CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classifica no TOP 35 na 4ª semana de abril de microconto Escambau.

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.


segunda-feira, 23 de maio de 2016

DISTOPIA


DISTOPIA - Rita Lavoyer

Às vezes  minha sensibilidade fica entorpecida. E quando  sinto a minha insensibilidade demasiada  agressiva recorro ao que de melhor minhas leituras gravaram em mim. 

Lembrei-me de Sartre:   “Se me dão esse mundo com suas injustiças, não é para que as contemple com frieza, mas para que as anime com minha indignação e para que revele abusos que devem ser suprimidos” .

Há autores que se apresentam eficazes nas mensagens que pretendem transmitir  cuja essência e contribuição à cultura humana são inegáveis. Lembro-me de Drummond com o seu  “ Os ombros suportam o mundo”.  

Outro dia, seduzida por minha filha de 12 anos, fomos  ao cinema para assistirmos  a um filme, parecido a esses seriados de zumbis  que passam na TV.  O que eu assistia não me agradou nenhum pouco a alma; foi me causando mal estar e várias vezes eu a convidei a sairmos da sala, ela colocou sua mãozinha de criança sobre meu ombro e disse: - fica, mãe!  E quando as cenas assustavam  a meninada se agitava nas poltronas.

 Na verdade, só eu estava assustada naquela sala. Assustada com as tramas pobres, os sofrimentos, os tiros,  os sangues jorrando, as  cabeças de pessoas rolando , evidenciando uma crueldade sádica que acontece num futuro  cyberpunk  distópico  em que  a tecnologia virtual armamentista é  ferramenta imprescindível para se conseguir  dominar a vida cotidiana de uma sociedade cuja governabilidade daquele tempo e espaço  se mostra  opressora por fraqueza e má disposição em administrar  a ordem com a paz e a justiça.  Por tudo isso a plateia vibrava.

Para aquela turma que assistia aquelas explosões, percebia-se era fantástico.  A anormal ali era eu, indignada com tantas mortes.  Fiquei esperando uma cena boa  para eu quebrar  minha viseira e entender  de que forma   aquela  ficção, em que os personagens sofrem os reflexos futuros de uma rápida mudança tecnologia que nos atinge a todos, contribuía à cultura humana e a formação de um indivíduo. Será uma arte com o propósito de fazer seu  público  refletir sobre os males que acontecem agora? Uma profecia sobre como seremos amanhã: de olhos que não choram e de corações secos?

Retiramo-nos, minha filha e eu, daquela sala  cyberpreparada para causar angústia e que a moçada curte,  se envolve e  fica tensa com algumas cenas. Depois, perguntei aqui em casa e aos meus alunos sobre esses filmes e seriados afins que passam na TV. Assim resumo suas opiniões:  Não se sensibilizam,  não veem nada de mais e os episódios não ensinam a violência, assistem por pura diversão, é legal e admiram os personagens trabalharem em equipe, mas ficam ansiosos esperando o próximo episódio para saber quem vai morrer. Formam até torcida pela morte de um personagem. 
  
Nesta altura do século, eu querer fazer mediações históricas, culturais, psicológicas entre  a arte e seu público  implicaria  dizer que  estou fora de órbita  nesta parada em que a distopia aniquila a  utopia.  Então, adentrarmos aqueles lugares  em que a tirania tem domínio sobre os personagens jovens e de vidas curtas e que vivem extrema opressão, nos testam  sobre o quanto somos fortes, ou para esperarmos ansiosos a próxima cena de crueldade, ou para desistirmos dela. 

Houve-se um tempo em que se espantariam com tais abusos contra o seu próximo.  Houve-se um tempo em que os mesmos abusos não espantavam mais. Estamos num tempo em que o próprio abuso  é necessário para satisfazer  alguns espectadores vorazes pelo desespero, sofrimento e opressão do outro, ainda que na ficção.  Houve-se o tempo em que “alguns, achando bárbaro o espetáculo, preferiram (os delicados) morrer.”

E me questiono: cadê a alquimia da arte em benefício do homem? “Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.”  E não é que também me lembrei de outra leitura gravada em mim que me fez refletir que as contendas da humanidade, pelo seu conteúdo, foram subsídios para artes de mais puro quilate, de  variados estilos.  

Drummond,  lendo Sartre tento indignar-me com  alguns abusos, ainda que na ficção. Suprimi-los julgo impossível, afinal não adianta morrer por isso; mas viver para encarar o que ainda tem por vir  é uma ordem; administrar a  frieza,  a sensibilidade e cair na real, outra.

 Os ombros do mundo certamente suportarão tudo isso, porque no seu fardo está a verdadeira arte que não e cansa, por isso nunca morre.



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