu, nós, eles. Hoje, nem pronome.
Minha fome de vida quem me habita a consome.
Por onde andaste não pensaste nesta
nem por um instante?
Se fui para ti, algum dia, benquista,
por que já não me assiste?
Goste ou não, custe o que custar,
encontrarei um fórmula que me possa recriar.
Questiono-me por que existo.
Sem entusiasmo, criação,
criei embotamentos.
Só, não me servi neste tormento,
faltou-me emoção.
Quis abreviar minha vida,
gesto nada nobre,
inquieta, compus versos longos
com rimas bastante pobres.
Neste dilema fui discreta,
rabisquei sentimentos, quis ser poeta.
Vendo aquelas linhas compostas por mim
não olvidei. Continha ali um esperma
fertilizando o óvulo do papel.
Investi de cabeça, ao rascunho retornei.
Tentei nele germinar as palavras. Ávidas
fizeram-se útero, de mim grávida.
Aquele corpo ainda não versado, vi-o lotado de inanição,
naquela ocasião meu punhal,
reclamando com a Esperança a despedida que criei.
No momento da gestação, minha vida prolonguei.
Em cada verso criado evitei meu ponto final.
Quando vi pela Esperança
paridas e nuas as palavras
tencionei um poema compor,
sendo elas da poesia linhagem,
quem renascia era eu
composta por nova roupagem.
Autora Rita de Cássia Zuim Lavoyer é de Araçatuba-SP.
A série Verso & Prosa publica o seu segundo volume – “Vozes da Esperança”. Como no primeiro volume, a adesão dos autores e autoras de todo o País, e até mesmo do Exterior, foi significativa e, das dezenas de inscrições, 40 participantes estão tendo suas obras publicadas, por se adequaram ao edital e ao tema proposto.
Veja a relação dos selecionados, por ordem alfabética de nome ou pseudônimo.
Adeline Pilati – Curitiba - PR
Alberto Arecchi – Pávia - Itália
Alice Ribeiro – Maracanau - CE
Amanda Castro – São Gonçalo dos Campos - BA
André Moreno da Rocha – Juiz de Fora - MG
Atanilson Novaes de Moura – Serrolândia - BA
Cristian Canto – Porto Alegre - RS
Dam Nascimento – Itupeva - SP
Drika Lopes – Socorro - SP
Eneida Marques – Campos de Jordão - SP
Fernanda Haiest – Umuarama - PR
Izabel Ribeiro – São Paulo - SP
- L. Gomes – Mairinque -SP
Jô Cardoso – Saquarema - RJ
Jorge Miknosmur – Rio de Janeiro - RJ
Josilaine Pinto – Amparo - SP
Letícia Costa Val – Belo Horizonte - MG
Li Poeta – Cariacica - ES
Lino Giavarotti Filho – São Paulo - SP
Lizédar Baptista – Anápolis - GO
Lucia Helena dos Santos – Porto Alegre - RS
Luciane Aparecida Varela – Francisco Beltrão - PR
Luciano Izidoro de Borba – Tombos - MG
Lucy in the Sky – Jundiaí - SP
Matheus Gomes De Carvalho – Araçatuba - SP
Max Rocha – Alfenas - MG
Mestre das Letras – São José - SC
Michele Stringhini da Silva – Guaratuba - PR
Patricia de Campos Occhiucci - Mogi Guaçu - SP
Por Darlinho – Igreja Nova - AL
Reirazinho – Mogi Guaçu - SP
Rita de Cássia Zuim Lavoyer – Araçatuba - SP
Roberto Éllisson – Santarém - PA
Robert Portoquá – Aracaju - SE
Silas Gonçalves Macelino – Cariacica - ES
Sinval Farias – Fortaleza - CE
Sofia Clara dos Santos Albino – Aparecida - SP
Suzane Araújo Oliveira – Natal - RN
Valério Maronni – Barra Mansa - RJ
Zé Mário, o Poeta – Morro do Chapéu - BA
sexta-feira, 16 de dezembro de 2022
ESPERANÇAR COM A POESIA
Poesia classificada na 4ª edição da Revista Mar de Lá, cujo tema foi Esperança
site da revista Mar de Lá onde pode ser conferida a lista dos classificados
https://revistamardela.wixsite.com/mardela/selecionados?fbclid=IwAR0QJm56JAPQ9ntDTR-bWgk9FZeEkDzM3QH2E6u7G_tWw2SnvlyY5UPSAR8
Esperançar com a poesia
Poeta, cumpre o teu
destino!
