CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de abril de microconto Escambau.

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.

2017 - 24ª classificada no TOP 35, na 2ª semana de outubro de microconto Escambau.

2017 - 15ª classificada no TOP 35, na 3ª semana de outubro de microconto Escambau.

2017 - 1ª classificada no concurso de Poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras.

2017 - 11ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de outubro de microconto Escambau.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

NEM TUDO QUE É COMESTÍVEL É COMÍVEL

Ele abriu a geladeira e só pôde ver duas garrafas com água e uma panela com alguma sobra de comida. Sentiu vontade de agarrar uma garrafa, mas o ar gelado que saia do interior da geladeira o fez tossir, fazendo-o desistir da investida. É asmático e nada de gelado conforme o médico o advertira. Usa sandálias franciscana com meias, sempre as mesmas, com os bicos molhados de urina. Na sala, avistou a companheira. É velho, mas mais velho ainda se sente ao vê-la ali, naquela cadeira, fazendo hora-extra na vida.
Ficou a observá-la. Esforçou-se, mas ela não o apeteceu. Enfiou uma das mãos no bolso da calça de há vários dias usada e tirou algum trocado. Contou-o.
Saiu silenciosamente e tomou o rumo do supermercado. Caminhava lentamente, parava apenas para escarrar entre uma esquina e outra. Chegou meio que perdido, feito cachorro sem dono e adentrou o local pouco movimentado naquele horário de sol a pino. Passava entre os corredores e punha-se a observar os produtos das prateleiras. Não os tocava. Observava-os apenas. No açougue, pôs-se diante das carnes embaladas, vermelhas e vivas àqueles olhos velhos azuis. O frio do ambiente o fez tossir e logo saiu do local, sem se dar conta estava na feirinha. Desnorteou-se perante a lembrança de há quanto não fazia a feira. Saudade latente.
Avistou a maçã. De pele brilhosa, cor vermelha de puro viço, sabor de maçã! Foi em direção a fruta, ela o convidara àquele apetite. Quis tocá-la, mas hesitou. Compôs-se e, delicadamente, aproximou-se para cheirá-la. Cheirava-a e extraia dela o gosto da maçã. Saboreava aquela visão. Satisfez-se. Em outras bancas buscava algo mais ao seu sabor. Tocou, enfim, a mexerica; a sentiu grossa, flácida e passada. Devolveu-a junto com as demais e passeou entre os legumes: cenoura, pepino, mandioca... Diante deles, ficou estático, e os consumidores o perceberam ofegante naquela situação. Ao notar-se à vista de todos, pegou vários pepinos como que querendo comprá-los, mas os devolveu tão logo saboreou – lhes o cheiro.
Passou a frequentar o local todos os dias de sol a pino e a exercer o seu voyeurismo, nada a ver com LAVOYERISMO, que é comer a carne e roer o osso, graças a Deus!
Todos os dias, após o seu ritual na feirinha, o velho passa na confeitaria, pega uma bandeja de maria-mole e sai feliz. É o que pode pagar, é o que consegue comer.
Texto publicado no Jornal Folha da Região em 09/07/2009.

2 comentários:

HAMILTON BRITO... disse...

tUA ILUSÃO ENTRA EM CAMPO, NO ESTÁDIO VAZIO.
CADÊ VC, CADÊ VC, CADÊ VC, VC PASSOU...
COMO DIZ O TEU BELO TEXTO E AS LETRAS DE UMA CANÇÃO, ACIMA MENCIONADA...ÉSTAMOS TODOS A CAMINHO DA MARIA-MOLE.
Por falar em geladeira, aquela ainda está la e do mesmo jeito?

Luzis disse...

A ele não importa que só possa comprar e saborear a maria-mole, pois o q o faz vivo e o deixa rico, ele ainda carrega consigo:os cinco sentidos:olfato, paladar, audição(talvez),visão e tato.Linda crônica, e fortemente reflexiva.