CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classifica no TOP 35 na 4ª semana de abril de microconto Escambau.

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.


quinta-feira, 4 de novembro de 2010

O HOMEM E SUAS MANIFESTAÇÕES NO ESPAÇO URBANO





Acreditamos que cada época histórica tende, em seus registros, a despertar o sentido de novas descobertas e problemáticas. O grafite vem respondendo a essas necessidades, dando sentidos novos à história do ser humano e aos modos como vive. Assim se deu na década de 70, quando se vivia um período de turbulência e opressão do regime militar. Nesse percurso histórico, surge em meio ao “cinza” e “pálido” futuro, uma nova consciência das coisas manifestadas pelos textos do grafite.


Essa consciência da impermanência das coisas, da passagem do tempo e dos problemas sociais caracteriza os textos do grafite, tentando penetrar nessas realidades através de suas enunciações e de seus enunciados.


O texto grafite narra a história pelas inscrições nas paredes e muros das urbes. Sua trajetória procura constituir, pelos e nos textos, o mutável, porém, mais fundamental que qualquer coisa para os processos de sentidos e significações do grafite, ele se define em si mesmo, com uma condição de partilha, de condicionamento e de realizações, divide com a população das cidades contemporâneas as condições de vida, os acontecimentos, o lúdico, as emoções vividas.


Esses tipos de textos tematizam o cotidiano nos modos como se apresentam na topologia urbana. Por meio de como se manifestam, abandonam o rotineiro causando ruptura. O grafite não é uma pintura nas telas convencionais, pois ele executa suas funções e conta suas histórias nos suportes da própria cidade, trabalhando a própria superfície, colocando-se nos muros e paredes, postes e fachadas pelo emprego do spray, do pincel, das máscaras. Desta maneira, esse texto revela e valoriza os espaços da urbe e a ele se integra num todo, e mais: continua além, expandindo-se em outras cidades do mundo. Com isso, ele acaba realizando a tarefa de contar a história para sustentar a si mesmo, para tornar possível a sua existência, seu “corpo”, sua própria realidade. Nesse ato de “narrar”, de “contar”, o grafite se faz comunicação.


Entendemos que ler e escrever são atos comunicacionais, mas pintar, gesticular, dançar, grafitar, pichar, também. Essas e outras manifestações humanas são fundamentais e essenciais na comunicação, e devemos considerá-las para assumirmos convictamente nossa condição de bons receptores e produtores de textos, conscientizando-nos das possibilidades de participação social por meio da comunicação.


Acontece que, às vezes, o próprio homem se limita a considerar certo, correto e natural, aquilo que já lhe é imposto, que já está pré-estabelecido, esquecendo-se de dar sentido e apresentar outras partes da realidade comunicacional.


A comunicação pensada em sua totalidade, dotada de sentido, funde-se com a própria vida do ser humano, e por isso, já que está ligada à cultura, aos atos sociais de trabalhar, andar, pintar e todos os outros fazeres do sujeito.


Os destinadores do grafite são adolescentes, meninos e meninas, homens e mulheres que desejam ter sua voz e vez expostas aos olhares dos outros sujeitos. As escolhas do local e a do suporte são importantíssimas, uma vez que ter escolhido estar ali, nos muros e paredes, para se contrapor à manifestação dos meios de comunicação social do grupo dominante é fazer ser visto como é possível, já que se manifestar pelos meios dominantes não é sempre possível.


Aliás, apontar as problemáticas do povo, criticar a forma de andamento das escolhas políticas e das questões sociais de maneiras diferentes, são atitudes que podem ferir alguns interesses públicos e por isso, é bem provável, não ser possível manifestá-las nesses meios. Desta forma, escolher estar no suporte aberto da cidade, do mundo, através de suas paredes e muros, é um convite a todos para participar deste processo. A partir dessa participação, o grafite convida o outro, os outros, a interagir com ele e aceitá-lo.


Ao provocar uma mudança nos estados de alma dos que passam e veem , os textos do grafite e seus destinadores não serão mais tratados como marginais ou transgressores, mas sim, como sujeitos articulados e integrados à sociedade, inseridos e não excluídos, como aconteceu na maioria das vezes.


O grafite e sua significação são constituídos de relações de apreensão e comunicação com os transeuntes. Nessa intersemiose, texto, espaço, rua e transeuntes comunicam-se como se tivessem fios interligados, desenhos e formas aparecem em pontos estratégicos e se conectam, circulam no imaginário urbano num jogo lúdico de figuras fictícias que “brincam” com o espaço.


Assim, textos reais e imaginários fluem nas veias das urbes, desenhos se divertem esparramados no tecido urbano. E a nossa visão, cansada de poluição visual - política, comercial entre outras - agradece nas mais diversas linguagens.

Rita Lavoyer desenvolveu trabalho sobre grafite para conclusão do Curso de pós-gradução em Linguística –Unesp- na área de semiótica.

8 comentários:

jhamiltonbrito.blogspot.com disse...

...e pelo visto tirou nota máxima. Falou com propriedade sobre esta manifestação de arte. Por sinal, vi uns trabalhos em Curitiba que me deixaram impressionado...coisa de gênio.

Jorge Sader Filho disse...

O grafite é o espírito das ruas.
Tanto é verdade que o mais conhecido é o fictício Roy, de origem norte-americana. "Roy was here" e "Roy, the spirit of walls", ou seja Roy esteve aqui; Roy, o espírito das ruas.
É uma pichação tradicional, tudo levando a crer que o homem quer se libertar da cadeia de edifícios que o cerca.

Carinho,
Jorge

Genny Xavier disse...

Querida Rita,

Como sempre seus textos dão prazer de ler e refletir.
O tema em questão é rico e atual. Se me permitir, gostaria de trabalhar com meus alunos seu texto, considerando, claro, os devidos créditos de sua autoria.
Grande abraço,
Genny

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Tese, ficção ou reflexão, sua escrita é sempre rica e inspiradora. Um beijo e parabéns.

lucidreira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
lucidreira disse...

Esta linguagem não nada mais que uma vertente da arte, temos que considerar que cada um dos que querem expressar-se tem um diferente tom, cores e temas. E os painéis tem que alegrar e embelezar os muros e paredes das nossas cidades.
Os temas que as vezes não agradam a todos, mas, o que se ha de fazer, se tem arte para todos os gostos e poder aquisitivo?
Como pichação só vejo como uma agressão ao nosso visual.
Realmente suas considerações são dignas de uma tese em sua pós graduação.
Parabéns

HAMILTON BRITO... disse...

Hoje foi o tema lá no Conselho. Providências estão sendo tomadas para se aferir exatamento o fato, suas consequências e responsabilidades. A Secretaria da cultura do município e a do Estado serão procuradas´para dar à sociedade e ao Conselho a explicação necessária.

VELOSO disse...

Parabens pelos posts sobre grafite admiro muito essa forma de manifestação artistica!