CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.


quinta-feira, 8 de outubro de 2015

SEM ASSUNTO

SEM ASSUNTO

          Ia falar sobre o dia das crianças, de Nossa Senhora Aparecida ou da composição da família do século 21 e sua moralização por políticos “mala” que se intrometem na união de pessoas do mesmo sexo.  Dá vontade de xingar esses  mandatários que estão no poder   desmantelando este país. Muitos arriam as calças  para conseguirem propina e querem ditar regras desbaratadas de moralização. Depois criam medidas estapafúrdias para derrubar este governo luladilmista mentiroso e apresentam-se como fiéis  opositores  mais sujos ainda. Que moral!  




           Nem mandá-los  cagar no mato  posso, o que vem dessa gente nem para esterco serve. Já não chegam as agressões ao meio ambiente, incentivar essa descarga a céu aberto é desmerecer todos os estudos e ações sobre gestão de resíduo e sustentabilidade a favor do Planeta.

          
Comecei a redigir sobre a intolerância religiosa.   Antes de terminar a primeira linha já estava fumando charuto, bebendo pinga e comendo frango com farofa. Aí um bom santo baixo  e eu flutuei! Quando caí em mim notei que o danado havia me derrubado primeiro e ali mesmo comungamos nossas crenças,  nem escrevi a segunda linha porque da encruzilhada que vim nem sob corrupção  brasileira – “a maior de toda a história da humanidade” -  conseguiria uma galinha  para fazer  canja, quanto mais aumentar o volume de água para o caldo. Com a crise hídrica que passamos, porque muita água foi usada para lavar dinheiro sujo, até as penosas subiram num pau-de-arara e rumaram pro Nordeste, região  onde tudo está funcionando muito bem.



          Que droga, vou escrever sobre o quê? Liberação de porte de  droga para o consumo próprio?  Nem alucinada avalizo isso.  Sou contra e pronto! Vai que topo com um liberal ou um radical que traz um fanático a tiracolo,  dá violência na certa. Nada de aumentar o índice de violência urbana, chega! Os conflitos mundiais estão sem limites. Basta abrir os olhos pela madrugada – porque o tráfego incessante e violento da cidade não nos deixa dormir  – que vejo as imagens dos imigrantes e refugiados à minha frente. Estão marcadas em mim.


          Sei que sofrerão todos os tipos de discriminação em terras estrangeiras e terão que engolir as humilhações,  porque fugiram da guerra  por respeito à vida, como muitos dos seus iguais que, engolidos pelo mediterrâneo, não tiveram a mesma sorte de pisarem terra seca, chegando  às praias encharcados;  entre eles milhares de crianças que sabiam pouco sobre o bem e o mal; diferente de muitas crianças  nossas que,  desconhecendo o bem desde quando foram geradas, nasceram sob a batuta da  negligência, da violência doméstica, da exclusão social, do racismo, da falta de saúde, de escola, de moradia, de segurança . 

          Por terem encontrado no mundo do crime a segurança e alimento que precisavam para continuarem vivendo, são objetos do projeto de redução de maioridade penal no país. Esses jovens vão continuar objetos do crime  se nossas autoridades -  entre elas os que fazem cultos religiosos no plenário e juram amar o próximo que apoiar sua conta na Suíça - ,   não pensarem políticas públicas  que invertam esse infeliz quadro social brasileiro.

          Verdade que estamos todos objetos dos aparelhos eletrônicos. Como os jovens conciliam estudos e  celular  ao mesmo tempo? Usam a tecnologia de forma consciente? 

          Não digo que são a geração Y, porque a geração de A a Z  está  conectada e quem não estiver ligado às redes sociais vai ter que dar um jeito de aumentar a roda do cachimbo da paz para passar o tempo. Sugestão que eu acho boa, quanto mais fumaça menos mosquito, consequentemente menos dengue. Pronto, um foco  de mosquito a menos com foco a mais na paz,  porém,  onde há fumaça há fogo, ainda mais com gente reunida, cachimbo... hum..., chame a polícia que é ponto de consumo de droga,  mete fogo e depois  clame pelos direitos humanos. Barbaridade! 

          Clame também pelos professores - que apanham de policiais  a mando de políticos que têm capangas - ,  e estão desprotegidos  pelo estado que não tem preocupação alguma com  a melhoria do ensino e com os profissionais do magistério. Por isso fecham escolas, medida rápida que governo incompetente achou para resolver o problema da educação.

        
             Pois é, com tanto avanço da tecnologia,  whatsapp,  Uber, e eu sem assunto. Acho que estou vazia, passando pela crise do “sem conceito” para fundamentos. Vou aproveitar e me encher de calorias, afinal não faço parte da massa que engorda a estatística sobre obesidade no país. Bora fazer comida que a PEC das domésticas dificultou minha condição de um dia ter uma, porque ganham mais que professor,  e minha família, apesar de não ser perfeita, precisa se alimentar. Vou para o fogão fazer justiça com as próprias mãos, cortar a carne, linchá-la pelo assalto que sofri com os preços no mercado e servi-la de bandeja, exibindo-a.
          Depois vou às  minhas pedaladas usufruir do que conquistei sem postergar despesas, mentindo sobre meu real orçamento: minha bike, que não requer combustível  e desafogo o trânsito, o que muitos paulistanos já fazem sem precisar dos serviços dos “ taxi preto”, porque sobre a Uber, concordo com os taxistas credenciados que pagam seus impostos e seus pontos:  Concorrência desleal.


          Vê, Nossa Senhora da Aparecida, sou maldosa que faz milagres.  Agora faça um Seu: manda-me inspiração porque estou sem assunto para escrever.


Rita Lavoyer

3 comentários:

Jorge Sader Filho disse...

Sem assunto, Rita?
Imagina se estivesse... Muito bem escrito, mas fazer um comentário justo fica difícil, como tem coisa!
Abraço,
Jorge

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

POis é, desconheço cronista que nunca tenho feito da falta de assunto um assunto para uma crônica... chegou sua vez, Rita! Lá pelos idos de 2005 tb fiz uma nessa pegada. Abraços!

Rita Lavoyer disse...

Se sair e vasculhar devo achar algum assunto, meus caros! Por enquanto fico por aqui.