CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2015 - Recebeu voto de aplausos pela Câmara Municipal de Araçatuba;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba;

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras;

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de abril de microconto Escambau;

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.

2017 - 24ª classificada no TOP 35, na 2ª semana de outubro de microconto Escambau;

2017 - 15ª classificada no TOP 35, na 3ª semana de outubro de microconto Escambau;

2017 - 1ª classificada no concurso de Poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2017 - 11ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de outubro de microconto Escambau;

sábado, 1 de novembro de 2014

O ESQUELETO E A CAVEIRA


 NESTE DIA DE FINADOS, DEDICO ESTE TEXTO A TODOS QUE PARTIRÃO UM DIA!

Perambulava aquela cabeça cadavérica pelos corredores do sem fim até que, pondo a cabeça no lugar, estacionou-se à beira do caminho a espera de Armando . Foram vários e vários, talvez séculos, aguardando a passagem daquele por quem ela, um dia, perdera a cabeça.
Ficou ali na certeza de que um dia ele, Armando, certamente passaria, como muitos passaram e passarão, naquela passagem certa e necessária.
Observava sem piscar aquela fila de esqueletos que subiam em mão única. Iam, mas não voltavam. Esperou por ele com a cabeça, digo, caveira, encostada nas ossadas que se desengonçaram de fraqueza antes de alcançarem um refúgio, sei lá onde, porque ela não sabia o que acontecia depois daquele lugar, nunca antes tentou atravessar o próximo umbral.
Lá vinha ele, o Armando.  Ufa! Chegou o dia dele. Já caminhava pelo corredor da eternidade há, mais ou menos, meia eternidade quando, de repente, encontrou-se com uma caveira. Era ela, Lélia, que há..., deixa pra lá, havia perdido a cabeça.
– Armando! – gritou cheia de entusiasmo aquele resto de ossos, entre outros restos de ossos. – Aqui embaixo, encostada nas ossadas. Sou  eu, a Lélia!
Os 2 buracos enormes no crânio do Armando procuravam aquela voz que saía do buraco do crânio de Lélia.  Não demorou muito e ele a encontrou.

– Lélia? É você? Nossa! Você não mudou nada, continua com a mesma feição! Mas... cadê o seu esqueleto?  O que houve com o restante da sua ossada?
– Armando, meu querido! Não se lembra de que eu perdi a cabeça por sua causa!? Então... estou aqui, do mesmo jeito de quando eu a perdi. Perambulei procurando um corpo para encaixar a minha cabeça, mas quando cai em mim- confesso: doeu pra caramba- resolvi ser apenas caveira. Pois o esperaria, Armando, da mesma forma com que o deixei quando parti. Afinal de contas, sempre lhe fui honesta, jamais entregaria um corpo a você que não fosse o meu.
– Uai,Lélia! De onde tirou essa ideia de que eu quereria o seu esqueleto?
 – Claro que quer! Sempre se fez de durão, Armando, eu sabia, mas agora que eu o encontro aqui, nesta eternidade, onde eu apeei para encontrá-lo, tudo se concretizará.
– Lélia, você nunca foi boa da cabeça, mas agora, pela falta do cérebro, parece que piorou mesmo. Há quanto tempo não se olha no espelho? Tá acabada, hein!?
– Mas você acabou de dizer que eu não mudei nada! É que nesta dimensão  onde estamos só enxergamos o outro. Você também não está lá aquela coisa. Foi a espera por você, Armando, que me consumiu.
– Preste atenção, Lélia! Não se iluda comigo. Para chegar até aqui eu passei por diversas portas, em cada uma delas fui pagando até o que eu não devia. Portanto, chego até aqui duro, duro.  Como todos outros que já estão passando na minha frente. Vê , você está atrasando o meu percurso. Sinto muito decepcioná-la, Lélia, mas eu preciso seguir o meu caminho.
– Armando,  que é isso? Você, enquanto vivo, sempre foi um duro. E de todas as formas que se apresentava duro eu gostava, mas se me confessa que até  morto continua duro, quer coisa melhor?? Venha comigo. Já reservei um lugar pra nós dois repousarmos os restos da nossa dureza! Venha comigo. Arrumei nosso ninho aqui atrás dessas ossadas...
– Lélia! Preste atenção! Você é pura caveira. Não tem mais o esqueleto, como eu vou fazer para... hum... para... você sabe o que eu quero dizer, não sabe?
– Claro que sei, Armando. Por isso  eu consegui com uns passantes que eles me arrumassem algo. Vamos, pegue-me com  as suas mãos esqueléticas e leve-me lá. Irá gostar.
Armando enfiou os dedos nos buracos da caveira e a levantou daquele encosto em que ela se encontrava.
– Armando, você está enfiando os dedos nos meus olhos!
– Não tem olhos, Lélia, estou com os dedos nos buracos da sua cara. E vê se para de balançar essa mandíbula, senão cairão os poucos dentes que ainda lhe restam. Nossa, Lélia, como você está feia!

– Ai, Armando! Você continua o mesmo mal educado de sempre. Foi por causa desse teu gênio do cão que eu perdi a cabeça. Aqui! Pare, é aqui o nosso ninho. Gostou?
– Aqui!? Mas o que é isso, sua caveira louca?

