CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2015 - Recebeu voto de aplausos pela Câmara Municipal de Araçatuba;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba;

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras;

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de abril de microconto Escambau;

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.

2017 - 24ª classificada no TOP 35, na 2ª semana de outubro de microconto Escambau;

2017 - 15ª classificada no TOP 35, na 3ª semana de outubro de microconto Escambau;

2017 - 1ª classificada no concurso de Poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2017 - 11ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de outubro de microconto Escambau;

terça-feira, 16 de julho de 2013

FÁBULAS DE LAVOYER



A MACACA E O LEÃO




Ela corria pela floresta a procura de comida. Subia pelos galhos, saltava com firmeza e pisava o chão como se dele fosse a única dona. 


À beira do rio pôde ver um cesto de vime e dentro dele um filhote recém-nascido. Apressou-se para apanhá-lo. Ela, que não gostava de água, nada questionou para entrar nela. Agarrou-o, trazendo em seus braços a salvo. Era um leãozinho, ainda cheirando à placenta.

Ela o limpou o fez dele o seu filhote. Amamentou-o, acreditando rapidamente ser o seu filho. O filhote cresceu observando diferenças.

_ Mãe, por que  eu, que sou um Leão, sou o seu filho sendo você uma Macaca?
_ Meu filho, mãe é mãe, não tem espécie e  filho é filho independente do gênero. Venha aqui e coma a sua banana!
_ Mas mãe, eu não gosto dessa fruta. Mãe, eu sinto vontade de comer algo diferente, eu sinto um cheiro diferente em certas coisas e esse cheiro me enche de prazer, além de uma vontade enorme de abocanhar o que eu vejo e sinto, diferente da banana . Mãe, também não gosto de vê-la comendo os meus piolhos, apesar de ser muito gostoso o seu carinho. Também não gosto de catar os seus piolhos, além do mais, mãe, as minhas patas são enormes para a sua cabeça, tenho medo de machucá-la. Poderíamos deixar de lado esse ritual de catar piolhos?

_ É claro que não podemos, meu filho. Isso é feito desde que os meus ancestrais foram criados, além do mais, deve se habituar a se alimentar de bananas porque o seu paladar é muito perigoso para a população daqui.







_ Mãe, a que ancestrais se refere, já que mãe, segundo disse, não tem espécie?



_ Ah, meu garoto, você ainda é muito jovem para entender sobre isso. Venha, seja bonzinho e coma a sua banana.



Num salto violento ele atacou o cacho todo, rugindo sobre as bananas que caíram no chão.


_ Meu filho, você me machucou com as suas unhas, isso não poderá acontecer mais. Venha aqui, vou cortá-las agora.
Sem questionar o comportamento da Macaca, o Leão deixou que ela retirasse todas as suas unhas, uma por uma.

_ Mãe, conforme eu caminho, sinto muitas dores nas minhas patas. Mãe, um Quati me atacou e quando eu fui me defender senti mais dores ainda. As minhas unhas estão me fazendo falta, mãe.

_ Não se preocupe, o Quati é um bicho muito pequeno, você é um Leão. Da próxima vez que ele o incomodar é só rugir que ele sentirá medo e fugirá de você.

Na tarde do mesmo dia, o Quati investiu contra o leão novamente e, sem as unhas, o felino cravou um de seus dentes no animal ,que conseguiu escapar ensanguentado.

_ Filho, a mãe do Quati veio reclamar do seu comportamento violento com o filho dela. Não o ensinei a ser violento. Já me feriu várias vezes com as suas presas quando vem pegar as bananas. Venha cá, abra a sua boca e engula isso.


_ O que é isso, mãe?
_ Receita dos meus ancestrais.



Adormecido como um morto, o Leão perdia, um a um, os seus dentes, que eram arrancados pela Macaca.
Ainda sonolento, pode sentir que algo lhe faltava.


_ Mãe, o que houve comigo? Cadê os meus dentes?



_ Meu filho! Você não é o meu filho por acaso. Você me foi entregue para que eu cuidasse de você. Não é porque vivemos em uma selva que precisamos viver como selvagens. Os seus dentes eu os arranquei, para aprender que não devemos fazer com os outros o que não queremos que façam a nós. Acalme a tua dor, para ela haverá recompensa.

_ Mas mãe, eu nunca ataquei nenhum animal, já apanhava dos pequenos sem poder me defender, evitando com isso que a senhora fosse repreendida pelos pais dos bichos. Mãe, eu não consigo fazer nada sozinho, agora sem unhas e sem dentes sinto muito medo, como os outros animais me verão?

_ O verão como você é de verdade. Faça cara de mau, ruja bem alto. Isso causa medo, desestrutura o adversário. Além do mais, não precisamos sorrir para sermos respeitados. Não precisarão saber que não tem dentes. Em boca fechada não entra o que não quer engolir. Vamos, agora já é um Leão feito, carregue-me por onde for. Estando comigo estará protegido. Avante! Mostre que é o Rei desta selva. Mas antes, coma a sua banana.


