CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classifica no TOP 35 na 4ª semana de abril de microconto Escambau.

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.


quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O HOMEM QUE COMEU A MARGARIDA






Durante 4 décadas atravessou o deserto para encontrar a água que lhe matasse a sede.

Quando a encontrou não conseguiu tocá-la, temendo miragem. Ajoelhou-se à sua margem; ela, cristalina, o refletiu. Ele viu-se nela. Miraram-se naquela realidade.

Levantou-se e caminhou contra o fluxo, alcançando aquela nascente. Eram gotas que pingavam do pé de uma margarida vermelha. Sedento, esticou a sua mão e a tocou. Àquela leve carícia as gotas secaram. Os suaves fios da água foram desaparecendo dentro da areia quente do deserto.

Desesperado, arrancou a flor até a raiz e guardou-a em seu peito , dando-lhe guarida.

Desidratada, definhou-se. O homem, para não vê-la morta, comeu-a com dó.

O deserto desapareceu diante daqueles olhos inundados num mar de lágrimas vermelhas.

Renovada dentro daquele corpo, a margarida ordenou-lhe:

_ Vá em frente!

Ávido, as suas lágrimas secaram e aquele vermelho escaldante foi abrindo-lhe o canal.

Temendo ilusão o homem recuou. Sem ceder uma polegada àqueles delírios, prostrou-se
ressequido à sombra de um pé de margarida, ainda sem cor, que renasceu no lodo do mar, nas proximidades da água prometida.

Rita Lavoyer

3 comentários:

Malu disse...

E quantas coisas belas na vida deixamos passar por temer ser MIRAGEM, amiga!
Amei este texto!
Parabéns...
Abraços

Dora Regina disse...

QUANTAS VEZES ESTAMOS DIANTE DA REALIDADE E NÃO CONSEGUIMOS ENXERGAR...
MUITO BOM E REFLEXIVO TEXTO.
UM ABRAÇO!

Jorge Sader Filho disse...

A todo momento, querida Rita, surgem filetes d'água, margaridas e medo de miragem, como você disse.
Quarenta anos buscando água! Quando encontra, não acredita...
Excelente, minha amiga.

Beijos,
Jorge