– Uai! Uma folha de zinco! Isso fará com que vivamos um amor ardente. Sinta, vê se está quente. Há décadas e décadas está pronta esperando por você!
– Com que intenção, caveira maluca!?
– As piores. Não gostou!? Consegui com uns pagadores de pecados que se perdiam pelo caminho.  As vibrações da folha de zinco substituirão o meu esqueleto, o som será quase o mesmo, e o quentor do zinco, penetrando-lhe os ossos, será o mesmo que o meu, armazenado todo esse tempo à sua espera.
– Lélia, você acha mesmo que eu vou esfolar  os meus joelhos nessa folha de zinco, comprometer as minhas falanges me apoiando nesse negócio pegando fogo só pra matar sua vontade de ser consumida morta? Mas nem morto, Lélia! Esperou pelo esqueleto errado. Se a ponta dessa folha de zinco bater em uma das minhas  joanetes, aí mesmo que eu morro de vez! KKKKKKK
– Armando, joanetes você tinha enquanto estava vivo, morto não tem joanetes!
– Lélia, você morta é mais louca do que viva! Juanetes a gente não perde, como a carne, a gente as carrega nos pés, como castigo!
– Aff, Armando! Vivo você tinha  caroços em todos os membros, usava os pés também para fazer o seu trabalho? Taí, agora entendo porque demorou tanto para chegar aqui.  Foi difícil aos tatus comerem a sua carne fraca, né!?

Na confusão, entre os dois mortos, surge uma pequena aglomeração de esqueletos  fazendo o trajeto na contramão, descendo.
– Ali! Foi aquela caveira ali que nos subornou para roubarmos aquela folha de zinco – gritava um esqueleto histérico.
– Que é isso, esqueleto louco! Tá me confundindo, tá?
– Confundindo, não! Caveira parada no meio do caminho, há décadas,  somente você. Tinha certeza que encontraria você nesse mesmo lugar encostada nas ossadas. Como pôde nos ludibriar, se já tínhamos liquidado todos os nossos débitos nas passagem que conseguimos transpor?  Agora essa, chegando ao patamar do perdão,  somos obrigados a retornar do ponto de partida.
– Vamos levá-la junto – gritou um esqueleto castigado!
– Isso mesmo, ela vai junto, começar o trajeto dela desde o início, por castigo, por  nos seduzir a roubarmos uma folha de zinco.
– Mas como? Eu não fiz nada disso. Armando, por favor me defenda, eu não posso recomeçar a minha caminhada. Nem pernas tenho mais, como chegarei aqui novamente ?
– Ah, Lélia, Lélia! Não posso fazer nada. Se você os ajudou a pecar, o seu castigo deverá ter o mesmo peso que o deles.
Num tilintar de dentes, um esqueleto deu um bicudo na caveira da Lélia, pinchando-a longe.

– Ah,Lélia, Lélia! Viva você sempre me surpreendia,  morta continua me surpreendendo. Onde já se viu – Armando se dirigiu aos esqueletos – quis pôr a folha de zinco aqui no chão, para me esperar, sonhando realizar um encontro amoroso comigo. Coitada, merecia o perdão, só tinha cabeça pra mim, a pobre!
 Entreolhando-se, os esqueletos interpretaram códigos. E num instante, a folha de zinco rangeu vinganças à caveira da Lélia. 
autoria - Rita Lavoyer
 

 

8 comentários:

Célia Rangel disse...

Rita, querida escritora! Um início de manhã bem diferente! Rasguei todos os meus paradigmas! Revi conceitos. Não serei mais a mesma depois dessa fidelidade cadavérica! Uma crônica de vida, para a vida e pela vida! Fui atrás do resgate ao tempo perdido... kkk
Beijo da Célia.

Desouza disse...

Gosto de lê-la...
Fico, sem hipocrisia alguma, hipnotizado por palavras intensas e cativantes...
Meus aplausos para vocês, abraços.

HAMILTON BRITO... disse...

"eram duas caveiras que se encontravam
Pelo cemitério os dois andavam"
Rita , era conhecidas suas?
Sabe, pensar na morte faz com que melhoremos nossa condição de ser humano. Repaginamos nossa vida.
La Fontaine que se cuide....

Jorge Sader Filho disse...

Rita, com ou sem lealdade ao amado, caveira em folha de zinco faz mais barulho do que gol do Flamengo no Maracanã.
Abraço.
Jorge

Helcio Almeida disse...

Rita,você me despertou a curiosa sensação de imaginar amor após a morte. De qualquer maneira o assunto é excitante! Até a folha de zinco sugere música: nosso barracão era de zinco... tú pisavas nos astros distraída...Tudo é amor!

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Texto divertidíssimo e inusitado. Bem original o argumento, que a sua escrita talentosa soube aproveitar muito bem. Parabéns, Rita.

Antenor Rosalino disse...

Rita, nesta oportuna crônica a tua lindíssima inspiração reveste-se do brilho do amor feito para a eternidade. Os acontecimentos se sucedem sob as mais diversas modalidades para a evolução da alma. Receba os meus cumprimentos pela excelente e hilária criatividade e tenha um dia de profunda paz.

Cidadão Araçatuba disse...

Tadinha dela. Fez tudo pelo ser amado (até depois da morte) e ele nem tchum! Ajeitou até uma folha de zinco. Kkk
Não acredito na vida após a morte. Acredito que a vida não vivida intensamente é a morte, e só. Paradigmas a parte, o Armandão está com tudo e não está prosa, kkk. Muito divertido seu texto, Parabéns e abração.