Concretiza-me na figuração da tua linguagem.
Ainda que trema com a pena na mão
vista-me como prover a tua roupagem:
abstrato da minha emoção.
Poeta, o amanhã está na obra
que desejas construída.
Meu alicerce é a tua base,
esteja nela fechada ou aberta a ferida.
Poeta, ainda que velha no teu alcance criança
renova-me a cada dia
na fênix da tua esperança e
acalenta minh’aurora em cada cinza fria.
Poeta, cumprida tua missão,
decreta-me teu verbo,
aos teus esperança-os comigo.
Confiante, serei deles, no caos, abrigo, amante,
como bênção aos justos prometida.
Faça-me, pois, do teu labor nascida.
Poeta, neste parto sou utopia: fruto da tua luz.
Quanto mais no teu peito a dor se alastra,
muito mais da beleza faço jus.
Nas possibilidades dos extremos
serei engajada, marginal, voz da minoria,
do teu cotidiano instrumento social.
Fecundos, esperançaremos
que há para todos vaga no mundo!
Oxalá me tomem como remédio às suas letargias.
Sou teu estro, meu astro, nomeia-me “Tua Poesia”.
Autoria- Rita de Cássia Zuim Lavoyer é da cidade de Araçatuba – SP.
https://www.facebook.com/rita.lavoyer
sexta-feira, 2 de dezembro de 2022
QUEM É A LETRA L
CONTO SELECIONADO PELA EDITORA PERSONA PARA COMPOR A COLETÂNEA "INVESTIGAÇÕES".
Quem
é a letra L ?
Autoria - Rita de Cássia Zuim Lavoyer
Observou através do olho mágico tentando
ver quem batera do lado de fora, pois o toc-toc da batida na porta o deixou
deveras assustado. Com o olhar fixo naquele olho, retinha a respiração para que
nenhum ruído o denunciasse. Afastou-se nas pontas dos pés, espremendo-se todo,
evitando que notassem sua presença ali.
Notou que a maçaneta girava lentamente,
sentia que a porta estava sendo forçada.
De repente, tudo permaneceu silencioso
como há alguns minutos, logo ouviu o barulhinho de um papel lentamente sendo
passado por debaixo da porta de madeira carcomida. Percebeu um envelope branco sendo empurrado
para dentro, despertando os ratos e as baratas que ali transitam livremente. Pancadas
do lado de fora e pisados dos coturnos batendo no assoalho marcaram a força de
um comando que haveria de voltar.
O homem caminhou até a porta, agachou-se
fazendo sofrer seus joelhos antigos e pegou o envelope. Apertando-o entre os
dedos, lentamente o ergueu diante de suas vistas. Arrastando seus chinelinhos,
aproximou-se da janela, levantou o envelope até uma faixa de luz que entrava no
ambiente, tentando ver o que trazia além do volume em seu interior. Com as mãos
trêmulas, receava abri-lo. Colocou-o num dos bolsos do seu pijama e
inquietou-se a andar em círculos dentro da sala.
Apertava o bolso com uma das mãos podendo
sentir o volume do objeto que estava dentro do envelope. Conteve seus passos e
fixou-se no lugar em que parou. Iria abri-lo. Olhou-o atentamente, abriu-o.
Dentro também havia uma carta longa relatando sobre Local, Data, Nome e
Assinatura.
Desesperado diante daquelas informações, subiu
ao sótão da casa, pegou sua caixa de ferramentas e um embrulho, desceu ofegante
até o quarto. Pôs tudo sobre a cama e com o auxílio de um pé de cabra forçou o
assoalho do armário embutido, arrancando-o. Após extraí-lo, pegou o embrulho e,
por uma escada em espiral, desceu naquele compartimento secreto.
