CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classifica no TOP 35 na 4ª semana de abril de microconto Escambau.

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.


terça-feira, 25 de junho de 2013

FÁBULAS DE LAVOYER - Os galos e a cobra-cega

       

          _ Galão! Galão! Já passou pelo galinheiro hoje?

          _ Cruz- credo, Galim! Passo lá só pra fazer, com sacrifício,  o meu serviço.

         _ Mas, Galão, as Galinhas estão com brotoejas de tanto falarem da  Raposa que foi obrigada a comer um monte de Uvas minguadas.

          _ Uai, Galim! Onde foi que isso aconteceu e quem foi que a obrigou a tamanha maldade?

          _ Galão, dizem que foi uma tal de Lavoyer que praticou  a crueldade, saiu até no Jornal Folha da Região de hoje, na coluna Tantas Palavras,  por isso a galinhada está tomada de agradecimento pelo espírito de vingança.

          _ Hum... Essa Lavoyer é  que  espécie de bicho?

          _ Sei não, Galão! Deve ser essas espécies mutantes que aparecem com estilos diferentes  só pra contrariar as ordens das coisas. No meio de tanto cacarejo só consegui entender que trata-se de um bicho fabulista.

          _ Hum... Galim, pensando bem,  se ela fez a Raposa se entupir de Uvas, deve ser uma espécie boa de bicho, pior seria se essa fabulista  tivesse feito a Raposa comer nós dois. Você já pensou, Galim, duas potências como nós, maiores reprodutores de Pintos desse galinheiro sendo comidos por uma Raposa? Imagine o que não sairia sobre nós dois dos bicos daquelas Galinhas!?

          _ Galão, não é que você tem razão!? Essa tal de Lavoyer deve ser uma cangaceira em defesa dos Galos, contra a Raposa. Deve ser coisa boa mesmo! Não será capaz de fazer nenhuma sacanagem com nós dois!

          _ Nenhuma, Galim! Coisa boa toda vida esta fabulista. Não vai  fazer mal pros Galos de forma alguma.  Deixe ela lá, preocupada com a Raposa, pra nós dois ficarmos aqui de prosa. Prosear com você, Galim, me desestressa!

          _ Hum... Galão, não é  hora de ir pro galinheiro executar o seu trabalho?

          _ Eita,  que diacho, Galim! Todos os dias  você tem que me lembrar esse martírio? Galim, vamos pescar?

          _ Que é isso? Dois Galos que se julgam potentes fugindo dos seus compromissos? Vão pescar? Precisam de minhocas?

          _ Hei, quem é você? É a criatura mutante  sobre quem o  Galim falou, que obrigou a Raposa a se entupir de Uvas?

          _ Aff, Galo! Deixa de ser burro!  Logo se vê que nunca saiu deste terreiro e não conhece espécies além da tua. Sou uma Cobra-cega. Galinhas que vivem soltas em terreiros adoram comer cobras.

          _ Nossas Galinhas não vivem soltas e não comem porcarias. Aliás, aqui somos tratados à ração desenvolvida em laboratório: refeição de grã-fino!

          _ Vejo que não sabem nada sobre refeições. São uns franguinhos de granja e querem cantar de galo, esbanjando potência?  Rarararará!

          _ Como vê, mentirosa? Não disse que é uma Cobra-cega?

          _ Pois é, sou cega, como pensa, mas vejo além da visão de vocês. E ouço tão bem quanto vejo. Debocharam da Raposa, gostam de ver outras espécies sendo zoadas?

          _ Rarararará!  Aquela Raposa merece comer coisas bem piores do que  Uvas minguadas. Comigo e com o meu amigo  Galim ninguém faz sacanagem não! Dentro deste terreiro somos respeitados pela competência com que executamos o nosso ofício. Está vendo aqueles galos vizinhos, depois da cerca? Morrem de inveja de nós por causa do nosso status. Uai, como é que você vai ver se você é cega, né? Rarararará!

