CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura


segunda-feira, 25 de novembro de 2013

HÁ OCORRÊNCIA DE BULLYING NO AMBIENTE DOMÉSTICO?

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Sou da espécie que não gosto de brincar com o que estou fazendo quando o assunto é sério.  Se eu pego alguma coisa para fazer: tenho que fazer! Calculo que o que possa estar a meu contento pode ou não estar a contento de quem me solicitou o trabalho, por isso, toda garra é pouca na execução daquilo que proponho realizar. Por conhecer bem essa minha característica, pondero os compromissos que devo assumir. Mas se for para brincar, brinco também, quando o assunto ou circunstâncias me permitem.

Elaborei uma pesquisa com 242 crianças e adolescentes, entre 10 e 19 anos, numa escola estadual de ensino fundamental e médio num bairro da zona norte de Araçatuba. A questão levantada é se o bullying ocorre dentro do espaço doméstico. Levantei esta pesquisa porque o assunto é discutido e estudado há tempos por muitos profissionais das áreas da educação e saúde, mas, para mim, ainda não deu por encerrado ou concluso os trabalho sobre o assunto. Motivando-me  a sair de mim, indago-me  por que as agressões físicas e morais são frequentes nos ambientes onde deveriam ocorrer as discussões saudáveis, ou seja, entre pais e filhos, colegas de escola, professores e alunos?

Apesar de o assunto ser demasiadamente delicado, tendo em vista que os pais, quando sabem o que seja esse fenômeno, muitas vezes identificam o caso de bullying contra seus filhos nos espaços fora de casa, será que se questionam se a incidência ocorre no espaço doméstico, e quem os pratica?

Sempre respeitei os índices enquanto resultados de pesquisas, admirando os trabalhos dos pesquisadores, qualquer que seja a área. Mas em se tratando de um assunto, visto por mim, tão “perigoso”, questões, as mais diversas, em qualquer tempo e espaço deverão ser levantadas quando for de nosso conhecimento que “um” – um ser humano - o tenha experimentado à exaustão: assim é a ação do bullying sobre o alvo.

Ainda que seja um recorte de uma região  da cidade,  eu consegui finalizar o meu trabalho, chegando ao final com um resultado que me calou, porque me corrigiu perante os juízos que eu fazia das análises feitas através dos olhos do meu coração magoado.

No questionário distribuído a 242 alunos, cada um contendo  80 questões,   foi investigado o universo social: familiar, escolar,  cultural, esportivo e religioso  deles, entre outras coisas mais. Algumas perguntas não foram respondidas, porque não havia a obrigatoriedade, ainda assim, contabilizei mais de 19.000 (dezenove mil) respostas para elaborar a estatística de cada uma das 80 questões.

Antes de aplicarmos o questionário, fiquei na escola, conversando com os alunos sobre o assunto, durante cinco meses de 2012. Antes dessa etapa,  estivemos com os diretores, professores e coordenador da escola.

O resultado das  três primeiras questões (há mais 77 pela frente) chamou-me a atenção, pois somente essas 3 são suficientes para levantamento de muitas outras pesquisas:

Das 242 crianças questionadas: 80 vão à escola sozinhas e 146 acompanhadas.

Das 146 que vão acompanhadas: 89 vão com os amigos e 57 em companhia dos pais ou responsáveis.

Há crianças que deixaram de responder algumas questões todavia, surpreendeu-me o meio com que eles chegam à escola:

27 vão com automóveis da família, 17 vão de bicicletas e 193 vão a pé, inclusive os que vão acompanhados pelos pais. Totaliza aqui 237 respostas.

Por que a minha surpresa? Porque eu resido no centro da cidade e se o questionário fosse aplicado em qualquer escola central, pública ou particular, o resultado seria outro.

Para quem pega a Avenida Baguaçu para levar os filhos à escola, de carro, e tem que cruzar a rotatória da Pompeu de Toledo, ou se mudo o trajeto e desço a Avenida Brasília, precisando passar por outra rotatória da Pompeu de Toledo,  se eu não sair 20 minutos antes de casa as crianças chegam atrasadas, porque o fluxo no período da manhã, de carros entregando crianças nas escolas – são 4 nesta região-  é imenso em todas as avenidas e dele não há como escapar, nem no horário da entrada, pior ainda no horário da saída, após às 12h30.