Pisava cuidadosamente os degraus,
apoiando-se no silêncio que precisava manter. Quando sentiu o piso, tentou
lembrar-se da localização do interruptor. Contou alguns passos naquele escuro,
bateu a mão na parede e certificou-se de que seus números ainda se mantinham
vivos na memória.
Com a gola do pijama, limpou as secreções
acumuladas nos cantos de seus olhos miúdos, apertou-os para que voltassem a
brilhar, após mirar a urna que se mantinha com o invólucro intacto. Ela
encontrava-se, há décadas, na mesma posição difícil e perigosa de quando a viu
pela primeira vez. Sabia da cautela que deveria ter, pois um ato em falso o
denunciaria. Não se percebia nada e nem um barulho naquele esconderijo, a não
ser o sigilo úmido das águas que corriam pelos encanamentos dos esgotos, e que
dividiam aquele espaço com aquela urna intacta.
Andou um pouco mais, aproximando-se
daquele segredo. Abriu cuidadosamente o embrulho, pegou dele as luvas que
traziam gravadas as iniciais L.D.N.A. e calçou-as. O invólucro, já ressecado
pelo tempo, possibilitou ser arrancado com as mãos protegidas, critério
estabelecido para tocar aquele enigma, trazendo junto um fragmento que
escorregou de suas mãos. O ruído do objeto tocando o chão fez a espinha antiga
daquele homem sentir um frio cadavérico de enrijecer qualquer flacidez senil. Fantasmas
rodeavam aquela urna ainda incólume.
Forçou um agachar dolorido para apanhar o
objeto. Gemeu uma dor lancinante para colocar-se novamente de pé.
− É uma parte dela, agora posso juntá-las.
A chave que precisava será composta agora! Oh, serei eu! Serei eu!
Havia chegado o momento. A consumação do desejo
se realizaria com aquelas informações trazidas pela carta.
A emoção de poder abrir a urna sem
maculá-la, com a chave que ele montaria, poder ver, tocar o que há anos ambicionava,
emitia um tilintar de dentes com dentes da sua dentadura. Um calafrio dominou o
corpo do velho que precisou agarrar-se em si mesmo, para controlar os agitos da
sua emoção.
Administrava a sua respiração a fim de pôr
rédeas nas palpitações que ecoavam nas paredes da sua alma. Ouviu, então, bater
várias vezes na mesma porta que fora forçada. O desespero o dominava; sabendo
que não havia mais tempo, levantou-se rapidamente para continuar o seu feito.
−
Ah, as ferramentas?! A chave, cadê?! A outra parte, que há décadas venho
rastreando, está dentro do envelope. Vendi meus patrimônios, paguei detetives,
subornei, contratei peritos, me escondi, eliminei comparsas , suspeitos e
aguardei! Ah, asinhas de borboleta – dizia com os olhos
cheios de satisfação –, ficaram lá em cima, sobre a minha cama. Tenho que ser
rápido antes que o tempo expire. Ah, maldito código feito com pacto de sangue! Foram
vocês D.N.A. a causa de tanta demora. Mas – rindo
baixinho –, já os apaguei, não há mais registro de nada. Serei rápido. Eu a
abrirei. Ah, urna, eu a abrirei, depois vou contar, contarei tudo...
Na ansiosa subida, o bico do seu
chinelinho de quarto bateu na quina de um degrau da escada e não houve como
evitar a queda.
Com a cabeça sangrando, o velho soltou um
grito inaudível para o tempo, que se encarregará de informar ao mundo, pelo seu
cheiro, o local, o segredo da urna e a identidade da letra “L”.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2022
O CORTEJO DA MARIA ROSA
CONTO CLASSIFICADO NO 34º CONCURSO DE CONTOS CIDADE DE ARAÇATUBA, 2022.
O cortejo da Maria Rosa
Rita de Cássia Zuim Lavoyer
Aquela imagem, arbitrariamente, saltou
dos recônditos de sua memória e pôs-se a ziguezaguear diante dos seus olhos,
deixando-a tonta, quase sem sentido – como uma tormenta, pensou Margarida. Essa imagem não lhe surge por
acaso. Quando vem, apresenta-lhe novos personagens com marcas cada vez mais
profundas e dolorosas. Uma fotografia vista pela lente da sua
consciência. “Minha consciência! Tão minha!”. Margarida carregava um imbróglio
de sentimentos dentro de si, que não conseguia resolvê-lo.
