CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classifica no TOP 35 na 4ª semana de abril de microconto Escambau.

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.


sexta-feira, 21 de abril de 2017

GOETHE, AS REVOLUÇÕES E A BALEIA AZUL

Goethe, as Revoluções e a Baleia Azul

Rita de Cássia Zuim Lavoyer

Johann Wolfgang von Goethe foi escritor alemão,  nos final do século XVIII e início do XIX,  nasceu em Frankfurt,  1749 e morreu em 1832.  Destaco suas obras que me interessam aqui: Fausto (poema trágico); Os Sofrimentos do Jovem Werther- (romance) e Os Anos de Aprendizado de Wilhelm Meister, este um bildungsroman.

Período histórico: Século XVIII, das revoluções. Salve o Iluminismo. Mais máquinas, mais lucros e mais facilidades aos homens, que se tornaram mais cultos e bem informados. "o comércio dos pensamentos se tornou prodigioso. Não há nenhuma boa casa em Paris, nenhum castelo que não tenha a sua biblioteca" e, "O paraíso é aqui onde eu estou", dizia Voltaire , 1769.   Apesar de inovações trazidas pelo Iluminismo, não se pretendeu reinventar o mundo, mas regenerar a sociedade pelo afastamento da superstição e do fanatismo.

Fausto, de Goethe – Este Fausto é um preferido de Deus, mas no céu, o diabo aposta com ELE a compra da alma do rapaz. Fausto queria conhecer tudo quanto fosse possível e chegar ao conhecimento ilimitado. Fracassado, acha o suicídio uma boa ideia, mas desiste dele quando ouve uma apresentação da Páscoa na rua. Fausto é seguido por um cão que o segue até a casa e se revela o diabo. Ali, ambos selam um pacto com sangue: o diabo dará tudo que Fausto quiser na terra, mas acertam que levará a alma de Fausto para o inferno somente quando o diabo proporcionar-lhe um momento pleno de felicidade. Fausto conseguiu ter e engravidar Margarida. Atormentada pela morte da mãe, causada por Fausto, ela carrega a culpa, pare e mata o filho afogado. Foi condenada à morte e recebe o perdão ao clamar por Deus quando vê o diabo. No final do poema, Fausto foi para o paraíso por ter vendido apenas metade da alma ao diabo.  

Os sofrimentos do Jovem Werther - Neste romane, o jovem troca cartas com o narrador. Werther, apaixonado, vive por Charlotte, cujo amor correspondido não pode ser concretizado, pois a moça está prometida a outro homem. Werther se mata. O Impacto que o romance causou na Europa levou vários adolescentes ao suicídio, e a obra foi retirada do mercado.

Os Anos de Aprendizado de Wilhelm Meister. Depois de 10 anos sem publicar, após a tragédia com Werther, Goethe lança esta obra, um bildungsroman (romance de formação), em que todo o processo de formação: moral, física, intelectual é desenvolvido para o amadurecimento pessoal e social do protagonista sobre quem o autor deixa transparecer a importância da arte em geral na formação do jovem, aqui, especificamente, o teatro como formador e seus efeitos sobre o personagem, que saiu do conforto familiar burguês para experimentar os mundos de cada sociedade, transformando-se.  

Baleia Azul - 2017, é um jogo esquematizado para atrair jovens, cujas mentes iluminadas não são processadas e, perdidos dentro o sistema hedonista a que estão submetidos, não se encaixam nos quartos bagunçados onde se escondem para, diuturnamente, se conectarem com seus igualmente inúteis, que tudo pedem e tudo ganham, pois não há nenhuma boa casa no mundo onde não há internet e celular e o paraíso que almejam torna-se o verdadeiro inferno – o mesmo que levou Fausto a vender sua alma ao diabo. Da mesma forma, nossos adolescentes, conhecedores de tudo quanto é possível, não conhecem a si mesmos, mas precisam provar que são capazes de se submeterem às torturas, as mais perversas, para, enlouquecidos, chegarem ao final da jogada, castigando-se por se sentirem culpados por terem família, conforto, saúde, amigos e tudo mais que eles quiserem, porque tudo ainda não lhes basta.

Esse jogo da baleia azul remeteu-me aos personagens de Goethe e o que fez com William Meister para mostrar o quanto o conforto e o isolamento são prejudiciais ao desenvolvimento do jovem, e o quanto o teatro e outras artes são necessários para o resgate do ser humano lá, naquele passado, que nos traz ao tempo em que estamos hoje: um mundo mais confortável por causa das revoluções e tão desumano por causa delas também.

Morrer por amor, como Werther, foi, literariamente, emocionante. Pactuar com o diabo, conseguir a Margarida, como fez Fausto, foi, poeticamente, belo.
Romper com o comodismo para resgatar a identidade, como fez Meister, é necessário aos nossos jovens - TÃO PREFERIDOS DE DEUS, mas tão distantes DELE.   

Essa baleia azul não apostou as vidas de jovens com ninguém, pois estava certa de que as ganharia.  Ela pescou certinho o problema deles, porque sabe que o paraíso desses adolescentes não os regenera e não está aqui, mas... na boca dela.  

Vamos levar o teatro, a literatura e outras artes às escolas que, apoiadas por pais terroristas que presenteiam demais, estão entupindo nossos jovens de conteúdos desnecessários para o vestibular, que não regenera essa clientela social, mas a faz fanática por uma vaga universitária que, em muitos casos, não muda o mundo do indivíduo, cujo conhecimento limitado não lhes promove revolução íntima, quanto mais o social dele.

Qual revolução para afastar nossos jovens desses fanatismos em que pactuam com forças inferiores as deles?  


Temos que acreditar e ajudarmos os jovens a acreditarem, segundo Voltaire, que o paraíso é aqui onde estamos, e que aqui podemos encontrar momentos plenos de felicidade, amando, namorando, chorar por amor desfeito, formar família ainda,  sem pactuarmos com nenhuma espécie de diabo. 

Rita Lavoyer


4 comentários:

Majo Dutra disse...

Gostei destas sinopses e da tese que defendem.
Uma leitura interessante.
Dias felizes.
~~~~~~~~~

Célia Rangel disse...

Instigante seu texto, Rita. Tenho pensado muito na "história mundial" que estamos redigindo para os anais dos nossos descendentes... Urge reforma com abrangência social, familiar e educacional. Quando, unidos, partiremos para a ação?
Abraço.

Rita Lavoyer disse...

Pois é, Célia. Já, dentro das casas, há um distanciamento grande entre os humanos, quanto mais pensar em união para unirmos todos, ou uma grande maioria, numa só ação. Difícil.

Majo Dutra, são leituras de vida e a realidade não não basta mais, partimos para a ficção.

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Interessantes paralelos, Rita! E muitíssimo a propósito a tese que você formula por meio dessas comparações. Parabéns!