No meu trabalho, é tratado num capítulo o problema da  “superproteção”  como um dos principais estressores para as crianças.

Uma pesquisa da ISMA, Associação Internacional para Prevenção e Tratamento de estresse, apontou suas três principais causas entre crianças de 7 a 12 anos de idade.

- As críticas e desaprovações dos próprios pais – citadas por 63% das crianças consultadas; - O excesso de tarefas na rotina é apontado por 56%; - O bullying aparece em terceiro, com 41% das crianças reclamando do “peer pressure” (pressão dos colegas).

A superproteção dos pais também vem assumindo posição crescente dentro dessa lista de estressores infantis. Assim, além de fazer mal aos filhos, enquanto motoristas deles,  estamos  contribuindo para que a cidade se transforme num amontoado de veículos, tornando intransitáveis as avenidas, estressando-nos demasiadamente no trânsito e, de uma maneira bem direta, prejudicando o meio ambiente.

Por que as  crianças do centro ou do seu entorno, não podem ir a pé para as escolas, necessitando serem entregues na porta da pelos pais? Concordo que há muitas que residem longe, vêm de Van escolar, mas uma boa parte reside bem próxima dessas escolas, poderiam ir a pé, ajudando a desafogar o trânsito, mas não! Somente no meu prédio são, pelos meus cálculos, 14 crianças que vão para a mesma escola todos os dias; no mínimo 7 veículos fazendo o mesmo trajeto.

Já conversamos, os pais, em dividirmos os carros, cada dia um leva uma turma, outro busca. Mas as crianças não aceitaram, cada uma com a sua desculpa de não “querer esperar o outro”.

Lógico, não querem se atrasar, temos que sair 20 minutos mais cedo – observando pelo “ângulo da lógica”, o problema está aqui: não aceitam  ir com o outro.

Será que a violência social não está incutida no subconsciente das crianças da zona norte que têm entre 10 e 15 anos e vão acompanhados pelos amigos, a pé, para a escola? Ao contrário das nossas que vão montadas nos carros, evitando, inclusive, o vizinho?

Os nossos, que vão de carro, são preguiçosos, têm medo das violências sobre as quais relatamos  dia a dia, ou somos nós, os pais,  que armazenamos todos esses conflitos e entupimos as avenidas de carros e os filhos de traumas?

Será que os conflitos dessas crianças questionadas na zona norte de Araçatuba estão no relacionamento entre eles e, que se resolvem por ali mesmo e não no mundo de fora dos seus universos, por isso vivem livres e podem ir e voltar, a pé, da escola, acompanhadas de outras crianças, sem medo?  Ou por que não há, no universo que as cerca a violência da “superproteção”?

 
Esse não é o resultado das minhas pesquisas, escrevo para registrar as indagações que brotaram a partir do resultado de 3 perguntas, somente 3, de um universo de 80.  

Mas concluo que: se veículos demais acabam prejudicando toda a cidade, excesso de amor mal trabalhado “superproteção” tende a ser bem pior à humanidade.  Daqui volto ao conflito do início: por que as agressões físicas e morais são frequentes nos ambientes onde deveriam ocorrer as discussões saudáveis, ou seja, entre pais e filhos, colegas de escola, professores e alunos?

 Embora não haja resposta exata para a minha  pergunta, posso garantir apenas que a questão enquadra-se em qualquer canto da cidade, para qualquer criança, de qualquer família e de qualquer escola: pública ou privada, que vão ou não a pé de suas casas para qualquer lugar onde queiram chegar.
E eu sigo motivada a formular questões que poderão ou não ser respondidas, não desprezando, assim, a existência dos problemas.

Autoria – Rita Lavoyer
 

6 comentários:

Jorge Sader Filho disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Jorge Sader Filho disse...

Rita, acredito que esta forma de aborrecimento contínuo faça mal não só às crianças, mas aos adultos e idosos também, nestes talvez com maior intensidade.
Abraço.
Jorge

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Mesmo nada conhecendo de Araçatuba e suas peculiaridades, é bastante lógico o seu raciocínio, Rita. Espero que as questões levantadas mereçam o devido debate. Abraços!