Exausta, não reunia condições para assimilar
como chegou ali, naquele barraco. Mas sabia perfeitamente de onde vinha.
Ofegante, entrou.
Encontrou Maria Rosa estendida no chão. Ajoelhou-se
e descansou a sua mão esgarçada sobre ela. Parecia, mas não podia ser
considerada velha. Era moça. Com apenas
32 anos, tão destroçada pela dura vida e pelos sonhos que não se
confirmaram. Estava colorida ainda. O
roxo e o vermelho prevaleciam sobre o preto, cada cor com seu respectivo
pigmento. Aquela mãe não entendia de
arte, sequer cogitava como combinar as cores em um trabalho artístico, contudo
sabia de que forma se procedia para registrá-las em um corpo. Classificou
aquele mau resultado estendido no chão como trabalho bem-feito e bem
finalizado, que ela não queria ver, mas que lhe
saltava aos olhos e se estendia dentro dela, uma cinzenta nódoa que a amargurava.
Margarida
conseguiu enxergar na imagem, que não aceitava chamar de lembrança, aquela filha
em um passado recente, jovem de pálpebras caídas, olhos embaçados exibindo
vasos avermelhados ramificando no branco dos seus globos
oculares. Olhos tão tensos e secos que, durante a vida,
dificultavam-na enxergar mais distante, além da sua realidade. Assim, ela a
enxergava. O lenço esfarrapado que trazia amarrado na cabeça escondia as
cicatrizes conquistadas nas fugas e nas quedas dos degraus que fizeram parte do
processo de construção da sua filha, figura capturada da imagem transgressora
que lhe ocorrera e que insistia em lhe perturbar os sentidos. Maria Rosa mostrava um sorriso forçado. Exibia falhas
nos dentes amarelados que seguiam para o apodrecimento. Vestia camisa branca
estilo baby look, curta, com
colarinho duro e cinco botões de massa que cabiam perfeitamente em suas casas.
Uma saia simples de cor cinza que lhe caía bem, pois não se dava ao luxo da
obesidade. As duas peças formavam nuance interessante com sua pele negra, um
conjunto que poucos invejariam. Seus chinelos com correias diferentes calçavam
os pés que aprenderam e desaprenderam os caminhos do bem e do mal. As fissuras
calcificadas em seus calcanhares denunciavam a precariedade de cuidados
básicos. Acima do tornozelo direito,
uma úlcera varicosa produzia água avermelhada, que vazava pelo curativo
encardido que tentava escondê-la. Margarida via-a, naquele estado passivo,
psicologicamente deformada.
Boa parideira. Aos quatorze, Maria Rosa deu à luz sem soltar um
grito, e continuou assim. Margarida continuou vendo sua filha na imagem. Rodeada
pelos oito filhos, por dois cachorros e por um homem – “aquele homem” responsável por impedir uma possível ponte entre
mãe e filha – , de olhar apertado, de cenho
franzido e lábios espremidos, de cabelos
sebosos penteados para trás, deixando ver a longitude de sua testa de pele morena,
pai de algumas daquelas crianças de olhares
lacrimejantes, descamisadas, barrigudas, umbigos estufados e com os pés no chão,
encostados em um barraco de paredes meio
de tábua, meio de lona que também era usada como telhado, meio de papelão, meio
de outdoor de um político da campanha passada, ironicamente anunciando construções de casas para a população
carente: construção fiel de incertezas, de confusões e de fragilidades, fincada no terreno enlameado,
em que mal caberiam dois corpos, mas como as fomes eram abundantes inquilinas,
ali, esquálidos humanos se amontoavam perfeitamente. Margarida tentava não
imaginar o sumo infeccioso que podia escorrer do abraço “daquele homem” de madeira
apodrecida que os vermes haveriam de comer. Margarida paria intervalos entre
uma angústia e outra.
