CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2015 - Recebeu voto de aplausos pela Câmara Municipal de Araçatuba;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba;

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras;

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de abril de microconto Escambau;

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.

2017 - 24ª classificada no TOP 35, na 2ª semana de outubro de microconto Escambau;

2017 - 15ª classificada no TOP 35, na 3ª semana de outubro de microconto Escambau;

2017 - 1ª classificada no concurso de Poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2017 - 11ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de outubro de microconto Escambau;

quarta-feira, 28 de abril de 2010

A SOGRA





Hoje ela é sogra, mas é de uma época mais antiga. Quando se casou, levou junto um diploma, pois fora ele a razão de seu matrimônio tardio. Numa época em que à mulher eram dadas poucas oportunidades profissionais, ela não se abateu. Foi à luta e conquistou o seu espaço. Era moderna ao seu tempo.


O filho demorou a vir. O marido, já envelhecido, não o viu formado, não houve tempo; ela, sozinha, fez as vezes de pai e mãe. Eram os dois, filho e mãe em um só, ambos se completavam na ausência daquele que se foi deixando-os na saudade.


E ele veio. O amor veio ao encontro do filho que ela tanto ama. Ela ficava feliz por vê-lo amadurecido e com a sua vaidade à tona sempre que tinha um encontro marcado com a namorada.


Ela, a namorada, veio conhecê-la. O olhar da mãe procurou o daquela moça, mas não o encontrou. O frio daquelas veias penetrou o corpo daquela mãe presente.
Cabia-lhe opinar a respeito da moça para o filho tão apaixonado? Como soariam suas palavras aos olhos daquele coração tão cheio de amor?


O filho marcou a data com aquela moça, formariam família agora. Ela ficaria. A mãe ficaria em sua casa, pois ao filho cabe bater as asas.


Ele se foi deixando numa sala uma mulher completamente sem fala. Demorou visitá-la. Era de costume deixar a porta destrancada para o filho sempre chegar sem precisar bater.
Encontrou-a mais envelhecida num silêncio que destoava com o ranger de sua cadeira de balanço, que lhe possibilitava dormir com a cabeça pendida sobre um dos ombros.


_ Mãe? Acorda mãe. Sou eu.


Ele a beijou na testa e o calor do contato fez com que ela acordasse daquele sono de saudade.
Veio sozinho, a esposa não o acompanhou à visita, mas mandou lembranças àquela senhora. A visita foi rápida e, mais uma vez, deixou naquela sala uma mulher completamente sem fala.


A distância entre os dois foi aumentando e a mãe já não podia falar dela para o filho e nem o filho, sobre ele, à mãe.
Ele voltou um dia, mas primeiro vieram as doenças da solidão. Doenças e filho não se entenderam, elas ficaram com a mãe; o filho, foi embora.


O tempo passou muito rápido e um neto ela iria ver. Mas não iria vê-lo, a visão também resolveu deixá-la. Levaram-na para algum lugar onde alguém cuidaria dela.
O tempo passou mais rápido ainda. Quando foram buscá-la o neto já andava e falava muito bem.


_ Ela não está mais entre nós. Tentamos avisá-los, mas não os encontramos.
_ Fomos viajar, minha mãe queria aproveitar os últimos dias bons da vida dela antes que a minha avó viesse morar com a gente. Pai! Avisa a mamãe que ela pode começar a viver de novo, porque a vó morreu.


Ao filho não restou mais nenhuma oportunidade de beijar a testa da sua velha mãe.



Rita Lavoyer



22 comentários:

GUará Matos disse...

Oh, Deus!
Que triste viver assim.
Bjs.

Malu disse...

Rita, desculpa-me pela deselegância de não responder ao seu convite, mas estava impossibilitada de vir até aqui.
Passei e gostei, amiga.
U´m belo e triste relato encontrei por aqui.

Beijinhos

Anônimo disse...

Aceito o convite para usar este espaço para um desabafo. Permita-me manter-me no anonimato, porque acho que você não sabe direitinho o que é sogra. Você não dever ter tido uma, ou ainda não tem uma para escrever um teto assim que joga em cima de nós os problemas e a culpa de uma sogra existir. Isso não deveria existir nunca. O diabo existe mesmo, é ela a sogra. Seu texto fez com as pessoas sintam culpa pela morta das sogras, quando a culpa é o contrário.

Assinado ex-genro.

Renata Rimet disse...

