CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.


sábado, 29 de novembro de 2008

O BOM JOSÉ E SUA MARIA.




Escutem como foi, todos Josés, a história que vou lhes contar. A Maria, daquele João, encontrou-se com um bom José.
O José, que era tão puro, apaixonou-se por Maria.
Me lembro quando ela gritou, mas o João não a ouviu. José a ergueu com o seu amor. Fortalecia, ela o traiu.
Desculpe, meu bom José, mas a Maria não o merecia.
Casar-se com a Rute ou com a Ester, meu bom José, você podia. Mas só a Maria é quem mostrava o cheiro e o gosto de mulher.
Ah, José!
Meu bom José você talhou uma mulher pra não ser sua, porque a Maria descobriu o amor sujo que há na rua.
Por que será, meu bom José, que a Maria um dia veio, chorar no ombro que era seu, mas do João não se esqueceu.
Você podia, simplesmente, tê-la mandado embora, mas o José não é o João, e agora no exílio chora.
Meu bom José você esconde, o gosto amargo do desprezo, porque a Maria é igual ao João, ambos não têm corações. São personagens do Poeta das Multidões.
Os dois não prestam, não são nada. E não merecem o seu choro. O seu amor tem qualidade, vale mais que qualquer ouro.
Me lembro a história que contei sobre a Maria e o João. Ela, na vida, rodopiou, pois somente o João ela amou. Meu bom José, meu pobre amigo, outras Marias existem iguais. Não chore mais, meu bom José, aqui se paga o que se faz.
Se ela não quer o seu amor, deixe-a voltar para o João. Um traste precisa do outro; um para ser palco, o outro chão.
Agora está, novamente, lá, na fila do João, esperando chegar aquela hora de o João meter-lhe a espora.
Ela saiu tão machucada, daquela roda, daquele João. Achou a chave pra outra vida, mas foi você, meu bom José, que fez Maria ser mulher.
Hoje, ela não é nada, muito menos nome tem. Ela é a Maria do João, amigo José, como as outras que ele retém. Mas o teu nome o põe de pé, você é um homem, meu bom José.
Aquele João é todo barro; você, jacarandá. Será nos galhos de sua tala que o João irá matá-la.
A sua história se repete, meu bom José, todos os dias. Ainda bem que, de vocês, não nasceu um único filho. Daquele ventre de Maria, nada podia germinar.
Mas se viesse a acontecer, hoje, na cruz, era você José, a outra história recomeçar.
Desse seu peito atravessado, a Maria há de sair pra você poder viver. Portanto, não lamente a sua dor, porque um Homem, melhor que ela, José, morreu por seu amor.
autoria- Rita Lavoyer

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

MARIA E JOÃO



MARIA E JOÃO.

Maria tinha por João um amor que o envaidecia. João tinha por Maria, repulsa. Mas precisava do amor que ela lhe tinha pra manter viva a chama da sua vaidade.
E agora, Maria? Você esteve na fila do João. Chegou a sua vez. Você entrou na roda, Maria. Agora rodopie.
Para a Maria, era o João na terra e o João no céu. Não havia meio termo entre as duas divindades. Ou lhe era o João, ou lhe era o João.
A ginástica desumana que a Maria fazia, no palco do João, a fez equilibrista. Aí, a Maria, de um trampolim ao outro, rodopiava para elevá-lo às alturas.
João a olhava, mas não a via. Não havia uma forma de a Maria penetrar-lhe a armadura.
Hei, João! Por que teve que se tornar assim?
Maria rodopiava, rodopiava e num dos seus gestos, foi o seu equilíbrio quem rodopiou e , no chão, Maria ficou.
E agora, Maria? O seu equilíbrio findou-se.
Perdeu a razão e ao João ela gritou.
Por que teve que gritar, Maria? Ficasse calada. Mas quis entrar na roda. E agora, Maria? Por falta de pena, caiu feito bigorna.
Deitava no chão, a Maria se viu.
E agora, mulher? Seus pulos acabaram. O que fará sem a luz do João?
Você tem nome, Maria. Não deixe que dele zombem. Você é os meu versos, Maria. Se ame, proteste, agora, Maria! É mulher com discurso e carinho pra dar.
Que bebam, que fumem, que cuspam, Maria, mas no João e não em você.
Você lhe foi noite e foi dia, Maria. Mas o bonde dele já passou. Não corra atrás, é utopia.
Ele acabou, ele fugiu, ele mofou, o João!
E agora, Maria? Está sem palavras? Não fale agora, espere a febre do jejum acabar. Existe outra porta, Maria. A chave está com você. Abra a sua biblioteca, leia-se. Se na leitura encontrar-se com o João em terno de vidro, arme-se com o seu ouro e quebre-o. O João é pura incoerência.
E depois?
Erga os seus joelhos desconjuntados, Maria!
Abra a sua porta, corra para o mar e grite, e gema, e toque uma valsa para dançar em sintonia com a nova realidade, sem o João.
E agora, Maria? Ação! Porque amor não se conjuga, ele é a culpa do pecado, é nome errado da certidão do mundo.
Você não, Maria!
Você tem nome, Maria. Honre-o.
O João? Não é nada, Maria! Por isso, não lhe daremos nome algum, Maria. Deixe-o a mercê da própria roda, Maria. A fila dele, Maria, ainda está grande, Maria, e cheia de gente sem nome, Maria, para servi-lo, Maria.