_Autoria- Rita Lavoyer - Membro da Cia dos blogueiros e UBE

12 comentários:

Jorge Sader Filho disse...

Banana prata ou d'água? Eita, Rita, vai inventar assim lá longe, leão de unha aparada e sem dentes!
Enfim, como asseguram que os macacos são mais sacanas do que os homens, espero que a mamãe não tenha avançado em outras partes...

Abraço,
Jorge

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Lavoyer, a versão moderna de La Fontaine. Fabuloso, Rita. Sempre e cada vez mais. Um beijo pra você.

Anônimo disse...

E a lição interna deste texto"Não à violencia". Para os seres que acham que tudo se resolve com "porrada".
Parabéns Rita.
beijos Marianice

HAMILTON BRITO... disse...

É este o mal de certos pais: quererem que os seus filhos sejam as suas imagens e semelhanças. A super proteção e a ingerência demasiada na personalidade dos filhos, acabam por descaracterizá--los, destruindo-os.

Célia disse...

Dra. Rita! Mestra em lições subliminares! Lendo sua fábula, fui me pontuando enquanto "mãe e educadora, enquanto mulher"... o quanto castramos nossos seres queridos, o quanto manipulamos, centralizamos e queremos traçar seus perfis segundo nosso autoritarismo! Só na maturidade é que adquirimos a sabedoria de visualizar individualidades e respeitá-las! Obrigada pela autoconscientização. Beijo da Célia.

www.helciocamillo disse...

A Celia chegou perto, mas, gostaria que você me dissesse onde você quer chegar. Fiquei com pena do Leão e da macaca. Duas penas diferentes. Se você disser onde quer chegar eu digo quais foram as penas.

Rita Lavoyer disse...

Olá, meus queridos visitantes e comentaristas:

Jorge, a banana é de macaco mesmo, essa que a gente compra em todas as quitandas e supermercados da vida e comemos para evitar a cãibra.

Marcelo, mais que comparação. Um dia , quem sabe, eu chegue aos pés de La Fontaine.


Marianice, nada de porradas, portanto, corte o instinto pela raiz.

Celia, Célia! O seu comentário mais é um ensinamento do que qualquer texto estudado profundamente.

Hélcio, meu querido, obrigada por visitar-me . Eu quero, sempre, que os meus textos não se esgotem em si. Além do mais, pretendo, juro que pretendo, deixar de ser uma macaca.


Amo vocês todos.

Obrigada pela participação. É por vocês que eu escrevo. Estou tentando melhorar porque vocês merecem.

Rita Lavoyer disse...

Caro José Hamilton, muito convincente a sua visão de pai. No limite. Tudo no limite. Obrigada pela participação aqui.

Genny Xavier disse...

Querida Rita,

Os bons textos são assim, questionam seus leitores e os impulsionam ao pensamento inquiridor; as vezes provocam dúvidas e nos fazem pesar ou medir nossas atitudes e condicionamentos "humanos"...as fábulas são boas para as analogias dos comportamentos e das relações entre as pessoas; você conseguiu revolver reflaxões sobre os limites das relações entre pais e filhos e sobre o devido respeito que devemos ter para com a "natureza" e "essência" dos nossos filhos amados.
Beijos,
Genny

Rita Lavoyer disse...

Olá Genny, as dúvidas que o texto sugere são assustadoras após o autor do texto ler as visões dos leitores.
Se nada fica em vão, fiquei assustada com as penas.

Grande abraço Genny

Rita Lavoyer disse...

Maria Luzia Vilela enviou-me o comentário por e-mail.
"UMA MACACA CRIOU TARZAN, UMA LOBA CRIOU ROMULO E REMO, UMA LOBA CRIOU MOWGLI, O MENINO LOBO. BEM, UMA MACACA PODE CRIAR UM LEÃO...ESTÁ DENTRO DESSAS POSSIBILIDADES. O ENSINO DA NÃO AGRESSIVIDADE É POSITIVO, MAS DEIXAR SEM MEIOS DE SE DEFENDER... SEI NÃO!!! ÀS VEZES PENSO QUE EDUCAMOS TANTO QUE "DESARMAMOS" COMPLETAMENTE NOSSOS FILHOS. COMO EU JÁ DISSE A UMA AMIGA: QUEREMOS MUITO O QUE NÃO DESEJAMOS. NÓS HUMANOS TEMOS A ALTERNATIVA DA LEI. MAS O POBRE DO LEÃO... E SE O MENINO MORDER OUTRO A MÃE DEVE ARRANCAR-LHE OS DENTES? DIGRESSÃO À PARTE O CONTO É INTERESSANTE E LEVA A MEDITAÇÕES... BEIJOS MINHA ARTISTA TÃO FECUNDA. LU "

Rita Lavoyer disse...

" Queremos muito o que não desejamos" é pra lá de teses e teses.

E assim eu vou aprendendo com os ensinamentos dos grandes leitores.

Muito obrigada Maria Luzia.

Rita