CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classifica no TOP 35 na 4ª semana de abril de microconto Escambau.

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.


terça-feira, 22 de abril de 2014

Meu sono por uma cabrita





    Tendo insônia, usei de um artifício e concluí  que  quem inventou que contar carneirinhos ajuda a pegar no sono é pra lá de um asno. Deitei e usei todas as forças do meu pensamento para construir uma cerca imaginária. O lado que intuía segurá-la trabalhava bem, mas o lado do cérebro que tinha que buscar os animais para  serem contados não deu conta, por isso deixei a cerca cair. Acionei o meu cerebelo e comecei a imaginá-los.  Estava quase desistindo quando consegui pôr a carneirada na fila. Segurei-os na ordem e ergui a cerca. Ufa! Que canseira me deu. Acertei a minha cabeça no travesseiro e comecei:

  – Um...

   Ele não foi.

  – Um...Um...

  Ele não foi de novo.

 – Pula, vai! – eu gritei.

E nada de o bicho pular a cerca. Ergui o braço e dei com a mão na traseira dele. Aí a fila andou. Onde pula um carneiro, pula uma carneirada.

Fui contando. Já estava no 20 quando dei por mim que o bicho olhado de baixo para cima é feio demais e comecei a ficar com medo de um deles cair em cima de mim. Encolhi-me, fiquei na beiradinha da cama: precaução.  O  21  empacou, era muito gordo. Sentei-me na cama, estiquei o pescoço, enfiei a cabeça debaixo daquela coisa, dei um impulso e  o joguei para outra banda. O 22 quis folgar, mas meti-lhe um bicudo que ele se espatifou na ribanceira. O 23 ficou com medo e seguiu seu rumo. O 24 foi terrível! Vendo que eu já estava “macha”, arregalou suas purpurinas e ao invés de seguir em frente deu ré.  Hã! Agarrei aquele bambi pelas pernas e pinchei o danado longe.

A essa altura já ganhava  o respeito merecido. Começaram a pular tão depressa que perdi a conta. Num surto pularam dois,  oito, dez  e aí já não eram mais carneiros, eram bodes, cabritas e outros que não dava para eu ver.  Foi um estouro só. Quebraram até a cerca. De repente me vi pastoreando o rebanho. Já não aguentava mais. Os meus pés pesavam, o lombo ardia e os olhos só queriam descanso. Missão cumprida - pensei, já posso dormir como uma boa pastora. Que nada! Não foi que se desgarrou uma cabrita?!  Não falo? A gente usa desses artifícios de contar carneiros para dormir aí vêm essas coisas boicotar o sossego da gente.

– Que suma! – eu disse. - Sou mulher de dar trela pra cabrita?

Lembrei-me de quando eu ia ao catecismo e o padre falava alguma coisa sobre isso: de ovelha desgarrada- não de cabrita-, deve ser a tal metáfora.

 Larguei o rebanho e fui atrás da excomungada. Desci vales, subi montanhas, desbravei florestas e nada de encontrar a bicha. Ouvi um berrinho, ecoava como que me chamando: “venha cá, Rita!”   Era ela. Tinha certeza!  Precisava de um cavalo, pangaré ou asno que fosse. O sono me consumia, mas  fui valente. Já me sentia  nas nuvens quando gritei: “ - Meu sono por uma cabrita!!!”

 O delírio foi tanto que  não me dei conta de quantas vezes  gritei.  Só sei que a família toda levantou bufando. Expliquei que tentava pegar no sono,  uma cabrita se desgarrou e eu precisava devolvê-la ao rebanho.

Além de não acreditarem, ainda me acusaram de não deixa-los dormir com o meu ronco. Pode? Como ronquei se estava com insônia? Era o berro daquela cabrita do cão, isso prova a minha verdade.  Eu não ronquei!!

Cabrita desgarrada..., por causa dela perdi o sono de vez!  Ronco... Sou lá mulher de roncar??


3 comentários:

Jorge Sader Filho disse...

Uma coisa eu desconhecia. Pastorear cabritos faz roncar. Sintoma não grave, Rita.
Grande abraço.
Jorge

Helcio Almeida disse...

Foi uma delicia conhecer esse teu lado leve e alegre de contar uma história. Gosto da maneira como usaste o absurdo. Parabéns! Muito boa.

Ventura Picasso disse...

Sonhar com carneirinhos é suave... com cabrita é pesadelo!