Ela olhou em volta, tudo em silêncio
e tão sem cor, apesar da arquitetura psicodélica do barraco. Havia
quinquilharias entulhadas. Num espaço separado por um pano pendurado em uma
corda, simulando uma cortina, havia uma cama, colchões rasgados, bermudas, camisetas
e chinelos esparramados pelo chão forrado por papelão. A claridade que
atravessava os vãos das “paredes” encontrava quase nada onde pudesse se chocar
e produzir uma sombra sequer. Sobre uma tábua que se equilibrava em um pedaço
de cadeira havia um bule, pratos sujos e vazios cobertos de moscas e formigas aguardando
quem lhes passasse água. Nenhuma música, nenhum álbum de fotografias. Uma mesa
dobrável de bar, coberta por uma toalha de crochê vermelha, amparava uma
garrafa pet com flores do campo querendo água para terminarem seu curso
com dignidade. Margarida levantou-se, tomou-as,
apertando-as entre os dedos. Entendeu uma significante beleza naquela
decoração. Pausou seu pensamento
atordoado: “Ela punha flores em uma garrafa. Houve sonho nesta pocilga. Agora,
há apenas uma morta rodeava por dois cachorros e eu.” Margarida coçou os olhos que ardiam. Engoliu
em seco uma vez, outra e outra para reprimir as lágrimas, ajudando a descerem
os nós entalados em sua garganta. “Ela desejava disto
aqui um lar”.
O passar dos anos daqueles moradores, ali,
naquele barraco, havia incrustado no ambiente
cheiros de suores ressecados, incorporado a cânfora, urina, aguardente, fumo e
querosene. Aquela mãe interpretou aquele
mundo pelo aroma.
Forçando o pensamento, Margarida
decifrou, na imagem arbitrária que preferia chamar de pesadelo, lobisomens
crescidinhos. Uns já pegos pela polícia, outros alcançados por balas perdidas.
Alguns dos que sobraram continuavam assombrando, diziam. Os miúdos,
quando não estavam na creche, distraiam-se nos semáforos. Havia os cachorros que
pareciam fiéis àquela filha, mas sempre rosnavam feio quando viam a mãe dela, e
ganiam, amiúde, uma tristeza adestrada pelas circunstâncias, de arrepiar os
ossos, os próprios e os alheios.
Naquela ocasião em que Margarida e Maria Rosa
estavam, apenas os dois seres como confidentes. Rosnavam baixinho, como um
choro.
Abaixou-se novamente. Com a ponta
do seu polegar craquelado pela labuta de limpar a sujeira de muitas famílias,
para deixar a brancura do ambiente delas cheirando a sabão para os finais de
semana, Margarida friccionava a pele de sua filha, tão afetiva, quase lhe
arrancando a cor. Era preto com preto, porque não aprendera outra expressão
para “preto”. Negro, afrodescendente, dizia ela, mordendo os lábios, não
alterava sua identidade, tampouco diminuía a sua sina e a de sua herdeira.
Sobre o roxo, imperceptível como identidade, mas gritante pela maior negritude
da pele, e o vermelho não tocou. O que não conseguia tocar, tentava fazê-lo
pela inconsciente fé no seu Deus. Num delírio viu em Maria Rosa uma morada
quieta, desolada, e vagou lentamente nos corredores que havia dentro dela.
Conforme a adentrava, seu fígado fisgava sensações agudas que lhe secavam a
boca. Pegou-se distraída, sendo
observada pelos cachorros.
Fixou o pensamento mais
profundamente na imagem que a incitava para ler sua subjacência, saber mais
sobre aquele mundo e as práticas que trouxeram a sua descendente, tão expropriada,
àquela situação. Massageou seu pescoço, precisava dissolver os nós de
sentimentos que insistiam brotar em sua garganta, botá-los goela abaixo. Com a
boca seca, não tinha força para mover as engrenagens que a ajudassem engolir
qualquer coisa.
Queria reunir elementos e, valendo-se
de suas experiências, formular o próprio discurso, dizê-lo em voz alta a si
mesma, repetidas vezes, até compreender os percursos que construíram tanta
miséria, registrada naquela realidade morta pintada de preto, de roxo e de
vermelho, sobre a qual sua mão voltou a descansar. E para a sua
memória, a imagem que a atormentava lhe fora poderosa aliada.
