CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classifica no TOP 35 na 4ª semana de abril de microconto Escambau.

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.


terça-feira, 24 de julho de 2012

COMO UMA PANELA DE PRESSÃO





Ela era chique e tudo o que tinha era de marca famosa. Comprou uma panela de pressão. “A Máquina de Cozinhar”. Não explode como aquelas chinfrins que leva a proprietaria a óbito depois de tê-la exposto em algumas páginas de noticiários: “Dona de casa perde a cabeça...”

A dela foi comprada direto na fábrica.

Explodiu! Ela ouviu aquele chiado de maria-fumaça e saiu correndo. Desesperada para desligar o fogão, nem se deu conta de que a “Máquina de Cozinhar” havia explodido, porém, pra baixo. Despejou todo o caldo do feijão em seu porcelanato que, por coincidência, igualavam-se nas cores. Não viu o caldo e no chão ela ficou.

Explosão de grã-fino é assim, joga a sujeira no chão e dá rasteira. Não se importou. Levantou-se com classe, era madame. A “Máquina de Cozinhar” , como as outras, tem borracha e válvula. Achou que poderia ser a borracha e na fábrica compraria outra. Encheu-se de si. Pegou bucha, palha de aço e sabão e se pôs a esfregar a tampa da Máquina. Queria levar a tampa, assim compraria a borracha na medida certa. Apesar de ela sempre lavá-la direitinho, deu-lhe um trato especial para aquela ocasião. Embora luxuosa, gostava, ela mesma, de fazer a limpeza da casa, achava-se competente pra isso. Já brilhava, e os braços dela doíam pelo esforço em tentar deixá-la brilhando ainda mais. A tampa dela brilhava mais do que a das outras Máquinas, com certeza!

Entrou em seu carro prateado que só o era porque ela não gostava da cor de ouro. Estacionou em uma sombra, bem em frente a fábrica, mas resolveu dar ré e pôr o carro no sol pra que reluzisse ainda mais o brilho de sua tampa, pelo menos enquanto estivesse por ali. Subiu os degraus, parecia uma girafa, tamanho foi o esforço para erguer a cabeça, e com a tampa brilhante na mão.

Um funcionário a recebeu com desdém, levou-a para o fundo da fábrica; e ele com a tampa dela, pra ele, uma tampa qualquer. Aquele fundo era uma bagunça.

_ A senhora não costuma fazer a limpeza completa?

_ Hã!?

_Olha quanta sujeira tem dentro da válvula. Se não fizer limpeza, ela entope e vaza por onde? Explode mesmo!

Amiudou-se diante de tanta sujeira, dela, descoberta por outra pessoa.

Calada, só ouvia as explicações do funcionário sobre a limpeza da “Máquina”.

Queria explodir também, cozia os ingredientes da raiva tampando-a. Sorriso nos lábios, abrilhantava-se. Afinal, cozinhar é arte de controle das artérias. Não pode ter pressão, senão explode. Se assim fizesse, os dos arredores só viriam a sujeira dela e ainda a usariam pra lhe passar rasteira, tal qual a sua panela de pressão.

Rita Lavoyer é membro da Cia dos blogueiros e da UBE.

3 comentários:

Célia Rangel disse...

Rindo e muito...destaco: "Explosão de grã-fino é assim, joga a sujeira no chão e dá rasteira".
... é um tal de jogar sujeira debaixo do tapete, que os "buraquinhos" entopem mesmo e, claro, explodem!
Bj. Célia.

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Ótima essa "máquina de cozinhar", heim...
A madame, desta vez, quase perde a polidez (rimou sem querer, eu juro). Mais um muito bom, Rita. Um beijo.

Rita Lavoyer disse...

Célia, isso é quase uma históira real! kkkkkkkkkkk

Marcelo, e não é! A fábrica deu esse nome mesmo para a panela. A madame fez questão de ter uma. Afff! Digo: É quase real sim , essa história! kkk