          _ Hum... sei... vocês, Galos, acham que são invejados? Sabe Galão, eu sou uma Cobra-cega, amiga da Raposa e eu a convidei para passear por aqui, ensinei-lhe o caminho. Rararará!

          _ Oh, có có có deco!  misericórdia! Oh, São Feliciano Protetor dos galos machos, proteja o meu amigo Galim e a mim também! Có có có deco!

          _ Rararará! Eu não sou cega e vejo que está arrancando as penas, está ficando depenado,  estressou Galo potente!? Olhe lá na cerca, os galos da vizinhança  estão rindo de você. Rararará! Vão pescar?

          _ Amigo Galim, bica ela, come ela? Vai, amigo Galim, estou lhe ordenando!

          _ Mas, Galão, eu nunca comi isso. Será que é indigesto?

          _ Não dá tempo de saber, bica logo essa cobra, engole isso antes que a Raposa apareça por aqui e nos encontre conversando com essa espécie! Corre, Galim, ela está fugindo. Seja rápido!

          _ Ah, Galão, não vou fazer isso não! Pode fazer mal pro meu estômago.

          _ Então faço eu!

          _ Não podem fazer isso, seus Galos frangotes. Não conseguem me pegar, esqueceram-se de que eu sou uma cobra? Eu não tenho ombros, escondo-me em qualquer buraco.

          Ploft!  Num salto, o Galão escorregou  e a Cobra-cega engalfinhou-se entre as penas do seu rabo, picando-lhe onde conseguia.  O Galo estrebuchava, precisando do socorro do amigo Galim.

          Na ânsia de salvar o amigo, Galim subiu-lhe nas costas apoiando-se nas asas que  Galão trazia abertas,  bicando-lhe o pescoço, a cabeça, o dorso para livrar-se da Cobra, tendo como plateia  galos da vizinhança e todas as habitantes do galinheiro que  ajudaram a derrotar a Cobra-cega, que foi dividida entre todas.

           _ Rararará - riam as Galinhas!  -   No nosso galinheiro vocês não aparecem mais. Essa notícia vai aparecer nos blogs, no facebook e nós, Galinhas, não queremos ser desrespeitadas por conhecê-los! Somos Galinhas infelizes e frustradas por tê-los suportados até hoje. Chega de sacrifício! Não os queremos mais!  Vê se tomam um rabo-de-galo toda manhã pra engrossarem os seus cantos. “Có có có deco” é cacarejo de galinha!

          Juntaram-se todas e surraram os Galos perante os vizinhos que os filmavam.
 

          A Raposa, que assistia de longe, virou as costas dizendo:

          _ Bem, eu vim mesmo para comer os Galos, mas pularam, depenados,  pro outro lado da cerca... Vou embora, continuar sonhando com as Uvas, porque essas Galinhas são duronas, não devem dar boa canja.


Autoria – Rita Lavoyer

5 comentários:

Jorge Sader Filho disse...

Fedro e sua fábula, transformada pela Rita Lavoyer.
A essência foi respeitada, Rita mudou a antiga roupagem da história, usando um lado humorístico.
Bem, sucedido, é bom dizer.

Helcio Almeida disse...

Uma boa fábula Ritica. Nos tempos atuais, é muita ousadia os galos estufarem os peitos. Gostei da raposa; inteligente, oportunista mas com um leve toque de humanidade.
Parabens Rita. Gostei.

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

O mais legal foi o uso da metalinguagem, do texto falando de um outro texto, ou, no caso, de fábula falando de outra fábula. Isso fora a criatividade toda esbanjada na história. Muito bom, Rita!




Célia Rangel disse...

Eitcha, Rita! Sobra humor, aventura e muita, mas muita realidade nessa sua reescrita da fábula. Hoje, grande verdade estampada aos olhos de cobras e lagartos... inseridos no século XXI...
Bjs. Célia.

NA PONTA DA LÍNGUA disse...

Amei. Rita!Super bju