CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classifica no TOP 35 na 4ª semana de abril de microconto Escambau.

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.


quarta-feira, 16 de agosto de 2017

NÃO DIGA QUE VOCÊ TEM JOANETE. ISSO É MUITO FEIO


Rita de Cássia Zuim Lavoyer

Canta a música sagrada que “quem não gosta de samba bom sujeito não é”. Sem prejulgarmos o sujeito é bom analisarmos primeiro a função do samba na formação dele, útil ou não.

Bem, agora, se o sujeito é ruim da cabeça ou doente do pé o problema não é do samba. Pode ser neurológico ou ortopédico. Sabe-se lá! Se forem os dois problemas juntos, aí danou-se tudo e não há samba que o salve.

Problemas neurológicos a gente deixa pra lá, principalmente quando o sujeito da questão, ou melhor, deste texto, for a autora da crônica. Isolemos esse campo complicado. Fiquemos no ortopédico que é mais superficial, não fala mal de ninguém até que lhe pisem o joanete!

Veja isto! Com tantas coisas feias que podem nascer no corpo de um ser humano, há os desventurados que são presenteados com joanetes. O nome é feio, o formato é feio, o pé que o tem é feio,  o caminhar é feio, a dor que ele proporciona é irritantemente horrorosa, os calçados que mais ou menos se encaixam em pé com joanetes são feios, desconfortáveis e nunca estão bem encaixados, submetendo o caminhante que tem joanete a arrastar-se, ao invés de caminhar.

Quer saber de uma coisa!? Joanete é um castigo -  constatei isso depois de anos e anos buscando no armário um sapato, uma sandália que fosse confortável aos meus pés e, nada... Tornei-me consumidora dos chinelos de dedo. Mas, usava um sapato ou outro para chegar em determinados eventos. Ali eu me sentava e não levantava mais. Voltava para casa sempre descalça, com os sapatos nas mãos.   

Chega! Arranca esse caroço que eu preciso andar- ordenei. E vamos que vamos nas investigações e quanto mais se investigava mais problemas apareciam e  compreendi que na ortopedia nada é superficial. Vai daí as dores nos joelhos, no quadril, na coluna ... e a dor vai subindo. Não por causa da joanete, mas em razão de outros fatores que favoreceram o rápido desenvolvimento do hálux valgo – vulgo joanete –

Um conselho a quem me ouvir possa: Não diga que você tem joanetes, isso é muito feio. Diga que tem hálux valgo que dói menos.
Então a coragem veio e eu fui. Chegou o dia do serrote e da furadeira. E fui alertada pelos médicos pelos quais passei que a dor não era pouca, mas não era eterna. Acreditei. Hum...

Faremos um, depois, conforme sua recuperação, faremos o outro. HUM...

QUERO VER QUEM SE ATREVE!!! EXPERIMENTA BOLIR NO MEU JOANETE QUE FICOU NO MEU OUTRO PÉ PRA VER O QUE FAÇO!

Agora me transformei em defensora de joanetes nos pés dos outros!

Mas na sofrência há os delírios também e aí acordei no meio da cirurgia com barulho insuportável de serrote: rec rec rec-,  até aí aguentei, em seguida foi a furadeira ligada. Aí perdi a paciência, sentei-me na mesa e gritei: Para logo com esse barulho que eu quero dormir!!

 Só dei conta de ver uma seringa sendo esvaziada no soro e tchau barulho. Depois eu acordei e vi a dor em carne e osso. E vai doer assim lá na China! Coitadas das chinesas que têm que usar aqueles sapatinhos para diminuir-lhes os pés. Consigo imaginar as dores que sentem. Vão dizer que é cultural. Mas cultura boa não causa sofrimento, ou não é cultura.  

E fui concluindo nesses dias de repouso forçado, que repouso forçado é um sofrimento danado. Quero saber mais disso não! Ficar parada, com dor, lendo... lendo... lendo... quem aguenta!? Está afetando meus neurônios!



Não quero mais ler, nem tomar remédios, nem ficar parada. Nem... Nem nada. 

Quero dançar um samba. Quero logo sair dessa condição de repouso forçado e dançar um samba. Já que boa da cabeça não sou e dos pés menos ainda, vou dançar samba, embora não saiba um passo dessa dança. Vou dançar samba. Claro, tomando cuidado para que ninguém pise o joanete que sobrou no meu outro pé. 

Com o nervoso que eu estou sentindo se me pisarem o outro joanete eu juro, eu juro: sou bem capaz de voltar ao médico e mandá-lo serrar o que sobrou , o que sobrou no meu outro pé, o mais rápido possível.
Vai doer assim lá... Lá longe... Merda! Que nervoso!



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