CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2015 - Recebeu voto de aplausos pela Câmara Municipal de Araçatuba;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba;

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras;

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de abril de microconto Escambau;

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.

2017 - 24ª classificada no TOP 35, na 2ª semana de outubro de microconto Escambau;

2017 - 15ª classificada no TOP 35, na 3ª semana de outubro de microconto Escambau;

2017 - 1ª classificada no concurso de Poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2017 - 11ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de outubro de microconto Escambau;

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

MEDO ESDRÚXULO DO ALÉM TÚMULO





Helbergarda morria de medo do além túmulo. Desesperada por saber que iria conhecê-lo em qualquer época, matou-se.


Sempre trouxe a dúvida do por que um pulso cortado levava à morte e um braço amputado não.


Era exigente, gostava de serviços bem feitos.

A porta e a janela do seu quarto estavam trancadas pelo lado de dentro. Arrombaram-nas.


Encontraram-na morta, deitada na cama, com uma das mãos amputada, e outro braço com o pulso cortado até poder ver o osso, ao lado de um machado. Para igualá-la, arrancaram-lhe a outra mão também. Ginástica desumana.


Enlouquecia ao ver o seu corpo, sem as mãos, sendo maquiado para repousar eterno na urna.


Seus olhos arregalados não eram vistos, nem ouvidos. Agonizava-se para dizer, silenciosamente, o seu medo naquela morava para sempre.


Coroas chegavam. O vigário recusou-se a benzer o corpo.


Helbergarda foi... vendo... Viu-se enterrada. O medo por estar ali a consumia inteira.


Tamanho desespero fez mover os seus braços sem mãos. Com os ‘toquinhos’ que lhe sobraram batia na tampa do caixão, trancado pelo lado de fora, fazendo-se ouvir na câmara ao lado.


_ Hei! Quem está ai? Aquiete o seu espírito. Pare de fazer barulho que eu preciso descansar em paz.


O medo por ouvir a reclamação do vizinho morto, ao lado, fez o líquido paralisado daquele corpo de Helbergarda correr freneticamente.


Esquecendo-se das boas maneiras, dentro da urna Helbergarda urinou.


_ Hei! Vizinho novato, morreu do quê?


Sua condição piorou quando percebeu-se tratada no masculino. Esquecida, correu com suas mãos até o seu sexo, não o alcançou, não as tinha. Os seus braços mutilados chegavam até a altura do umbigo. Gemeu não saber mais sua identidade.


Aterrorizada, depois da pergunta do vizinho, não houve como controlar os agitos do seu corpo. Helbergarda tremia debaixo da terra.


_ Quer parar de chacoalhar aí, seu engraçadinho! Pare agora! Senão vou até ai e te mato!


O medo de Helbergarda tornou-se atômico, ao ponto de ela explodir.


Seu corpo, num súbito, esparramou-se no espaço, levando consigo todo o material que a envolvia, enquanto a sua alma moribunda encolhia-se na cova, tentando agarrar-se aos vermes.


Rita Lavoyer



7 comentários:

jhamiltonbrito.blogspot.com disse...

Minha amada, idolatrada e perfumada amiga....que dizer? Vc agora descambou pro sobrenatural. Ao olho ,masculino ou verbo , que até hoje me esquenta a cabeça junta-se aa alemazonha ai....com esse nome só pode seralemã. Olha, a diferença entre corte e amputação é que nessa, há a suturação dos vasos sanguímeos. Naquele, a hemorragia mata.
Mas aqui entre nós: a fulana morreu foi tarde. Vai se especializar nesse tipo de literatura? Vai? Cruuuuzzzesss!!!!

Jorge Sader Filho disse...

Rita, minha querida Rita!
Quem é esta mulher, perdão, quem era? Eu também conheci, quase ficamos noivos.
Mas quando ela deu para falar em morte o dia inteiro, fugi pro Rio de Janeiro e ainda estou inteiro.

Carinho,
Jorge

Rita Lavoyer disse...

Caros amigos, é muito divertido lê-los, acreditem. Os comentários de vocês complementam o texto, tornando-o interessante.

Antigamente, as crianças me pediam bolinhos, convidavam-me para brincar com elas quando entravam de férias. Agora pedem textos malucos. Que virada!

Atendo-os, com o maior prazer.

Obrigada pelo carinho. Adoro vocês.

Daniela Marchi disse...

Professora Rita, adorei seu texto. Primeiro pela qualidade literária de sempre. Segundo que, como espírita, sei que este é o retrato do sofrimento das pobres almas que que enveredam pela triste opção de tirar a própria vida. Parabéns mesmo. Dani.

Anônimo disse...

que horror

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Demais, Rita. Mórbido, irônico e engraçado ao mesmo tempo. Parabéns por mais esta lavra impagável!

Patrícia Bracale disse...

Eita, com seu talento, pra que vamos deixar os mortos em paz...