CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classifica no TOP 35 na 4ª semana de abril de microconto Escambau.

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.


segunda-feira, 22 de outubro de 2012

POMAR DE COISAS




A mexerica adorava uns mexericos. Isso não é permitido pelas leis da natureza:“Poligomia”. Mexerica com seus gomos mexeriquentos.

Coisa mais casca grossa, azeda, enrugada, gorda e o que é pior: vivia pendurada.

Apesar de tudo isso tinha ao seu redor todos os mexericos. Bichos “cabras da peste”...

Falar em peste, dizem que a cabra morreu. Morreu de peste. Vamos ver se isso procede?

Foi logo andar com a lebre, morreu de peste lebrônica. Lembra-se daquele acidente dela com o lagarto? Não? Hum! Bicho de língua perigooosa... Parto perto dele ninguém podia fazer. Partia logo com a sua língua a devorar todos os ovos.

Houve um dia, credo, tem até que bater na boca para não dar sapinho, que o bicho soltou a sua língua para de todas as coisas falar. Dizem que só a língua não foi o suficiente. De repente soltou o rabo também. E aí, foi perna pra quem te quero.

A lebre, coitada, ficou com a perna quebrada. Bicho velhaco esse lagarto. Ficava escondido em qualquer buraco só espiando o que se passava. Por falar em passava, ele andava passando muito mal, vivia amarrotado. Era um bicho abandonado. Vai ver era por isso que tinha aquela língua e aquele rabo. Ou seria o contrário?

A cada horário era uma coisa naquele pomar.

A mexerica não gostava do sapo e ele vivia engolindo seus mexericos. Os mexericos dela nunca morriam, estavam sempre de pé. E ela pegava no pé mesmo.

Lembra-se daquela lebre que matou a cabra? Não? Pegou no pé do bicho de um jeito que deu dó. A bichinha já estava com a perna quebrada... Olhava unha a unha e um defeito em cada uma ela punha. A lebre até que tentava se safar mas... ligeira que a mexerica era, dava sempre um jeito de a lebre enrolar. De tão enrolada que ficou, tropeçou.

Para se levantar teve que começar a andar com os mexericos. Espie só! Eles são da mexerica, foram feitos por ela. Mexeriqueiras existem de longas datas. Essas coisas de cabra só dão bode.

Vejam só se pode! Veio logo a cabra querer acabar com os mexericos que estavam andando com a lebre. E não deu bode?! Pô! Um mar de coisas rolou.

Uma mariposa que vivia na espreita, vigiando as coisas, saiu com cada coisa... O lagarto nem ouvido deu, mas deu-lhe uma rabada, derrubou a mariposa e naquela língua aquele bicho morreu.

A vespa que era vesga nada entendeu e deu o relato do que sucedeu:

“A mariposa, mariposa preta, fez uma pose e pousou de borboleta na folha da violeta.

A violeta, violou a letra, e a maricoisa coisou de coiseta na coisa da coisoeta.

A maricoisa, coisa tão eta! violetrou a coisoeta e a coisa ficou preta.

Presa a coisa, pela sua treta, a violetra desfolheou o caso da pose, e pousou numa rosa uma linda borboleta.

Eta! Que borboleta! Pousa na folha sua beleza de cor preta e violeta.”

Desenrolados os nós, a mexerica enlouqueceu. Quebrou logo o seu galho, desceu do salto e pra ninguém mais teve alho nem bugalho. E o seu suco destilou.

“ Aquela cabra, cabra da peste, fez caridade pra curar as pernas daquela lebre de idade.

Mas a lebre, por falsidade, mentiu de verdade para a terna cabra macabra. Um pé–de-cabra, abriu a abra cadabra e aquela coisa ficou braba de repente.

Gente! Fiquei atônita quando soube que a cabra tinha peste lebrônica! O seu lagarto fez o seu parto e ele partiu porque pegou peste de cabra. Oh! Sua lebre pegue sua reta, porque peste de cabra pega. Pode fugir com esses mexericos porque eles não são meus. Esses mexericos não foi eu quem lhe deu.”

Cadê a cabra?

Logo tudo começou a clarear naquele pomar. As coisas começaram a perceber que havia algo errado por ali. O campo majoritário decidiu que cada macaco ficaria em seu galho. Logo, alguma coisa começou a cheirar mal.

Uau! Foi uma bagaceira. Aquele lugar não chamava mais pomar, não havia mais mexeriqueira. Aquela mexerica não amadureceu, mas caiu de podre e morreu.

A cabra comeu o bagaço.

A cadeia alimentar consumou-se em favor de todos.


Autora- Rita Lavoyer membro da Cia dos blogueiros e UBE

7 comentários:

Jorge Sader Filho disse...

A cabra eu não sei.
Os cabras da peste, da moléstia, foram condenados, menos Lampião, que estava apagado...

Beijos,
Jorge

Célia Rangel disse...

... que coisorrenda... de coisorrada... mais mexericosa já vista... tem muito pomar igualzinho plantado em condomínios... ah! e como tem!! Mariposas me mordam...
Bj. Célia.

Larissa Matarésio disse...

Não entendi bulhufas desta cabra mexeriquenta que adora comer uma lebre com mexerica que se deliciava com um bom rabo de salamandra temperado com sal e limão. Assim que fica bom. E o pobre do macaco, sempre sem galho.

Rita Lavoyer disse...

KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK
Meus queridos, até a autora se confunlhiu nas dobras das dobrolhetas .

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Uma deliciosa cadeia alimentar de flora e fauna, cheia de jogos de palavras. Bem ao seu estilo fabular e esbanjando humor. Parabéns, Rita.

blog do Camillo disse...

La Fontaine ia ficar muito frustrado por não ter conseguido "fabular" com tanto humor como você fez. Parabens! Muito bom.

Rita Lavoyer disse...

Obrigada Marcelo, por lembrar-me fauna e flora, nem tinha percebido!

Hélcio, ser mencionada, de qualquer forma, a La Fontaine é uma honra, ainda que ele se irrite, ou melhor: se irritasse KKKKKK. É por isso que, às vezes, eu assino as postagens como: Fábulas de Lavoyer, para persegui-lo. kkkkk