CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classifica no TOP 35 na 4ª semana de abril de microconto Escambau.

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.


quarta-feira, 25 de março de 2009

CARAS OU COROAS

Coluna "Mulheres" Jornal Folha da Região 25/03/2009

Há pecados que não são crimes, mas crimes acabam sendo pecado. Colombo conseguiu equilibrar um ovo. Se eu tentar, eu também conseguirei equilibrar uma moeda sem que um dos seus lados se choque na superfície plana. A partir do seu ponto de apoio, conseguirei visualizar a sua cara e a sua coroa. Minha cara, quantos lados tem a sua moeda?
Explico. Ainda bem que existe um muro sobre o qual podemos nos apoiar de vez em quando, não acha? Se você está sobre o muro da moeda e não sabe para que lado dela pender, tiraria no “cara ou coroa?” Que nome você daria para cada um dos lados, o que eles significam, afinal? Cuidado para não cair no pecado do crime.
Se eu pensar a moeda enquanto uma figura geométrica, deverei admitir que ela possui ‘três’ bem definidos ‘lados’ por tratar-se de um cilindro. Imagine um salame, consegue imaginá-lo, não consegue? Pegue a sua melhor faca afiada e corte-o em rodelas, deixe o bem cortado mesmo. Cada rodelinha não tem a mesma forma geométrica de uma moeda? Portanto, entre a cara e a coroa há um ‘murinho’ que eu o denomino ‘ponto de equilíbrio’.
Acorde, mulher! Estou falando da moeda, o salame não equilibra ninguém.
Nem tanto à cara nem tão pouco à coroa. Pois bem. A minha moeda tem três lados, certo?
Se concordar devo-lhe dizer que a moeda tem quatro lados reais.
Se o ponto de equilíbrio é o que me deixa ver a cara e a coroa ao mesmo tempo, entendo, então, que há um conteúdo em seu meio que eu o denomino: ‘substância’. Há um conteúdo de material que compõe a moeda, o que está no seu âmago. Se concordar que ela tem quatro lados, digo que ela tem cinco.
É o assunto que é complicado, não o texto.
A mulher, dentro do seu raciocínio pleno, provocou o aborto, tirando de sua poesia de mulher a substância interior: o verso mais rico que poderia completar seu poema – o filho. Misericórdia! Tomara tenha forças para arcar com os efeitos dessa causa. Deus! Tenha piedade dela.
A vítima foi ‘estuprada’, penetrada em suas entranhas violentamente. Cometeram um ato, violando-lhe o Templo abortando dele - a Mulher. Os seus versos morreram neste momento e o seu Templo, arruinado. Finda-se, aqui, sua poesia.
E não podemos dizer que isso vai passar, porque não vai. Algumas acabam tendo que gerar um ser, fruto dessa violência.
Engraçado! Já ouviram casos de homens estuprados?
Eu entendo perfeitamente o lado religioso e o desejo de salvar as vidas. É plausível a reação das igrejas contra o aborto, independente de quais circunstâncias algumas vidas foram ou estão sendo fecundadas. A vida deverá vir, sempre, em primeiro lugar e eu amo a vida, vamos salvá-las, desde que: Tudo o que estiver acontecendo não seja comigo, nem com um filho meu.
Entendeu? Eu posso dar à minha moeda quantos lados eu quiser, mas, segundo os meus valores e as circunstâncias que me envolvem, verei apenas um lado e nada de “mais ou menos” porque a minha religião é a de Deus e nenhuma mãe quer ver filho morrendo na cruz para redimir o pecado de outros. Farei de tudo para salvar os meus filhos e morrerei no lugar deles quantas vezes for preciso, porque morrer pra mim tem significado bastante diferente do que algumas religiões pregam. Morremos um pouco a cada dia e nos recriamos, conforme nos damos as possibilidades. Assumo o pecado de cometer o crime. Sou a mãe dos meus filhos e não podemos afirmar: “Isso jamais vai acontecer na minha casa.”
Cara; coroa; ponto de equilíbrio; substância, e o seu valor verdadeiro que nada mais é do que os efeitos da causa. Logo, a minha moeda terá cinco lados, certo?
Errado! A moeda, enquanto objeto prensado, possui tão somente os lados que os cunhadores determinam que ela tenha. A moeda, enquanto um valor pensado, possuirá tantos lados quanto o seu ‘adquirente’ conseguir fazer com que ela tenha.
Moeda é assim: Quantos lados você a der, tantas mais você as terá.
Mulher não é muro sobre o qual alguns se apóiam para fazer leis nas coxas. Corpo de Mulher é Templo Sagrado, quem o destratar comete crime. E o meu pecado está no olho por olho da minha cara tanto quanto na coroa do dente por dente da minha boca. Perdoe-me se a desapontei, leitora, mas eu sei bem a dor do meu calo quando o assunto são os meus filhos. Atirem-me as pedras se discordarem de mim, pois eu sei que os calos doem de todos os lados.

Imagem: www.agende.org.br




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