CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2015 - Recebeu voto de aplausos pela Câmara Municipal de Araçatuba;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba;

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras;

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de abril de microconto Escambau;

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.

2017 - 24ª classificada no TOP 35, na 2ª semana de outubro de microconto Escambau;

2017 - 15ª classificada no TOP 35, na 3ª semana de outubro de microconto Escambau;

2017 - 1ª classificada no concurso de Poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2017 - 11ª classificada no TOP 35, na 4ª semana de outubro de microconto Escambau;

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

ELE FOI FEITO PRA ELA


 

Ele foi feito pra ela

Durante muito tempo ela o desejou com muita força. Ele era tudo o que ela queria em uma época. Ele estava encostado quando ela o viu, valorizando-o. Tirou-o do “armário”.  Seu corpo começou a querê-lo também.  Ela o cobiçava, ela o comia com os olhos sentindo cada toque dele em sua pele. O seu desejo tornou-se  obsessão. Criou coragem, foi atrás. Ela o tocou  e conversou com ele em segredo. A partir daquele dia tornou-se  o seu confidente.

- Nossa, que absurdo isso!  - ela pensava.

Ele era um pouco maior que ela, tamanho ideal, ideal para que o seu corpo se encaixasse nele.  Perdia o sono imaginando-se com ele, deitando-se com ele, acordando com ele, saindo, passeando com ele, mas ainda não  tinham  se experimentado.

Desejava aparecer com ele em público para que  deixasse de ser um segredo, um desejo apenas. Ela o queria elogiado, porque o  que sentia por ele era imenso. Com ele, estaria linda, extremamente bela. Sentia desde o primeiro momento que ele foi feito pra ela.  Tinha certeza de que não havia mais nenhuma mulher para ele, ainda que outras o experimentassem, ele era dela.  Ela era a única! Convencera-se disso imaginando-o quando os seus traçados foram esquematizados.  Não querendo ser poética, mas apelando: suas  histórias estavam alinhavadas desde quando a linha conheceu a agulha – ela escreveu.

Foi quando entendeu o que significava amor platônico, mas o queria apolíneo. Já não aguentava mais e começou a entender que ele também a desejava, pois trazia a imagem dele impregnada em seus pensamentos. Desejaram-se. Ela foi atrás dele novamente. Ele ainda estava no “armário”, começou  a desconfiar afinal, era belo demais para estar largado.

Não dava mais, ela o abraçou.  Seus braços o trouxeram para  perto do seu peito. O lugar era apenas para os dois.  Havia espelho, despiu-se enquanto ele a aguardava. Ela o trouxe novamente para perto dela. O arrepio revelou-a desesperada por tê-lo. Ela o queria ali, naquele momento, diante do espelho ela se viu inteirinha dentro dele. Deliciou-se  com aquela imagem que tanto cobiçou. Ela  estava, extremamente,  uma mulher linda.  Sentiu toda aquela  perfeição acariciando-lhe a pele. Delirou! Era tudo o que ela queria há tempos de desejos escondidos.  Ajustaram-se perfeitos e ela não queria  parar de experimentá-lo. Tudo nele era gostoso. Ela tinha certeza de que ele era dela. Tinha certeza: era dela! Os seus  joelhos...

Tudo tem um tempo, ali também não podiam se demorar. Ela colocou  a sua roupa, o seu corpo estava suado, dificultando o ajuste. Já estava com vontade de despir-se e tê-lo novamente.  

Saíram, ele nos braços dela. A alegria estampada no seu rosto revelava-a a todos que a viam – “estou feliz!”

Disse bem alto, para que todos não apenas a olhassem, mas também a ouvissem:

 Ele é meu!

 Ele já estava reservado. – ouviu, naquele momento, de uma pessoa qualquer.

 Não! Ele é meu, foi feito pra mim! – disse alterada.

  Senhora, perdoe-me, mas quando o tirou do armário,  já que não quis experimentá-lo na ocasião,  nós o desamarrotamos e o  colocamos na vitrine. Essa senhora passou e o viu,  gostou e o reservou.  Agora ela voltou para pegá-lo.  – foi o que outra vendedora lhe disse enquanto os seus olhos  de mocinha corriam a silhueta desengonçada daquela outra interessada.

  Vou levá-lo para minha neta. – ouviu de uma boca feia.

Esperou-a, talvez desistiria da compra, deixando-o para ela.  Viu os seus sonhos saírem embrulhados para presente. Seus olhos  seguiram  aquela avó pela calçada, enquanto a vendedora tentava lhe mostrar algo desinteressante.

Quando deu por si que aquele  embrulho fugiria dos seus olhos, correu e alcançou  aquela avó.

Na calçada uma velha agonizava, enquanto  uma moça desaparecia na multidão carregando seus desejos nas mãos.

 O meu vestido é lindo, deixa a vista  meus joelhos  -  sorri uma linda mulher  diante do espelho.

Autoria – Rita de Cássia Zuim Lavoyer

 

 

3 comentários:

Jorge Sader Filho disse...

Acontece, Rita, acontece...
Abraço
Jorge

Célia Rangel disse...

Fui enganada direitinho pelo seu ardiloso conto, Rita... Valeu o despertar da sensualidade...
Abraço!

Rita Lavoyer disse...

Acontece, Jorge! Por isso não percamos oportunidades.

Até eu, Célia. quase me enganei achando que fosse eu no vestido.