Ventura Picasso disse...

Oi Rita - a abordagem de problemas sociais - o isolamento pessoal é imprecindível ao sistema capitalista - em todos os ambientes, cada um é cada um - em casa, na escola, no trânsito, na igreja ou no IML. Poucas famílias usam o diálogo, a compreenção e a paciência para procurar resolver suas pendências - Principalmente procurar entender o outro - a violência é fruto da arrogância de adultos ou pequeninos - cada personagem é clone de um tipo cinematográfico que lhe agrade -Nunca sabemos se seremos respeitados, ao atravessarmos uma rua, na faixa de segurança ou agredidos - o encontro de adversários arrogantes: de um lado o condutor de um automóvel e, de outro um pedestre autoritário - ninguém quer negociar nada...
Pode ser até que este mundo seja dos espertos!

Abilon Naves disse...

Olá Rita,

Permita-me concordar em parte com seus pressupostos.

No entanto, lhe pergunto:

- Já passou pela experiência de "ajudar" a umA menor, pré adolescente, instantes após ser assaltada por outros menores (obviamente* de outro núcleo urbano e social)?

Essa pequena vítima, aterrorizada e toda molhada pela sua própria urina e envergonhada por aquelas condições....

Seus algozes levaram seu celular e, no desespero, a vítima conseguiu gritar e correr até a casa vizinha, do bairro de classe média e alta, em sua maioria...perto do colégio que lhe é bem conhecido, Rita.

- Rita, negocie com a "sua colega", mãe da adolescente, o assunto proteção, na forma exata proposta pelo texto!!!

De qualquer forma, o trânsito é caótico em Araçatuba, a vista de que não houve e não há planejamento urbano; sobretudo porque o código "Plano Diretor Municipal" é encarado como um conto, por todos aqueles a quem de direito não o deveriam, em absoluto.

Abraço.

Rita Lavoyer disse...

Oi, Abilon! Prazer enorme tê-lo aqui no meu espaço, lendo as minhas letrinhas.

Pode concordar em parte, sim! Pode discordar com o todo, inclusive, afinal aprendemos mais com visões contrárias às nossas do que com os que concordam conosco.


Não passei por esta experiência:- de ajudar uma vítima de assalto. Imagino o quão traumática seja essa experiência infeliz, inclusive para quem a socorre.


Como eu observei, os adolescentes com os quais eu desenvolvi meu projeto caminham juntos, formando grupos. Isso os assegura para caminharem livres pelas ruas de suas casas até chegarem à escola. A grande maioria deles também tem celular e carrega o ‘apetrecho’ para onde vão.


Não questionei se já sofreram algum assalto. Pois é... uma pergunta que enriqueceria mais o meu trabalho.


A atitude dessa adolescente foi admirável, conseguiu correr e pedir ajuda.
Conheço, infelizmente, quem sofreria as investidas caladinhos, possibilitando serem fantoches nas mãos dos seus algozes, sem nenhuma reação. Também... se correr o bicho pega, se ficar o bicho rouba. É uma situação conflito que não há como prever as reações dos envolvidos.


Quanto a negociar com a vizinha,com 'elas' a negociação tem mesmo é que ser com os filhos. Colocá-los no carro do vizinho, se reclamarem, que vão a pé!


O trânsito é muito intenso mesmo, e o número de veículos está aumentando. Corro o risco de um dia escrever um texto solicitando que ninguém ande a pé, por causa do perigo que é transitar entre os carros. Cruzes! Que esse dia não chegue por aqui!


Felizmente, o que posso dizer para o nosso conforto, é que nossas crianças têm proteção,

tento não exceder: tornando-a 'superproteção', controlar a minha ansiedade, às vezes extrapolo, sei que falho, na maioria das vezes tentando acertar.
O que não podemos deixar de fazer: - é rezar diariamente. O mundo está precisando demais de DEUS.

Obrigadíssima, Abilon, por participar aqui comigo. Sua família é linda. É para deixar qualquer pai louco para proteger eternamente aquelas lindezas. Parabéns! Que Deus abençoe sempre sua família!

Abração, Rita