Autora – Rita Lavoyer

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

QUAL É O SEU NOME?




_ Oi! Ela é minha esposa. O nome dela é trabalho.
_ Oi! Ele é o meu esposo. O nome dele é trabalho. Temos 4 filhos que têm os mesmos nomes: moradia, alimentação, segurança, educação, saúde, lazer.
_ Ela tem pais. O nome dos velhos? Plano de saúde, fisioterapia, farmácia, enfermeiros, vai-e-vem e combustível pra levá-los pra cima e pra baixo....
_ Ele tem pai e mãe. O nome deles? Abandonados.
_ Os meus pais não são abandonados. Eu cuido muito bem deles. Pago plano de saúde, alimentação, moradia. Pago fisioterapia. Se precisarem de mim para levá-los em algum lugar, levo-os e não reclamo.
_ Está vendo!? E os seus irmãos, hã!? Qual é o nome deles? Eles se chamam bar nos finais de semana, pescaria com a família, reuniões com os amigos, passeios com os filhos, cinema, teatro. Aliás, qual é o nome daqueles filhos deles? Eu vou falar. O nome de cada um dos seus sobrinhos é: sedentarismo, passeio, pescaria, bar e outras diversões com os pais deles. O nome de toda a sua família deveria ser ‘inúteis’.
_ Olha, o meu nome é trabalho. Casei-me com ela porque os nossos nomes combinavam, ainda combinam. Ela também tem irmãos. Muitos irmãos. Quer saber o nome deles? Inúteis. Gostou do nome? Inúteis são pessoas como os irmãos dela, que viajam com os filhos, freqüentam casas de amigos, pagam para assistirem shows bacanas. Recebem pessoas, freqüentemente, em casa, com petiscos e cerveja gelada. Aliás, faz muito tempo que não os vejo. Por onde andam os seus irmãos?
_ Talvez junto aos seus.
_ Será que eles se encontram?
_ Inúteis sempre dão um jeitinho de se unirem aos outros.
_ Não está na hora de buscar os filhos?
_ Está. Eu busco dois e você leva os dois. Depois passa no mercado e leva as compras que a mamãe me pediu, mas não estou com tempo de fazer isso agora. A lista está debaixo do telefone.
_ Aproveita que já é o seu caminho, passa na farmácia, compra os medicamentos do meu pai e leve lá na casa dele. Faça aquela tabelinha, como eu sempre faço, e põe na porta da geladeira. Peça desculpas à minha mãe e diga que não poderemos ir almoçar lá nesse fim de semana porque vou trazer trabalho pra casa. Ah, diga à minha mãe que eu já agendei o dentista pra ela.
_ Ah, traga o seu laptop. Marquei com dois clientes nesse fim de semana. Não marque compromisso nenhum. Alguém tem que ficar olhando as crianças.
_ À noite, se der tempo, a gente conversa.
_ Menino! Entra logo nesse carro que eu estou com pressa.
_ Anda moleque. Vai fazer sua mãe perder tempo.
_ Por que vocês não contratam um motorista pra nós, assim param com essa gritaria.
_ Por que? Está achando que os seus pais são inúteis?
_ Nossa! Vocês se entendem mesmo, hein! Até as respostas são exatamente iguais em palavras e momentos. Aliás, poderiam começar a nos chamar pelos nomes que temos?
_ Vocês têm nomes compridos demais. Se acrescentarmos o motorista aí sim, não os chamaremos de coisa alguma.
E o celular toca, um de cada lado daqueles pais dos filhos.
Pra quem dizer : “Pai!Mãe! se eles não os escutarão?
E o telefone toca, a vida toca, mas não toca pessoas que ‘não e nem’ se tocam.
E o filhos, na garupa das circunstância.
Autora - Rita Lavoyer.