CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classifica no TOP 35 na 4ª semana de abril de microconto Escambau.

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.


quinta-feira, 24 de julho de 2008

A COR QUE OS OLHOS SENTEM



Uma criança chamada “algum de nós” perguntou ao seu pai que se chama “todos nós”:
_ Pai! Por que o céu é azul?
O pai lhe respondeu:
_ Filho, o céu é azul porque Deus o fez azul.
_ Mas pai! Por que Deus fez o céu azul? - Continuou o filho.
_ Deus o fez azul, meu filho, porque Ele escolheu o azul. – Explicou- lhe.
_ Por que Ele escolheu o azul e não o cor-de-rosa?
_ Porque Deus, meu filho, é Homem e azul é cor de homem.
_ Então Deus fez o céu só para os homens, pai?
_ Não, meu filho. Ele fez o céu também para as mulheres, crianças, animais, vegetais e tudo mais que vive embaixo dele.
_ Então pai, por que Ele não fez o céu colorido?
_ Porque Deus é Homem, já lhe falei. Além do mais o homem gosta de estar sobre tudo, o céu está sobre nós. Ele, Deus, pode mudar o tom da cor azul, às vezes o céu fica azul mais claro, a noite fica escuro, mas continua azul.
_ Pai, tem dia que o céu fica cinza...
_ É quando ele se esconde de medo das tempestades. Mas por trás do cinza ele continua azul.
_ Mas pai! Se o azul é cor de homem e o céu é azul por que ele se esconde atrás do cinza? O azul é cor de homem. Homem, pai, não tem medo de tempestade. Pai, qual é a cor de mulher?
“Todos nós”, o pai, amarelou totalmente naquele momento.
“Algum de nós”, então criança, perguntou:
_ Pai! A tempestade é cor-de-rosa?
_ Às vezes. Não... Quer dizer... É!
_ Pai, por que Deus fez a tempestade cor-de-rosa?
_ Não foi Ele quem fez. Aliás, o cor-de-rosa é um vermelho meio desbotado. É uma mistura, como a tempestade. Misturam-se os climas e ela acaba acontecendo.
_ Pai! Quem fez o vermelho?
_ O vermelho, filho, é uma cor primária tanto quanto o azul e o amarelo.
_ O que é cor primária, pai?
_ É uma cor que não precisa de uma outra cor para ter sua própria tonalidade.
_ A cor-de-rosa precisa, pai?
_ Sim. A cor rosa precisa de duas cores para ter sua própria cor. É o vermelho misturado ao branco.
_ Por que a cor branca não é primária se ela não precisa de outra cor pra ser branca, pai?
_ Porque branco, simplesmente é branco. E pronto! Nem é cor...
_ Não é? - Perguntou a criança com muita indignação.
_ Menino! É cor sim. Mas não tem tonalidade.
_ Pai...
_ Hum!
_ O azul está no céu. Deus fez o céu com a cor azul, então o azul é a primeira das cores primárias?
_ Não sei!
_ Pai, será que Deus usou uma cor primária porque não sabia misturar as cores, torná-las diferente?
_ Que besteira – respondeu “todos nós”.
_ Eu gosto de cor-de-rosa. Mas eu gosto de vermelho e também gosto de branco - afirmou, rapidamente, o menino ao pai.
Aquele pai que se chama “todos nós” olhou fixamente para a criança que se chama “algum de nós” e lhe disse:
_ Se você crescer tendo essa preferência ao cor-de-rosa poderá ter algumas marcas roxas nesse teu corpinho branco.
O diálogo acabou ali.
O tempo, caprichoso que é, cuidou em deixar as cores do mesmo tom de outrora. Elas não envelheceram porque as cores não envelhecem.
O céu, por sua vez, permanece azul. Às vezes mais claro, outras mais escuro. Cinza, avermelhado, amarelo e também, muitas vezes, branco como algodão.
As tempestades?
Continuam, é claro, com todo o seu tom de autoridade. Sem avisar, ela chega e leva tudo. Em muitas circunstâncias, tiram até as cores. Levam-nas para bem longe fazendo com que escorram por todo um lamaçal.
Então, um grande azul deixa-se borrar por um amarelo-alaranjado que depois fica bem vermelho e toma a cor de brilho.
O azul se irradia. O lamaçal seca. As cores renascem e um colorido infinito domina todo o transparente. E assim, os nossos erros e acertos. Se não agirmos, não teremos a chance de errar, muito menos de acertar. Não veremos tempestades, tampouco, veremos um sol brilhando a nos sorrir.


Texto publicado no Jornal Folha da Região em 23/07/2008

2 comentários:

Anônimo disse...

Mas é lindo demais!

..."as cores não envelhecem...
... o tom de autoridade das tempestades...
... e um colorido infinito domina todo o transparente"...

“algum de nós, admiradores"

Wanilda Borghi.

Luluca Lara disse...

Rita, esta produção sua, acima não fica devendo nada à anterior e me fez lembrar de um poema q estudei logo nos primeiros anos escolares q na verdade é um diálogo também entre mãe e filho....e que jamais esqueci, tem uma beleza inenarrável:DEUS
- Casemiro de Abreu -

DEUS
- Casemiro de Abreu -

Eu me lembro! eu me lembro! — Era pequeno
E brincava na praia; o mar bramia
E, erguendo o dorso altivo, sacudia
A branca escuma para o céu sereno.

E eu disse a minha mãe nesse momento:
“Que dura orquestra! Que furor insano!
Que pode haver maior do que o oceano,
Ou que seja mais forte do que o vento?!”

— Minha mãe a sorrir olhou pr'os céus
E respondeu: — “ Um Ser que nós não vemos
É maior do que o mar que nós tememos,
Mais forte que o tufão! meu filho, é — Deus!”—
Parabéns pela grandeza das suas idéias.