CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura


terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

DÊ VINHO A QUEM TEM FOME

Dê vinho a quem tem fome

A ÁGUIA convocava o AVESTRUZ para coçar-lhe o corpo, da  cabeça ao rabo. Num ritual de “coçassão” o AVESTRUZ lhe falou:
- Meu Senhor, os motivos de suas constantes coceiras são os parasitas que se alojam nas penas do seu rabo. Deve eliminá-los antes que o levem à doenças graves.

- Você é quem sempre me coça, por que não me avisou sobre os parasitas antes?

- Não os tinha visto...  Estou envelhecendo, temo que, sem aviso prévio, substitua-me  por outra ave  que o coce melhor que eu.
- O que teme é próprio de quem está num posto não vitalício.  Aconselho-o a estar  presente em todas as organizações dos grupos que controla. Sirva vinho em abundância e faça o bando enxergar a fartura que o rodeia. Defenda-me, pois do meu status depende o seu. Só depois ofereça os canapés. Sente que alguma espécie pode lhe tomar o posto? 

- Sim, patrão.  Aquele sobre quem lhe falara tem se esforçado para se sobressair...

- Desejamos ser admirados. Observe os seus bajuladores. Alguns carecem estar sob as vistas dos superiores: a esses  atribua-lhes  tarefas as mais banais;  satisfeitos por  serem úteis  nada lhe cobrarão. Não deixe que observem o que faz, e como faz. Por suas simplicidades podem se complicar ao falarem a seu respeito, dizendo somente  a verdade, inclusive.  Há os  astuciosos que precisam, a todo tempo, aparecer, ditando discursos de ordem.   Agem assim por aspirarem ao sucesso a qualquer custo. Traga-os para o seu lado. Se precisar, deixe que se sentem  no seu colo e vice-versa.

-  Leu Maquiavel, meu patrão. Devo trazer o PAVÃO para o meu lado?

- Desconfio que já fui seu aluno, amigo! Se acha  que ele pode  trapaceá-lo, como sempre me dissera, aliar-se é a forma correta  quando a insegurança reina imperiosa. O PAVÃO me é muito caro.  Por seu grande porte e natural agressividade, pode pegar-lhe o posto sim! É ave de status, qualidade que muitos reverenciam.  Darei a ele um cargo abaixo do seu. Possibilitar-lhe-ei  dois ajudantes e ele também  experimentará  o prazer de ordenar.     Elogie-o para que se sinta potente e coce-o em seguida, acalmando-lhe o ego. Agende, vez ou outra, uma saída e indique-o ao seu posto. Assim, degustará, pelo menos uma vez, a sua posição, apetecendo-lhe ainda mais o desejo de ser o que você é. Em pouco tempo ele defenderá suas ideias e será o levantador  da sua bandeira. Preciso me ausentar amanhã. Ficará no meu lugar. Não se esqueça do nosso ideal: Dê  vinho a quem tem fome.

Colocando-se discípulo do AVESTRUZ, o PAVÃO controlava os dois novos subordinados contratados:   ARAPONGA e  GAVIÃO-CABOCLO.

Com equipe organizada promoviam torneios, cultos e  festas variadas fazendo desses eventos tradição. Divertiam -  socializando -, os habitantes,  servindo-lhes  vinhos em abundância.

 ÁGUIA era endeusado por ordem  do seu empregado: o AVESTRUZ, que organizou, na rua, uma festa em culto ao seu patrão, que vinha  majestoso  num carro alegórico. A mídia cobria todo o evento.

 PAVÃO, aproveitando-se da folia,  abria seu rabo, exibindo-se. Aves jogavam-lhe confetes e purpurinas.  AVESTRUZ destacava-se na sua surrada fantasia de lacaio.  Com fome, os pássaros  daquele lugar bebiam e dançavam suas simplicidades. ARAPONGA e GAVIÃO-CABOCLO acompanhavam o cortejo a pé. Com exceção dos dois, os festejantes, exaustos de alegrias e caindo de prazer naquelas  ruas, coçavam-se mutuamente.  
 
Despreparados e embriagados, nenhum que festejava ali conseguiu bater asas quando   bandos  de ARAPONGAS e GAVIÕES-CABOCLO adentraram por espaços mapeados, eliminando muitos daquele lugar, tomando as rédeas daquela história. Alguns sobreviventes que tentaram fugir tiveram suas asas e bicos mutilados. Inválidos, possibilitaram a invasão de peçonhas e ratos naquele território.
 Os parasitas proliferaram e novas doenças podem ser vistas.

 Acabam-se anos e entram-se outros e, naquele lugar, as promoções repetem-se sob novas organizações. Os  mutilados, sem apoios, agarraram-se às tradições e arrastam-se para conseguirem um espaço onde possam se coçar. São assistidos direitinho e continuam recebendo o vinho que lhes mate a fome.  
 Quando são convidados a evidenciarem suas trajetórias, experimentam canapés, levantam suas bandeiras e  são agraciados com copos ainda maiores. Embriagados desabafam: “Somos aves simples com saudade de voar...”

3 comentários:

Célia Rangel disse...

... Um voo com alto custo estratégico... Haja vinho, adereços para tantos seguidores!
Rita, voei em suas metáforas! Parabéns!
Abraço

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Outro literalmente FABULOSO texto, com a marca inconfundível de Madame Lavoyer. Abraços, Rita.

Rita Lavoyer disse...

Obrigada Célia e Marcelo por visitarem meu blog, deixando suas impressões sobre meus textos. Abração nos dois queridos.