CLASSIFICAÇÕES EM CONCURSOS LITERÁRIOS

PREMIAÇÕES LITERÁRIAS

2007 - 1ª colocada no Concurso de poesia "Osmair Zanardi", promovido pela Academia Araçatubense de Letras;

2010 - Menção Honrosa no Concurso Nacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2012 - 2ª classificada no Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2014 – Menção honrosa Concurso Internacional de Contos Cidade de Araçatuba;

2015 – Menção honrosa no V Concurso Nacional de Contos cidade de Lins;

2015 - PRIMEIRA CLASSIFICADA no 26º Concurso Nacional de Contos Paulo Leminski, Toledo-PR;

2016 – 2ª classificada no Concurso Nacional de contos Cidade de Araçatuba.

2016 - Classificada no X CLIPP - concurso literário de Presidente Prudente Ruth Campos, categoria poesia.

2016 - 3ª classificada na AFEMIL- Concurso Nacional de crônicas da Academia Feminina Mineira de Letras.

2012 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - Recebeu o troféu Odete Costa na categoria Literatura

2017 - 13ª classifica no TOP 35 na 4ª semana de abril de microconto Escambau.

2017 - Classificada no 7º Concurso de microconto de humor de Piracicaba.


terça-feira, 8 de setembro de 2015

FLORES AO LIXO

               
  Pela manhã, fui jogar o pouco que sobra – o que não dá mesmo para  ser consumido – no lixo, naquela área do condomínio onde todos, pelo menos, deveríamos ser iguais. O cesto dos reciclados estava sem a tampa e não tive coragem de soltar a minha mísera sacolinha sobre o ramalhete  visivelmente desprezado nele. 
       Por que?, perguntei-me. Observei aquele mimo com o coração acelerado. O viço dos botões vermelhos deu-me a certeza de que a entrega do presente acontecera no final da tarde do dia anterior. O celofane  não  trazia um amassado sequer; o papel de seda pink, que escondia os caules das flores, não apresentava uma mancha. Tinha certeza do momento daquela entrega.  
    Puxa! Nem o laço majestoso  tocou o coração da moçoila, evitando o descartar do presente  daquela forma,  ainda com o cartão, no reciclado?

                Descansei meu lixinho  no chão e acolhi “aquela declaração de carinho” em meus braços. Pude sentir o desejo que       fez bater mais forte o coraçãozinho de quem a enviou. Quis pegar       aquele mimo, guardando-o.

                Oh, menino! Você  pediu o dinheiro à sua mãe, tenho certeza, mentiu para ela, dizendo  que compraria um livro e não o fez, porque  a grana era para o agrado à sua pretendente...

                Oh, menino! Você pediu uma sugestão à melhor amiga daquela a quem pretendia sua  affair...   Oh, menino! Você foi a pé  comprar as flores para a menina que vem roubando-lhe    o sono e foi você, menino, com a sua  letrinha de adolescente, quem escreveu o bilhete revelação  à ela. Eu o li inteiro! Tudo bem, falhas acontecem em textos ditados pelo coração.

             Menino,  não vou contar  a sua  revelação , tão pura e cheia de sonhos que os meninos de   hoje não vivem mais.

                Você, menino, é um amor fora do tempo, de um tempo em que se acorda à noite ouvindo a  voz da amada, baixinho,  ao seu ouvido e seus sentidos respondem, de joelhos, às  perguntas dela, porque ela é o anjo que o abençoa e a diaba que o faz  praguejar contra quem lhe ensinou  boas maneiras, afirmando que cavalheirismo nunca saiu de moda. Você, menino, é a própria força que o exorta a ser o que você é de verdade; ela o mecanismo disso tudo, a contradição de sua idade e sua    razão, a porta que você imagina seja o caminho para o seu futuro feliz.  Ela é a causa das suas  façanhas, das suas gafes, das suas bochechas avermelhadas e dos suores que lhe escorrem na face  que espera um beijo.
                Ah, menina, por que jogou, sem rasgar o bilhete, aquele ramalhete  tão lindo no lixo reciclado? Ninguém lhe ensinou, menina mal- educada, que  quem com amor fere com outro será  ferido?

               Ah, menina, a sua indelicadeza muito me atormentou. Qual é o seu problema para   desprezar  o gesto nobre do seu admirador, tão carinhoso e tão humanamente apreciado  por quem  deseja um grande amor, mas  tão esquecido pelos marmanjos desclassificados  de hoje?

            Ah, menina, esse seu procedimento para com o presente lembrou-me uma menina que eu  conheci. Convivi demais com ela para saber, entendendo,  o que você fez.         Não precisa me dar  respostas, entendo seus segredos lembrando-me da “revelação”  do menino que a admira e de outro   que, no passado, também admirava outra  menina que o desprezou após a revelação.

            As semelhanças se avizinham e quando você, menina,  estiver do outro  lado da leitura,  sentirá, tomara, um prazer enorme em reviver seus momentos de pequena, porém, feroz   arrebatadora, entendendo  que, quando uma flor,  apenas,  lhe flechar a alma, nem dos espinhos dela   quererá se soltar, quanto mais despejá-la ao lixo.

           Com as flores nos braços, depositei  meu lixinho no reciclado e  aquele presente eu o  acomodei delicadamente no cesto dos orgânicos, corrigindo seu fim, porém  respeitando o desejo da destinatária, cujas  “revelações”  não foram  suficientes para  torná-la menos insensível.    

           Só com o  tempo entendemos o quanto as flores falam sobre o que nos é  secreto,  aprendendo, inclusive, o que pode ser reciclado ou não. Tampei os cestos, deixando a história lá,  e  saí.  

             Nada de pegar o lixo dos outros.

     Autora: Rita Lavoyer

5 comentários:

Marcelo Pirajá Sguassábia disse...

Que injusto desprezo! Vai entender... Bacana, Rita. Um beijo pra você.

Célia Rangel disse...

As flores... do nosso nascer ao nosso morrer, em geral, nos acompanham, silenciosamente... Não revelam segredo algum e, em datas especiais, sempre se apresentam...
Abraço

Rita Lavoyer disse...

Há muitas injustiças nesta história, MArcelo. Inclusive o desconhecimento da versão da menina.

Rita Lavoyer disse...

Verdade, Célia! As flores não falam, nem exalam o perfume de ninguém. Além de enfeitarem jardins e vasos, servem também para nos ajudar nas frases de efeito.

silvioafonso disse...

Mais que delícia de blog.
Acho que vou segui-lo.
Será que você vai seguir
o meu?

Beijos,





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