Rita, amei o convite, amei o texto...fiquei emocionada com o desenrolar dos fatos...olha eu tive sogra, daquelas que causava inveja as minhas amigas e principalmente as cunhadas, sempre viajavamos juntas e nos divertiamos, iamos ao cinema (sempre gostamos dos filmes nacionais) na verdade vivemos uma história de mãe e filha, com muito carinho e respeito, vão se 20 anos de casada com o seu filho mais novo,a 8 ela nos deixou e faz uma falta imensa.
Gostaria de ter feito apenas o comentário ao texto, mas em vista a opinião anterior,relatar um pouco da saudade que sinto e da experiência que vivemos mostra que a vida é cheia de surpresas boas e ruins,precisamos viver e aprender algo, para repetir apenas o que vale a pena...

Rita Lavoyer disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Rita Lavoyer disse...

Meu caro e querido leitor anônimo.
Às vezes, as nossas históris não agradam a todos. Se o senhor puder, por gentileza, me perdoar pelo fato de o texto, embora ficção, ter sido escrito, ficarei imensamente agradecida.
Voltarei a convidá-lo e gostaria que voltasse sempre. Sua presença e opinião são muito importantes na minha vida de escritora iniciante.
Grande abraço.
Com Carinho
Rita Lavoyer

28 de abril de 2010 10:56

lucidreira disse...

Só se fala mau de sogra, eu não tenho que me queixar. E meus filhos estão constantimente com ela, a minha mulher men chegou a conhecer a sogra dela ,pois a havia partido quando nos casamos.
Se comparar ssogra e mãe são as mesmas, mãe e sgra.
Aos que acompanho sempre faço visitas tbm comento nos sues espaços.
Bjos e abraço

Jorge Sader Filho disse...

Mas isto acontece muito, queiram ou não os românticos.
Você retratou com fidelidade o fato, Rita.
Está nas manchetes da mídia e internet.
Parabéns pela clareza e ojetividade do seu texto!

Carinho
Jorge

Fernando Martinez disse...

gostei muito do texto, muito comovente

Angela disse...

Olá Rita,
Que texto polêmico! Parabéns!
Rita, cada pessoa interpreta de uma maneira e todos tem razão.a minha é que: esse texto não fala da sogra mas, sim de uma mulher que apesar de viver a frente do seu tempo conquistando um diploma e se casando mais tarde por conta disso, não tomou cuidado com as mazelas da vida. Viver é um desafio e temos que lutar para não correr o risco de nos tornar pessoas apegadas demais em coisas e principalmente em pessoas. Todos um dia se vão de uma maneira ou de outra, é preciso maturidade, compreensão e desapego para deixarmos que cada um alce seu vôo.
A saúde mental é a melhor companheira em todos os momentos e principalmente na hora de romper os laços e abrir as portas do ninho.
Obrigada pelo convite. Gostei e virei visitá-la sempre.
Continue, seu texto aguçou as pessoas e isso é mto bom para vc.
Até a próxima,
Abraços

Chica disse...

Lindo e bem profundo teu texto. Há, como em tudo, SOGRAS e sogras...

A coisa nessa relação é muitas vezes complicada. Não tive sogra, pois meu marido já havia perdido a mãe,mas sou sogra e bem sei...

Adorei ler, senti tristeza dela, mas devo te dizer que ela não poderia ficar esperando que o filho ficasse eternamente ao seu lado. Tinha o direito de ter e viver sua vida e se ela não tivesse se excluído ,as coisas poderiam ter acabado melhor. beijos,chica

HAMILTON BRITO... disse...

" Posso não concordar com o que dizes mas darei minha vida na defesa do seu direito de dizê-lo" Eu pensava assim também mas, doravante, estou fora.Pelamordedeus! Tem gente que exagera no direito. Senão vejamos:
"o diabo existe mesmo, é ela (faltou vírgula), a sogra" O meu! a sua mãe deve ser sogra de alguém. E ai? Outra pérola: "..."não se apegar exageradamente às coisas e à alguém.,..deixarmos que cada um siga o seu voo" O que tem a ver? Então é pecado uma mãe se apegar EXAGERADAMENTE a um filho? Eu me apego exageradamente e ainda é pouco ,aos meus filhos e netos. Deixei que eles voassem.Ocorre que meus filhos não param de dar rasantes aqui em minha casa. Filhos e filhos. O do texto é um covArde, vagabundo.Teve sim oportunidade de dar o beijo na mãe, não deu porque devia estar correndo atrás do Bernardão.

