CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de abril de microconto Escambau.

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.

2017 - 24ª classificada no TOP 35, na 2ª semana de outubro de microconto Escambau.

2017 - 15ª classificada no TOP 35, na 3ª semana de outubro de microconto Escambau.

2017 - 1ª classificada no concurso de Poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras.

2017 - 11ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de outubro de microconto Escambau.

terça-feira, 15 de maio de 2012

QUAL NOME DAR A ISTO?


Era madrugada, o vento uivava lá fora como que querendo morder-lhe os tímpanos. As janelas se agitavam numa necessidade inconsciente de se arrancarem daquela morada.

Agonizou-se com a queda da luz, consumindo a própria energia. O grito, abafado na garganta, juntou-se ao uivo da atmosfera e do escuro uma presa ela se tornou.

Nada mais pôde ver e o arrepio por todo o corpo ela deixou transparecer. Dos pés ao pé da nuca ele corria sem parar. Ali, nada mais lhe restava a não ser se entregar. O medo que a mordiscava esquentava-lhe o suor, e a ação que praticava tornou-a outdoor. O néon de suas veias exalava pelos poros, o berro e o calafrio tornaram-se insonoros.

Tateava o espaço vão, e quanto mais se debatia muito mais se consumia. Com a cabeça pelo avesso, acorrentou-se ao decalque colado em todo ‘não’ – resposta repentina de quem nunca atina a razão da escuridão.
O pavor veio pronto para pegá-la, e com a força da camisa os seus braços ela soltou. Afivelada ao algodão daquela veste tão comprida, ela, se vendo vencida, ao delírio se entregou.

A onomatopeia de dente sobre dente mesclou-se a um gemido e no ponto final uma luz pôde ser vista.

Era gente transparente usando camisolão; entre todos, um apenas queria conduzi-la pelas mãos. A princípio recusou-se porque tinha conteúdo, ele não. Se atendesse àquele chamado teria que partir de mãos dadas, ficaria invisível. Mas a luz era enorme e tornou-se imprevisível refletir sobre ela.

O que continha naquela presa foi perdendo a sua forma e toda consistência acabou virando vento; levaram-na para um jardim. Ali, trabalhava controlando todo o clima, ajudando as plantas a florirem. Quando estavam bem formadas recebiam a visita de enxames cujo feromônio a perturbava.

No seu suplício de ar puro e temperado não recebia um agrado e uma tormenta ela virou. Devastou aquele campo e mandou tudo pro espaço. Vento também tem querer e precisa de abraço.

Como pena pelo estrago, foi deixada lá, do lado de fora de onde fora levada. Mas já era dia claro e com o peito transparente viu um rótulo e a inscrição:

“ Aqui não há conteúdo. Por teres querido o mesmo que a abelha e a flor, viverás sempre com medo de perder o teu amor. Ainda que tenhas coragem de superar o teu escuro, o jardim que devastaste, entre ti e o desejo, se erguerá em alto muro. O som que não gostavas do enxame apaixonado será o teu grito mudo e ninguém te ouvirá. Se a tua insanidade delirar esta estranha arte, hão de não te acreditar. Passarás daqui à vala. Por isto, guarda em segredo a vontade de revelá-la.”

Refletiu sobre a escritura e a claridade da janela perturbava-lhe o semblante. Ela entendeu, naquele instante, que a ânsia que sentia era um desejo incontido de querer ser uma amante.

Não aceitando o chavão a ela atribuído, mediu uma distância à outra e saltou pela janela, espatifando no chão os seus desejos reprimidos.

 Rita Lavoyer é membro da UBE e da Cia dos Blogueiros.
imagem da internet







7 comentários:

Jorge Sader Filho disse...

Rita continua sendo uma notável contadora de histórias. Desta vez apareceu com uma Julieta disfarçada e não houve jeito. De encrenca a encrenca, o veneno transformou-se numa janela.
Será que foi isso mesmo?

Beijos,
Jorge

HAMILTON BRITO... disse...

Que nome dar a isto: ora, erro de cálculo.
Para certas coisas na vida é preciso querer veementemente, depois calcular tudo e nao ter medo de tomar decisão. Calculou mal se lasca ao pular a janela...ou a cerca.

Rita Lavoyer disse...

KKKKKKKKK
Ilusão de ótica.
Aquela verdade estava no escuro,
qdo vê dóooii!

Célia Rangel disse...

Hum... sei não... na minha terrinha isso tem lá outro nome... com conteúdo ou sem... sequer maçã envenenada será respeitada! Que se vire senhor "Pluft, o fantasminha" que da minha parte prefiro ser a "Bela Adormecida"...
Bj. Célia.

Rita Lavoyer disse...

Olá, Célia! Qual é o nome que se dá a isso aí na sua terra? Agora fiquei curiosa.

Abraço

Rita

Helcio Almeida disse...

Rita,
Tenho certeza de que Ingmar Bergman responderia ao seu titulo e ainda faria um filme. Você me surpreende todas as vezes.
Helcio

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Realmente, não há nome que se dê a isso, até porque isso é isso, e é o que é a quem parecer. Seu texto me enroscou num cipoal de significados, e muitas vezes é bom estar neste limbo. A graça da literatura é dar a entender, é se negar a dizer com todas as letras. Forte e intrigante, Rita. Um beijo e boa semana.