CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2015 - Recebeu voto de aplausos pela Câmara Municipal de Araçatuba;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba;

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras;

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de abril de microconto Escambau;

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.

2017 - 24ª classificada no TOP 35, na 2ª semana de outubro de microconto Escambau;

2017 - 15ª classificada no TOP 35, na 3ª semana de outubro de microconto Escambau;

2017 - 1ª classificada no concurso de Poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2017 - 11ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de outubro de microconto Escambau;

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

VIAGEM AO INTERIOR




Já fui viciada em quebra-cabeça. Embora a atividade seja excelente, tudo que ultrapassa a barreira do suportável torna-se prejudicial. Enquanto eu não encaixava a última peça o mundo podia se acabar lá fora.

Tornou-se obsessivo ver o brinquedo grande terminado. Com os infantis, passei a fazer a mesma coisa. A criança montava, eu passava cola e liquidava o brinquedo.

No meu tinha lógica passar cola, afinal, é esse o propósito, mesmo porque não há lógica em montar mil peças duas vezes. Mas e o da criança, composto de 15, 50, no máximo 100 peças? Pra que cola se a utilidade do brinquedo é ser refeito para que a criança aprenda que aquele sistema de organização pode ser montado a partir da peça que ela quiser, aprendendo a desaprender para reaprender a montar tudo novamente?

É imperativo que entendamos a importância da matemática e suas lógicas, para que nos aceitemos contidos dentro de um sistema biológico e cultural na mesma proporção, porque somos quebra-cabeças cujas peças precisam ser aceitas para não nos dispersarmos. Digo: para que as nossas peças, aquelas que representam os nossos ancestrais não se desorganizem em nós, levando à bancarrota a nossa própria organização, desequilibrando-nos.

Desaprendi um caminho outrora traçado e fui, partida de todas as formas, para uma partida cuja jogada objetivava reaprender outro caminhar. Viajei nas minhas ideias libertas. Muitas delas mascararam a minha realidade, potencializando-me escrava de uma liberdade que lutei para conquistar. Principiando o trajeto, cada peça do meu quebra-cabeça tomou o seu rumo, desfigurando as minhas semelhanças. Sem demora formaram grupos. Estudando-os de longe constatei: eita gentinha de sangue difícil essa que me compõe! Tá louco! Que gente ruim!

É muito comum nos perguntarmos:

_ Pra quem será que puxou essa criatura!?

Quando a intenção é matar a árvore pela raiz o veneno vai à veia:

_ Puxou à sua mãe!

Principalmente se a fulana em questão for a sogra – respondemos.

Voltando aos meus povos: Um grupo de esquerda, outro de direita. Os meus ‘eus’ são assim, intransigentes. Daí pra ribanceira ninguém me empurrou; caí sozinha. Daqui pra poesia foi um salto, já que com a poesia não há compromissos, fiz da Literatura o meu consultório psiquiátrico, possibilitando um ponto se fazer História no papel-divã.

Em uma consulta, embora “eterizada”, parti consciente no lírico. Regressei na minha História. Vi lá muitos ‘eus’, uns me querendo muitos; outros me ignorando. Gente boa toda vida!

No meu trajeto eu via cada gente daquela como minha fração, aceitando-a. Igual as letras que eu colo e formo palavras, com elas um texto. Fiz da Literatura, a minha, um recurso a ser explorado. Eu ousei explorá-la partindo para o interior: o meu!

Quando eu escrevo do outro, há muito de mim que o compõe. Logo, desnudo-me naquele a quem nomeio personagem, possibilitando-me uma catarse. Na Literatura eu também me humanizo, fazendo, do meu pretérito, arte. Sou eu, primeiramente, que tenho que aceitar a minha arte, as minhas letras e os povos que eu sou, construindo, pois, a minha Hitória.
Voltando ao quebra-cabeça e à minha partida, ensinada, deixei sobreviver os meus ancestrais dentro dos órgãos com os quais estou contida e eles igualmente em mim. Não teria voltado organizada da minha partida se os meus “ antepassados” continuassem partidos, formando grupos separatistas em mim.

Não sustentariam a raiz da minha árvore genealógica sobre a qual posso projetar para o futuro outros vôos , apostando que para alçá-los ainda faltam muitas peças. Eu as encaixarei aos poucos, porque aprendo com a sabedoria dos que me compõem que sou inacabada e quanto mais me procuro mais vejo outros ‘eus’ faltando no meu quebra-cabeça.

Se necessário, eles reaparecerão na minha caminhada e partiremos, tranquilamente, para os mundo de fora e de dentro, sem nenhuma obsessão.

Rita Lavoyer é membro da UBE e Cia dos Blogueiros . Texto publicado no Jornal Folha da Região em 29/08/2012













Um comentário:

Célia Rangel disse...

Um encantador texto autobiográfico! Parabéns pela montagem do seu quebra - cabeça, sem cola, por favor!
Bj. Célia.