CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura


terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Mamãe-Noela e os Três Magrinhos

Rita de Cássia Zuim Lavoyer
No morro da Judeia, Papai-Noel nunca deu as caras. Por isso, Noela e seus amiguinhos nunca traçaram nada do tal velhinho. Não seria naquele Natal também. Eram secos de vontade de descerem numa chaminé dentro do saco do ancião. Sorte ou destino, o velho estava a salvo da degola.
Noela não aceitava viver tanta desgraceira com tão pouca idade. Viu vários guardas de Heródes metralharem seus irmãos de pobreza sem terem, sequer, a oportunidade de irem para a cruz. De tempo em tempo, abria-se a temporada de caça às crianças. Sofriam, sofria. Assistia as Marias derramarem-se em palavrões contra os perseguidores de seus Messias, enquanto Madalenas, que aprenderam suas funções com os reis, distraiam seus súditos, evitando mais derramamentos de sangue.
As Marias que usavam saias embrulhavam seus filhos mortos nelas. As de shortinhos agarrados, arrastavam-nos pelos pés, arrependidas por não tê-los abandonados num rio, dentro de um cesto, logo que nasceram.
 Noela resolveu topar a cantada do Anjinho, o loiro de olhos azuis que morava na casa mais alta do morro. Decidiram que naquele Lava-Jato, logo na boca do morro, se dariam bem naquela investida planejada.
Nem piscaram e já estavam fugindo num importado. Com as burras cheias de verdinhas, rumaram pra Belém. Lá ninguém os encontraria, sonhava Noela. Iam vender ervas medicinais, empanturrarem-se de pupunha e tapioca – coisa que assistiram, com água na boca, num canal educativo. Fariam a vida, teriam um filho que expulsaria os vendilhões dos Palácios para serem únicos no ramo.
Pararam na região centro-oeste para abastecer. Contemplando o céu de estrelas, avistaram a matriz do negócio e, vendo que o terreno era propício, aplicaram ali também o que liam nas HQs do Mestre do ABCDário.
No trajeto, depararam-se com três Magrinhos que se identificaram: Belchior, um latino-americano sem dinheiro no bolso, Baltasar Sete-Sóis, que fora expulso do “Memorial do Convento” por sua alcunha ser responsável pela seca do Nordeste, e Gaspar - vulgo Zinho - sócio laranja de empresa fantasma.
Apiedou-se, o casalzinho abriu as sacolas e molhou os bicos dos três com 51 ardentes notas verdinhas. Os três disfarçados acionaram seus garçons que preparavam P.F. e ambos foram torturados com carne da “Fribode” até confessarem a origem do dinheiro. Anjinho, de barriga cheia, seguia mudo.
Noela já dava a última garfada, empanturrada, delatou:
- Pegamus do Lava-Jato apenas o que vazava pelo ladrão. Nóis queria ser  fascista, reacionáriu, petulanti, arroganti, ignoranti. Queria ter esses negóciou de abominação ética e cognitiva, essas coisa bunita aí que ouvimu falá de grã-fino que recebe Papai-Noel pela chaminé na véspera de Natal.
Por ter assinado a declaração como sujeito do discurso, Noela foi premiada, voltou pro morro e, orientada, filiou-se a um partido. Virou mãezona, veste roupa de Mamãe-Noela sempre e promove ceias em qualquer ocasião, na comunidade, para herbívoros e carnívoros. Anjinho, por apelo dos amigos, ainda é procurado, mas numa denúncia anônima informaram tê-lo visto na fila do “Auto da Barca do Inferno”.
Muitos passaram a acreditar nas bondades da Mamãe-Noela que, por cognição, realiza sonhos de quem quer descer pelas chaminés das casas dos “fascistas, reacionários, petulantes, arrogantes”, só não nas chaminés dos três Magrinhos. Lá eles jogam doces: balas e bombas.

4 comentários:

Jorge Sader Filho disse...

Pois é assim mesmo, Rita.
"Balas e bombas."
Grande abraço

Célia Rangel disse...

Tenho certeza de que acabamos de ver pela mídia em geral, a "festança da Mamãe-Noela" que de "Lava-jato" fica apenas com o "jato" e em altos mares se refresca... Essa, não pensa em descer pela chaminé, ainda bem, pois, ficaria entalada e as bombas? Explodiriam-na!
Beijos de "jingobel"...

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Um Natal bem verde e amarelo. Infelizmente, no pior e mais trágico sentido possível... Mais uma fábula com a sua marca, Rita. Muito bom!

Helcio Almeida disse...

Excelente Rita. Você deu cores extravagantes a uma quase tragédia. Adorei.