CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura


terça-feira, 5 de novembro de 2013

FÁBULAS DE LAVOYER – O Jabuti e a Cadela.

FÁBULAS DE LAVOYER – O Jabuti e a Cadela.

O Jabuti acomodava-se, tranquilamente, no buraco que cavara, para deixá-lo a seu modo. Diariamente, outra espécie passava por ali, defecava e partia, sem que a vissem. Certo dia, o Jabuti indagou-a:
 
– Cadela! Vá obrar num lugar que não seja público. Não vê que está poluindo o meu território? Isso é ilegal, sua imoral!
 
– Senhor, desde criança, minha mãe e meus irmãos, sempre defecamos aqui neste monte, onde os avós dela também defecavam, assistindo ao seu estado amorfo, que até formou uma verdadeira obra, servindo-lhe sombra no horário de sol a pino.
 
  – Delira, pensar que preciso da sua sujeira e dos seus para proporcionar-me sombra! Estou aqui, como prova de resistência, por direito conquistado. Sou catalogado e exemplo da preservação da minha espécie, que vive séculos, mas está em extinção por causa de racinha como a sua. Limpe o que sujou antes que eu chame o meu protetor e suje a sua ficha!
 
  – Quem lhe disse que está em extinção, criatura? O seu “protetor” é quem lhe traz alimentos especiais todos os dias, quem limpa o seu ambiente, conservando-o para que se sinta bem instalado e consiga viver mais de séculos? Do mais, o tempo passa correndo, transformando muitas coisas, por isso nos adiantamos com ele, ao contrário do senhor cuja inércia parece-lhe conveniente e nem sabe quem vem alimentá-lo! Não acha isso imoral?
 
– Ninguém vem aqui fazer o que diz! A minha espécie é limpa e não saio por aí fazendo porcarias a céu aberto. O lado de fora é continuação do meu terreno, incomoda-me vê-la usufruindo-o no seu estágio mais deprimente. Se a visse antes, certamente tomaria as minhas providências, Sujeitinha, deixe de complicar as coisas. Vá obrar em uma privada! Pegue suas fezes e suma daqui!
 
Dias se passaram sem que o Jabuti recebesse alimentos. O seu território estava imundo. Com as tormentas do tempo a obra de cocô desmoronou e não havia mais sombra sobre ele. Passando por ali, a Cadela o viu ainda mais enrugado e muito deprimido.
 
– Senhora, há tempos não a vejo. Obra em outro lugar? Por acaso sabe do meu tratador, você o conhecia?
 
– Só tinha uma e foi promovida. Agora administro este patrimônio e vou consertar o que vejo de errado. Derrubarei o seu cercado, rompendo os limites que estabeleceram para o senhor. Eu o liberto do incidente deste cativeiro, dando-lhe a oportunidade de encontrar-se com os seus; se ainda conseguir: procriar e conquistar novos direitos, inclusive alimento. Prepararei este terreno para as obras da nova geração.
 
  – Promovida sob quais critérios? Travestiu-se de espírito revolucionário e deixou-se corromper? Seus consertos poderão chocar-se com ideais de outros bichos, que lutaram para conseguir o seu patrimônio, despertando-lhes a ira. Acha ético ultrapassar seus limites para estabelecer-se? Eu a odiarei se derrubar o meu cercado!
 
– Na condição de ser liberto, ódio o ajudará no seu desenvolvimento, dependendo das circunstâncias, para preservar a sua vida, um salto alto quando não puder se desviar das “obradas” do destino, esparramadas por aí.
 
– A ilegalidade não pode ser instrumento da sua administração. Está violando os meus direitos! Eu vou protestar, Cadela!
 
– Com razão, Jabuti! Olhe ao seu redor, quanta imoralidade sua eu deixei de limpar. Moralize-o! Pegue os seus cocôs. Quanto mais esperto for, mais cedo usufruirá dos seus novos direitos, inclusive o de obrar: seja na esfera pública ou privada. Corra, Jabuti, antes que novas espécies o atropelem.

    Autoria – Rita Lavoyer

6 comentários:

Célia Rangel disse...

Li sua fábula, Rita e, não pude deixar de traçar paralelos com a "indignidade" humano-política na qual estamos submersos... Quanto cocô esparramado... disseminando corruptas bactérias! Estamos todos infectados!
Abraço.

Rita Lavoyer disse...

Oi, Célia! Nada como nossas experiências. Nem sei o quanto de Jabuti e de Cadela há em mim. Só sei que há!

Jorge Sader Filho disse...

O jabuti vai correr para limpar? Quando? Não vejo saída não, Rita.
Interessante a fábula, criativa também.
Abraço.

Rita Lavoyer disse...

kkkk, Jorge! De fato, o hábito não faz mais o monge!

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Rita, a fabulosa fabulista, ataca novamente com lavra pra lá de inspirada. Grande post!

Rita Lavoyer disse...

Oi, Marcelo! uma releitura do dia a dia.Obrigada!