CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classifica no TOP 35 na 4ª semana de abril de microconto Escambau.

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.


quarta-feira, 23 de outubro de 2013

FÁBULAS DE LAVOYER - A Língua e os Dentes


FÁBULAS DE LAVOYER – A LÍNGUA E OS DENTES

       A Língua observava o trabalho dos dentes, enquanto ela deslizava entre os produtos triturados por eles dentro da boca. Desenvolvia, também, o seu trabalho: o de sentir os sabores, definindo-os.

      De repente, a Língua começou a se estranhar com um Molar Superior. Achava-o muito truculento, porque sempre batia em um Molar Inferior quando executava o seu serviço.  Ambos os Molares não se encaixavam, dificultando a mordida, fazendo sofrer o Molar Inferior.

      _ Molar Superior, pode bater menos na cabeça do Molar Inferior quando estiver fazendo o seu serviço? Incomoda-me muito vê-lo depositando toda a sua força sobre a cabeça indefesa do Inferior. Trabalhe com mais cuidado, seu desastrado!

      _ Dona Língua, como pode ver, eu estou fixo e não saio do lugar quando executo o meu trabalho. Estou aqui, nesta posição, desde que nasci. Se observar melhor, verá que os Inferiores são trazidos até mim portanto, o Inferior que a senhora defende,  deverá sentir-me com o peso que eu trago. Se não estiver suportando o meu peso, que caia fora e deixe o lugar vazio.

      _ Mas quanta petulância a sua, Molar Superior! O Molar Inferior também está na posição dele desde que nasceu, mas está entortando de tanto que você lhe bate à cabeça, seu estúpido. Seja mais delicado com os Inferiores.

      _ Dona Língua, eles estão reclamando algum  mal-estar com a senhora?

      _ Não estão, Senhor Molar Superior, mas como vejo que sofrem há anos, resolvi defende-los dos seus ataques.

      _ Pois não os defenda, senhora Língua, isso compete a eles, se estivessem incomodados  sinalizariam de alguma forma, portanto, não se intrometa no que não é da sua conta!

      Naquele instante a língua ficou calada, até que o alimento foi enviado à boca, fazendo trabalharem os Molares. Inquieta pelo silêncio a que se submetera, intrometeu-se entre os Molares enquanto trabalhavam. Não houve como evitar a mordida. Ela, ferida, se retraiu  e passou a degustar sopas , os Molares pararam de trabalhar. Depois daquela mordida os Molares trabalharam bem pouco, porque caldo não se mastiga.

      E assim foram os tempos. Conforme a Língua se irritava dentro daquela boca, intrometia-se entre os Molares, deixando-se vitimar,  eles a mordiam, ela sangrava  e somente caldos eram degustados, até que se aposentaram os Molares.

      _ Senhora Língua, nós nunca quisemos mordê-la. Nunca nos dirigimos à Senhora para machucá-la, foi a senhora que sempre se intrometeu entre nós enquanto fazíamos o nosso trabalho de triturar alimentos. Agora, veja só, a senhora está toda machucada, nós estamos balançando pela falta de uso, quase apodrecendo. Não entendemos por que, há anos, a senhora se submeteu a tamanho flagelo, intrometendo-se entre nós.

      _ A primeira vez que eu o adverti de que estava prejudicando o Molar Inferior, respondeu-me com rispidez: - uma tremenda afronta!  Sou eu quem defino os sabores logo, sou eu quem influencio na escolha dos alimentos. Transformá-los em bagaço era seu dever, desde que não prejudicasse um seu Inferior. Foi cruel durante todo o tempo do seu trabalho. Agora, contente-se com a aposentadoria. Será retirado, Molar Superior,  e substituído por uma prótese que se encaixe perfeitamente no Inferior,  que não o machuque  enquanto trabalha. Pensou que fosse ferir os seus Inferiores pelo resto da vida enquanto exercia a sua função, sem que uma Língua o denunciasse?  Acabou pra você. Um boticão o espera!

      Sem demora, o Molar Superior foi arrancando e tempos depois uma prótese preencheu o seu lugar.
      Satisfeita, a Língua bate cada vez mais forte nos Incisivos, desalinhando-os; vez e outra intromete-se entre as Próteses e os Permanentes, machucando-se, para descansar no caldo insosso, já que perdera, de vez,  o gosto de experimentar sabores,  antigos e   novos.

 Autoria  - Rita Lavoyer

 

 

6 comentários:

Célia Rangel disse...

Um poderoso conto do mandante e de seus comandados... Aqui no caso substituiu-se "o poderoso"... Já na vida real, nem sempre conseguimos tal feito. "Morda-se com um barulho desses"... diálogo dental by Rita! Excelente!
Beijo.

Helcio Almeida disse...

Você é surpreendente mesmo! Quando menos se espera, surge uma estória ortodòntica. Fantástica! E tudo isso com direito a moral na fábula. Adorei o inusitado.
Beijo Helcio

Jorge Sader Filho disse...

É por isso que gosto de sopas...
Abraço.

Antenor Rosalino disse...

Surpreende-me sempre mais o seu lastro de criatividade, Rita. Até mesmo nuanças da ortodontia motivam a sua imaginação sempre fértil e invulgar. Meu carinho e meus aplausos!

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Mrs. Lavoyer e suas fábulas fabulosas! Por trás do aparente nonsense, há muitas leituras e muita filosofia embutida. Ótimo texto, Rita.

Ventura Picasso disse...

Rita muito legal a postagem. Fica provado definitivamente que a língua é o musculo mais forte do corpo humano; vai encarar?