Fechou os olhos e deixou
os detalhes remontarem sua consciência. Aos poucos, a relação entre a imagem e
ela ia se estabelecendo. Aterrorizou-se pensativa.
No discurso não verbalizado que ia
construindo não havia ações, porém ouviu dele acusações sobre sua ausência e
sua omissão na formação da filha. Foram esses elementos que contribuíram para
que a vitimada passasse pelas desgraças pelas quais passou?
Por instantes,
não entendeu as razões de a imagem lhe dizer tantas coisas, já que a arrastava
escondida e muda há anos. Embora os códigos fossem brutais, a interação entre a
emissora e a receptora foi mantida e a mensagem compreendida. Por que somente agora a interpretou?
Faltou-lhe coragem para traduzir os coloridos que a filha trazia desde quando
se juntou a tantos homens, e “àquele”, que lhe jurou um barraco melhor? Ou somente ela tinha medo e fugia da situação em que sua
filha sempre se envolvia? Os ganidos dos cachorros eram implicância com sua pessoa?
No silêncio que havia ali,
apenas entre mãe, filha e os animais, capturando aquela imagem intransigente
que lhe perpassava a lembrança, sua cria lhe pedia socorro, que foi ouvido
apenas agora, tardiamente. Escutou a própria voz lhe dizendo,
repetidas vezes, que a rotina de hematomas e afins fora pincelada pela falta de
recursos, de oportunidades, de estudo, de emprego, de dignidade, de família, de
referência, de estrutura, de amigos, de amor, de pertencimento e pela sobra de medo, de fome,
de necessidades e
de sua herança genética. Riu, quase uma gargalhada,
por saber decorado os termos com os quais classificavam as infelicidades
dos pobres como ela e do eufemismo que um dia aprendeu, sabe-se lá onde:
“negro”, preto não; e
da emblemática “Vidas Negras Importam”, que impregnou em sua memória.
Aprofundou seu
olhar nos olhos dos dois fiéis tristemente postados ao lado de sua proprietária
e, naquele momento, entendeu a simbiose que havia entre eles, e a comunicação
que os cachorros tentavam manter, ganindo, quando ela chegava. Eram os únicos que expressavam
verdadeiramente carinho e atenção por aquela criatura morta.
“Pobre menina!
A única que pari, porque no meu corpo não permiti que nenhum outro homem
tocasse. Fui surrada por essa raça somente uma vez, com força suficiente para
excluí-lo sem deixar dele nem o nome para lembranças. Você, filha, quantas
vezes foi tocada com os mais variados instrumentos da violência? Não consigo
mensurá-la nas suas cicatrizes e nos coloridos que insistem em se destacar na
sua pele preta, tão escura quanto a nossa história.”
Deslizou sua mão até a altura do
coração da filha na intenção de esquecê-la ali. Sentiu umas batidas.
Atormentou-se, aumentando a pressão no seu peito, há muito,
sofrido. Confundiu sua pulsação com a possibilidade de o órgão da
falecida, tantas vezes violentado, voltar a bater, roubando dela a única
oportunidade de liberdade que a vida lhe oferecera. Foi o medo dessa
possibilidade que quase a fez chorar. Deixou-se vencer por um polegar de razão. Sabia que aquele corpo ela
não poderia ocultar.
Arrastou-se e
apoiando-se em seus joelhos desconjuntados, ergueu-se, encostou sua têmpora na “parede”
de outdoor e deixou-se atordoar por todas as leituras interpretadas
naquela imagem. Viu o chão correr sob seus olhos e, intempestiva,
arrastou daquele território de memória o corpo da filha. Sem usar muita força, trouxe
abaixo toda a vulnerabilidade daquele barraco colorido, igualando-o ao terreno
enlameado sobre o qual fora fincado. Os nós na garganta eram grandes para lhe
permitirem gritar, pedir ajuda. Forçando a passagem de ar em suas narinas, no
desespero de poder respirar e pôr fim àquela história, trouxe junto o cheiro de
especiarias de origem africana e de feijão
temperado no alho que se espalhava naquele lugar, e sua boca encheu-se d’água. Margarida conseguiu engolir direito como há
tempo não fazia. Girou em torno de si e sentiu que acima desses cheiros pairava
o aroma de flores do campo e não resistiu a esse encanto.
