CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.


quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

2012 - MINHA TERRA TEM BURACOS






MINHA TERRA TEM BURACOS

I

Minha terra tem buracos
onde muitos se debruçam.
Eles gostam dos buracos
porque neles se lambuzam.

Buraco é propriedade pública,
jamais será privada.
Mas se houver boa intenção na venda
entrará outra bolada nessa vislumbrante tacada.



II
Minha terra tem troço e troça.
Teve trem e bangue-bangues.
Mas qual casa que não tem,
se temos os genes dos caingangues?!

Caingangue é raça viril,
os buracos tirava de letra.
Só entrava quando era convidado,
nunca entrava de penetra.

III
Minha terra tem buraco
que não podemos tampar com cascalho.
Está incomodado? Corte a sua madeira
encha ‘ele’ de carvalho.

Mas se quer viver na sombra
deixa inteira a sua lenha.
Usufrua do buraco,
entra na fila, pegue uma senha.

IV
Minha terra tem buracos,
num deles vou plantar um araçá.
Depois vou vendê-lo como água
guardar o dinheiro num saco de "aguaçá".

Minha terra tem buracos
com a cara da situação.
Muitos os querem abertos
para salvar a oposição.



V
Minha terra tem buracos
com a face da oposição.
Poucos os querem tampados
para matar a situação.

Minha terra tem buracos
que têm analofobia.
Dentro deles têm políticos
gozando verborragias

VI

Minha terra tem buracos
e dentro deles uma cidade.
Mergulhe nela de cabeça,
resgate a sua identidade.

No mundo da escavação,
nem todo o buraco sai perfeito.
Registre o seu nos anais
e vote nele no próximo pleito.

VII
Buraco é lugar sagrado.
É nele que começa a vida,
mas já está faltando buraco
para fazer dele jazida.

Todos devemos ter um buraco.
Seja gentil, adote um da sua cidade.
Cuide para deixá-lo aberto, porque
buraco tampado é o fim da humanidade.



VIII
Feche 2011 com uma boa chave de fenda,
e separe a porca do parafuso.
O que tinha serventia já foi usado.
Jogue fora o que não tem mais uso.




QUE EM 2012 NASÇAM BURACOS PRA VALER
E QUE SEJAM TODOS ÚTEIS
PARA EMPRESTAR, DAR OU VENDER.





Boas festas!
RITA LAVOYER









sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

O DISCÍPULO E O MESTRE





Um discípulo perguntou ao seu mestre:
_ Mestre, como distinguir o feio do belo?
O mestre lhe respondeu:
_ O belo é aquilo ou aqueles de quem nós gostamos e aceitamos. O feio é aquilo ou aqueles que desconhecemos, ou quando os conhecemos nos incomodam.
O discípulo continuou:
_ Mas, Mestre, se eu não os conheço como aceitá-los?


_ Pois bem, - disse-lhe o Mestre-. Antes de caracterizá-los “feios” arranque os seus olhos.
_ Mestre! - continuou o aprendiz-, se eu arrancar os meus olhos e ainda continuar a desconhecê-los, como aceitá-los?
O Mestre fitou-o impiedosamente, e com o dedo apontado àquele rosto interrogativo disse em tom severo:
_ Arranque o seu coração, assim passará a aceitá-los e o conhecimento de si mesmo lhe mostrará a beleza daquilo e daqueles.
_ Mas, Mestre, se eu arrancar esses meus dois grandes órgãos e ainda não conhecê-los e aceitá-los? O que fazer?
_ Muito simples, meu ainda aluno. Ajoelhe-se, arrie suas patas ao chão, deixe que te coloquem uma coleira e sirva de luz conducente a um cego. Aí, logo o acharão bonitinho, engraçadinho e útil. Você passará a lamber-lhes as mãos e, quem sabe, com uma sabedoria animal não passe a ver mais belo aquilo que lhe era feio. Qualquer animal consegue distingui do que e de quem gosta. Quando você tiver chegado a esse estágio de evolução, saberá que o feio era aquilo ou aqueles de quem você não gostava.
_ Mestre, ainda que eu me ajoelhe, que eu lamba e que eu conduza e não conseguir distinguir entre o belo e feio. O que fazer?
_ Devolva os seus olhos e o seu coração aos lugares de onde você os tirou e chame feios aqueles a quem você realmente tem a intenção de ofender, depois continue sendo aluno e esqueça tudo isso que conversamos.
_ Mestre, mesmo que eu faça tudo isso, que eu continue sendo aluno, e chegar ao estágio de conseguir distinguir o belo do feio, achar algo ou alguém belo e me reservar em dizer por não poder fazê-lo, qual o procedimento devo adotar?
- Quais motivos levam um jovem a reservar o belo dentro de si? O belo não pode ser oculto. Escondê-lo o faz clandestino. O belo que é clandestino pertence a outro. O belo que é do outro não merece ser apreciado?
_ Mestre, e se o outro, dono do belo, for o feio?
_ Como você saberá distingui qual é o feio ou o belo dentro dessa situação se ainda se propõe a ser mero aluno?





Autoria- Rita Lavoyer - membro da Cia dos blogueiros


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