Marina disse...

Rita! Quanta inspiração, delicadeza de palavras e sensibilidade ao tocar num assunto como este, às vezes escondido à sete chaves dentro das famílias. Ontem mesmo minha mãe e eu falávamos sobre isso. Jamais deixaríamos meus avós! São partes de nós que devemos cuidar. São partes que nos fazem evoluir. Parabéns pelo texto; simplesmente amei! Beijos

Thathy Vilella disse...

Oi. Rita!!!!

Que belo belo texto!!! Emocionante mesmo!!!! Fiquei super tocada com o relato.

É imensamente triste pra qualquer pessoa viver assim, tão sozinha; mais ainda quando o agente dessa solidão é a pessoa que nós colocamos no mundo, e a quem nós sempre demos tanto amor, carinho e dedicação durante toda a nossa vida.

Já tive sogra e, por sorte ou graças a Deus (prefiro agradecer a Deus) NUNCA tive problemas com nenhuma; ao contrário, sempre gostei de todas, e todas de mim.

E isso, porque NUNCA as tratei como sogras, mas como trato a minha própria mãe. E como amor com amor se paga... foi nisso que deu!!!!

Mas PARABÉNS pelo texto!!! Foi de uma sensibilidade e delicadeza incríveis. E não liga pra esse tal "anônimo" não; porque ele é tão insensível e covarde, que nem coragem de assumir as próprias opiniões tem.

Beijos,
Thalyta

Pedro Du Bois disse...

Rita, gostei do texto e do andamento que você deu a ele - o distanciamento se fazendo aparente, presente, tolhendo a fala e a visão. E o desfecho. Não entendo a literatura como desabafo; creio que escrever, como construir, merece mais atenção do que nossas mazelas eou umbigos. Por isso, gostei. Abraços,
Pedro.

VANUZA PANTALEÃO disse...

Oi, Rita!
Estou aqui, quase viajando. Mas gostei da tua narrativa. Vou te seguir para não te perder de vista.
Beijos
[a gente se vê daqui a um tempinho]

Barbara disse...

Neutra.
Não dei sogra a ninguém e ninguém me deu.
Mas sou sogra duas vezes.
Meu genro diz que sou ótima pois moramos longe e minha nora diz que sou ótima porque quebro os galhos dela.
Mas pretendo - se for envelhecendo com lucidez, eu mesma ir com minha vontade prá algum lugar agradável caso não possa mais ficar só.
Mas sinceramente, sua história não é incomum e se não houve o beijo da despedida, há a referência em algum lugar...
E já liguei hoje prá nora, reclamando que não lembrou o dia da sogra e agora vou escrever um mail muuuiiiiito dramático prá o genro , reclamando da mesma coisa.
(Mas é brincadeira que faço com eles)-
Vá me visitar também. E obrigada.

Jacques disse...

Tenha sempre em mente que a pele se enruga, o cabelo embranguece, os dias se convertem em anos... mas o que é importante não muda.
Que é o nosso sentimento, nosso amor e a nossa fé.
Enquanto estiveres viva, sinta-se viva. Pois a vida passa muito depressa...

Miriam de Sales Oliveira disse...

Vc abordou um problema (porque sogra seria um problema!?) de modo diferente das visões dessa instituição (sogra) e dessas pessoas ,mulheres q/foram m~aes e por fim,conheceram a solidão.
Demonstra uma grande sensibilidade e compreensão c/o problema da idosa.
Sou sogra de 04 genros,mas,me dou bem com todos.
Também,cuido p/n/virar vinagre na 8ª casa da vida,eu q/sempre fui um bom vinho.rsss
Abraços
Convido vc p/visitar o www,contosecausos24x7.blogspot.com .um dos meus blogs.
Abraços

Lilá(s) disse...

Uma história que pode bem ser real, como tudo na vida...
Bjs

Lúcia disse...

Oi Rita,esse texto eu não vou escrever muito sobre ele porque a minha mãe já é uma senhorinha de oitenta anos,então fico triste ao ler um relato assim.Tenho medo de perder a minha velha.Eu evito essas histórias.

Abraços,Lúcia

29/04/010

Patrícia Bracale disse...

A vida é relação!
O importante é achar oportunidade p/ amar,
Amar o melhor possível a cada dia.
Minha escolha é dizer:
Eu amo Você