De repente,
olhos e ouvidos daquela vizinhança alheia aos barracos daquela morada se
abriram. A imagem daqueles entulhos e do
corpo de Maria Rosa foi ganhando olhares curiosos. Fotos foram tiradas por
celulares de pessoas de todas as cores, indiferentes à cena. O vozerio daquela
gente soou-lhe melodioso. Deixou-se seduzir pelo saudosismo e encheu-se de
expectativas.
Viu que se
achegavam os lobisomens crescidinhos que restaram. Lembrou-se
de que havia, ainda, os miúdos dos semáforos. Com quem ficariam seus
netos? Olhou suas mãos e as
sentia mais cansadas ainda.
Lembrou-se também “daquele
homem” e do quanto aquela madeira podre era pesada. Um bicho. Exterminou nele os
genocidas de sua raça. Expurgou ali o imbróglio de sentimentos que até então
não conseguia resolver. Enfim, fez com cautela, de forma a não deixar
dele nem o nome para lembrança. Reuniu coragem
e condições de se lembrar de onde vinha quando chegou ao barraco. E
seu peito tornou-se opresso. “Por que
não cuidei dela muito antes?” Contrita questionava-se sobre o mérito de sua ação.
Caminhou em direção aos netos
que chegavam. Abraçando-os, explicou-lhes o ocorrido. Por eles, decidiu, reuniria forças para tirar-lhes o estigma de lobisomem que as circunstâncias lhes
impingiram. Levaria-os para o seu barraco. Ela os cativaria. Sim! Pediria
adiantamento às patroas. Começar pelo estômago é estratégia apreendida para
uni-los a ela. Tornara-se seu plano de
vida. Compraria um vaso, colocaria
flores e o deixaria sobre a mesa, onde comeriam reunidos feijão temperado com
alho entremeado com comidas africanas que um dia aprendera a fazer. Banharia e
vestiria dignamente os netos. Entendia-os, agora, como a herança que a filha lhe
deixou.
Ligações foram feitas e
chegaram ao local elementos que colocariam ordem naquele evento, levando aquela
calada narrativa ao seu desfecho. Enquanto peritos fotografavam a cena do
crime, aos que a questionaram, Margarida respondeu apenas que quando chegou a
encontrou morta no chão do barraco. Passou as características “daquele homem”.
Não careciam muitas investigações para confirmar que o sangue ressecado no
corpo da vítima e vestígios encontrados sob os restos do barraco comprovavam a
veracidade da declarante. O silêncio cúmplice da branquitude que investigava o
caso sugeria um possível processo arquivado.
Ela,
que estava seca, humanizou-se. As
lágrimas que evitara caíram durante o episódio. Qual um caleidoscópio,
coloriram-lhe os olhos e, com o coração batucando em seu peito, viu se dissolvendo
as partículas daquela filha, permitindo desaparecer sob aquele céu a culpa que ela própria se
atribuía por sua negligência com aquela família. Deixou-a ir. Livrara-se daquela
escravidão. O veículo de sirene ligada imprimia velocidade. Somente as duas
fiéis criaturas, correndo e latindo, seguiram o cortejo da Maria Rosa rumo ao
IML. Margarida espremeu os olhos para enxergar, até que o carro fugiu do seu
alcance. Sentiu seu peito comprimido abrir-se para agasalhar novo ar, que
ela precisava e merecia. Sua herdeira estava livre! Não se preocupou
com os cachorros. Sabia que eles a encontrariam, quando necessário.
Sua
primeira ação para aquele inventário seria preparar “aqueles bens” para o
sepultamento da mãe deles, tão logo o corpo fosse liberado. Respirou naquele instante um amor de mãe e de avó, que durou
pouco.
Por
destruir a cena do crime, foi levada à delegacia para depor. Pediu para que
seus netos a acompanhassem. Queria-os junto dela, conservando vivas suas esperanças
de construir novas imagens no seu coração e na memória deles. Afinal, as vidas
dos seus netos, que agora lhe pertencem, importam.